• Aucun résultat trouvé

La force normative du contrat de travail

L E CADRE DE LA MOBILITE INTERENTREPRISES AU SEIN DES ENSEMBLES ECONOMIQUES ET

Paragraphe 1. L’obstacle de la relation d’emploi binaire au sein des ensembles économiques et sociaux

B. La force normative du contrat de travail

Atitudes, sentimentos e percepções maternas: Consequências para a interacção e formas de avaliação

1. Introdução

"O que uma pessoa pensa de uma relação pode ser mais importante do que a própria relação" (Hinde, 1976, citado por Brazelton & Cramer, 1989/1993).

Citamos esta afirmação para introduzir o tema que nos propomos abordar nesta parte do nosso trabalho e que vem complementar o estudo das principais

características do comportamento interactivo durante o primeiro ano de vida: a influência que os factores internos da mãe/pai, cognitivos (representações, percepções e atitudes) e emocionais (expectativas e sentimentos) têm no seu comportamento interactivo com os bebés, e no próprio desenvolvimento destes. A possibilidade de analisar objectivamente o comportamento da criança, da mãe e a qualidade da interacção, levou a que estas dimensões fossem, durante alguns anos, muito valorizadas na prática da investigação no âmbito do desenvolvimento infantil, o que está aliás na base da criação e validação de inúmeras escalas de observação a que nos referimos anteriormente.

Os últimos dez anos marcam, também neste aspecto, uma viragem importante e, mantendo-se embora o interesse pela observação e análise do comportamento da díade, assiste-se a um ressurgir do interesse e importância atribuída às dimensões emocionais ou cognitivas dos pais. Assim, em algumas das investigações mais recentes, a avaliação da interacção é feita numa dupla perspectiva, tendo por base técnicas de observação do comportamento interactivo e relatos dos pais referentes quer a esse comportamento quer ao significado ou justificação que lhe atribuem. Foi nesta dupla perspectiva de análise que nos colocámos, pelo que nos parece importante fazer uma breve revisão dos estudos que analisam as consequências das atitudes sentimentos e expectativas maternas, bem como as formas de avaliar estas dimensões.

2. Concepções parentais sobre o desenvolvimento

Uma nova abordagem dos estudos do processo de socialização tomou corpo ao longo da última década. "A investigação do desenvolvimento mudou de uma ênfase no sistema de socialização para uma ênfase no temperamento da criança e actualmente para a forma como os pais conseguem coordenar ambas as coisas. Os primeiros estudos sobre os pais como agentes de socialização preocuparam-se fundamentalmente com as atitudes e comportamentos. Estudos mais recentes sobre os pais dão ênfase aos seus conceitos de desenvolvimento, como é que os pais relacionam as suas atitudes e comportamentos com as características da criança" (Sameroff & Feil, 1985, p. 84).

Muitos têm sido os trabalhos relacionados com o estudo das concepções dos pais sobre o desenvolvimento dos seus filhos, suas práticas educativas e relação destas com o processo de desenvolvimento das crianças, partindo dos conceitos de "Crenças Parentais" (Miller, 1988 e Sigel, 1985), ou "Teorias Implícitas de

Desenvolvimento e Educação" (Emiliani & Molinari, 1987 e Vanderplas-Holper, 1987), ou simplesmente "Ideias dos Pais" (Goodnow & Collins, 1990), utilizando diversas metodologias, contrastando amostras - em termos sócio-económicos- -culturais ou em função dos papéis desempenhados (pais/mães, pais/professores, etc.) - e com instrumentos diversificados.

Alguns dos trabalhos dos autores que temos vindo a citar deram origem a instrumentos que complementam aquele que é considerado como o primeiro questionário para avaliar as atitudes dos pais relativamente ao desenvolvimento dos filhos - Parental Attitude Research Instrument - PARI - de Schaefer e Bell (1958), citado por Schaffer (1971) e Sameroff e Feil (1985).

Não nos debruçaremos detalhadamente sobre estes trabalhos teóricos nem sobre os instrumentos a que deram origem, já que, embora preocupados com o estudo das ideias e atitudes dos pais e sua relação com a interacção pais-filhos e desenvolvimento destes, abordam problemáticas diferentes das que nos preocupam nesta investigação. Não podemos no entanto deixar de referir alguns conceitos abordados por este conjunto de autores, procurando integrá-los na problemática que queremos estudar.

