• Aucun résultat trouvé

Observer l’activité grâce au dispositif de l’auto-captation du travail documentaire documentaire

Chapitre 3. Conception de la méthodologie

3.1. Fondements méthodologiques

3.1.3. Observer l’activité grâce au dispositif de l’auto-captation du travail documentaire documentaire

A incapacidade de produzir urina concentrada é um dos primeiros sinais de DRC. Tal facto resulta da diminuição do número de nefrónios, e da hipertrofia e hiperfiltração que afecta os restantes. Estes fenómenos reduzem a eficácia da formação dum gradiente medular concentrado, assim como a possibilidade da água se equilibrar através desse gradiente. Por conseguinte, a maioria dos casos de falência renal demonstram a presença de sinais de PU primária, com PD secundária (Elliott & Brown, 2004).

3.3.3.1 Densidade urinária

A determinação da densidade urinária específica (DUE) avalia a função renal, estimando se a água está a ser excretada ou conservada, de acordo com as necessidades. Permite obter a relação entre o peso de um dado volume de urina e o peso de um volume idêntico de água destilada. Seria mais rigoroso determinar-se o valor da osmolaridade urinária, contudo a densidade urinária é mais fácil de se obter na prática e os seus valores são suficientemente fidedignos para a maioria dos fins clínicos. É recomendada a utilização dum refractómetro para a sua medição. Alguns testes urinários de tira “dipstick” fornecem uma estimativa da concentração urinária, mas a sua utilização não é fidedigna em canídeos e felídeos (Heine, 2008). A medição da capacidade de concentração urinária é mais informativa quando obtida a partir da primeira amostra recolhida na manhã, pois é geralmente a mais concentrada do dia. Num animal desidratado a colheita de urina deve ser feita, se possível, antes da administração de fluidoterapia pois dar-nos-á uma ideia mais real da capacidade de concentração urinária do animal (Elliott & Brown, 2004). A determinação da densidade urinária específica ajuda na detecção de poliúria, pois está inversamente relacionada com o volume urinário de 24 horas. Fornece ainda informação adicional acerca da perda urinária de proteína, de bilurrubina e de glucose, assim como do estado de hidratação do paciente. Os valores de densidade urinária variam muito entre animais saudáveis, de 1.001 a mais de 1.085 em gatos, embora o mais frequente em indivíduos bem hidratados sejam valores

33

próximos de 1.035 a 1.060. É importante notar que qualquer valor da DUE pode ser considerado “normal” num paciente, dependendo de certos factores, como o seu estado de hidratação, e presença ou ausência de azotémia.

Uma urina concentrada apresenta valores > 1.035 no gato. A excreção de urina com tal valor de densidade denota a ocorrência de processos de reabsorção activa nos túbulos renais. A produção de urina muito concentrada (DUE> 1.050) sugere a redução da perfusão sanguínea renal, compatível com hipovolémia, hemoconcentração e insuficiência cardíaca, e geralmente não coincide com o diagnóstico de falência renal. No entanto, nalguns gatos com falência renal os valores de DUE são superiores a 1.040 ou 1.045, e por isso pacientes com valores dessa ordem, apresentando azotémia e/ou desidratação, devem ser considerados suspeitos de falência renal.

Quando se obtém um valor de DUE <1.008 significa que o rim está a produzir uma urina diluída (hipostenúria). A excreção de urina com uma diluição superior à do filtrado glomerular requer que o rim desempenhe um trabalho metabólico para produzir um fluido hipotónico no túbulo distal, e esta situação é incompatível com DRC. Contudo, pode estar presente uma doença renal com uma perda superior a 2/3 de nefrónios normais funcionais. Outras etiologias possíveis para uma DUE<1.008 incluem polidipsia primária, diabetes insipidus central e outras condições que provoquem insensibilidade tubular à vasopressina (ADH). A sensibilidade tubular à ADH está por vezes diminuída na pielonefrite, piómetra, excesso de glucocorticóides, hipercalcémia, hipocalémia, hiponatrémia, insuficiência hepática, e eritrocitose. Uma reabsorção deficiente de solutos também resulta em urina diluída. De entre as situações que interferem com a reabsorção de solutos refere-se a administração de agestes diuréticos, deficiência em glucocorticóides (Doença de Addison), glucosúria normoglicémica (Síndrome de Fanconi, glucosúria renal) e glucosúria hiperglicémica (diabetes mellitus, administração de solutos contendo glucose).

