SAAST Acad. MACON
II. B.2 LE DEVENIR DE LA PARURE MONUMENTALE DU HAUT-EMPIRE
Saúde, INSA/INE, 2007; Portugal. Ministério da Saúde, INSA/INE, 2015)
- Consumo e Abstinência:
Na década de 1990, uma das referências sobre a caracterização do consumo de álcool em Portugal foi o estudo “Hábitos de Consumo de Bebidas Alcoólicas em Portugal” (Gameiro, 1998), realizado com uma amostra com representatividade nacional, incluindo as Regiões Autónomas, de 2004 entrevistas realizadas de Novembro de 1996 a Janeiro de 1997. Este estudo identificou que cerca de um terço da população não consumia bebidas alcoólicas (nunca tinha consumido ou tenha deixado de consumir), um terço da população consumia habitualmente bebidas alcoólicas e um terço consumia bebidas alcoólicas a todas, ou quase todas, as refeições (Gameiro, 1998, Matias Dias, 2004). Por outro lado, os resultados dos Inquéritos Nacionais de Saúde em relação a Portugal Continental, nos anos de 1995/96 (PORTUGAL. MS, DGS, 1998) e 1998/99 (PORTUGAL. MS, INSA, 2000), 2005/06 (PORTUGAL. MS, INSA. INE, 2007) e 2014 (PORTUGAL. MS, INSA. INE, 2015), demonstram que as prevalências de consumo de
bebidas alcoólicas mantiveram-se praticamente estáveis nos anos 1990, mas aumentaram na década de 2000.
Considerando a população total em Portugal Continental, as prevalências de consumo de álcool nos 12 meses anteriores ao INS 1995/96 era de 50,9% e ao INS 1998/99 era de 50,4%. Todavia o INS 2005/06 apresentava já uma prevalência de consumo de bebidas alcoólicas nos últimos 12 meses de 53,8%. Este aumento nos primeiros anos da década de 2000 foi mais notório no sexo feminino (de 37,3% para 42,3%) do que no masculino (de 64,4% para 66,0%).
Na verdade, analisando a percentagem da população com 15 ou mais anos de idade que declarou consumir álcool nos 12 meses anteriores ao inquérito, na segunda metade da década de 1990 verificou-se, da mesma forma, uma tendência de estabilização, com 59,5% em 1995/96 e 59,9% em 1998/99, todavia com diferenças entre os géneros: o sexo masculino apresentou uma ligeira redução (de 78,9% para 77,5%), enquanto no sexo feminino ocorreu um ligeiro aumento (de 42,0% para 43,8%). Já na primeira metade da década de 2000 o aumento foi considerável, passando dos 59,9% em 1998/99 para cerca de 63,4% em 2005/06. Manteve-se uma tendência de estabilização para o sexo masculino, agora com um ligeiro aumento (de 77,5% para 78,6%) que anulou as reduções ocorridas anteriormente, enquanto no sexo feminino continuou a haver um aumento, agora bem mais pronunciado (de 43,8% para 49,4%). Os dados correspondentes do INS 2014 apresentaram um aumento ainda maior, para 70,3% (H= 85,3%; M= 57,2%), concretizando não só a tendência a um agravamento global da situação a partir da segunda metade da década de 2000 e início dos anos de 2010, como também confirmando a presença de aumentos consideráveis na prevalência de consumo agora em ambos os sexos (ver Figura 7).
Figura 7 – Percentagem da população com 15 ou mais anos de idade que declarou consumir álcool nos 12 meses anteriores ao inquérito (INS – Portugal Continental)
- A população ativa e população acima dos 65 anos:
Analisando os dados do INS desagregados para a população ativa e a população acima dos 65 anos que declarou consumir álcool nos 12 meses anteriores ao inquérito em Portugal Continental, verificou-se que a população portuguesa acima dos 65 anos mantém cada vez mais um consumo de álcool alargado nos primeiros anos desta fase da
59,5% 59,9% 63,4% 70,3% 78,9% 77,5% 78,6% 85,3% 42,0% 43,8% 49,4% 57,2% 35,0% 40,0% 45,0% 50,0% 55,0% 60,0% 65,0% 70,0% 75,0% 80,0% 85,0% 90,0% 1995/96 - Pt
Continente 1998/99 - Pt Continente 2005/06 - Pt Continente Continente 2014 - Pt
% d a p op ul aç ão Ano - INS HM H M
vida idosa. Estes valores não chegam a níveis muito inferiores ao dos grupos etários imediatamente anteriores e à média da população acima dos 15 anos, e só tendem a ser menos expressivos nas décadas seguintes, notoriamente devido ao sexo feminino, mais que ao sexo masculino (ver Tabela 14).
A evolução ao longo dos anos desses grupos etários possui a mesma tendência que a população em geral, apresentando um aumento da prevalência ao longo dos anos em ambos os sexos que se acentuou nos últimos anos da década de 2000 e nos primeiros dos anos 2010.
