LE REFUS DU FABLISME
4. Polyphonie et polysémie dans Lope Aguirre, traidor
4.4. Variations sur le thème de la trahison
4.4.2. Le personnage d’Aguirre : une instance polyphonique
Andressa Pandini1 Bruna da Costa2 Danielle Satie Kassada3 Maria Angélica Pagliarini Waidman4
Sônia Silva Marcon5 INTRODUÇÃO: As políticas públicas de atenção a saúde mental vem sofrendo alterações após a década de 1980 no Brasil - período em que teve início a desinstitucionalização - tais políticas passaram a priorizar o atendimento extra-hospitalar, destacando a importância da reabilitação psicossocial das pessoas com transtornos mentais. Dessa forma, a modificação do modelo de assistência psiquiátrica passou a incluir a família no cuidado terapêutico, possibilitando-lhe desempenhar papel ativo e privilegiado nas intervenções de reabilitação e reinserção social destes sujeitos(1). Nesta lógica, insere-se o trabalho de enfermagem em saúde mental, que muito tem contribuído para a re-socialização destes pacientes, por meio da orientação dos familiares, intervenção em situação de crise, consulta de enfermagem em saúde mental, acolhimento, entre outras modalidades assistenciais, como o relacionamento terapêutico, em que se possibilita a conquista de condições de viver, trabalhar, e conviver com o transtorno mental de forma mais positiva e menos conflituosa. Assim, preocupados com a realidade a que estas famílias e pessoas com Transtornos Mentais (TM) estão expostas, devido à falta de cuidado dispensada a elas e o preconceito sofrido, é que propomos este estudo. OBJETIVOS: Descrever e analisar, a partir da visão da família, a reação da comunidade com a pessoa com transtorno mental após o primeiro episódio da doença na visão do familiar. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo qualitativo, em que se utilizou como método de pesquisa a história oral junto a famílias de pessoas com transtornos mentais egressos de internação da Emergência Psiquiátrica do Hospital Municipal do município de Maringá-PR. As famílias colaboradoras residem em cidades que fazem parte das regionais atendidas na Emergência (11ª, 13ª e 15ª). Para a coleta dos dados utilizamos uma única questão: fale o que você lembra sobre a doença de seu familiar em relação à reação da comunidade em geral desde o primeiro episódio da doença até os dias atuais. Para análise dos dados utilizou-se o referencial de Bardin(2). Após a análise dos dados os mesmos foram agrupados em 3 categorias. O estudo levou em consideração os preceitos éticos que envolvem pesquisas com seres humanos e aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, com parecer nº 509/2009 sob a resolução 196/96. RESULTADOS: A comunidade, o adoecer mentalmente e sua relação com o trabalho: a visão do familiar. Percebemos que a pessoa
1 Enfermeira.Mestranda em Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá. E- mail: [email protected]. 2 Enfermeira. Mestranda em Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá. Email: [email protected]
3 Enfermeira. Mestranda em Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá. E-mail:[email protected]
4 Enfermeira. Doutora em Filosofia de Enfermagem. Docente da Graduação e Pós-Graduação de Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá. E-mail: [email protected]
5 Enfermeira. Doutora em Filosofia de Enfermagem. Docente da Graduação e Pós-Graduação de Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá. E-mail: [email protected]
com transtorno mental apresenta dificuldades em inserir-se e manter-se no mercado de trabalho, percebido pela diminuição no número de propostas e também pelas demissões, devido o prejuízo na execução das atividades pelo excesso de sono e lentidão, resultado dos efeitos colaterais dos medicamentos, dificuldade de adaptação ao ambiente e a falta de compreensão dos empregadores sobre tais dificuldades(3). A família, muitas vezes, tenta poupar o familiar incentivando-o, mas o comportamento diferenciado causado pela doença faz com que as pessoas se afastem por ele ser diferente. Infelizmente as pessoas não são acostumadas a conviver e aceitar o diferente, o que destoa, o que foge da regra imposta pela sociedade. Pela dificuldade em conseguir/manter um emprego, o familiar frente à dificuldade de um de seus membros em se inserir no mercado de trabalho, na maioria dos casos, é quem dá suporte econômico e arca com os gastos decorrentes do tratamento, ficando responsável e assumindo o papel de provedores da casa, o que contribui ainda mais para a sobrecarga dessa família(4). O mercado de trabalho atual, pautado na lógica capitalista de produção, vislumbra o lucro e desconsidera o sujeito com o qual alcançará tal objetivo. Estigmatização e Preconceito Relacionado à Pessoa com Transtorno Mental: O preconceito é tão presente na vida