Num trabalho de síntese sobre a natureza, fontes e consequências das ideias dos pais sobre o desenvolvimento dos seus filhos, Goodnow e Collins (1990), realçam o papel do afecto quer como consequência das ideias dos pais, quer na construção das suas cognições, referindo no entanto o número diminuto de investigações que têm em conta esta dimensão, mesmo numa área, como é a da função parental, em que o afecto é dominante. Utilizam o termo afecto no sentido que lhe foi dado por Bradbury e Fincham (1987), que citam, e que envolve não só as emoções mas também as preferências, desejos e estados de humor.

Segundo estes autores, o afecto é causa de ideias/cognições ou acções na medida em que pode alterar a percepção que se tem dos acontecimentos, levando também à procura de nova informação ou significado desse acontecimento. No caso particular da função parental, estudos contrastando mães deprimidas e mães não deprimidas, permitem concluir que: "O afecto emerge como uma condição que influencia a percepção das crianças e uma consequência de expectativas específicas... parece razoável que as mães deprimidas estejam menos satisfeitas com o desenvolvimento dos seus filhos. É mais intrigante a conclusão que as mães deprimidas criam o cenário próprio para o seu desapontamento ao considerarem que a função parental é o factor que mais influencia o desenvolvimento. As mães não deprimidas dão um peso igual aos factores biológicos e atribuem também

alguma importância a outras pessoas que não exclusivamente aos pais" (Goodnow & Collins, 1990, p. 106).

Considera também que o afecto é consequência das cognições, gerado pela percepção de desvios relativamente à norma ou por expectativas que não são realizadas e, citando os trabalhos de Schutze (1987) relativamente aos padrões esperados da "boa mãe" referem: "Os padrões indicados pelos especialistas tornam o sucesso (como boa mãe) cada vez mais difícil de atingir... e tornam-se inantingíveis se à necessidade de uma atitude adequada durante a gravidez ou durante a primeira hora se acrescenta uma dádiva ilimitada de si própria e um sentido de enriquecimento pessoal... uma mãe pode cumprir os seus deveres até cair exausta e no entanto sente-se culpada se não tiver um sentimento de enriquecimento pessoal ou se tiver alguns sentimentos negativos, ainda que inconscientes" (Goodnow & Collins, 1990, p. 108).

Se estes padrões são difíceis de atingir quando se é mãe/pai de um bebé sem dificuldades, parecem tornar-se, de facto, inatingíveis no casos de pais de crianças com deficiência ou em risco. A insatisfação com o papel maternal parece de facto aumentar quando se considera que as crianças são, por princípio influenciadas pelos adultos, se verifica que, na prática, são influenciadas por outros, mas, por uma razão ou por outra, não estão a ser influenciadas pelos nossos próprios esforços como pais.

Goodnow e Collins (op. cit.) citam ainda o trabalho de Ruddick (1982) e a análise que este autor faz dos sentimentos e pensamentos maternos, que, na sua perspectiva são função das responsabilidades inerentes à tarefa de ser mãe (responsabilidade na preservação da saúde e vida do bebé, no seu desenvolvimento e aceitação pelos outros) e de três condições: características da criança (vulnerável, imprevisível e com necessidades frequentemente contraditórias, protecção/autonomia, por ex.), características do trabalho de mãe (que requer grande atenção, empatia e disponibilidade) e, finalmente características violentas e competitivas do meio envolvente contraditórias com as próprias necessidades de protecção da criança.

Roth (1963), também citado por Goodnow e Collins (1990) apresenta ainda uma outra característica do trabalho maternal: o seu carácter interminável, sem etapas ou marcos pré-estabelecidos. Se com crianças normais os pais recorrem à observação dos outros para estabelecerem esses marcos, com crianças em risco de desenvolvimento ou deficientes, a avaliação do progresso torna-se mais difícil, originando maior sobrecarga emocional numa tarefa já de si esgotante.

