CAP EMPLO
80 DYNAMIQUES TERRITORIALISÉES DU CHAMP DE L’INTERMÉDIATION / ÉTUDES ET RECHERCHES
A TARV associada à ampliação de políticas de prevenção e controle da infecção melhoraram significativamente as taxas de mortalidade e a expectativa de vida entre as PVHIV/AIDS. No entanto, para o sucesso da terapia, é fundamental que os pacientes estejam conscientes e sensibilizados da importância da correta adesão ao tratamento (FONSECA et al., 2012). Muitos indivíduos em uso de TARV não alcançam ou não mantêm uma adequada supressão virológica ao longo do tempo e, consequentemente, têm um risco aumentado de progressão da infecção (SALDANHA et al., 2009). O fator determinante do grau e da duração da supressão virológica do HIV é a adesão ao regime de tratamento, que tipicamente consiste de múltiplos medicamentos (SANTOS, SILVA, SOARES, 2010). A má adesão ao tratamento pode ser explicada pela complexidade dos esquemas de tratamento, o que envolve a quantidade de comprimidos, as necessidades alimentares, as interações entre fármacos e os sérios efeitos adversos (RUEDA et al., 2006; BRASIL, 2008; KRUMMENACHERet al, 2011).
No Brasil, uma das medidas fundamentais para o controle da epidemia de HIV/AIDS tem sido a garantia de acesso, pelo Ministério da Saúde, aos medicamentos ARV para indivíduos que deles necessitem (GOMES, 2009; BRASIL, 2012). No entanto, apenas a acessibilidade não garante a efetividade da TARV, uma vez que esta requer um nível de adesão ao tratamento em torno de 95%-100% (PARTERSON et al, 2000; CHEN et al., 2007; ROCHA et al, 2011).
A compreensão insuficiente sobre o uso correto dos medicamentos e a falta de informação sobre os riscos, advindos do não cumprimento da terapia prescrita, são aspectos que podem levar o indivíduo a não aderir ao tratamento (BRASIL, 2010). Por isso, fornecer orientação e informação aos pacientes sobre os seus medicamentos é um princípio essencial da farmacoterapia racional que busca assegurar sua adequada utilização (CECCATO et al, 2008). Neste sentido, torna-se estratégica a implantação da AF para incrementar a efetividade do tratamento dos pacientes infectados pelo HIV no país (SILVEIRA et al., 2010).
Através do AFT, macro-componente estratégico do exercício da AF, os PRM, em particular aos fármacos ARV, podem ser detectados (SOUZA et al., 2010). De fato, o AFT consiste em monitorar o uso do medicamento (CODINA-JANÉ et al., 2004), na busca do efeito esperado pelo médico que o prescreveu e prevenir, ou mesmo intervir de forma precoce, quanto ao surgimento de efeitos não desejados (CERDÁ E ALMINÃNA, 2004). O serviço abrange a detecção,
identificação, prevenção e resolução de todos os PRM que, eventualmente, possam comprometer os resultados da terapia farmacológica (VALÍN, 2004) e realizar, concomitantemente, ações de promoção de saúde.
Em decorrência da condição indispensável de se obter elevados índices de adesão (>95%) à TARV (PATERSON et al, 2000; ROCHA et al, 2011), é necessário uma monitorização minuciosa e contínua da mesma (ANDRÉ, 2013), já que além desta classe de medicamentos, são geralmente prescritos antibióticos profiláticos, fármacos para as infecções oportunistas e outros para as comorbidades (COSTA, 2012). Estudos demonstraram uma diminuição significativa nos erros de medicação em instituições nas quais farmacêuticos realizam intervenções com a equipe clínica (ARMANDO et al, 2005; KABOLI et al., 2006; KOPP et al., 2007; NUNES et al., 2008; RIJDT et al., 2008; CHISHOLM-BURNS et al., 2010; STARK et al., 2011; BELLO e BELLO, 2013). Essas publicações reforçam a ideia de que a intervenção farmacêutica pode colaborar na redução do número de eventos adversos, aumentar a satisfação do atendimento e a qualidade de vida do usuário, bem como diminuir custos hospitalares.
