P REMIERE PARTIE
I. L’élaboration de l’objet d’étude
I.3. Prolégomènes sur la posture quant au christianisme éthiopien et au VIH
Na amostra do Reino Unido de 45.854 gravidezes únicas, dividida entre grupo de doenças autoimunes (AI=361 casos) e grupo controlo sem doenças autoimunes (NAI=45.493 casos), encontrou-se uma diferença significativa na variável ‘idade materna’, mais elevada no grupo AI (33,11 anos) do que no grupo NAI (32,03 anos).
Detalhando por doença, a DC (33,50 anos), a CU (32,98 anos) e o subgrupo Outros (32,07 anos) apresentaram diferenças significativas (p<0,05), o SAF (34,85 anos) e a AR (34,07 anos) diferenças muito significativas (p< 0,01), não se encontrando diferenças nas grávidas com EM e LES (n=47, 31.84 anos).
Estes achados, de um modo global, estão de acordo com os dados epidemiológicos que re- ferem que a idade de início de algumas da doenças autoimunes (eg, AR, SS e SSc) se situa a partir dos 40-50 anos(30,55), pelo que o encontro entre o diagnóstico definitivo da doença e a gravidez obriga a que esta última seja obrigatoriamente tardia.
Nos casos do LES e da EM, cujas idades de início se encontram respectivamente nos escalões etários 15-40 anos e 20-30 anos, a gravidez ocorre mais habitualmente mais cedo, o que é con- gruente com a não existência no nosso estudo de diferenças significativas na idade materna relativamente ao grupo sem patologia AI. Por outro lado, se no passado era de certa maneira
desaconselhada a gravidez às mulheres com LES(99), actualmente a realidade é completamen- te distinta, fruto da melhor compreensão da fisiopatologia da doença e do estabelecimento de novos modelos de intervenção multidisciplinar(98,100), que vieram permitir um planeamen- to mais preciso da gravidez, de acordo com os períodos de remissão da doença(62).
Relativamente ao subgrupo SAF, que em cerca de 40 a 50% está associado a um diagnóstico anterior de LES, poder-se-ia esperar que não existissem também diferenças significativas na idade materna. No entanto, nesta patologia as diferenças foram altamente significativas (p< 0,01), que pensamos poderem ser atribuídas à própria evolução natural do SAF, que é carac- terizada por frequentes eventos obstétricos (abortos e perda fetal recorrente)(103), os quais poderão contribuir para uma ocorrência mais tardia da gravidez.
No subgrupo das DII, apesar da maior incidência ocorrer nos anos férteis e de as mulheres com DII não terem a sua fertilidade diminuída, quando comparadas com a população em geral(237), a justificação mais uma vez poderá residir na história natural destas doenças, em que a ocorrência frequente de complicações pós-cirúrgicas aumenta indirectamente o re- curso aos métodos de reprodução medicamente assistida, com a consequente demora em engravidar(59,238).
Relativamente à amostra Portuguesa e no que diz respeito à idade materna, não foram encon- tradas diferenças significativas entre o grupo NAI e o grupo AI.
Passando agora à comparação da ‘idade gestacional à data do parto’ (medida em semanas), verificou-se que esta era significativamente menor (p<0,01) no grupo AI (mediana - 39,55) que no grupo controlo NAI (mediana - 40,05), acontecendo o mesmo com a variável ‘peso ao nascer’, significativamente menor no grupo AI.
Na amostra Portuguesa não foram encontradas diferenças significativas no que diz respeito à idade gestacional à data do parto nem relativamente ao peso ao nascer, apesar de a primeira destas variáveis apresentar uma ligeira tendência para ser mais baixa (AI-37,86 semanas) . Detalhando por patologia, verifica-se que as diferenças mais significativas, tanto na idade gestacional no momento do parto como no peso ao nascer, foram encontradas na doença de Crohn, na AR e no LES. Estes achados reforçam a ideia de que, apesar dos inegáveis desenvol- vimentos científicos e terapêuticos ocorridos nos últimos anos, a gravidez no LES continua a constituir uma condição não desprovida de risco(239), estando associada a significativa morbilidade fetal e neonatal(30).
