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Limites des travaux recourant aux effets du « pic », de primauté et de récence

1. Distinction entre expérience, souvenir de l’expérience et expérience de souvenir

1.2. La focalisation de l’attention sur certains éléments

1.2.4. Limites des travaux recourant aux effets du « pic », de primauté et de récence

Diversas raz˜oes tornam importante a quantifica¸c˜ao das contra¸c˜oes uterinas maternas. Um exemplo claro est´a na detec¸c˜ao da aproxima¸c˜ao do trabalho de parto. Para isto, diversos ´ındices s˜ao propostos e utilizados.

Freeman, Garite e Nageotte [14] citam que, em 1957, Caldeyro-Barcia definiu a Unidade de Montevid´eu como o produto da m´edia dos picos das contra¸c˜oes uterinas (medidos em mil´ımetros de merc´urio) pelo n´umero de contra¸c˜oes no intervalo de 10 minutos. Em seguida, definiu-se que uma atividade uterina adequada em per´ıodo de parto deve ser maior ou igual a 200 unidades de Montevid´eu. Este parˆametro, apesar de bastante utilizado, n˜ao inclui a dura¸c˜ao das contra¸c˜oes em seu c´alculo.

Definiu-se, ent˜ao, a Unidade de Alexandria, que multiplica a m´edia dos picos das contra¸c˜oes uterinas (medidos em mil´ımetros de merc´urio) pelo tempo m´edio de du- ra¸c˜ao destas contra¸c˜oes e pelo n´umero de contra¸c˜oes no intervalo de 10 minutos. Uma t´ecnica computacional utilizada ´e a de integra¸c˜ao da ´area sob a curva da contra¸c˜ao.

Al´em da movimenta¸c˜ao uterina, o ritmo ou freq¨uˆencia das contra¸c˜oes tamb´em ´e importante. Algumas classifica¸c˜oes s˜ao estabelecidas, entretanto n˜ao s˜ao de uso uni- versal. Uma das consequˆencias, por exemplo, de contra¸c˜oes uterinas muito freq¨uentes, sem um intervalo entre elas, ´e a possibilidade de se impedir o fluxo sangu´ıneo para o feto por compress˜ao constante do cord˜ao umbilical [50].

2.5.4

Outros fatores que afetam as contra¸c˜oes uterinas

Para compreender e tentar corrigir padr˜oes anormais de contra¸c˜oes uterinas e as rea¸c˜oes causadas por elas na FCF, ´e importante levar em considera¸c˜ao aspectos in- tr´ınsecos e extr´ınsecos que afetam a contratilidade uterina. Estes aspectos podem se manifestar tanto diminuindo quanto aumentando a intensidade e a dura¸c˜ao das contra¸c˜oes.

Dois aspectos intr´ınsecos s˜ao a posi¸c˜ao materna e a existˆencia de patologias, tais como pr´e-eclˆampsia ou o rompimento da placenta. Este ´ultimo normalmente causa o mais alto grau de hiperatividade uterina, podendo-se encontrar problemas de

hipertˆonus uterino ou ainda algum outro n´ıvel de hiperatividade, indicando sofrimento fetal. Inclusive em casos com pouco sangramento vaginal, apenas a detec¸c˜ao destes tipos de padr˜oes, em conjunto com a verifica¸c˜ao da existˆencia de padr˜oes anormais de FCF, podem levar a se fazer fortes considera¸c˜oes sobre a possibilidade de rompimento da bolsa placent´aria.

Do exposto, ´e fato que a an´alise das contra¸c˜oes uterinas maternas ´e de grande im- portˆancia para uma completa interpreta¸c˜ao do monitoramento fetal eletrˆonico atrav´es do uso de cardiotocografias, principalmente correlacionando-as com a ocorrˆencia de altera¸c˜oes na FCF.

2.6

Crit´erios da FIGO

Conforme citado anteriormente, visando gerar uma uniformiza¸c˜ao na nomenclatura e nos crit´erios de an´alise das cardiotocografias, a FIGO definiu seu conjunto de crit´erios, os quais ser˜ao utilizados neste trabalho.

A FIGO classifica uma CTG anteparto em trˆes categorias: “Normal”, “Suspeita” e “Patol´ogica”, determinando as condi¸c˜oes de cada vari´avel separadamente, como explicado a seguir.

