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Dans le document L’état du mal-logement en France (Page 193-196)

Autoestima, autorrespeito e o autoconhecimento, são conceitos que se completam para o entendimento do que seja o sentimento de ser diferente tanto individualmente

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Não adianta pensarmos que não existe senso comum, porque mesmo diante da globalização do pensar, ele existe. Seriamos hipócritas se não admitíssemos isso, concordando ou não. A forma de um comportamento humano tido por “adequado” é notório: ter é melhor que ser. Não acreditamos que este modelo preconcebido através dos tempos como “ideal”, seja o melhor, porque não é. Perseguir um modelo que não pode ser alcançado por todos, não é um modelo, é um dogma, portanto é que a princípio, não poderíamos questionar, mas que devemos questionar agora, inicialmente através do estudo feito por este trabalho.

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quanto diante da situação de não se enquadrar a nenhum grupo, ou por não conter as características gerais para tanto, ou por uma livre escolha de ser diferente, por sentir-se assim, efetivando e exercendo um verdadeiro direito a ser diferente.

Mesmo que brevemente345, sem a necessidade de um aprofundamento, definir e contextualizar o que sejam: autoconhecimento, autoestima e autorrespeito é necessário para que o diferente e as diferenças se fortaleçam como seres em si, antes de pensarem nas questões de pertencimento a grupos, pois a hipocrisia dos debates envolvidos aqui é enorme e merece a atenção diante da aparência de igualdade e das distorções sobre os estudos da igualdade como valor e não somente como um princípio.

Quando conhecemos a nós mesmos, intrinsecamente, falamos em autoconhecimento. Quando uma pessoa conhece a si mesmo, muito bem, o autocontrole sobre as emoções, evidentemente, é muito mais fácil, e a forma de encarar os problemas cotidianos e as dificuldades naturais da convivência humana, tornam-se também mais simples de serem solucionados ou minorados.

Entendemos por autoestima, a forma como a própria pessoa se aprecia em relação à sua autoconfiança e autorrespeito. Se tivermos uma boa apreciação de nós mesmos, podemos enfrentar os desafios e as críticas ao nosso comportamento cotidiano de maneira mais fácil. Ela começa a ser formada na infância, e dá ensejo ao seu crescimento enquanto ser humano e à formação de seus valores pessoais. Quando temos baixa autoestima, a primeira consequência é a vontade de agradar aos outros, pois pessoas que detém este traço, geralmente são inseguras, indecisas e por isso, criticadas ao longo da vida transformando-as em vítimas de preconceitos e discriminações. A autoestima é um aspecto do ser humano que deve ser observado, para entender a forma como os comportamentos e ações diante da sociedade e das relações interpessoais acontecerão.

JOHN RAWLS também trata da temática da autoestima sob outro enfoque e interessante dentro da Teoria da justiça que propõe, pois diz que: “Todos os valores sociais - liberdade e oportunidade, renda e riqueza, e as bases sociais da autoestima - devem ser distribuídos igualitariamente a não ser que uma distribuição desigual de um ou de todos esses valores traga vantagens para todos.”346

345 Aqui o objetivo é introduzir ideias iniciais no tema sem a intenção de esgotar ou apresentar uma longa

análise da Psicologia, sobre estes três enfoques.

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RAWLS, John. Uma teoria da justiça. Tradução Almiro Pisetta e Lenita Maria Rímoli Esteves. São Paulo: Martins Fontes, 2002. p. 66.

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Por vezes a autoestima347 vem ligada à autoaceitação e à autoconfiança, sendo, portanto, conceitos que devem ser analisados conjuntamente em prol de estabelecer como os diferentes e as diferenças se relacionam internamente como serem em si e perante o “grupo ao qual pertençam”.

Estabeleçamos que autoconceito seja definido como crenças que tenho sobre mim e autoestima definida como valorização de mim.

Na afirmação de FABIO KONDER COMPARATO é possível identificar a importância da autoconsciência do homem como um ser em si:

Contrariamente aos outros animais, o homem não tem apenas memória de fatos exteriores, incorporada aos mecanismos de seus instintos, mas possui a consciência de sua própria subjetividade, no tempo e no espaço; sobretudo, consciência de sua condição de ser vivente e mortal. A

evolução vital e a acumulação da memória histórica não apagam nunca, em cada um de nós, a permanência consiste na identidade do ser. O homem é, portanto, essencialmente, um animal reflexivo,

capaz de se enxergar como sujeito no mundo.348 (Grifo nosso).

Tal como define CARL ROGERS349, o autoconhecimento em prol de um crescimento, faz parte do processo para nos tornarmos pessoas, através das escolhas, a saber:

Podemos optar por utilizar nossos conhecimentos crescentes para escravizar as pessoas de uma maneira nunca antes sonhada, despersonalizando-as e controlando-as por meios tão minuciosamente escolhidos que talvez nunca se apercebam de que perderam a sua dignidade de pessoas. Podemos optar por utilizar o nosso saber científico para tomar os homens necessariamente felizes, bem educados e produtivos, como sugere o Dr. Skinner. Podemos, se o desejarmos optar por tornar os homens submissos, conformes a um dado modelo, dóceis. Ou, na outra extremidade da gama de opções, podemos optar por nos servirmos das ciências do comportamento de uma maneira que irá libertar e não controlar, que conduzirá a uma variabilidade construtiva, não à conformidade, que desenvolverá a criatividade, não a satisfação; que

ajudará cada uma das pessoas no seu processo autônomo de crescimento, que ajudará os indivíduos e os grupos e até mesmo a

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Em relação à autoestima, o sentido de amor próprio é de fundamental importância no estudo do tema. Com amor próprio podemos enfrentar o mundo com coragem e confiança. Cf. NEUHOUSER, Frederick.