As acções dos pais não são, no entanto, exclusivamente, função do afecto, havendo uma relação estreita entre as suas cognições e as interacções que mantêm com os seus filhos, sendo as primeiras consideradas mediadoras entre os estímulos fornecidos pelas crianças e as acções que os pais têm como resposta a esses estímulos. Sameroff e Feil (1985), analisando o papel que tem vindo a ser atribuído à criança no seu próprio processo de desenvolvimento, consideram haver uma tendência para que a contribuição desta para a interacção não seja vista como uma influência directa de alguém que tem um conjunto de competências inatas, mas sim como uma influência indirecta de alguém que possui um estilo de comportamento que elicita respostas, positivas ou negativas, dos adultos que dela cuidam. Este aspecto parece-nos de grande importância para compreender as diferenças interactivas no caso de bebés com dificuldades, já que ao risco originado pela situação da criança se vem acrescentar um outro: o de os pais reagirem negativamente, quer em termos de atitudes quer em termos de comportamento, não conseguindo estimular a criança ou estabelecer com ela a interacção adequada para que o seu desenvolvimento seja o mais adequado possível.

Pareceria relativamente simples encontrar uma relação directa e causal entre atitudes dos pais, os seus comportamentos na relação com os filhos e o desenvolvimentos destes. No entanto, vários estudos, citados por Sameroff e Feil (1985) e Goodnow e Collins (1990), têm provado que tal não é fácil, parecendo ser a multidimensionalidade do conceito de atitude - envolvendo as componentes afectiva, cognitiva e comportamental - a principal responsável pela dificuldade em encontrar essa relação directa, entre as atitudes, o comportamento e o desenvolvimento, nos vários domínios em que tem sido procurada, nomeadamente no âmbito dos processos de socialização e na psicologia social: "Deve pôr-se a hipótese de que a relação limitada entre os valores dos pais e o desenvolvimento posterior dos filhos advém do facto de que as atitudes são apenas uma ponta do iceberg das cognições dos pais... Estas ideias relativas às práticas educativas emanam dos conceitos do próprio processo de desenvolvimento. É portanto necessário conhecer as teorias que os pais têm relativamente ao desenvolvimento" (Sameroff & Feil, op. cit., p. 85). Estes autores propõem o estudo dos níveis conceptuais dos pais sobre o desenvolvimento dos seus filhos, numa hierarquia semelhante à que Piaget propõe para o desenvolvimento. Consideram que o funcionamento cognitivo dos pais é diferente em cada um deles, trazendo consequências diversas para o processo interactivo e também para o próprio desenvolvimento da criança:

Erro! Marcador não definido. Nível simbiótico - É o nível de funcionamento em que os pais têm uma resposta emocional directamente dependente do seu sucesso na relação com os seus filhos, na medida em que, não se considerando completamente separado destes, encaram o comportamento dos

filhos na dependência directa da sua própria acção, o que lhes torna impossível a reflexão sobre o próprio processo de desenvolvimento.

Erro! Marcador não definido. Nível categorial - Neste nível, os filhos são considerados sujeitos independentes e as suas acções são já encaradas como resultantes de características próprias e não exclusivamente função das acções dos pais, permitindo que aos filhos sejam atribuídas "rótulos" - bons ou maus - que permanecem para além das acções por estes realizadas em determinado momento. O desenvolvimento dos filhos é considerado determinado por um único tipo de factores (constitucionais ou de influência social, por ex.)

Erro! Marcador não definido. Nível compensatório - Neste nível, o

comportamento dos filhos é encarado não só em função do comportamento dos pais e das características da própria criança, como também em função do seu nível e grau de desenvolvimento. Embora nenhum destes factores tenha um papel dominante, falta no entanto aos pais a capacidade ponderar o peso de cada um deles.

Erro! Marcador não definido. Nível Perspectivístico - Neste nível quer a criança quer o próprio contexto de educação e desenvolvimento podem ser objecto de reflexão que permite ponderar o peso relativo de todos os factores em jogo. Estes vários níveis de funcionamento permitem uma interacção adequada sempre que não há problemas com os bebés: "Um bebé saudável e feliz, pode ser criado de forma relativamente fácil... fará a mãe simbiótica sentir-se mais eficaz, será qualificado de forma positiva por uma mãe de nível categorial e enquadrar-se-á no esquema da mãe que funcione a um nível compensatório" (Sameroff & Feil, op. cit., p. 101). Suponhamos agora o caso de díades ou famílias em que os bebés estão em situação de risco, têm atraso de desenvolvimento ou são deficientes. Quanto mais primitivo for o nível de cognição dos seus pais no que respeita às concepções de desenvolvimento, mais difícil se torna que o funcionamento dos seus filhos não perturbe a sua interacção com eles. Assim, pais que funcionam a um nível simbiótico, ficarão extremamente perturbados se as respostas adaptativas do bebé - em termos de alimentação, sono, choro e sorriso - não corresponderem às esperadas; pais que funcionem a um nível categorial terão dificuldade em alterar a sua percepção e imagem de um filho que foi considerado difícil; pais de um nível compensatório terão dificuldade em relacionar os comportamentos difíceis dos seus filhos com a forma como estes foram educados. Apenas os pais do último nível poderão compreender os problemas de uma criança como resultantes simultaneamente das suas características individuais e da sua experiência concreta num contexto específico de desenvolvimento.

