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La classe de langue étrangère : deux types d’interaction

Pour aborder les interactions verbales en classe

1.7. La classe de langue étrangère : deux types d’interaction

Como já foi referido, Geert Hofstede é considerado, de uma maneira geral, uma espécie de “pai” da gestão comparativa ou dos estudos multiculturais aplicados à gestão99, devido ao seu monumental trabalho sobre as várias filiais da multinacional IBM. Este investigador holandês aplicou um único questionário nas sucursais desta empresa em 40 países, em dois momentos no tempo, 1968 e 1972 e obteve cerca de 116 mil respostas. A partir daí, por meio de análise estatística e raciocínio teórico, definiu quatro dimensões que, na sua óptica, são marcas fundamentais de diferenciação entre as várias formas de encarar os valores relacionados com o trabalho nos diversos países e regiões do mundo. Estas dimensões iniciais, a que mais tarde se veio juntar uma quinta que será discutida aparte, são a distância hierárquica, o controle da incerteza, o individualismo e a masculinidade (Hofstede, 1988)

De uma forma muito sucinta é possível explicar o significado da distância hierárquica (DH), como sendo uma dimensão cultural relacionada com a forma como as sociedades encaram as desigualdades, o facto de haver indivíduos com mais poder e outros com menos poder. Segundo as conclusões de Hofstede, há sociedades que aceitam essas desigualdades e até apreciam a sua expressão e outras que fazem tudo para as esbater. A partir daqui é possível abstrair uma série de características inerentes às várias sociedades e compreender muitos comportamentos e práticas a nível empresarial, facilitando, por exemplo, a determinação do tipo de estrutura hierárquica e de liderança mais apropriados às empresas locais.

O controle da incerteza (CI) é a dimensão segundo a qual as sociedades encaram de forma mais despreocupada ou mais ansiosa o facto de não ser possível prever o futuro, e como tal serem obrigadas a viver numa permanente incerteza. Há sociedades em que esta evidência não é vivida de forma angustiante, noutras, no entanto, ela surge como um problema maior, que é forçoso contrariar inventando mecanismos que criem, pelo menos uma ilusão de controle e segurança. Estes, tanto podem adquirir a forma de panóplia mais ou menos vasta de regras, como fé na tecnologia ou devoção religiosa. Segundo Hofstede, em países em que se relacionam altos níveis de controle da incerteza

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Na verdade seria preferível, neste caso, aplicar a expressão inglesa cross cultural, pois o trabalho de Hofstede abarca sobretudo as diferenças entre culturas e não propriamente o produto da sua interacção. Curiosamente ou não, é difícil traduzir para português esta expressão, que tem um significado de transversalidade comparativa que exclui implicitamente a interacção.

com índices também elevados de distância hierárquica, as organizações terão tendência a funcionar segundo modelos altamente burocratizados.

O individualismo (IND) é a dimensão cultural que mais se relaciona com a riqueza material das nações. Geert Hofstede chegou à conclusão que nos países mais ricos, mais industrializados e tecnologicamente mais sofisticados, toda a ênfase é colocada no indivíduo, o qual é responsável único pelos seus actos e é socialmente incentivado a zelar pelos seus interesses próprios. As associações que se estabelecem entre indivíduos são baseadas no interesse comum do momento, e são portanto tendencialmente voláteis, mas podem ser muito eficientes, dinâmicas e flexíveis porque cimentadas por uma confiança mútua que extravasa os laços familiares (Fukuiama, 1995). No extremo oposto encontram-se as sociedades, normalmente mais pobres, em termos económicos, e pouco industrializadas, em que o indivíduo é encarado enquanto membro de uma comunidade, seja ela família alargada, linhagem, tribo ou outra, e não possui valor por si próprio mas apenas no âmbito do seu posicionamento no grupo, do qual é indissociável (Cohen-Emerique, 1991).

Finalmente a masculinidade (MAS) e o seu oposto, a feminilidade, divide as sociedades segundo a importância que em cada uma é atribuída a valores socialmente mais conotados com o sexo masculino ou com o sexo feminino. Geert Hofstede define deste modo uma diferença, que se tem mostrado particularmente polémica: «Numa sociedade masculina, o herói é o realizador, o super-homem. Numa sociedade mais feminina, a simpatia do público vai para o anti-herói, para o oprimido, a notoriedade individual é suspeita.» (Hofstede, 1987:16)

Hofstede atribuiu a cada país estudado valores entre 0 e 100100 para cada uma das dimensões encontradas e relacionou-as entre si e com outras variáveis independentes, acabando por agrupar os diferentes países em vários “aglomerados” (cluster) com características mais ou menos idênticas. Chegou assim à definição de quatro modelos implícitos de organização social, respectivamente o mercado (próprio dos países anglo- saxónicos e escandinavos), a máquina bem oleada (característico dos países germânicos e Israel), a família (Sudeste asiático) e a pirâmide (países latinos, mediterrânicos, islâmicos, o Japão e algumas outras zonas da Ásia) (idem: 216).

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1.2.1.1. Portugal e a região da África Oriental

Um dos méritos de Hofstede, do nosso ponto de vista enquanto portugueses, é que o seu estudo engloba Portugal, o que é bastante raro num projecto internacional, e também a região da África Oriental. É evidente que comparar dados, já de si tão generalistas, de um país e de uma região inteira, obtidos há mais de trinta anos, quando o contexto sócio- económico e político era completamente diferente, tem um valor muito questionável. No entanto, partindo do princípio que uma das características do fenómeno cultural é a sua sistemática repetição, o que permite abstrair grandes permanências relativas, e aproveitando dados mais recentes, produzidos por meio da aplicação de um questionário semelhante ao de Hofstede em Moçambique (Gomes,1996), tanto junto de portugueses aí residentes como de moçambicanos, e também, um pouco mais tarde, em Portugal (Gomes,1999), pode proceder-se a uma análise comparativa, necessariamente demasiado genérica, entre as dimensões culturais dos dois espaços, que são aqueles que interessam para o presente trabalho.

