P REMIERE P ARTIE
EXPLIQUE PAR DES CONTEXTES JURIDIQUE , FINANCIER , ECONOMIQUE ET TECHNOLOGIQUE EN EVOLUTION
2.1 Un renforcement des mécanismes d’appropriation des connaissances Les années 1980 vont marquer un tournant dans le sens d’un renforcement des
2.1.1 Appropriation des connaissances versus diffusion
Nesta seção apresentaremos as características organizacionais maiores dos turnos da pesquisadora e da professora do texto oral analisado, o plano global do texto, abordando os tipos de discurso e os tipos de sequências predominantes. Trataremos, também, dos tipos de agir identificados nos segmentos temáticos.
O texto da instrução ao sósia apresenta 9.992 palavras e 546 turnos interacionais, considerando quando os interlocutores tomam a palavra. Elas são constituídas, sobretudo, de perguntas e respostas, dado que se trata de uma entrevista, em que a professora dá instruções para a pesquisadora de como desenvolver as suas atividades de trabalho. O enunciador e o destinatário alternam-se, sendo representados ora pela pesquisadora e professora, ora pela professora e pesquisadora.
Em relação à quantidade de palavras da pesquisadora, identificamos 2.266 palavras, sendo que os turnos da pesquisadora servem, sobretudo, para:
Em primeiro lugar, introduzir uma nova atividade, levando em conta a lista de atividades enviada por e-mail pela professora, o que indica a mobilização de conteúdo já expresso, com o uso do marcador conversacional bom.
P98.: Uhn-uhn... certamente, não...bom, outra coisa que você me falou é elaboração de disciplina de graduação de 2009
Em segundo lugar, mostrar concordância e engajamento na conversação, com o uso de marcadores como certo e uhn-uhn.
28C.: é vou anotar na minha agenda geralmente é assim quinze dias um mês entendeu para você fazer o parecer... o que mais eu vou receber de e-mail? geralmente é isso... são as agências revistas que você dá parecer aluno a universidade chamando para reunião para... dando aviso né pedindo para divulgar coisas
29P.: [uhn uhn
Em terceiro lugar, mostrar compreensão ou buscar confirmação de sua compreensão ao turno anterior da professora, com o uso do marcador né.
207P.: e quanto tempo eu posso gastar com essas leituras? você falou um capítulo né?
Em quarto lugar, descobrir os detalhes e as formas de proceder para desenvolver a atividade exposta pela professora.
53P.: imagine eu vou estar num seminário desse o que eu...como que eu
deveria proceder nesse seminário?
Em quinto lugar, pedir esclarecimento quando não compreendeu as instruções.
317C.: porque tem as perguntas todas que você tem que responder...
318P.: eu não estou entendendo direito... então eu vou ter que ler esse projeto...ou o artigo...
319C.: você vai ler o projeto ou artigo dependendo do que a pessoa está pedindo...
Finalmente, desvendar problemas ou dificuldades que podem aparecer no desenvolvimento da atividade.
189P.: uhn uhn... e nessa leitura pode acontecer de eu estar com dificuldade de concentração?
Em relação a este último tipo de pergunta, as representações construídas nos e pelos textos sobre o trabalho da professora entrevistada é que ele é constituído, sobretudo, de dificuldades e imprevistos na realização das tarefas. Essas representações são oriundas tanto da prática no exercício da docência e da pesquisa pela pesquisadora quanto da leitura de textos teóricos que abordam essas questões. Nesse sentido, as representações construídas pela pesquisadora, na interação, sobre o tema abordado colaboram para desvendar mais detalhes sobre as formas de agir. Assim, muitas dessas perguntas originam-se dessas representações
oriundas de uma memória do métier, e não da observação in loco da professora pela pesquisadora.
Em relação aos turnos da professora entrevistada, identificamos um total de 7.726 palavras, sendo observada a presença de alguns marcadores conversacionais, como entendeu, que serve para confirmar se a pesquisadora está engajada na conversação, compreendendo-a, e né, no final de temas ou subtemas, que serve para buscar apoio em relação ao que ela diz. Os turnos da professora servem, sobretudo:
Em primeiro lugar, para instruir a pesquisadora, descrevendo ações consecutivas para o desenvolvimento das atividades.