Em trabalhos posteriores, Sameroff e Emde (1989) e Sameroff e Fiese (1992) procuram enquadrar esta categorizarão num nível ainda mais global de funcionamento familiar, propondo uma teoria de sistemas reguladores do desenvolvimento em que consideram que "a experiência da criança em desenvolvimento é parcialmente determinada pelas crenças, valores e personalidade dos pais, pelos padrões de interacção familiares, pela história transgeracional e também pelas crenças relativamente ao processo de socialização, controlo e suporte cultural... o comportamento da criança, num determinado momen- to, é o produto das transações entre o fenotipo (i. e., a criança), o "environtype" (i. e., a fonte da experiência externa) e o genotipo (i.e. a fonte da organização biológica)" (Sameroff & Fiese, op. cit., p. 353).

Todos estes trabalhos assentam na convicção de que a forma como os pais compreendem o desenvolvimento é importante porque influencia a forma como as crianças são educadas e, consequentemente, o seu futuro, mas as correlações encontradas nos vários estudos não foram nunca muito elevadas. "A complexidade do pensamento parental só tem significado quando posta em equação com os conteúdos específicos desse pensamento e com as características das crianças" (Sameroff & Chandler, 1975 e Sameroff & Seifer, 1983, citados por Sameroff & Feil, 1985, p. 101). Assim se compreendem os resultados do Rochester Longitudinal Study citado por Sameroff e Feil (op. cit.) e Sameroff e Fiese (1992), que acompanhou desde o nascimento até à adolescência crianças provenientes de famílias com diferentes níveis sócio-económicos e diferentes situações de saúde mental, procurando relacionar o desenvolvimento dessas crianças com as variáveis acima mencionadas e com os conceitos de desenvolvimento das suas mães. Com efeito, verificou-se que os conceitos de desenvolvimento tinham uma contribuição independente e significativa nos níveis de desenvolvimento cognitivo, mas não nos níveis de competência social; estes estavam sobretudo correlacionados com o estado de saúde mental das mães, que, por sua vez, não contribuía de forma significativa para os resultados da área cognitiva.

"A forma como os pais pensam acerca das crianças tem forçosamente um impacto naquilo que fazem com elas... A própria interpretação do comportamento das crianças está dependente do nível de compreensão que se tem do processo de desenvolvimento. O enfoque nas características da criança não é preditivo do seu desenvolvimento a não ser que as características do meio educativo envolvente estejam também equacionadas" (Sameroff & Feil, 1985, p. 102).

As perspectivas até agora analisadas mostram claramente a necessidade de estudar as ideias dos pais sobre o desenvolvimento das crianças, a percepção das suas competências e necessidades, e salientam a importância de factores dos pais

e do contexto familiar e social para uma completa compreensão do processo de desenvolvimento e socialização da criança.

3. Atitudes, sentimentos e percepções maternas e suas consequências no processo interactivo mãe-bebé

Iremos agora abordar alguns trabalhos mais directamente ligados à psicologia clínica e à psicologia e psicopatologia do desenvolvimento, a fim de verificarmos as formas como as teorizações atrás referidas foram enquadradas nestes domínios científicos.

Citaremos inicialmente alguns trabalhos experimentais cuja fundamentação teórica se enquadra na perspectiva que temos vindo a abordar e que estudam a relação entre factores internos da mãe - percepção da criança, crenças/valores educativos e estado emocional da mãe - e o seu comportamento na interacção mãe-bebé. Abordaremos seguidamente as perspectivas teóricas de alguns autores que propõem uma abordagem que analise simultaneamente os factores internos da mãe e o seu comportamento interactivo.

