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SECTION I- L’ACTION DE LA COUR, UN ELEMENT JURIDIQUE MAIS AUSSI POLITIQUE

2 - UN MONDE PLURIEL

A- LE STATUT DE ROME, UN CODE DE BONNE CONDUITE INTERNATIONALE

A EEA na disciplina de História e Geografia de Portugal, no contexto de 2.º CEB desenvolveu-se numa turma de 6.º ano, composta por vinte e cinco alunos, anos, juntamente com o professor cooperante. Nos subtópicos seguintes, caraterizamos o contexto, descrevemos e refletimos sobre a nossa EEA, na disciplina de História e Geografia de Portugal.

3.3.1. Caracterização do contexto

O grupo no qual desenvolvemos a nossa ação pedagógica foi uma turma do 6.º ano de escolaridade, constituída por vinte e cinco alunos, oito do sexo feminino e dezassete do sexo masculino, com idades compreendidas entre os onze e treze anos.

Segundo as nossas observações, a turma revelou-se bastante barulhenta e irrequieta, os alunos esqueciam-se que estavam dentro de uma sala de aula e, que, existiam regras e comportamentos que devem ser respeitos. O bom funcionamento das aulas foi várias vezes prejudicado devido a tais factos, ficando as nossas intervenções marcadas por essa imposição que acreditamos ser essencial. Contudo, a maioria dos alunos era empenhados, interessados na aprendizagem de novos conteúdos, bastante participativos, no geral o seu aproveitamento era bom. Reparamos na sua preparação prévia, estudavam e preparavam-se em casa com a devida antecedência, através da leitura dos conteúdos presentes no manual escolar.

O professor cooperante desenvolvia uma boa relação com a turma, e optava sempre pelo método que os alunos mais gostavam, a leitura do manual escolar. É de realçar que o professor cooperante se mostrou sempre disponível para nos apoiar e

esclarecer dúvidas, dando-nos com a devida antecipação os conteúdos a lecionar. O tempo pedagógico de História e Geografia de Portugal restringiu-se apenas a um bloco de noventa minutos semanais, o que dificultou não só o cumprimento do programa e planificação, mas também as relações entre a professora estagiária e os alunos.

3.3.2. Descrição e reflexão da experiência de ensino/aprendizagem na disciplina de HGP

A história é uma área cientifica que nos ajuda a compreender o mundo em que vivemos. Pais (1999) refere que o tempo é o espaço na História,espaço que se entende do passado ao presente e que nos convida a ir ao passado com questões do presente para voltar ao presente com um lastro do que se compreendeu do passado. Só voltando para trás o filme da História é que se torna compreensível o último fotorama: o presente (p. 26). No entanto, a História não estuda somente o passado para compreender o presente. Isto significa que nos dá os alicerces para programar o futuro.

Tem-se verificado um tipo de ensino/aprendizagem muito tradicionalista tipicamente associado à HGP, dada a complexidade que a área disciplinar de reveste, Ribeiro (2013) citando Barca (2007), salienta a existência de bons exemplos de organização de experiências de aprendizagem pensadas (…) novas metodologias contribuem para que o professor de História possa acompanhar e monitorizar, de forma sistemática, a mudança conceptual dos seus alunos. E simultaneamente, ao favorecerem a autoconfiança dos alunos, potenciam a motivação para aprender mais e melhor acerca da aventura humana através dos tempos. Por este motivo, para trabalharmos, no dia dezasseis de maio de 2016, o domínio de Portugal no século XX, mais concretamente o seu subdomínio, o 25 de abril de 1974 e o regime democrático, recorremos ao diálogo, à leitura e análise de páginas do manual escolar, distribuição de um excerto, à audição, exploração e análise de uma canção, vídeos e cartazes.

Iniciamos a aula questionando os alunos sobre os conteúdos da aula anterior e introduzimos os antecedentes à revolução 25 de abril de 1974, e pedimos aos alunos que lessem duas páginas do manual escolar. A leitura foi efetuada pelos próprios alunos. Antes de mais é preciso esclarecer que utilizamos pontualmente o manual escolar em todas as nossas intervenções em HGP, mas verificamos se as informações, imagens e fotografias contidos no mesmo eram relevantes para as aprendizagens dos alunos.

A utilização do manual em determinadas etapas da EEA deveu-se ao pedido dos alunos. Nas EEA anteriores, as turmas ofereceram uma certa resistência, demostrando o seu desagrado à utilização de outros recursos didáticos.

Numa fase inicial, verificamos que alguns elementos da turma se recusavam a participar nas aulas quando utilizávamos recursos com os quais não se sentiam confortáveis para trabalhar, uma vez que tinham por hábito estudar os conteúdos do manual escolar, demonstrando os seus conhecimentos adquiridos previamente, durante a ação pedagógica. Consideramos que o aluno é o centro do processo de ensino/aprendizagem e a nossa missão foi e sempre será de “estimular e motivar o aluno” (Vaz, 2014, p.7). Assim, ouvimos as suas vozes face aos cometários atrás expostos, mas não desistimos de trabalhar outras estratégias de ensino/aprendizagem.

Posteriormente, elaboramos um conjunto de perguntas orientadas, no sentido de levar os alunos a compreender o contexto político e social que antecedeu ao 25 de abril, nomeadamente, a política de abertura de Marcelo Caetano que abriu espaço para a preparação da revolução dos cravos e relacionar as condições de vida da maioria dos portugueses com a opressão política e com a manutenção da Guerra Colonial. Durante esta primeira etapa os alunos revelaram-se participativos, entusiasmados e com muito vontade de expressar as suas opiniões e conhecimentos, demos-lhes esse espaço e tempo. No entanto, foi necessária a intervenção da professora estagiária, no sentido de pedir calma, explicar que todos tinham o seu tempo e, por isso, falavam um de cada vez levantando o dedo no ar.