184C.: você vai lendo e corrigindo já e colo... eu vou colocando sugestões
perguntas algumas coisas eu corrijo é tudo aquilo que eu falaria com elas e
que e eu não vou falar né? vou escrever...
Em segundo lugar, para concordar sobre a possibilidade de problemas colocada pela pesquisadora.
189P.: uhn uhn... e nessa leitura pode acontecer de eu estar com dificuldade de concentração?
190C.: ((tossiu)) pode se você estiver cansada preocupada com outra coisa...
Finalmente, para relatar alguma experiência problemática vivida.
134C.: é olha eu sei porque eu também já tive do outro lado né de
organizadora de congresso...
135P.: [uhn uhn
136C.: e daí a gente recebe um monte de telefonemas de gente reclamando porque não conseguiu fazer a inscrição né você vê o outro lado da história também às vezes...eu lembro por exemplo fui presidente do GEL52 a alguns anos atrás ( ) do GEL não sei se você chegou a participar de algum encontro do GEL...
Observamos, no último exemplo, que a professora relata a sua experiência vivida para dar instruções à esta pesquisadora, principalmente quando se trata de dar orientações sobre como agir em situações problemáticas ou difíceis na realização da atividade. Interessante observar que no turno 136C em “não sei se você chegou a participar de algum encontro do
GEL”, a professora institui a pesquisadora como colega de trabalho que já faz parte do
mesmo métier.
As hipóteses levantadas na seção 6.1 em que abordamos o contexto de produção sobre o tipo de interação são confirmadas nesses exemplos, pois vemos que é a pesquisadora quem conduz a interação e é a professora quem detém os conhecimentos sobre o trabalho docente a serem desvendados pela pesquisadora.
Em relação aos turnos da professora, os menores servem para responder alguma pergunta sobre elementos específicos do trabalho. Os turnos maiores, por sua vez, servem, sobretudo, para descrever como se desenvolvem as atividades. Além disso, encontramos segmentos maiores que servem, também, para relatar uma experiência vivida, relacionada à atividade instruída, como podemos observar no exemplo a seguir, em que a experiência é representada como fundamental.
148C.: [site do GEL] tá ótimo não tá? mas no ano de dois mil e quatro deu problema para muita gente e a gente sabia que ia dar porque era a primeira associação da nossa área aqui no Brasil de Humanas de Letras de Linguística que estava fazendo isso... a gente não tinha nenhuma outra para... quando você tem outro que já fez você vê os erros que outro fez você evita você conserta então era uma experiência nova... deu muito problema muita gente perdeu muita gente... falaram que tinha dois mil e tantos inscritos então tem e não... não aparece entre dois e tantos né... mas para quem está organizando é um tal de telefonema não sei o que isso acontece não sei o que sempre tem gente que perde...
Em relação ao segmento de entrevista aberta, identificamos 64 turnos, constituídos por 1.550 palavras, com 144 palavras da pesquisadora, que, sobretudo, retoma, de alguma forma, o conteúdo temático introduzido pela professora. Já os turnos da professora apresentam 1.406 palavras e, expressam, principalmente, avaliações de atividades de trabalho prescritas pelas instituições externas.
Nessa entrevista aberta, não se pedem instruções de como proceder para desenvolver a atividade, nem são colocados possíveis problemas, baseados na experiência da pesquisadora, para realizar a atividade. Já na instrução ao sósia, a pesquisadora, sobretudo, pede para a professora dar orientações sobre como proceder para desenvolver determinada atividade, faz perguntas com o objetivo de descobrir os detalhes para a realização das atividades, questiona sobre problemas e dificuldades na realização das atividades e pede esclarecimentos quando não compreende como executar determinada atividade. Como vimos, há diferenças entre as duas partes do texto, sendo que o que diferencia a entrevista aberta e a instrução ao sósia, no nosso caso, é o tipo de pergunta feita com base nas representações construídas pela
pesquisadora, caracterizando uma construção discursiva de uma experiência vivida (da instrução ao sósia) de outra experiência vivida (do trabalho da professora).
A Tabela 6.1 expõe a quantidade de palavras identificada no texto analisado.