O AFT constitui um processo de trabalho sistemático e documentado que visa aperfeiçoar os resultados terapêuticos dos pacientes já sob tratamento médico anterior (DADER et al, 2008). O farmacêutico provedor deste serviço atua de forma colaborativa com o prescritor e jamais de modo a realizar diagnóstico, prognóstico e alteração ou suspensão de tratamentos prescritos (OLIVEIRA, 2011).
Nesse contexto, para melhorar o processo de cuidado ao paciente portador do HIV, no Centro de Especialidades Médicas José de Alencar (CEMJA), delineou-se este estudo, buscando relatar as etapas de estruturação, implantação e análise da AF, para esse público-alvo, em nível local, descrevendo os mecanismos relacionados a este serviço, em especial aos macro componentes: a) acompanhamento farmacoterapêutico, b) orientação farmacêutica, c)
dispensação e d) documentação e registro das atividades, intervenções e indicadores clínicos, humanísticos e de adesão à terapia antirretroviral.
Esse cenário é bem propício para o desenvolvimento de um plano de cuidados para as pessoas que vivem com HIV devido à natureza ainda estigmatizante da doença no âmbito social e ao cultural que acarreta diretamente dificuldades de enfrentamento do tratamento e, por conseguinte, na adesão ao mesmo que finaliza em pior prognóstico (RODRIGUES, COSTA DE SOUZA et al., 2010).
A perspectiva é que a partir da análise desse presente estudo e com a sistematização da documentação e registro conseguidos para o exercício da AF nesse nível, outros serviços (Unidades de Cuidado Farmacêutico) no estado do Ceará, de assistência ao indivíduo vivendo com HIV, sejam estruturados. Vislumbra-se também que esta abordagem metodológica possa contribuir para a melhoria na qualidade dos trabalhos na área da AF. Busca-se também avaliar a influência do desenvolvimento de um AFT nessa população estudada, tema esse, ainda muito incipiente no nosso país.
3. OBJETIVOS
3.1 Geral
Analisar o acompanhamento das PVHIV/AIDS, assistidos em uma unidade de saúde ambulatorial de referência, a partir da adequação, aplicação e avaliação de indicadores clínico-laboratoriais, farmacoterapêuticos e humanísticos, no contexto temático da AF.
3.2 Específicos
Estruturar, com base na necessidade de documentação e registro, instrumentos para a prática da atenção farmacêutica, realizando adaptações e aplicação ao público-alvo em estudo;
Delinear o perfil farmacoepidemiológico e o estilo de vida das PVHIV/AIDS, atendidas em um centro especializado de assistência a essas pessoas, no Estado do Ceará;
Identificar, os Problemas Relacionados com os Medicamentos Antirretrovirais (PRM- ARV) na população estudada, prevenindo-os e resolvendo-os através das intervenções farmacêuticas;
Analisar o AFT, através de indicadores de resultado: clínico-laboratoriais (determinação do
valor de linfócitos T CD4+e determinação do valor da carga viral), farmacoterapêuticos
(incidência dos tipos de problemas relacionados aos medicamentos antirretrovirais; medidas de adesão - avaliação metodológica, determinação do perfil de cumprimento do
plano farmacoterapêutico antirretroviral e seus fatores relacionados) e humanísticos
(qualidade de vida e satisfação do paciente com relação ao farmacêutico-clínico e com o
programa de atenção farmacêutica).
.
4. MÉTODOS
4.1. Desenho do estudo
O modelo deste trabalho consistiu em um estudo longitudinal e prospectivo fundamentado na aplicação de estudos de dados de mundo real, no âmbito dos pressupostos filosóficos e operacionais da AF, desenvolvido de acordo com o Método Dáder (MACHUCA et al., 2003), envolvendo as seguintes etapas: 1. Oferta do serviço; 2. Entrevista inicial; 3.Estado de situação; 4.
Fase de estudo; 5. Avaliação global; 6. Intervenção farmacêutica e, 7. Avaliação dos resultados.
O Método Dáder consiste em uma ferramenta de prática da AF que foi desenvolvida pelo Grupo de Investigação em Atenção Farmacêutica da Universidade de Granada, na Espanha, e envolve uma cascata consecutiva de encontros (atendimentos farmacêuticos), com entrevistas previamente agendadas, com pacientes-alvo.
Para uma melhor compreensão sobre o Método Dáder, um detalhamento da filosofia operacional deste processo de AFT, bem como as adaptações aplicadas neste estudo é apresentado abaixo: