Introduction Partie
7.1. Configuration sociale de l’agroécologie (2000 / 2010)
Os dados sobre a escolaridade dos pais (Ver Tabelas 25 e 26) mostram um grupo mais escolarizado, sobressaindo a escolaridade média. Escolaridade média e superior da mãe soma 58,48%, enquanto que dos pais 58,83%, ou seja, quase dois terços dos pais dos alunos pesquisados estão entre escolaridade média e superior. Em relação aos dados gerais anteriormente apresentados (Ver Tabela 09, 10 e 11), os pais dos alunos das duas escolas
pesquisadas apresentam escolaridade maior que a média dos pais de alunos da rede pública estadual cearense, e mesmo das EEEPs em geral. É importante ressaltar que as estatísticas gerais incluem os dados de alunos do interior do estado e de regiões periféricas da cidade, em contrapartida, as escolas estudadas estão tanto na capital, quanto em bairros mais centrais, configurações sociogeográficas que influenciam no tipo de perfil sociológico das famílias que aparecerá nessas escolas.
Tabela 25 - Escolaridade da mãe
Escolaridade Frequência % Baixa escolarização 32 4,94 Escolarização fundamental 237 36,57 Escolarização média 295 45,52 Nível Superior 84 12,96 Total 648 100
Fonte: Elaboração a partir de questionário próprio.
Tabela 26 - Escolaridade do pai
Escolaridade Frequência % Baixa escolarização 53 8,66 Escolarização fundamental 199 32,52 Escolarização média 293 47,88 Nível Superior 67 10,95 Total 612 100
Fonte: Elaboração a partir de questionário próprio.
Quanto à renda, há uma predominância de famílias que declaram ter entre um e três salários mínimos como renda familiar mensal. Utilizando como norteador uma nota técnica do INEP para indicadores socioeconômicos contextuais de avaliações educacionais (INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA, 2014b), pode-se dizer que os alunos se situam majoritariamente entre as rendas ‘baixa’ e ‘média baixa’, somando 79,5%. Apenas 5,56% teriam renda ‘muito baixa’ e outros 14,94% estariam nas faixas de renda ‘média’, ‘média-alta’ e ‘alta’. Os dados sobre renda também mostram um grupo de alunos com famílias em situação de renda melhor que o quadro geral dos alunos da rede pública estadual cearense (Ver Tabela 03, 04 e 05).
Tabela 27 – Distribuição da renda em salários mínimos
Salários mínimos Frequência %
Menos que 1 35 5,56 Igual a 1 136 21,62 Entre 1 e 2 247 39,27 Entre 2 e 3 117 18,60 Entre 3 e 5 63 10,02 Entre 5 e10 29 4,61 Mais de 10 2 0,32 Total 629 100
Fonte: Elaboração a partir de questionário próprio.
Tabela 28 – Distribuição da renda familiar por faixa de renda
Salários mínimos Frequência %
Muito baixa 35 5,56 Baixa 383 60,9 Média-baixa 117 18,6 Média 63 10,01 Média-alta 29 4,61 Alta 2 0,32 Total 629 100
Fonte: Elaboração a partir de questionário próprio.
Quanto à situação ocupacional dos pais (Tabela 29 e 30), os dados mostram que ambos (mãe e pai) estão em sua maioria inseridos numa relação de trabalho/atividade remunerada de maneira formal. Entre as mães que trabalham com carteira assinada, funcionárias públicas e aposentadas, temos um total 48,43%. A proporção aumenta para os pais, 58,1%. Um quarto dos pais são autônomos e alguns são microempresários ou empresários. A proporção de mães ‘desempregadas’ chega a 21%, mas sabe-se que muitas mães ficam voltadas para as atividades domésticas51. A proporção de pais desempregados não chega a 12%. A partir de um cruzamento simples entre as tabelas, verifica-se que em apenas 15 famílias ambos os pais estão desempregados e em apenas 49 famílias ambos os pais são autônomos.
Tabela 29 - Situação ocupacional da mãe Situação Frequência % Carteira assinada 271 42,48 Autônoma 156 24,45 Desempregada 134 21,00 Funcionária pública 27 4,23 Microempresária/Empresária 39 6,11 Aposentada 11 1,72 Total 638 100
Fonte: Elaboração a partir de questionário próprio.