TABELA 6.1 – Levantamento quantitativo e percentual das palavras Participantes de pesquisa Entrevista de instrução ao sósia Porcentagem na instrução ao sósia Entrevista
aberta Porcentagem na entrevista aberta Professora 7.726 palavras 77,33% 1.406 palavras 90,7% Pesquisadora 2.266 palavras 22,67% 144 palavras 9,3% TOTAL: 9.992 palavras 100% palavras 1.550 100% Fonte: elaborada pela autora.
Os números da Tabela 6.1 evidenciam que a entrevista aberta funciona, aqui, como um instrumento auxiliar para geração de dados, o que pode ser observado a partir da quantidade de palavras nos dois tipos de entrevista, já que na instrução ao sósia houve um total de 9.992 palavras, ao passo que na entrevista aberta foram apenas 1.550.
Na instrução ao sósia, as atividades elencadas no e-mail pela professora, conforme esclarecemos no Capítulo 5, foram retomadas pela pesquisadora, mas algumas outras atividades também foram introduzidas pela professora no momento da interação, como podemos observar no quadro a seguir. Nos turnos de 479C a 544C da instrução ao sósia, a introdução do tópico também se deu pela professora, a pedido da pesquisadora, que solicitou que a professora instruísse uma atividade considerada difícil por ela, sendo tematizadas as atividades de leitura de tese para banca de defesa e arguição em banca de defesa. Nos turnos 547C a 570C temos o segmento que consideramos entrevista aberta, já que o foco na entrevista aberta não é uma atividade específica nem há instruções para desenvolvê-la.
A Tabela 6.2 traz os segmentos temáticos identificados na instrução ao sósia, dos turnos de 2C53 a 544C, e na entrevista aberta encaixada, dos turnos de 457P a 570C.
53 C refere-se à professora (nome fictício Clara) e P à pesquisadora. O turno 1P foi o início da instrução ao sósia pela pesquisadora, em que ela faz uma breve contextualização da situação de pesquisa.
TABELA 6.2 – Plano global da instrução ao sósia e da entrevista aberta Numeração
dos turnos em questão
Temas listados no e-mail e retomados pela pesquisadora na instrução ao sósia
Temas introduzidos na instrução ao sósia
pela professora
2C ao 33C 39P ao 47P
1. Recebimento e envio de e-mail de/a várias instâncias
36C ao 38C 2. Reunião com colegas sobre o
processo seletivo dos alunos da pós-graduação
48C ao 66C 3. Seminário de pesquisa para
alunos de pós 67C ao 170P 4. Elaboração de resumo para congresso e
inscrição nele
171P ao 267C 5. Leitura de capítulos de dissertação de mestrado (para alunos)
268P ao 299C 6. Elaboração de programa de disciplina de pós-graduação
300P ao 422C 7. Elaboração de parecer para os órgãos de fomento
423P ao 478C 8. Preparação do encontro e encontro com alunos de graduação da disciplina “Investigação Científica”
479P ao 525P 09. Leitura de tese para banca de
defesa
526C ao 544C 10. Arguição em banca de defesa
547P ao 556C 11. Atividades agradáveis e
atividades desagradáveis
557P ao 570C 12. Avaliação/prescrições dos
órgãos de fomento Fonte: elaborada pela autora.
Como se pode observar, alguns temas foram colocados em cena no momento da instrução pela professora, o que mostra que nem sempre é a professora quem dirige a interação. Em relação ao seminário de pesquisa para alunos de pós-graduação, a professora esclarece que não estava desenvolvendo essa atividade no semestre em questão por estar em licença-prêmio. Aliás, no e-mail em que listava as atividades a serem realizadas, a professora
menciona que, como estava em licença-prêmio, não estava lecionando a disciplina de graduação e a de pós-graduação, mas tinha mantido a disciplina “Investigação Científica”, que funciona como orientação a alunos de graduação em projetos de pesquisas. Além disso, as atividades listadas não foram retomadas pela pesquisadora na ordem em que estão no e-mail. Aliás, no e-mail trocado, como mencionamos no Capítulo 5, a professora faz uma divisão entre atividades com horário marcado e atividades sem horário marcado. A única atividade que aparece com horário marcado é o encontro com alunos de graduação que cursam a disciplina “Investigação Científica”.