Como se sabe, a gravidez em mulheres com doenças inflamatórias (eg, AR, LES, DII) está as- sociada, em maior ou menor grau, a eventos perinatais adversos(228), nomeadamente a abor- tos, prematuridade, perturbações do crescimento fetal e morte fetal(36,101,112,124), que se pensa poderem resultar fisiopatologicamente de alterações imunológicas na placenta(98). Por seu lado, a prematuridade está associada no curto prazo a doença pulmonar crónica, lesão cerebral grave e sépsis neonatal, e no médio-longo prazo a doença cardiovascular, hiperten- são, diabetes e obesidade(103,124).
A possibilidade da ocorrência, no momento da concepção ou no decurso da gestação, de eventos reconhecidos como factores de risco (e indicadores de mau prognóstico) tais como a exacerbação lúpica, a nefrite lúpica, as complicações hipertensivas e/ou PE e o SAF 2º, aumenta a probabilidade de aparecimento de complicações perinatais adversas, as quais são numericamente tão importantes como as decorrentes das aneuploidias(10,124,125).
Pelo exposto acima, a diferença muito significativa na idade gestacional no parto da grupo AI (e concretamente no subgrupo LES), e tendo em conta o intervalo de confiança de 37,68 – 40,25 semanas, poderá indicar que existe uma tendência para partos mais precoces, apesar de na amostra não se ter configurado a definição de prematuridade15.
No que diz respeito à AR, apesar da baixa casuística de co-ocorrência da gravidez(104), vários autores referem um risco aumentado de prematuridade e de perturbações do crescimento fetal nas grávidas com artrite inflamatória(62,110,111,124). Também no subgrupo AR os resultados não permitem configurar a definição de prematuridade nem de perturbações do crescimento. No subgrupo SAF não foram encontradas diferenças quer na idade gestacional no parto, quer no peso ao nascer. Este aspecto é particularmente interessante, uma vez que o SAF não tratado está associado a uma taxa muito alta de aborto (até 90%), a pré-eclâmpsia, a RCF e a parto pré-termo(103). Com a introdução da aspirina de baixa dose (75-100 mg/d), com ou sem heparina de baixo peso molecular(10), estes eventos têm-se modificado, atingindo-se uma taxa de sucesso de 80% de nascimentos sem eventos adversos associados. Esta poderá ser a explicação dos resultados obtidos no nosso estudo, tendo em vista que as grávidas se encontravam em seguimento médico de acordo com as normas em vigor no Reino Unido.
15. Recém-nascido prematuro (def. OMS) ou pré-termo: todo aquele que nasce antes da 37ª semana completa de gestação. Os recém-nascidos podem ser classificados em prematuros limiar, (entre 33 e 36 semanas de gestação ou peso ao nascer entre 1500 e 2500 gramas), prematuros moderados (entre as 28 e as 32 semanas de gestação ou peso ao nascer entre 1000 e 1500 gramas) ou em prematuros extremos (<28 semanas ou peso ao nascer abaixo dos 1000 gramas).
No subgrupo DII e relativamente aos indicadores de resultados da gravidez, a idade gestacio- nal no parto assim como o peso ao nascer, na DC apresentam diferença muito significativas. Apesar de muitas mulheres considerarem engravidar, continuam a ocorrer desfechos obsté- tricos adversos: vários autores referem que nestas doenças, mais do que a taxa de recidivas (que não apresenta diferenças para com a população geral), é o grau de actividade das doen- ças na altura da concepção, que define o seu curso e as complicações obstétricas(61,238,240), pelo que a gravidez tem de ser planeada para uma fase e remissão(237). Ter uma doença infla- matória intestinal e eventual história de cirurgia constitui forte predictor de desfecho adverso da gravidez (108): a doença de Crohn, caracterizada por uma inflamação intestinal crónica, está muitas vezes associada à má-nutrição, com repercussões importantes nas fases críticas do crescimento e diferenciação fetal. Existe, portanto, um risco acrescido, nas mulheres com doença de Crohn, de terem fetos com RCF(60).