Urina inapropriadamente diluída conjuga DUE <1.035 com desidratação e/ou azotémia. A conjugação destes dados é indicativa de DRC. Alternativamente pode-se considerar uma deficiência parcial de produção, libertação ou actividade da ADH, ou mesmo a administração de diuréticos, glucosúria, lavagem medular renal (tradução livre de “renal medullary washout”), pielonefrites, insuficiência hepática, e alterações electrolíticas (hipocalémia ou hiponatrémia, hipercalcémia).

Uma urina com DUE entre 1.008 a 1.012 é considerada isostenúrica. Embora possa verificar-se em animais saudáveis, deve ser considerada a presença de falência renal quando coexiste com desidratação e/ou azotémia. Caso a isostenúria persista em colheitas subsequentes, deve presumir-se a existência dum defeito de concentração e investigar as causas (Lefebvre, 2009).

34 3.3.3.2 Sedimento urinário

O exame microscópico do sedimento urinário deve fazer parte sistemática da avaliação de uma amostra de urina. Uma das observações mais comuns do sedimento urinário em gatos com DRC é a evidência de infecção bacteriana. Estes pacientes raramente demonstram sinais de doença do tracto urinário inferior (polaquiúria e disúria). A constatação da presença de bactérias baciliformes e de um número moderado de células inflamatórias conduz ao diagnóstico de infecção bacteriana do tracto urinário, o qual deve ser confirmado pelo exame de cultura urinária (Elliott & Brown, 2004). Segundo os dados do projecto epidemiológico da IRIS, 15.9% dos gatos suspeitos de insuficiência renal possuíam um sedimento urinário anormal, e nos restantes 84.1% o sedimento era normal ou apresentava depósitos de hialina.

3.3.3.3 Urocultura

Este exame não é de importância vital na abordagem clássica ao doente com DRC, e a sua realização deve ser considerada em conjugação com os dados da história, do exame físico e da urianálise (sedimento urinário). O método de eleição para a recolha de amostras destinadas a análise laboratorial é a cistocentese, que pode ser realizada durante o exame ecográfico. Normalmente, a composição da urina é intrinsecamente inibidora do crescimento bacteriano. As alterações que ocorrem na sua composição, na presença de DRC, aumentam a susceptibilidade dos animais que sofrem desta doença às infecções urinárias. Do seu diagnóstico pode depender a sobrevivência do animal, caso o controlo do processo infeccioso seja acompanhado da interrupção/adiamento da progressão da DRC (Heine, 2008).

Mayer et al. (2006) realizaram um estudo acerca da prevalência das infecções do tracto urinário em gatos com hipertiroidismo, diabetes mellitus e DRC. Constataram que em 77 gatos com DRC, 17 (22%) apresentavam infecção do tracto urinário. Muitos destes gatos não possuem quaisquer sinais de doença do tracto urinário inferior ou alteração nos seus parâmetros analíticos indicativos de infecção, e por isso recomenda-se a realização de uroculturas em gatos suspeitos de sofrerem estas doenças. DiBartola et al. (1987) detectaram, na urocultura de 24 gatos com DRC, a existência de infecção mono-microbiana do tracto urinário, em 16.7% dos casos. O organismo isolado em todos os casos foi

Escherichia coli. Em 16.7%, foi isolado um pequeno número de organismos (sobretudo E. coli, Proteus sp. e Enterobacter). Nos restantes 66.7% a cultura bacteriológica urinária não

35

Outline

Documents relatifs