Uma CTG ´e considerada NORMAL quando: • a linha de base encontra-se entre 110 a 150 bpm; • a variabilidade est´a no intervalo de 5 a 25 bpm;

• ausˆencia de desacelera¸c˜oes, exceto desacelera¸c˜oes de pequena intensidade e de curta dura¸c˜ao;

• presen¸ca de pelo menos duas acelera¸c˜oes em um intevalo de 10 minutos. Uma CTG ´e considerada SUSPEITA quando:

• a linha de base encontra-se nos intervalos de 100 a 110 bpm ou de 150 a 170 bpm;

Vari´avel Normal Suspeito Patol´ogico Linha de Base (bpm) [110,150] [100,110) ou (150,170] < 100 ou > 170 ou Sinusoidal Variabilidade (bpm) [5,25] > 25 ou [5,10] tempo > 40 min. < 5 por mais de 40 min. Acelera¸c˜oes (freq.) ≥ 2 Acel. em 10 min. Apenas 1 Acel. em 10 min. Ausˆencia Desacelera¸c˜oes (freq.) Ausˆencia ou leve e espor´adica de curta dura¸c˜ao espor´adica de qualquer tipo, exceto grave peri´odica de qualquer tipo ou espor´adica grave ou prolongada ou tardia

Tabela 2.1: crit´erios estabelecidos pela FIGO.

• a variabilidade encontra-se no intervalo de 5 a 10 bpm por mais de 40 minutos; • a variabilidade encontra-se acima de 25 bpm;

• ausˆencia de acelera¸c˜oes por mais de 40 minutos;

• desacelera¸c˜oes espor´adicas, de qualquer tipo, exceto na ocorrˆencia de uma de- sacelera¸c˜ao severa.

Uma CTG ´e considerada PATOL ´OGICA quando:

• a linha de base encontra-se abaixo de 100 ou acima de 170 bpm; • a variabilidade encontra-se abaixo de 5 bpm por mais de 40 minutos; • existˆencia de desacelera¸c˜oes peri´odicas e recorrentes;

• presen¸ca de desacelera¸c˜oes vari´aveis graves, prolongadas ou tardias;

• ocorrˆencia de padr˜ao sinusoidal da linha de base da FCF com freq¨uˆencia menor que 6 ciclos, amplitude maior ou igual a 10 bpm e dura¸c˜ao maior que 20 minutos. A Tabela 2.1 apresenta um resumo da defini¸c˜ao desses crit´erios. Entretanto, mesmo com esta padroniza¸c˜ao estabelecida, a an´alise das duas vari´aveis em uma

CTG, contra¸c˜oes uterinas e FCF, bem como sua correla¸c˜ao, podem ser interpretadas de v´arias maneiras e est˜ao sujeitas a erros. Com isto, o uso de sistemas de aux´ılio ao diagn´ostico computadorizados tem o objetivo de alcan¸car interpreta¸c˜oes mais precisas destas informa¸c˜oes.

2.7

Cardiotocografia Computadorizada

Analisando-se todos os aspectos abordados no decorrer deste Cap´ıtulo, vˆe-se que o uso de cardiotocografias para o monitoramento do bem estar fetal ´e uma ferramenta bastante ´util. A FEBRASGO indica o uso de cardiotocografia em diversas fases e situa¸c˜oes para an´alise da vitalidade fetal e acompanhamento de gesta¸c˜oes de risco [1]. A an´alise visual dos tra¸cados cardiotocogr´aficos (FCF e UC) ´e uma fonte de infor- ma¸c˜ao com um alto grau de subjetividade, estando sujeita `a grande variabilidade de crit´erios e limitada reprodutibilidade de resultados [36, 44, 4]. Al´em disso, diversos padr˜oes de nomenclatura e defini¸c˜oes estabelecidos pela FIGO [13], pela FEBRASGO [1], ou ainda pelo Royal College de Londres [44] das vari´aveis analisadas s˜ao causas de divergˆencias nos resultado de an´alise de CTG.

Neste contexto, sistemas computadorizados desenvolvidos est˜ao sendo aperfei¸coa- dos com o intuito de se padronizar nomenclaturas e defini¸c˜oes para gerar um resultado de primeiro n´ıvel confi´avel para aux´ılio ao diagn´ostico m´edico. Neste trabalho, s˜ao apresentados dois sistemas, com suas respectivas defini¸c˜oes de vari´aveis consideradas e algumas carater´ısticas de suas sa´ıdas. O primeiro ´e o “System 8002”, desenvolvido na Universidade de Oxford, no Reino Unido, sendo bastante difundido no mundo inteiro e utilizado na Universidade de S˜ao Paulo - USP, como ferramenta de cardiotocografia computadorizada. A segunda solu¸c˜ao apresentada ´e o “CTGOnline”, da Trium, par- ceira da UFC no projeto SISCTG. Este programa encontra-se instalado na MEAC, tornando-se, assim, o foco maior das discuss˜oes apresentadas.