Tabela 30 - Situação ocupacional do pai
Situação Frequência % Carteira assinada 306 51,09 Autônomo 151 25,21 Desempregado 66 11,02 Funcionário público 32 5,34 Microempresário/Empresário 34 5,68 Aposentado 10 1,67 Total 599 100
Fonte: Elaboração a partir de questionário próprio.
Esse quadro revela certa condição de estabilidade financeira. Como Salata (2016) percebe, tanto entre as classes mais populares como entre a classe média, a estabilidade financeira é tão desejada quanto o nível de renda, além de ser percebida pelos indivíduos dessas classes como algo tão importante quanto o valor da renda para a manutenção do padrão de vida já alcançado.
As Tabelas 31 e 32 apresentam o conjunto das profissões/ocupações principais das mães e dos pais respectivamente, mas apresentadas por classe, tendo a lista completa das profissões informadas no Apêndice I. É interessante notar que há uma diversidade de profissões, mas com um grupo predominante de profissões de nível médio e fundamental, muitos desses trabalhos relacionados a atividades manuais. Essas tabelas demonstram de forma mais sintetizada o quadro geral das profissões/ocupações. Essa classificação levou em consideração as peculiaridades profissionais no Brasil, onde há assentada oposição entre atividades manuais e não-manuais, e, considerando a formação educacional/técnica/profissional relacionada a profissão. As classes da tabela ‘Profissionais de nível superior’,
‘Empresárias/Microempresárias’, ‘Profissionais de nível médio (Técnicas)’ e ‘Empregadas de escritório e serviços especializados’ são autoexplicativas pelo nome; no entanto, cabe dizer que a classe tabular ‘Mão-de-obra profissionalizada (ofícios)’ se refere a profissões manuais mas que são ofícios, tais como costura, carpintaria, alvenaria, decoração, panificação, entre outras. A classe da tabela denominada ‘Mão-de-obra não-qualificada’ abarca atividades manuais tais como as atividades domésticas, de limpeza, serviços gerais, reciclagem, zeladoria, entre outras. Quanto às mães, as duas primeiras profissões, em ordem decrescente, são relacionadas às atividades domésticas. 31% das mães são ‘Empregadas Domésticas’ ou ‘Donas de Casa’, ou seja, um terço do conjunto. Entre as dez primeiras com maior frequência, apenas uma profissão exige obrigatoriamente nível superior (Ver Apêndice I).
Tabela 31 – Distribuição, em classe, das profissões/ocupação principal das mães
Situação Frequência %
Profissionais de nível superior 59 11,15
Empresárias/Microempresárias 35 6,62
Profissionais de nível médio (Técnicas) 20 3,78
Empregadas de escritórios e serviços especializados 43 8,13 Mão-de-obra profissionalizada (ofícios) 135 25,52
Mão-de-obra não-qualificada 235 44,42
Outros (não aplicáveis) 2 0,38
Total 529 100
Fonte: Elaboração a partir de questionário próprio.
Tabela 32 – Distribuição, em classe, das profissões/ocupação principal dos pais
Situação Frequência %
Profissionais de nível superior 32 6,87
Empresários/Microempresários 37 7,94
Profissionais de nível médio (Técnicos) 29 6,22
Empregados de escritórios e serviços especializados 45 9,66 Mão-de-obra profissionalizada (ofícios) 232 49,79
Mão-de-obra não-qualificada 83 17,81
Outros (não aplicáveis) 8 1,72
Total 466 100
Quantos aos pais, há um grau de heterogeneidade e distribuição maior entre as profissões quando em relação ao quadro de profissões das mães (Ver Apêndice I). Nota-se também que há menos pais em atividades de nível superior e mais pais desempenhando ofícios em relação ao quadro de profissões das mães. Entre as dez profissões dos pais com maior frequência, nenhuma precisa obrigatoriamente de nível superior e nenhuma delas está relacionada com atividades domésticas.
As Tabelas 31 e 32 mostram que os pais de alunos dessas duas escolas estão em profissões predominantemente manuais, que requerem escolaridade média e/ou fundamental, ou seja, profissões mais abaixo no espectro simbólico de distinções sociais das profissões na sociedade brasileira.