das pessoas com TM que o isolamento torna-se a melhor saída, ou seja, representa a fuga de uma realidade que o recrimina. O sofrimento estende-se à família como um todo sendo marginalizada e excluída, compartilhando desta dor. Percebe-se que sem entender o que ocorre com a pessoa com transtorno mental a comunidade acaba tendo comportamentos distorcidos que pioram a situação do indivíduo a qual a família guarda sentimentos de estima e afeto e estas atitudes a fazem sofrer. Apesar de o movimento de desinstitucionalização estar com uma proposta de mudança de paradigma a qual prevê reinserção social e aceitação da pessoa com transtorno mental na comunidade, desmitificando a doença, ainda permanece a idéia que ele é perigoso e agressivo. Processos de estigmatização são referidos e concebidos como estando entre os maiores empecilhos no avanço da atribuição de um outro lugar social à loucura e do exercício de cidadania dos loucos, projetos centrais da Reforma Psiquiátrica(5). Discussões e estímulo para desconstrução dos estigmas se fazem imperativas visando diminuir a discriminação em relação ao doente mental, para que os mesmos sejam respeitados e reconhecidos dignamente. Visão Hospitalocêntrica: um paradigma difícil de romper: Pautada no antigo modelo de assistência psiquiátrica, caracterizada pelo isolamento de pessoas acometidas por transtornos mentais do convívio social e familiar, a visão da comunidade e algumas vezes da própria família ainda permanece nesta lógica. Os relatos apontam a falta de conhecimento da sociedade em geral de que existem outras formas de intervenção fora a institucionalização como os serviços extra- hospitalares, bem como o ambiente familiar que quando bem estruturados constituem um espaço terapêutico de grande valia no enfrentamento da crise. No entanto, o que percebemos como a primeira reação familiar, social e até mesmo profissional frente à qualquer ameaça de crise do portador é a preocupação em imediatamente institucionalizar o sujeito com transtorno mental. O próprio indivíduo, como identificado no estudo, também acredita que seja necessária sua internação. Tal conduta pode representar que o ambiente familiar e social não oferece suporte adequado no enfrentamento da crise, o que advém da falta de conhecimento e preparo para lidar com esta situação. Por tratar-se de uma doença crônica, momentos de crise e não-crise estão presentes em seu cotidiano e a família precisa se readequar frente a esta realidade. CONCLUSÃO/IMPLICAÇÕES PARA A ENFERMAGEM: Percebeu-se que os indivíduos com transtorno mental apresentam dificuldades para se inserir no campo de trabalho e na comunidade após o primeiro episódio
da doença, isso ocorre devido ao preconceito, desinformação e desconhecimento que a comunidade possui. Esta visão nos moldes hospitalocêntricos que preza o internamento e sustenta barreiras à plena integração dessas pessoas na comunidade e mercado de trabalho pouco contribui com o processo de desinstitucionalização. Paradoxalmente, reconhecemos que o trabalho pode ser fonte de desenvolvimento das potencialidades dessas pessoas e contribuir para a sua reinserção social. Neste estudo observa-se que ainda há predomínio da estigmatização e preconceito aos sujeitos com transtornos mentais, sendo estes encontrados no imaginário popular e até mesmo em ambiente familiar. Tal percepção reforça a importância de um cuidado qualificado, ressaltando o papel do profissional enfermeiro, que contribui neste processo de desconstrução do estigma social, buscando superação da compreensão distorcida da doença mental. Para tanto, é necessário maior comprometimento dos profissionais de saúde, principalmente enfermeiros, para que haja consonância no que se refere às relações sociais que compõe a tríade família-sociedade- doente mental e o suporte de serviços que compõe a rede de atenção em saúde mental. PALAVRAS-CHAVES: Família. Transtorno Mental. Enfermagem.
REFERÊNCIAS
1. Waidman MAP, Elsen I. O cuidado interdisciplinar à família do portador de transtorno mental no paradigma da desinstitucionalização. Texto & Contexto
Enfermagem, Florianópolis. 2005; 14(03):341-9.
2. Bardin L., Análise de conteúdo. São Paulo: Editora 70. 2008.
3. Costa B da, Inouel L, Kohiyama, VY, Paiano M, Waidman MAP. Assistência de Enfermagem Domiciliar à Família e Portadores de Transtorno Mental: Relato de Experiência. Cogitare Enferm. Abr/Jun; 15(2):354-8, 2010.
4. Barroso SM, Bandeira M, NE do. Sobrecarga de familiares de pacientes psiquiátricos atendidos na rede pública. Rev. Psiq. Clín 34 (6); 270-277, 2007.
5. Nunes M, Torrenté M de. Estigma e violências no trato com a loucura: narrativas de centros de atenção psicossocial, Bahia e Sergipe. Rev Saúde Pública; 43(Supl. 1):101- 108, 2009.
AÇÕES DESEMPENHADAS PELOS ENFERMEIROS RELACIONADAS