Já em relação aos tipos de discurso, há marcas linguísticas que remetem à situação de produção, pois se trata de um diálogo, sendo o discurso interativo o predominante. Alguns segmentos em relato interativo (verbos no pretérito perfeito e no imperfeito) são encaixados no discurso interativo, em que a professora aborda sua experiência profissional anterior para dar esclarecimentos de instruções à pesquisadora.
117C.: eu fui para um congresso lá em Montevidéu em agosto da Alfal Associação de Linguística e Filologia da América Latina e nós enviamos o resumo no início do ano mas o site era horrível as explicações ali que você
tinha para enviar o resumo e tudo você ficava na dúvida se o resumo tinha
chegado ou não...
Esses segmentos em relato interativo encaixados no discurso interativo abordam várias atividades, e parte da experiência vivida pela professora para dar esclarecimentos sobre algumas das instruções. Nesse sentido, a experiência é colocada como central para se justificar porque realizar uma atividade de determinada maneira.
Encontramos, ainda, segmentos de discurso interativo encaixados no discurso interativo dominante, trazendo um discurso anterior para o tempo da enunciação, revivendo-o, como no exemplo a seguir:
474C.:[...] na pós... na pós se os alunos chegam e falam que não deu para ler não sei o que... não sei o que daí eu falo: “bom então vocês vão embora para casa e daí a gente se encontra na próxima semana é mais aquela leitura e mais essa tá” porque na pós você não vai ficar dando trabalhinho
discussão em grupo é perda de tempo eu acho... “se vocês não tiveram tempo de ler vocês vão sentar aqui agora e ler então”...
Esse exemplo mostra dois estilos de agir do professor, um com os alunos da graduação, em que é possível dar trabalho em grupo na sala de aula, e outro com alunos de pós-graduação, em que não seria adequado pedir para o aluno fazer trabalho em grupo, pois
seria “perda de tempo”, na opinião da professora. Além disso, revela as dificuldades pelas quais o professor passa, já que ele tem de readaptar o seu planejamento a cada aula, de acordo com a situação do momento.
Nesses segmentos encaixados em discurso interativo, evidenciamos os diversos outros com os quais a professora dialoga em situação de trabalho, oralmente ou por escrito – diferentes espécies de alunos, comissão de órgãos de fomento e a voz de colegas de trabalho.
Em primeiro lugar, evidenciamos a voz da própria professora, dirigindo-se aos alunos, tendo como tema respostas a e-mails, leitura de textos e interações conflituosas em sala de aula. No caso do exemplo a seguir, a voz da professora tem a função de prescrever o agir do aluno.
255C.: então eu já olho na biblioteca e falo: “vai lá e pega que está lá”... se
ele falar que ele não leu... mas com pós eu não faço isso com pós eu deixo o aluno se virar mais porque é diferente né?
Em segundo lugar, observamos a voz da professora, desempenhando o papel de parecerista ou de arguidora, dirigindo-se à comissão dos órgãos de fomento ou ao aluno na defesa, respectivamente, como no exemplo a seguir, em que a professora se dirige aos órgãos de fomento ao dar um parecer.
349C.: [é são pareceristas ad hoc que a gente chama daí isso vai para uma comissão do CNPq54 o comitê...da área e o comitê vai ver os pareceres que a
gente deu... daí eles vão ver o que vão decidir... eu digo lá: “não recomendo para” ”recomendo para” ( )
Todos esses exemplos mostram uma recriação de um discurso anterior, uma experiência verbal.
Em terceiro lugar, identificamos, ainda, nos segmentos encaixados em discurso interativo, a voz de colegas de trabalho, que agem de maneira diferente em relação ao modo de agir da professora, revelando estilos diferentes. No caso do exemplo a seguir, a voz trazida à cena mantém uma relação de oposição com a voz da professora-enunciadora, evidenciando conflitos no coletivo de trabalho.
586C.: tá? então para fazer o meu relatório da Unicamp55 eu tenho que
preencher outro currículo da Unicamp daí meu aluno quer bolsa da
54 Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. 55 Universidade Estadual de Campinas.
Fapesp...56“eu não quero para mim mas ele quer bolsa” ele tem o direito dele de pedir a bolsa não é...
587P.: da Fapesp daí tem que ser outro?
588C.: daí eu tenho que ir lá e fazer as coisas da Fapesp... então eu não tenho coragem de virar; tem colegas que falam isso eles falam para o aluno: “olha
aluno meu eu não vou pedir bolsa para lugar nenhum”...
Além desses diferentes outros com os quais a professora se relaciona em situações de trabalho, identificamos, ainda, a voz da professora, tendo como destinatário as pessoas que ligam para a sua casa no momento em que ela está trabalhando. O exemplo a seguir revela- nos que isso acaba por suprimir a divisão entre a vida profissional e a vida privada, tendo o professor de deixar de lado assuntos da vida particular para se dedicar às atividades profissionais em sua casa, o que mostra conflitos, escolhas que têm de tomar.
381C.: é às vezes você consegue falar: “não posso” às vezes você tem que falar: “olha não posso agora”... se for ( ) às vezes eu tenho que dispensar as outras coisas... às vezes eu falo: “eu não posso falar com você me liga
mais tarde” eu ponho aquilo [alguma atividade de trabalho que está sendo
realizada] de prioridade viu?
Tais segmentos em discurso interativo recriam uma situação, geralmente presente ou futura, tendo a função de dar instruções que fazem parte do desenvolvimento da atividade, ou seja, instruções referentes ao que se deve dizer em determinada situação. Esses segmentos em discurso interativo encaixados em discurso interativo mostram a ocorrência de dois planos enunciativos: um em que a professora-enunciadora interage com a pesquisadora e outro em que ela interage como os alunos ou com colegas de trabalho em uma situação recriada.
Em relação à organização global que caracteriza a infraestrutura geral do texto, ele é planificado em sequência dialogal global, já que se trata de uma entrevista oral em que pesquisadora e professora estão efetivamente engajadas na conversação. No interior dessa sequência dialogal maior, em que há as fases de abertura, transação e fechamento, identificamos muitos segmentos locais em sequência injuntiva, em que consideramos que os efeitos de sentido buscado pela professora é gerir as ações da pesquisadora na realização as atividades de trabalho, que esta faria numa situação ficcional, como podemos observar a seguir.
423P.: bom outra atividade que você colocou é o encontro com alunos de graduação...
424C.: [uhn uhn
425P.: que vai ser no dia cinco do onze... como eu devo iniciar esse encontro?
426C.: você vai encontrar com eles lá no IEL...57 elas têm para esse encontro umas leituras tá você vai discutir com elas uns textos sobre gêneros do discurso coisas assim que elas estão lendo...
427P.: e para...para... então eu vou ter que ter lido esses textos?
428C.: você vai ter que ter lido esses textos e... porque esses encontros essa leitura em função de análise de dados que elas estão fazendo tá? então para esse encontro dessa semana você vai ter que ter lido os textos para
discutir com elas e relacionar com as análises que elas estão fazendo...
No decorrer do texto, observamos que a modalização deôntica é muito recorrente, já que se trata de uma instrução ao sósia em que a pesquisadora é o sujeito da prescrição.
Entretanto, no último segmento de entrevista aberta “avaliação/prescrições dos órgãos de fomento”, encontramos, ainda, modalizações deônticas indicando os deveres do professor, o que mostra as representações do professor genérico (ou geral) sobre o mundo social, as regras e normas de instâncias externas (universidade e agências de fomento).
584C.: pois é agora mas não... a gente tem que... a gente tem que sentar lá e fazer o currículo resumido para cada coisa diferente dos seus alunos por exemplo você tem um aluno que pede bolsa para a Fapesp você tem que fazer um currículo em função da Fapesp você pára aquilo que você está fazendo né?
Além desse agir prescritivo, evidenciamos outros modos ou tipos de agir construídos no e pelo texto pela professora ao abordar o seu trabalho: agir mental/ cognitivo, instrumental, linguageiro, corporal e afetivo, conforme discutimos no Capítulo 4.
A mobilização desses diferentes modos de agir pela professora confirma a nossa concepção de trabalho docente em relação ao fato de que o professor mobiliza o seu integral, em suas diferentes dimensões (corporal, mental/cognitiva, linguageira e afetiva) com o uso de instrumentos, materiais ou simbólicos, para a realização de suas atividades de trabalho. Comparando os tipos de agir nos segmentos temáticos, observamos que em todos eles foram colocadas em cena as dimensões mentais/cognitivas e linguageiras do professor, que realiza o