Conger, McCarty, Yang, Lahey e Kropp (1984) consideram que a relação entre algumas variáveis demográficas que, quando coexistentes numa mesma família têm vindo a ser consideradas geradoras de situações crónicas de stress (pobreza, estrutura familiar monoparental e/ou elevado número de filhos e difíceis condições anteriores de vida), não têm uma influência directa no comportamento materno na relação mãe-bebé. Segundo estes autores, o comportamento da mãe (avaliado em termos de comportamentos verbais ou físicos de tonalidade afectiva negativa ou positiva) é mediatizado por variáveis maternas, nomeadamente estado emocional (depressão, ansiedade e irritabilidade), valores educativos (autoritários/democráticos) e percepções da criança (relativamente a dimensões como o humor, o nível de actividade, excitabilidade, atenção, frustração, etc.). Concluem que a relação entre o comportamento das mães e o nível de stress ambiental só parcialmente foi mediatizado por factores de sobrecarga emocional, valores educativos autoritários e percepções negativas acerca dos seus filhos, havendo também uma influência directa dos factores de stress no comportamento observado das mães.

Num estudo longitudinal do nascimento até aos dezoito meses, Engfer e Gavranidou (1986), analisaram a relação entre a sensibilidade materna e a responsividade social do bebé, avaliadas ainda na maternidade, a história pessoal e características de

personalidade da mãe, relações conjugais e características da criança - dimensões a que os autores chamam antecedentes da sensibilidade materna - e ainda o peso relativo da sensibilidade materna, sentimentos e atitudes da mãe e características da criança para a interacção mãe-bebé. O estudo processou-se em três momentos: No período neo-natal médicos e enfermeiras avaliaram a sensibilidade demonstrada pela mãe na sua relação com o recém-nascido; aos quatro meses, em entrevista detalhada e utilizando alguns questionários e escalas de auto-avaliação, foram avaliados os antecedentes da sensibilidade materna; aos dezoito meses, novos questionários e escalas foram preenchidos pelas mães, fora do contexto de qualquer entrevista, avaliando as mesmas dimensões.

Estes autores concluem que a sensibilidade materna está fortemente correlacionada com a responsividade social do bebé, com a qualidade da relação conjugal e com a personalidade da mãe. A história pessoal da mãe não está relacionada com a sensibilidade demonstrada no período neo-natal, mas influencia a avaliação que faz da sua relação conjugal. Aos quatro meses, tanto as características da mãe como as da criança, demonstradas no período neo-natal, influenciam fortemente as atitudes da mãe e a percepção do seu bebé. Aos dezoito meses, os problemas de comportamento da criança, percepcionados pela mãe, estão também correlacio- nados com a sensibilidade demonstrada no período neo-natal, mais do que com as características da criança. Os resultados obtidos apontam portanto para a interdependência de variáveis internas da mãe e comportamento de sensibilidade demostrado, ambos correlacionados com a responsividade social do bebé, bem como com a percepção e avaliação que a mãe faz do seu temperamento e características.

Num outro estudo longitudinal, Fleming, Flett, Ruble e Shaul (1988) procuram investigar a relação entre o estado emocional da mãe durante o final da gravidez e no período pós-parto - primeiro, terceiro e décimo sexto meses - os seus sentimentos relativamente ao bebé e função materna e a interacção que estabelecem com os seus filhos ao longo dos primeiros dezasseis meses de vida. Comparando mães deprimidas e não deprimidas concluem que o estado emocional no período pré-natal e pós-parto está correlacionado com os sentimentos maternos, nomeadamente sentimentos de adequação na função materna e o comportamento afectuoso manifestado aos seus bebés. Também o estilo interactivo das mães deprimidas se revelou diferente, com menor número de comportamentos mostrando um afecto positivo, menos vocalizações como resposta às vocalizações dos bebés. Os sentimentos de sobrecarga e cansaço físico, mais elevados nas mães deprimidas correlacionaram-se significativamente com os sentimentos maternos sobre a função maternal e competência nos cuidados a prestar ao bebé. Analisando

o papel do bebé e sua contribuição para os sentimentos maternos, os autores só encontram correlações significativas aos três meses, o que confirma os estudos anteriores de Robson e Kumar (1980) e de Panaccione e Wahler (1986), citados pelos autores, cujos resultados apontam para a influência progressivamente maior, ainda que indirecta, do estado do bebé, nos sentimentos e cuidados maternos. Em nenhum dos períodos avaliados o estado emocional da mãe influenciou os seus

Outline

Documents relatifs