Tabela 14 - Percentagem da população portuguesa que consumiu de álcool nos últimos 12 meses, por grupos etários (INS, Portugal Continental)
População ativa População acima dos 65 anos
Grupos etários 15-64 55-64 65-74 75-84 85 ou + 65 ou + INS 1998/99 - HM 61,87% 63,8% 56,4% 46,2% 35,0% 51,31% H 78,23% 85,6% 78,6% 67,1% 56,7% 73,68% M 46,11% 44,7% 38,8% 32,4% 25,3% 35,27% INS 2005/06 - HM 64,17% 70,8% 60,7% 52,6% 43,2% 56,38% H 78,60% 88,9% 81,7% 74,4% 69,7% 78,51% M 52,06% 54,7% 43,7% 38,3% 30,6% 40,39% INS 2014 - HM 73,91% 73,2% 64,6% 54,7% 49,3% 59,08% H 86,36% 89,3 86,3% 78,7% 63,3% 81,39% M 62,22% 58,6 47,0% 38,4% 42,8% 43,14%
- Consumo pesado episódico:
O INS 2014 em Portugal recolheu informação sobre o “consumo pesado episódico” (binge drinking), equivalente a mais de 5 bebidas-padrão numa mesma ocasião nos últimos 12 meses. Foi identificada uma percentagem de 33,2% (homens: 44,7%; mulheres: 18,1%) da população de consumidores (23,3% da população geral com 15 ou mais anos) que referiu ter praticado esse comportamento numa base que varia de episódios ocasionais até a diários. O consumo episódico pesado numa base pelo menos semanal envolveu 10,8% desses consumidores (2,5% da população geral com 15 ou mais anos), com base mensal 33,0% (7,7% da população geral com 15 ou mais anos) enquanto os restantes 56,2% dos consumidores (13,1% da população geral com 15 ou mais anos) pratica esse comportamento ocasionalmente.
- Consumo médio por bebedor e consumo de risco
Baseado nos dados do INS em Portugal Continental, as estimativas sobre o consumo médio diário por bebedor declarado na semana anterior à entrevista, calculado em gramas de álcool puro, permitem identificar o nível de consumo médio dos indivíduos bebedores em Portugal. No INS 1995/1996 esse valor foi de 39,3 g de álcool puro (homens: 48,4 g; mulheres: 19,3 g) e no INS 1998/1999 era de 37,8 g de álcool puro (homens: 47,3 g; mulheres: 17,1 g), podendo-se verificar sempre grandes diferenças entre o sexo masculino e feminino, bem como uma redução global do volume médio consumido durante a década de 1990. Em 1998/99 os valores mais altos eram observados no sexo masculino no grupo etário dos 35-44 anos (homens: 53,5 g), seguido de perto do grupo etário dos 45-54 anos (homens: 51,8 g) e no sexo feminino no grupo etário dos 55-34 anos (mulheres: 17,5 g) seguido de perto dos grupos etários dos 35-44 anos e dos 45-54 anos (mulheres: 17,4 g) (Matias Dias, 2004; Matias Dias et al., 2003).
Apesar de parecerem estar muito baixos das estimativas de consumo individual diário baseados nos dados da OMS para Portugal, os valores de consumo masculino permanecem acima dos 36 gramas ou 3 doses padrão recomendados como limite de consumo de baixo risco nos grupos etários entre os 25 e os 74 anos, enquanto o consumo feminino já se encontra abaixo do limite recomendado de 24 gramas ou duas doses padrão para todas as idades.
Em estudos mais recentes baseados nos dados do INS 2005/06 (Matias Dias, 2011), estimativas sobre o nível de consumo de álcool de risco (acima de 3 bebidas padrão para homens e 2 bebidas padrão para mulheres) concluíram que este afetava 9,2% da população portuguesa com 15 anos ou mais (IC 95%: 8,2%; 10,4%) não sendo homogéneos os valores entre os diversos grupos etários. O valor mais elevado verificou- se no grupo etário 45 a 64 anos com 12,2% (IC 95%: 10,4%; 14,2%) e o menor no grupo etário de 75 anos e mais com 2,9% (IC 95%: 1,7%; 4,8%). A população masculina revelou uma prevalência superior à verificada na população feminina, embora sem diferença estatisticamente significativa, com valores para os homens de 10,5% (IC 95%: 8,9%; 12,3%) e para as mulheres de 8,1% (IC 95%: 8,2%; 10,4%).
- Níveis de consumo:
Baseado nos dados sobre o consumo diário e consequentemente consumo por ano dos bebedores e conjugando esses valores com a percentagem da população consumidora de bebidas alcoólicas nos últimos 12 meses na população portuguesa, foi possível estimar o volume total consumo de álcool per capita em Portugal para alguns dos anos de referência dos INS. Essas estimativas permitem uma comparação mais objetiva e confirmam uma discrepância entre os valores produzidos pelo inquérito nacional à população e aqueles estimados com base no dados sobre a produção e o consumo registados e não registados de bebidas alcoólicas da OMS (ver Tabela 15).
Tabela 15 - Níveis de consumo no final dos anos 1990 em Portugal através do INS
Fonte de referência dos dados INS 1995/96 INS 1998/99
Consumo diário em gramas por bebedor 39,9 Gramas 37,8 Gramas Consumo anual em litros por bebedor 18,4 Litros 17,4 Litros Percentagem da população consumidora com
15 anos ou mais
59.5% 59,9%
Consumo anual em litros per capita 10,95 Litros 10,42 Litros Fonte de referência dos dados 1995 (WHO-GISAH, 2015) 2000 (WHO-GISAH, 2015) Consumo anual em litros per capita (registado) 12,80 Litros 12,13 Litros
3.1.2. Resultados a partir do Inquérito Nacional ao Consumo de Substancias