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Justifier les pratiques agroforestières par des programmes de R&D (2000 / 2010)

Introduction Partie

6.3. Justifier les pratiques agroforestières par des programmes de R&D (2000 / 2010)

Os dados do questionário do ENEM também apresentam uma série de informações sobre a relação desses jovens com o trabalho e de suas perspectivas, inclusive sobre a própria prova em questão. Tais dados podem servir como subsídio estatístico para pensar e explorar questões relacionadas à discussão sobre juventudes e sua forte relação com o mundo do trabalho, tendo esse, muitas vezes, como canal de realização de suas necessidades e interesses juvenis. A Tabela 17 apresenta um quadro com diferenças consideráveis entre os dois grupos comparados. Entre os alunos das regulares, temos 17% que estão atualmente trabalhando, contra 1,68% dos alunos nas EEEPs nos dados de 2013 e 11,44% contra 0,98% nos dados de 2014. Quando perguntados se “nunca trabalharam”, 91,17% dos alunos das EEEPs afirmaram que nunca tiveram experiência com qualquer atividade remunerada, contra 70,6% dos seus pares das regulares em 2013. No ENEM 2014, 94,49% dos alunos das EEEPs informaram que nunca trabalharam, contra 79,69% dos alunos das escolas regulares. Uma diferença significativa, perto de 20% em relação aos dois anos. Boa parte dessa diferença se explica pelo fato de que os alunos das EEEPs precisam se dedicar integralmente aos estudos (manhã e tarde). Além disso, como pode ser percebido pelos dados apresentados, os alunos das EEEPs estão em melhores condições econômicas e sociais, o que retira um pouco a pressão para o trabalho. É importante notar que a própria existência do turno integral já é um fator limitante, nesse caso, para o acesso de jovens que necessitam trabalhar. As EEEPs possuem um sistema de entrevista ou palestras no período de seleção, explicando a rotina e indicando a necessidade de dedicação exclusiva aos estudos.

Tabela 17 – Proporção de resposta à pergunta: “Você exerce ou já exerceu atividade remunerada?”

Situação de trabalho 2013 2014

EEEPs Regulares EEEPs Regulares

Sim, estou trabalhando 1,68 16,99 0,98 11,44

Sim, já trabalhei, mas não estou trabalhando 7,15 12,41 4,53 8,87

Não, nunca trabalhei 91,17 70,60 94,49 79,69

Totais 100 100 100 100

Apenas para os que trabalham ou trabalharam, foi feita uma pergunta sobre a quantidade de horas trabalhadas por semana. É relevante notar que quase 20% (em 2013) dos alunos das regulares afirmaram trabalhar mais de 40h semanais, o que é aparentemente muito para quem estuda, mesmo em apenas um turno. Quando comparados os dois grupos, percebe-se que os alunos das EEEPs que trabalham, trabalham menos, a maioria declara trabalhar ou ter trabalhado até 10h semanais. É importante lembrar que os alunos das EEEPs possuem estágio remunerado no último ano do ensino médio, justamente o ano que se está fazendo a prova do ENEM. Mesmo sendo muito pouco o percentual dos que declaram trabalhar (Ver Tabela 17), os que declaram trabalhar, trabalham poucas horas (Tabela 18) e tais horas podem ser a do estágio, o que, de forma indireta, faria parte do programa curricular das escolas em que estão inseridos.

Tabela 18 – Proporção de respostas a pergunta: “Quantas horas semanais você trabalha ou trabalhou aproximadamente?”

Horas de trabalho 2013 2014

EEEPs Regulares EEEPs Regulares

Até 10h semanais 57,14 24,61 59,49 29,28 De 11h a 20h semanais 23,77 21,56 23,92 27,60 De 21h a 30h semanais 10,99 12,56 7,02 13,70 De 31h a 40h semanais 4,05 21,95 5,26 17,42 Mais de 40h semanais 4,05 19,33 4,31 12,00 Totais 100 100 100 100

Fonte: Tabela elaborada a partir do Questionário Socioeconômico do ENEM 2013 e 2014.

Quando perguntados sobre o motivo de terem trabalhado ou de estarem trabalhando (Gráfico 08 e 09) temos um quadro semelhante entre os dois grupos, em termos de tendência temos a resposta “ser independente” e “adquirir experiência” como as prevalentes. “Custear os estudos” e “ajudar na família” aparecem também, mas em menor proporção. É importante ressaltar que para os motivos “sustentar minha família” e “ajudar meus pais nas despesas com a residência” mostram uma diferença maior entre os dois grupos quando comparados com a diferença do índice para os demais motivos. Confirmando a análise de que a pressão pela necessidade de trabalho, ainda no período de formação média, é bem menor para os alunos das EEEPs. Essa disposição econômica de não precisar trabalhar logo, é um indicativo tanto das melhores condições socioeconômicas que tais famílias dispõem, quanto um indicativo de que

essas famílias se esforçam ou possuem um nível de mobilização parental maior, isentando o aluno da necessidade de trabalhar.

Gráfico 08 – Índice (0-1) do motivo pela qual trabalha ou trabalhou, ENEM 2013

Fonte:Índice elaborado a partir das perguntas Q42 à Q46 do Questionário Socioeconômico do ENEM 2013. Nota: As perguntas sobre esses motivos estão em forma de escala (0-5) no questionário, foram considerados na composição do índice apenas as indicações de grau 5.

Gráfico 09 – Índice (0-1) do motivo pela qual trabalha ou trabalhou, ENEM 2014

Fonte:Índice elaborado a partir das perguntas Q42 à Q46 do Questionário Socioeconômico do ENEM 2014. Nota: As perguntas sobre esses motivos estão em forma de escala (0-5) no questionário, foram considerados na composição do índice apenas as indicações de grau 5.

0,54 0,23 0,73 0,74 0,47 0,64 0,36 0,80 0,79 0,52 0,00 0,10 0,20 0,30 0,40 0,50 0,60 0,70 0,80 0,90 1,00

Ajudar meus pais nas despesas com a residência Sustentar minha família (esposo/a, filhos/as etc.) Ser independente/ganhar meu próprio dinheiro Adquirir experiência Custear/pagar meus estudos

Regulares EEEPs 0,52 0,21 0,71 0,70 0,43 0,65 0,35 0,80 0,79 0,51 0,00 0,10 0,20 0,30 0,40 0,50 0,60 0,70 0,80 0,90 1,00

Ajudar meus pais nas despesas com a residência Sustentar minha família (esposo/a, filhos/as etc.) Ser independente/ganhar meu próprio dinheiro Adquirir experiência Custear/pagar meus estudos

Esses dados gerais sobre o perfil socioeconômico de todos os alunos das EEEPs, nos três anos do ENEM ajudam a situar o grupo de alunos e as disposições que os mesmos trazem para dentro da escola. As comparações com os demais alunos da rede pública estadual mostram algumas semelhanças e diversas diferenças, que apesar de existirem, não são diferenças significativas tão amplas. No entanto, tendo em consideração a relação já amplamente reconhecida entre background familiar e desempenho escolar/ambiente escolar, essas diferenças já conseguem explicar em parte o melhor desempenho das EEEPs bem como mostram uma situação de melhores condições para uma relação família-escola mais elaborada.

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