Tabela comparativa dos índices das dimensões de Hofstede Portugal/África Oriental

DH CI IDV MAS

Portugal

63 104 27 31

Áf. Oriental 64 52 27 41

Fonte: Hofstede, 1991

Se observarmos a tabela em que se comparam os índices das dimensões de Hofstede de Portugal e da África Oriental, torna-se evidente a sua semelhança, sobretudo os índices de DH e IDV, ou seja, ambas as culturas apresentam um padrão de autoritarismo bastante vincado e uma grande dependência em relação ao grupo, seja ele a família nuclear, como parece ser o caso em Portugal101, ou a família extensa ou mesmo o grupo étnico como em África. O IDV é, segundo Hofstede, a dimensão mais susceptível de variar em função do crescimento económico, mas as réplicas do questionário102 que serviu de base ao estudo clássico de Hofstede, realizadas

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Segundo Jesuíno, Reis, Cruz (1998: 46), o comunitarismo português está exclusivamente virado para a família nuclear.

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O método de análise dos dados resultantes do questionário não obedeceu a normas estatísticas, pelo que não é possível estabelecer uma correspondência directa entre os dados originais de Hofstede e os das referidas réplicas.

recentemente, quer a portugueses em Moçambique, quer em Portugal (Gomes, 1996 e Gomes, 1999), não revelaram alterações significativas a este nível, apesar do crescimento económico português ter sido muito pronunciado.

Embora o índice de MAS português seja particularmente baixo, o que vem confirmar o “matricentrismo” típico da cultura portuguesa, já referido por autores como Jorge Dias (1986) entre outros, os valores desta dimensão na cultura da África Oriental também não são particularmente elevados. A dimensão em que mais diferem as culturas de portugueses e africanos do Leste, segundo os dados de Hofstede, é no índice de CI, muitíssimo elevado para Portugal, mas relativamente baixo para a África Oriental. Passemos agora a comparar os padrões resultantes das réplicas do questionário de Hofstede. Estes dados oferecem a vantagem de ser mais actuais (recolhidos na segunda metade da década de 90 enquanto os de Hofstede são do início de 70) e de se referirem directamente aos moçambicanos e não a uma amálgama indiscriminada de africanos de Leste. Além disso permitem distinguir entre portugueses residentes em Moçambique e portugueses residentes em Portugal. As principais desvantagens são a exiguidade das amostras e o método de tratamento dos dados, que se limitou a uma simples distribuição de frequência das respostas, enquanto os dados de Hofstede resultam de uma análise de componentes principais. Mesmo assim pode ser interessante incluir aqui estes resultados e proceder a uma comparação, mesmo que somente intuitiva.

Tabela comparativa da distribuição das respostas que apontam para uma tendência máxima de cada uma das dimensões de Hofstede (em percentagem)

Moçambi- canos Portugueses em Moç. Portug. em Portugal DH 82 60 42 CI 65 60 46 IND 28 40 36 MAS 16 13 8 Fontes:Gomes, 1996 e 1999

Segundo estes dados, as diferenças entre os grupos são mais pronunciadas, embora o padrão geral, descrito por Hofstede permaneça idêntico, ou seja, DH e CI elevados, ainda que neste caso o grupo dos moçambicanos apresente uma tendência para controlar a incerteza de forma mais ansiosa do que os portugueses, sobretudo os residentes em Portugal, e IDV e MAS baixos. Pode-se constatar que a diferença existente entre os moçambicanos e os portugueses é praticamente tão grande como a que separa os portugueses residentes em Moçambique e residentes em Portugal, sendo os primeiros

mais autoritários, ansiosos, individualistas e masculinos do que os segundos. Neste sentido, aproximam-se muito mais do grupo dos moçambicanos (salvo na dimensão IDV) do que do dos seus compatriotas residentes em Portugal. Uma validação destes dados por outros métodos poderia corroborar a hipótese de construção de uma cultura de empresa, já que os dados referentes aos moçambicanos e aos portugueses residentes em Moçambique foram obtidos numa mesma firma, enquanto os portugueses residentes em Portugal são de uma outra, acentuadamente diferente da primeira. É evidente que esta “criação comum” pode não ser positiva, no sentido do desenvolvimento das respectivas empresas, porque os códigos do domínio de uns sobre os outros se constróem precisamente a partir do estabelecimento repetido de uma relação desigual (Memmi, 1974: 52-3). Ora, experiências levadas a cabo por Doise (1981) confirmam a importância do conflito cognitivo entre pares para o desenvolvimento de conhecimentos e capacidades. Este processo é abafado quer pela ausência de conflito, como parece ser o caso da empresa em Portugal, quer pela imposição dessa ausência por meio do domínio de uns sobre os outros, como o era, pelo menos à época da recolha dos dados, o caso da empresa portuguesa a operar em Moçambique, onde foram questionados tanto os moçambicanos, como os portugueses aí residentes.

Os dados aqui apresentados referem-se apenas às quatro dimensões culturais do modelo clássico de Hofstede, que evoluiu entretanto contando agora com mais uma dimensão, a dinâmica confuciana ou orientação para o curto ou longo prazo. Não existem dados para esta dimensão nem para Portugal nem para Moçambique. O estudo que deu lugar à sua determinação abrangeu estudantes de 23 países, dos quais apenas dois africanos, a Nigéria e o Zimbabwe. Em ambos os casos a tendência para uma orientação de curto prazo é pronunciada (Hofstede, 1991:166).