Professora estagiária: O descontentamento da população era cada vez maior. Depois do texto que acabamos de ler, conseguem enumerar-me as razões para tal?

Jaime: Devido à falta de liberdade, às más condições em que viviam e à guerra colonial. João: Jaime, esqueceste de referir que, na guerra colonial morreram muitos jovens que, estavam a lutar e os outros países defendiam o direito à independência dos povos africanos.

Amaro: Professora, acho importante referirmos que a guerra colonial se mantinha porque Salazar defendia que Portugal não tinha colónias, mas sim províncias ultramarinas.

Jaime: Oh sim! Salazar dizia que o território português se estendia do Minho a Timor, mas isso já vimos com a professora na semana passada.

Gonçalo: Depois o Movimento das Forças Armadas planeou secretamente durante meses o fim ditadura.

Nuno: Sim, o MFA que era contruído por um grupo de militares que pôs fim à ditadura através de um golpe militar.

Tómas: Foram os nossos heróis!

Efetivamente, os alunos faziam uma espécie de “competição” entre eles para mostrar quem possuía mais conhecimentos. Seguidamente, distribuímos um excerto sobre, “O início da ação dos militares” (Ver figura 5), pedimos aos alunos para o colar, ler e responder às questões do mesmo, no caderno diário. O objetivo era que os alunos compreendessem como se iniciou e desenvolveu toda a ação militar que culminou na revolução. Este processo decorreu com serenidade. A turma leu o pequeno excerto e respondeu às questões contidas no mesmo, para que no final fizemos a correção.

Figura 5 - Excerto do texto entregue a um aluno

No excerto, é possível ler-se o sinal ou senha que deu ínicio à revolução. Deste modo, partimos para a audição da canção, “Grândola Vila Morena”, de Zeca Afonso (Ver anexo VI). A música destacava os ideias democráticos pretendidos aquando da revolução, por isso, pedimos aos alunos que registassem no caderno diário esses ideais.

A função da música nesta etapa foi, como afirma Carvalho (2015), adquirir “o conhecimento, a aquisição da informação e da memorização, sendo nesta etapa, parte integral para o desenvolvimento cultural” (p. 21). Além disso, o trabalho com a presente canção permitiu, segundo Gois (2012), citando Sekeff (2007), comprovar que a música na HGP tem uma função cultural, o exercício da música possibilita vivenciar sentimentos pretéritos e presentes de uma época (…) expressando sentidos irredutíveis a palavras, a música cria um espaço em que os sentimentos dos educandos acabam por encontrar novas e múltiplas possibilidades de ser. Esclarecemos os alunos que tipo de música que marcou uma época e uma geração e teve uma função crucial na vida política e social da altura. Procedemos então à análise da música, surgindo o seguinte diálogo:

Amaro: Foi fixe professora! É a primeira vez que fazemos algo assim. Professora estagiaria: O que te transmitiu a canção?

Amaro: Senti a liberdade que a população queria na altura e não tinha.

Professora estagiária: E em que momento da música podemos sentir essa liberdade que o Amaro mencionou?

Jaime: Quando ele diz “O povo é quem mais ordena”, significa que o povo é quem manda. Professora estagiária: Quais forram os ideais democráticas que registaram?

Diana: Fraternidade.

Rodrigo: Igualdade e liberdade.

Professora estagiária: Essas palavras que ouviram e registaram, traduzem-se numa definição. Qual é?

Tomás: Democracia.

Diogo: Além disso, a música transmite o que pretendiam, e não há referências de violência. Apenas queriam a liberdade.

Professora estagiária: Exatamente! Agora vamos ver um vídeo do “Primeiro Comunicado das Forças Armadas” do repositório RTP.

(NC:16/05/2016) A visualização de vídeos, segundo Miranda (2005) pode ser considerada uma excelente ferramenta de potencialização da educação e da instrução. Este recurso extrapola o campo da educação formal em virtude dos arranjos fílmicos funcionarem intrínseco aos arranjos didáticos, levando o educando a concentrar-se na história humana e aprender a olhar o mundo com outros olhos. Esta ferramenta possibilitou aos alunos ouvirem com atenção o discurso do MFA, marcado pela preocupação do bem-estar das populações e concluir que a revolução dos cravos não teve um cariz violento.

Iniciando uma nova etapa e, indo ao encontro dos objetivos do programa de HGP, apresentamos um cartaz, “Vota Eanes” (ver anexo VII), para que, em grande grupo se construísse e compreendesse o conceito de democracia. Os alunos registaram o conceito no caderno diário. Seguidamente, procedemos à leitura e à análise de uma página do manual escolar sobre o programa do Movimento das Forças Armadas. À semelhança da leitura anterior, os alunos voluntariaram-se para a leitura. Seguidamente, com o intuito de relacionar a instauração da democracia com a descolonização e com o fim do Império, analisamos um mapa denominado “Territórios descolonizados após o 25 de abril de 1974”, do manual escolar, para que os alunos identifiquem os territórios que alcançaram a independência. A utilização de mapas na sala de aula “desenvolve a capacidade dos alunos de se orientar e localizar, desenvolvendo habilidades e competências como: analisar, interpretar, descrever, orientar e relacionar” (Parejo, 2003). Devido à falta de tempo e ao excesso de conteúdos que uns noventa minutos semanais exigiam, não conseguimos concluir esta atividade, surgindo a necessidade de ajustar a planificação seguinte.

3.4. Experiência de ensino/aprendizagem na disciplina de Ciências Naturais no 2.º