Chapitre 2 Techniques de recueil des données
2) Les documents
relações estabelecidas pelas dinâmicas dos operadores marítimos e das suas redes associadas. O exemplo apresentado reflecte acerca do modo como parte do desenho da cidade se adaptou às formas e às necessidades dos navios, muito antes da contentorização provocarem as mais recentes alterações portuárias. O documento considera por isso “redes invisíveis” para a construção da paisagem urbana das cidades portuárias, relatando o conceito de port city-scapes motivado pela existência de redes de diásporas, congregações religiosas, grupos étnicos, escravatura, trabalho portuário e migração, entre outras, que conectam as pessoas em torno de laços sociais e de parentesco. Como resultado dessas redes e dos fluxos entre as port city-scapes é elaborada uma análise de rede de ambientes urbanos portuários que pretende fundamentar a existência de elementos comuns na forma construída da área portuária, na frente costeira, e na cidade, como um todo. No entanto, destaca-se a abordagem metodológica para além do contexto histórico, onde a análise de rede da forma urbana e construída nas cidades portuárias é entendida como o resultado de interacções entre forças globais e interesses locais. Sendo que neste contexto torna-se percetível que, ao longo do tempo, as alterações na rede, em contextos de extensão espacial, intensidade e forma, resultam da participação das cidades portuárias nas redes globais. Assim, o desafio apresentado visa a análise da forma urbana das cidades portuárias na perspectiva da rede, onde o mapa World Maritime Cities Network (nível Alpha) assegura um ponto de partida para a análise da forma arquitectónica e urbana.
Focando-se essencialmente no período temporal entre os séculos XIX e XXI, a primeira parte é focada nas redes globais e na forma urbana e ancorada em quatro áreas disciplinares distintas: geografia, história, planeamento, e história do planeamento. A segunda parte reflecte sobre as dinâmicas regionais das cidades portuárias, onde as redes humanas influenciam a imagem dos portos, das zonas costeiras e das cidades, mas onde também estão presentes as respostas económicas, políticas e sociais aos desafios apresentados pela presença da infraestrutura portuária. Por fim, na terceira parte, são abordadas as questões relacionadas com alterações da paisagem, em função de alterações globais e das consequentes transformações locais. Estes capítulos finais abordam a vasta literatura existente sobre o recente período de revitalização e reivindicação das frentes costeiras em cidades portuárias destacando-se, entre outros, os trabalhos dos urbanistas Han Meyer, Rinio Bruttomesso e Richard Marshall. Apresentando os casos de estudo de Hamburgo, Manhattan e Hong-Kong, esta terceira parte, que encerra com o caso de estudo da recente infraestrutura portuária Dubai’s Jebel Ali Port, conclui com a possibilidade de construir uma história global da arquitectura e da forma urbana através da análise da rede de cidades portuárias, ao longo do tempo e com o apoio da evolução das redes marítimas e de contentorização.
A abordagem às cidades portuárias reflecte, como demonstrado nos documentos analisados, uma variedade de disciplinas que contribuem para a preservação da sua identidade, bem como da sua representação, existindo quase invariavelmente a noção da estrutura de rede que as mesmas constituem em torno das suas relações de trocas. No entanto, e motivado pela revitalização e reivindicação das frentes costeiras em cidades portuárias, promovidas por alterações tecnológicas ou mesmo pela introdução da contentorização, é possível identificar vasta documentação em torno das relações entre cidade-porto, nos contextos das cidades pós-industriais.
Neste contexto a revista bianual PORTUS, publicada pela RETE – Association for the
Collaboration between Ports and Cities, editada por Joan Alemany e por Rinio Bruttomesso, contribui
para a análise a diferentes intervenções recentes em cidades portuárias, maioritariamente na Europa do Sul, Mediterrâneo e América Latina. Contudo, e mais uma vez, note-se as diferentes abordagens
disciplinares – ambientais, históricas, preservação histórica, turismo, identidade ou segurança – que ilustram a investigação contemporânea relacionada com as cidades portuárias e o planeamento nas frentes costeiras. As abordagens são diversas e englobam, de entre alguns temas já verificados, as relações históricas promovidas por impérios coloniais na América Latina (Alemany 2001); a evolução portuária decorrente da promulgação da lei espanhola dos Puertos del Estado e, portanto, alterações de relações instituídas por processos regulatórios e administrativos (Llaquet 2002); a necessária protecção ambiental decorrente das acções portuárias, juntamente com o apoio legislativo, jurídico e institucional promovidas pela criação da Association Internationale Villes et Ports (Rezenthel 2004); as novas relações e formas de articulação e uso do território da frente de águas (Fadigas 2008); ou mesmo, as cidades portuárias face à necessidade de adaptação às alterações climáticas (Sousa and Costa 2012).
Figura 2.1 : Regiões gateway com sistemas portuários na Europa Fonte: (Notteboom 2010)
Contudo o foco de desenvolvimento portuário abordado nesta investigação prende-se mais com a influência do espaço urbano, da cidade e das regiões nos sistemas económicos, em particular das cidades-portuárias ou, no contexto regional, dos sistemas portuários. Por um lado, assumindo o papel das cidades e das regiões nos processos económicos e na globalização (Kim and Short 2008, Choe and Roberts 2011) e, por outro lado, a curiosidade de análise das cidades portuárias em contextos regionais se constituírem como sistemas complexos auto-organizados (Allen 1996 (2005)) conduz a presente abordagem às cidades-portuárias no contexto da sua integração local, na
Página 20 de 192 Da Regionalização do Sistema Portuário do Arco Metropolitano de Lisboa