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La nécessaire intégration de l'indéterminisme

2 Evolution et physique

2.5 Quels enseignements tirer de la thermodynamique ?

2.5.2 La nécessaire intégration de l'indéterminisme

As mercadorias semiacabadas produzidas na etapa intermediária são comercializadas com indústrias recicladoras. Como revela Gonçalvez (2003, p. 141), as "[...] indústrias recicladoras [...] só compram em grandes quantidades (mínimo de uma

tonelada), material selecionado e enfardado". O autor defende a tese de que estas

formam um mercado oligopsônico (poucos compradores, muitos vendedores) e, até certo ponto, conseguem definir o preço-base do mercado, isto é, o maior valor pago aos resíduos triados e prensados.

Comercializar diretamente com essas indústrias significa, em última instância, ter capital suficiente para suprir as exigências impostas: algo inviável para muitas cooperativas/associações, catadores "autônomos" e grupos de recicladores informais. Gonçalvez (2003) estima que no ano de 2003 o custo de investimento para abrir uma empresa com capacidade de prensa e transporte do material (comprando entre os equipamentos um caminhão de segunda mão e uma prensa) era de aproximadamente R$ 42.700.

Outra dificuldade tem relação com a distribuição geográfica dessas empresas: muitas cidades e mesmo estados não dispõem de indústrias recicladoras. Desse modo, as matérias-primas recuperadas têm que ser transportadas por longa distância, o que

55 aumenta o custo de produção (BOSI, 2008). Os agentes que não têm capacidade de comercialização direta com as recicladoras são obrigados a utilizar canais de escoamento que rebaixam o preço dos produtos.

Após ter posse das matérias-primas residuais, a indústria realiza a etapa final de beneficiamento, que corresponde à reciclagem em si. Os processos anteriores são etapas preliminares, entretanto fundamentais, uma vez que a reciclagem de cada tipo de material (plásticos, vidro, metais e papéis) requer técnicas, maquinários, meios e objetos de trabalho diferentes.

Existem indústrias especializadas na reciclagem de cada produto; caso outros agentes não realizassem as etapas de coleta e triagem, estas ficariam a cargo das fábricas, o que poderia incorrer em custos elevados de produção.

Em oposição ao tipo de trabalho artesanal, realizado, em sua maioria, por catadores de rua, as atividades de transformação constituem um processo industrial. Utilizamos o conceito de produção industrial no sentido marxiano: em oposição a

produção artesanal. A ruptura entre as duas ocorreu historicamente por meio da

introdução de máquinas no processo produtivo, que superaram "[...] a atividade

artesanal como princípio regulador da produção social" (MARX, 1983a, p. 289).

Enquanto na produção artesanal o ser humano é a única força motriz, na produção industrial utiliza-se uma maquinaria como suporte. Marx (1983b) afirma que a maquinaria "[...] constitui-se de três partes essencialmente distintas": 1) a máquina- motriz, que produz sua própria energia, seja através de reações químicas como a combustão ou utilizando correntes elétricas; 2) essa energia passa por um mecanismo de transmissão, "[...] composto de volantes, eixos, rodas dentadas, rodas-piões, barras,

cabos", etc., capazes de gerar um movimento regular 3) que é transmitido à máquina-

ferramenta, que "[...] se apodera do objeto de trabalho e modifica-o de acordo com a

finalidade" (MARX, 1983b, p. 8).

Vejamos como ocorre a transformação de alguns dos principais produtos recicláveis:

1.2.3.1 Reciclagem mecânica do plástico (resíduos poliméricos)

Spinacé e Paoli (2005) explicam que, após a separação, os resíduos poliméricos devem ser "moídos em moinhos de facas rotativas" (por exemplo, uma trituradeira de

56 eixo duplo) e peneirados. Em seguida, são limpos em um tanque de água, que retira as impurezas. "Após a secagem, os polímeros são formulados, ou seja, são colocados

aditivos como antioxidantes, plastificantes, cargas de reforço, agentes de acoplamento, etc., dependendo da aplicação final" (processo de aglutinação). Logo após, passam em

uma máquina extrusora, que força a passagem do material por um orifício, conferindo- lhe forma. Por fim, atravessam um sistema de resfriamento e são triturados novamente em um granulador (Fluxograma 3) (SPINACÉ & PAOLI, 2005, p. 67).

As técnicas de reciclagem do plástico variam de acordo com a composição do material, e o processo descrito acima é um exemplo de procedimento destinado a reciclar o Politereftalato de Etileno (PET) e o Polietileno de Alta Densidade (PEAD), entre outros tipos. O plástico reciclado triturado pode servir como matéria-prima para outras indústrias de transformação.27

De acordo com os dados do instituto Plastivida, em 2012, 762 empresas compunham o setor de reciclagem mecânica do plástico no Brasil. Dessas, 276 (36%) eram responsáveis pelo processo final de transformação (granulação e formulação), 331 (44%) atuavam no setor apenas comercializando os produtos que servem de insumo às empresas recicladoras e 155 (20%) realizavam apenas a triagem do plástico.28 Ao todo, foram produzidas 1.086.658 toneladas de plástico reciclado no ano; 57% dessa produção está centralizada na região Sudeste e 28% na região Sul. O faturamento bruto da indústria foi de R$ 2.496.117 milhões. Reciclaram-se cerca de 20,9% dos resíduos plásticos gerados no país (PLASTIVIDA, 2013).

27 Por indústria de transformação compreendemos empresas que realizam o processo de transformação da

matéria-prima em produtos finais ou intermediários, neste caso, que serão utilizados por outras indústrias de transformação. A reciclagem industrial é um processo de transformação de resíduos em novas matérias-primas que podem ser utilizadas pela própria indústria ou por outras.

28 Conjecturamos que o número real de empreendimentos que realizam a triagem do plástico pode ser

maior, uma vez que existem inúmeras empresas e cooperativas que trabalham na triagem, na prensa e na comercialização de materiais diversificados e podem não ter entrado nas estatísticas.

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Fluxograma 3 Processo de Reciclagem Mecânica do Plástico

1.2.3.2 Reciclagem mecânica de latas de alumínio

Os blocos prensados e enfardados de latas de alumínio que chegam às usinas são quebrados em pedaços menores e passam por uma triagem eletromagnética, "[...] que

remove metais ferrosos que possam estar misturados ao alumínio". O material é

triturado, passa novamente pela triagem eletromagnética e "[...] por uma peneira

vibratória que retira a terra, areia e outros resíduos". Os pedaços picotados de

alumínio vão para um forno, que elimina as tintas e vernizes das latas; em seguida, passam por um segundo forno, que funde e transforma o alumínio em metal líquido. Por fim, é realizado o lingotamento e laminação, produzindo novas chapas de alumínio (Fluxograma 4) (MOURA et al., 2008, p. 29).

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Fluxograma 4 Processo de Reciclagem Mecânica do Alumínio

O Brasil é líder mundial na reciclagem de latas de alumínio, atingindo em 2012 a taxa de 98,5% de latas recicladas, sendo este um dos materiais recicláveis que tem maior valor de mercado (ADEODATO, 2013).

A reciclagem de latas de alumínio movimentou cerca de R$ 1,8 bilhão na economia nacional em 2012 (CEMPRE, 2015). Não encontramos dados que revelem o número de empresas que compõem este setor; entretanto, é notório seu caráter oligopolista. Apenas para ilustrar, a cidade de Pindamonhangaba, no interior paulista, abriga duas das maiores empresas de alumínio do país (não são apenas recicladoras, também produzem alumínio primário). Juntas, a Novelis e a Latasa Reciclagem processam aproximadamente 70% de toda lata de alumínio recuperada no Brasil, aproximadamente 186.970 toneladas por ano (ABAL, 2015). Para tamanha produção, ambas as empresas comercializam com fornecedoras de materiais triados e prensados de diversas regiões brasileiras.

A Novelis é uma empresa multinacional que se instalou no Brasil em 1977, e em 2007 foi adquirida pela Hindalco Industries Limited. Com essa adição a Hindalco se

59 tornou a maior empresa de laminação de alumínio do mundo. Apenas a Novelis informou uma receita de R$ 11,1 bilhões em 2012 (NOVELIS, 2015).

1.2.3.3. Reciclagem mecânica de papel, papelão e Tetra Pak

"O processo de fabricação do papel reciclado inicia-se com a colocação da

matéria-prima em uma esteira, que a transporta até o equipamento denominado Hidrapulper, onde é acrescida água e efetua-se a desagregação da matéria-prima"

(GALLON, SALAMONI & BEUREN, 2008, p. 57). O processo de desagregação é fundamental, uma vez que alguns produtos, como o Tetra Pak, são embalagens compostas de papel, alumínio e plástico. Após a desagregação, a massa de papel passa por uma peneira giratória, que separa outras matérias que não serão recicladas no processo.

A "[...] massa segue por meio de bombas por tubulações para um tanque de

descarga e, em seguida, [...] para o processo de depuração, que consiste em remover impurezas da massa". A massa é transportada para engrossadores, onde é extraído o

excesso de água e são adicionados compostos químicos, como a solda cáustica, que retira a tinta. Em seguida, a massa de papel passa por equipamentos refinadores (GALLON, SALAMONI & BEUREN, 2008, p. 57).

A etapa final da reciclagem consiste na distribuição uniforme da massa refinada em um equipamento denominado mesa plana, "[...] composto de uma tela e caixas de

vácuo que tem a finalidade de formar a folha de papel e remover parte da água utilizada na diluição da massa". Após o processo, a folha de papel é prensada e secada

em uma máquina composta por um conjunto de "[...] rolos que são aquecidos com a

injeção de vapor, sobre os quais passa a folha de papel". Por fim, as folhas de papel são

enroladas e destinadas à comercialização (GALLON, SALAMONI & BEUREN, 2008, p. 59).