Rousseau's theodicy of self-love: Evil, Rationality, and the Drive for Recognition. Published to Oxford

Scholarship Online: January 2009. DOI: 10.1093/acprof:oso/9780199542673.001.0001. Subscriber: Universitat Pompeu Fabra; date: 9 January 2015.

348 COMPARATO, Fábio Konder. Fundamentos dos Direitos Humanos. In: ANJOS FILHO, Robério Nunes

dos (Org.); BOITEUX, Elza Antonia Pereira da Cunha (Coord.). Direitos humanos: estudos em homenagem ao professor Fábio Konder Comparato. Salvador: JusPodivm, 2010. p. 13-32. p. 29.

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Carl Ransom Rogers (1902-1987) foi um Psicólogo norte americano com o estudo para desenvolvedor uma Abordagem Centrada na Pessoa.

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ciência, a transcender-se em novas maneiras de se adaptarem e de fazerem face à vida e aos seus problemas. Cabe a nós a escolha e, sendo a raça humana como é, provavelmente tropeçaremos, fazendo algumas vezes escolhas quase desastrosas de valores, e em outros

momentos escolhas altamente construtivas.350 (Grifo nosso).

Conclui dizendo:

Concluindo, portanto, meu ponto de vista é que a ciência não pode vir a existir sem uma escolha pessoal dos valores que queremos alcançar. E os valores que escolhemos implementar, permanecerão sempre fora da ciência que os implementa; as metas que escolhemos, os propósitos que desejamos seguir, devem sempre estar fora da ciência que os realiza. Isso

tem para mim o significado estimulante de que a pessoa humana, com sua capacidade de escolha subjetiva, pode existir e existirá sempre independentemente e antes de qualquer empreendimento científico.351 (Grifo nosso).

Na acepção proposta por SØREN AABYE KIERKEGAARD352 devemos desconfiar das pessoas que facilmente ficam felizes, pois toda forma de autoconhecimento começa como um profundo entristecimento. O autoconhecimento por parte do ser humano é necessário e importante para fazermos escolhas seguras, até mesmo diante do que realmente somos e se nos sentimos “iguais” ou “diferentes” perante o comportamento da maioria. O processo do autoconhecer pode ser assustador, pois é muito mais fácil apontarmos e julgarmos os outros que a nós mesmos. Se nos autoconhecermos e nos autorrespeitarmos será mais fácil evitar o preconceito e a discriminação negativa, já que iremos perceber neste processo que também temos falhas, defeitos os quais são comuns a todos os seres humanos. Não só os aspectos positivos do homem é que nos uni enquanto seres humanos, mas também nossos aspectos obscuros, de falhas, defeitos, desvios de comportamento.

JOSÉ ORTEGA Y GASSET353, em Meditaciones del Quijote também apresenta que muitas vezes somos o que somos pelo conjunto de nossas circunstâncias. Neste aspecto, pensar em todas as influências externas para nossa formação como seres em si ou perante um grupo é determinante para as escolhas que fazemos na vida. Estas circunstâncias são

350 ROGERS, Carl. Tornar-se pessoa. Disponível em:

<https://psicologadrumond.files.wordpress.com/2013/08/tornar-se-pessoa-carl-rogers.pdf>. Acesso em: 2

fev. 2014.

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Ibid.

352 O mencionado autor é pai do existencialismo. Cf. KIERKEGAARD, Søren Aabye. As obras do amor:

algumas considerações cristãs em forma de discursos. Tradução e apresentação Álvaro Luiz Montenegro Valls. Petrópolis: Vozes, 2005.

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Foi um filósofo, ensaísta, jornalista e ativista político espanhol. Foi o principal expoente da teoria da razão vital e histórica, situado no movimento novecentista.

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importantes para a forma como nos identificamos como iguais ou diferentes e até mesmo de que maneira podemos fazer a opção por querermos ser diferentes diante de uma “igualdade” que se apresenta de maneira apenas poética. Sobre o que descreve JOSÉ ORTEGA Y GASSET: “O homem se rende ao máximo de sua capacidade quando adquire consciência plena de suas circunstâncias. Através delas, se comunica com o universo.”354355 (Tradução livre).

Portanto através do autoconhecimento, alcançaremos a autoestima e o consequente autorrespeito, bem como respeito por parte dos outros.

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ORTEGA Y GASSET, José. Meditaciones del quijote. Madrid: Publicaciones de la residencia de

estudiantes, 1914. (Série 2, v 1). Disponível em:

<https://ia800309.us.archive.org/23/items/meditacionesdelq00orte/meditacionesdelq00orte_bw.pdf>. Acesso em: 23 maio 2015. p. 34.

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Transcrição do texto original: El hombre rinde el máximum de su capacidad cuando adquiere la plena

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6 DISTORÇÕES E CONTRASTES ENTRE IGUALDADE E

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