LES PRATIQUES D’ENSEIGNEMENT
II- 1- Paradigmes et modèles de référence
Como este trabalho centra-se em uma pesquisa e revisão bibliográfica para a composição do seu objetivo, não terá como foco discutir exaustivamente as teorias cronológicas e de ocupação humana no Vale do Tejo (para o interesse de aprofundamento a bibliografia pode ser consultada). Será feito de forma resumida apoiada por referências, os possíveis enquadramentos cronológicos atribuídos à arte rupestre do Tejo.
De acordo com L. Oosterbeek (2012) “Uma das questões de maior relevo no que às gravuras rupestres do Tejo concerne, é a permanente discussão em redor à cronologia das gravuras”, ou se já vários dos investigadores da arte rupestre do Tejo não chegam a uma concordância quanto ao período cronológico das gravuras, tendo até agora quatro hipóteses elaboradas, sendo que destas apenas duas são utilizadas. Segundo M. Gomes (2010), rio Tejo possui um vale profundo cercados por xistos que atravessam duas cristas quartzítica “por uma imponente garganta epigénica, denominada Portas de Ródão” (idem p. 7). Ainda, os afluentes principais do Tejos passam por vales também profundos que desenham vários meandros na paisagem, frequente na descrição anatômica de xisto. Ainda, pode-se observar pela região vales resultados de erosões verticais que são causados pelos cursos de água.
Desde a descoberta da arte rupestre no Vale do Tejo, vários pesquisadores trataram de apresentar diversas periodizações (que não são consensuais). A primeira teoria a ser mostrada foi a de Emanuel Anati (1974), que visitou o território português “inspirada na sua periodização para o então denominado “grupo galaico-português”, onde defendia um longo período de gravação que se estendia desde o Neolítico até à Idade do Ferro” (Oosterbeek, et al 2012, pg.). Anati então utilizou de análises climáticas baseado no volume de águas do rio e o efeito alta e baixa da nesse volume, nos bancos de xisto-grauváquicos, suporte onde se encontram as gravuras. A partir disso “propôs duas fases muito distintas: a primeira
correspondendo a um momento evoluído do Boreal (6500-5500 a.C.) que seria a chamada fase Epipaleolítica e a segunda datando do Sub-Boreal (3000-2000 a.C.), que pertenceria ao Neolítico tardio (Anati, 1975; Baptista, 1986; Caninas e Henriques, 1985; Henriques et al., sem data; Jorge, 1983, 1987; Oosterbeek, 2008; Serrão, 1978, Oosterbeek, et al 2012). Após isso outro pesquisador E. C. Serrão (1978), propôs que as gravuras do complexo tiveram uma duração mais larga, sendo o primeiro período começando no Neolítico Antigo (5500 a.C.) finalizando na Idade do Bronze (1750 a.C.) e o segundo período seria de pelo menos a.C. já na Idade do Ferro:
Posteriormente, António Martinho Baptista, Eduardo da Cunha Serrão e Manuela Martins, a partir do estudo de São Simão, propõem uma nova periodização dividida em três fases: uma pré-megalítica, com um estilo de um naturalismo pouco dinâmico e cronologicamente enquadrada, como hipótese, na primeira metade do V milénio a.C. A segunda e a terceira fase, descritas como mais ricas e exuberantes em motivos, são datadas como sendo do IV e III milénio a.C. durante o desenvolvimento da cultura megalítica peninsular (Baptista et al., 1978a; Caninas e Henriques, 1985; Henriques et al., sem data; Jorge, 1983, 1987; Oosterbeek, 2008; Oosterbeek,
et al 2012.
Ainda, após isto, de acordo com L. Oosterbeek, A.M. Baptista recuou a cronologia do Vale do Tejo para o Paleolítico, a partir da gravação de um pequeno cavalo de técnica da picotagem às margens do rio Ocreza, enquadrando no estilo Gravettense, onde o mesmo fez paralelos com gravuras idênticas do Vale do Côa de mais de 22.000 anos B.P., portanto, segundo os autores, o Tejo é o grande santuário das primeiras sociedades agro-pastoris de raiz megalítica que se fixaram na região (Baptista, 2001; Oosterbeek, et al 2012).
Os pesquisadores M. Varela Gomes e J. Pinho Monteiro em 1980 apresentam outras interpretações para o complexo do Tejo, onde consideram uma longa etapa no desenvolvimento estilístico e temático abrangendo seis fases distintas (Monteiro & Gomes, 1980). No entanto, várias outras teorias foram sendo apresentadas ao longo das ´últimas décadas (Baptista, 1986; Caninas & Henriques, 1985; Henriques et al. sem data; Gomes, 1980, 1987, 1989, 2001, 2002; Jorge, 1983, 1987; Oosterbeek, et al 2012; Garcês, 2017). Sendo assim:
No primeiro período de gravação, “subnaturalista” Gomes (2007) admite uma divisão deste período (uma fase antiga e outra plena) seria próprio de um povo de caçadores-recolectores que prolongariam em tempos pós- glaciares e uma concepção figurativa de concepção Paleolítica pautada por grandes animais, quase todos cervídeos, de corpos segmentados, de perfis
elegantes e precisos como que em pose com certos pormenores muito bem reproduzidos (Oosterbeek, et al, 2012:).
O conjunto crono-estilístico chamado por M. Varela Gomes e J. Pinho Monteiro (1980) de período meridional, atribuído ao Neolítico Final/Calcolítico, apresenta uma nova fase de gravação para Tejo marcado por uma forte esquematização, onde é possível perceber os aspectos socioeconómicos e religiosos das culturas dos finais do Neolítico e inícios da Idade do Cobre. Após, M. Gomes (2010) denomina em sua tese, como veremos mais a frente este período como “Síntese Figurativa e Solarização Religiosa” (Gomes, 2010), ainda segundo o autor “estas manifestações, religiosas e iconográficas, encontram largos paralelos na arte rupestre e móvel, tanto na fase evolucionária da cultura megalítica alto-alentejana como das etapas calcolíticas da área meridional da Península” (Gomes, 1987:38), que solidifica os paralelos na arte rupestre em outras regiões da Península Ibérica e nos objetos móveis com a simbologia solar apresentados aqui.
Para concluir, as últimas teorias da cronologia do CARVT, desde a descoberta do complexo, mostram características similares entre si: “uma valorização do ciclo megalítico com uma menor importância atribuída aos caçadores-recolectores (ainda que a maioria das gravuras de zoomorfos correspondam a animais não domesticados); uma compreensão de que há uma unidade essencial no complexo ainda que esta não se articule bem com a necessidade de individualizar etapas cronológicas” (Garcês, 2017:47). Portanto, segundo L. Oosterbeek (2002), há dois 2 ciclos rupestres importantes no contexto do Vale do Tejo: o primeiro do Pleistoceno, do período Gravettense em contextulizações com outros sítios (Ribeira do Atalaia, 50km do limite meridional do complexo) e datações de fogueiras, que confirma a mesma cronologia para a gravura do rio Ocreza (Garcês, 2017:48). O segundo ciclo apresenta a mudança para o agro-pastoralismo, onde S. Garcês (2017) considera neste contexto a figura do cervídeo de caráter importante, tanto no contexto rupestre como factor económico dos grupos (idem p. 48). Portanto o modelo de ocupação sugerido leva à grupos humanos com diferentes estratégias de sobrevivência e ocupação do território, e neste contexto pode também ser inserido o símbolo soliforme, de claras características de sociedades já agricultoras.