Neste tópico discute-se a definição de indústria tradicional em relação aos padrões concorrência de competitividade e estrutura de mercado, para então focar e direcionar a indústria de móveis. A indústria moveleira segundo Ferraz; Kupfer e Haguenauer (1997), está dentro do que se denomina de indústria tradicional, que é composta pelos segmentos e setores alimentar, têxtil e vestuário, calçados e do moveleiro, que geralmente estão muito mais evidentes em regiões ou países em desenvolvimento ou emergentes. No Quadro 3.1 observam-se algumas particularidades deste grupo da indústria tradicional em relação a fatores significantes que espelham a sua competitividade.
Ferraz; Kupfer e Haguenauer (1997) afirmam que na maioria das vezes o grupo da indústria tradicional é constituído pela existência da presença de muitas empresas, de múltiplos tamanhos, sendo os empreendimentos de pequenos e médios portes, com distintos níveis de desempenho e de capacitação produtiva, com baixos níveis de competitividade e de padronização análoga de estratégias. Isso faz da heterogeneidade competitiva um fator básico desse grupo em todo o mundo.
Ao levar em conta as características determinadas no quadro 3.1, as indústrias tradicionais, de forma geral, apresentam aspectos de organização aparentemente mais voltadas ao funcionamento do mercado de concorrência perfeita, também nomeada de competitiva ou pura, mas também existem setores direcionados ao oligopólio competitivo.
No Brasil, os setores e segmentos desse grupo tradicional são proeminentes para a constituição do diagnóstico competitivo da estrutura industrial da nação, em que a análise é composta dos valores da produção e da transformação industrial, que detém grande impacto nos ganhos de produtividade e na expansão do mercado interno; e também devido à existência de vantagens comparativas descobertas pelo desempenho exportador relevante
para, países em desenvolvimento ou emergente. (FERRAZ; KUPFER; HAGUENAUER, 1997)
Quadro 3.1: Padrões concorrenciais, de competitividade e estrutura de mercado.
Fatores Caracterização Fontes das Vantagens Competitivas
Fontes das Vantagens Competitivas Internas à Empresa
Estrutura de Mercado
Regime de Incentivos e Regulação Estruturais Configurações Estruturais da Indústria Procedimentos, Atividades e Capacidade Produtiva Investimentos e Mercado Intensidade Tecnológica e Inovação Qualidade;
eficácia e eficiência da gestão e vocação empreendedora de seus dire- tores especialmente em relação ao grau de modernização das técnicas de administração de matérias-primas, mão-de-obra e equipamentos; controle da qualidade e produdividade;
segmentação por níveis de renda dos compradores e por variedade dos tipos de produtos;
predicados competitivos dos produtos são: o preço, a marca, a rapidez de entrega, a adequação ao uso e o atendimento as especificações; operação local, nacional e internacional;
defesa da concorrência e do consumidor, tributação, legislação anti-
dumping, normas de segurança e meio-ambiente, e registro de marcas;
produtoras de economias de aglomeração, em regra configuradas em pólos regionais de produção;
constituição e articulação de redes horizontais e verticais; tecnologia industrial básica e informação tecnológica;
tipos de articulações: centrais de compra de matérias-primas e de mar
keting, programas de capacitação de recursos humanos e de serviços
de treinamento de pessoal, desenvolvimento e implantação de sistemas de gestão e controles gerenciais, introdução de sistemas CAD/CAM pa ra utilização compartilhada, organização de eventos, centros de infor- mação de tendências e de tecnologias;
a capacidade da produção é modificada pela agitação da demanda; as sazonalidades de mercado causam picos passageiros de produção; facilidades de ampliar a capacidade de produção, em prazos relativa- mente curtos;
atividades de montagem em lotes ou em massa, com a apresentação de alta variedade de produtos;
pequenas quantidades de requisitos de escala mínima de produção; intensa flexibilidade das escalas de produção;
baixa relação capital/produto;
o pequeno porte empresarial atrapalha alcançar o tamanho mínimo econômico;
as mutações de produção e demanda, carecem de grandes esforços pa- ra se estabelecer no mercado, porém os investimentos são reativos à de manda;
multiplicidade de produtos de baixa intensidade tecnológica; usuários de inovações externas, como o acesso aos bens de capital e aos insumos químicos,principais causas de seus avanços técnicos; essas inovações não distinguem expressivamente as empresas; o tamanho mínimo econômico não atingido atrapalha a incorporação dessas inovações;
design.
De uma forma geral, a indústria moveleira, pertencente ao grupo tradicional, segundo Campanhola (2008) e Geremia (2004), possui as seguintes características:
• predomínio de empresas de pequeno e médio porte operacionalizando em nichos de mercado;
• segmento tradicional da indústria low-tech, com uma dinâmica inovativa, por meio de relações usuário e produtor, conectada a relacionamentos com fornecedores de máquinas e equipamentos, adoção de novos materiais e aperfeiçoamento do projeto ou design/ desenvolvimento de produtos, que é o único fator próprio de inovação da indústria moveleira;
• grau pequeno de barreiras à entrada devido à mínima proteção de patentes e carência de economias de escala altas na produção;
• forte em mão-de-obra, embora exista crescente automatização da produção em alguns segmentos específicos como o de móveis de madeira retilíneos; • elevadamente fragmentada e com baixa divisão social do trabalho e,
portanto, constitui-se um relevante ramo industrial para o incremento do nível de emprego para as nações em desenvolvimento;
• geralmente, desenvolve-se em aglomerações produtivas, como resultado de externalidades positivas oferecidas pelo espaço geográfico onde são formadas.
Além das propriedades acima, a indústria moveleira do Brasil, para Campanhola (2008) e Flores (2005) tem as seguintes características:
• elevada quantidade de micro, pequenas e médias empresas; • segmentação de mercado;
• grande absorção de mão-de-obra;
• predominância de empresas de capital nacional, pequena participação de capital estrangeiro para o segmento de móveis de escritório;
• setor com alto nível de verticalização;
• alta heterogeneidade inter-regional e intra-setorial ligada à existência de distintos pólos regionais.
Assim é, nesse contexto e critérios descritos neste tópico, que também se encontra inserida a indústria moveleira de uma forma geral, enraizada e distribuída no território brasileiro e mundial. E, portanto, merece ser discutida do ponto de vista mundial e nacional.