2 Minima sur les orbites
2.3 Comparaison des minima sur les orbites et sur les fibres
Dentre as principais conclusões deste estudo temos que a interação comunicativa e metacomunicativa serena e respeitosa escolhida pela professora para advertir ou intervir, atua colaborativamente nas condições das relações por ela dirigidas relativas ao processo de construção da auto-estima das crianças, a exemplo das evidências registradas entre o T6 e T16 na Atividade 1, nos T5, T7, T9 e T12 na Atividade 2, nos T10, T24, T39, T41, T60 e T70 na Atividade 4; aludimos que o gesto físico atencioso e afetivo da professora repercute na forma de oscilação positiva no comportamento da criança, na forma de entusiasmo e alegria que podem sugerir uma melhor auto-estima, a exemplo dos T10 e T15 da Atividade 2, do T4 da Atividade 3, dos T24, T36, T64 da Atividade 4; destacamos que a qualidade da mediação estabelecida pela professora, distribuindo de modo equilibrado os turnos dialógicos e promovendo continuamente as interações, possibilita na via comunicacional e metacomunicacional, além de uma melhor percepção da realidade por parte das crianças, o trânsito de sugestões de elevação/manutenção da auto-estima das mesmas, como pudemos registrar em todas as situações estruturadas.
Entendemos que a percepção da professora no sentido de não perder os feedbacks comunicacionais e metacomunicacionais com a turma foi de sumo valor para os processos de construção de auto-estima das crianças, a exemplo do T15 da Atividade 2, do T4 da Atividade 3 e do T24 da Atividade 4; constatamos a metacomunicação como importante mecanismo nas relações interativas estabelecidas no ambiente, na medida em que se caracterizou como um pano de fundo para a operação dos processos de construção da auto- estima, a exemplo dos T6 e T20 da Atividade 1, dos T6, T7 e T32 da Atividade 4.
Verificamos que as variações na impostação das vozes (em termos de volume, cadência e tom), as posturas corporais, as configurações dos sorrisos e dos olhares dos
interagentes orientaram o ato comunicativo, dentro de seu respectivo frame, no sentido de contribuir para uma melhor auto-avaliação e conseqüente influência na construção da auto- estima das crianças estudadas, a exemplo dos T11, T18 e T29 da Atividade 1, dos T2, T11 e T18 da Atividade 2, do T3 da Atividade 3 e do T14 da Atividade 4.
Conforme percebidos no conjunto das situações estruturadas, acreditamos que os encontros comunicativos e metacomunicativos das crianças entre si e destas com a professora podem ter possibilitado o estímulo de habilidades psicossociais, cognitivas, afetivas, criativas, psicomotoras diversas e podem ter apontado possibilidades orientadas para seus amanhãs, quiçá como futuros adultos altruístas e afetivos.
Aventamos, ao discorrermos acerca da auto-estima, imagem e auto-imagem da professora, que os ajuizamentos tradicionais social, histórica e culturalmente construídas de uma profissional dona de virtudes maternas e qualidades divinas potencializavam-se como contribuidores na desfiguração da sua auto-imagem e auto-estima, incluindo-se o alerta de Freire (1997) quanto ao tratamento de “tia” dado pelos alunos. Nos processos comunicativos e metacomunicativos observados na relação diádica alunos-professora não registramos qualquer um deles dirigirem-se a ela por meio de tal tratamento. Assim, seus alunos não a vendo na condição de uma íntima familiar e, por isso, não tributários do respeito e cumprimento dos rituais relacionais característicos à família, compartilham voluntariamente do tratamento respeitoso e digno que a professora endereça a eles. Naturalmente, que nutrem as percepções de doçura, delicadeza e benignidade que a imagem de professora de infantis acomoda. Inferimos que se há relação de tal situação com a construção da sua auto-estima, esta é positiva, talvez pelo fato de, nas trocas comunicacionais e metacomunicacionais, reconhecerem e valorizarem o papel que ela desempenha.
Ao mapearmos as condutas comunicativas e metacomunicativas do grupo estudado, nos relacionamos, sem pretender esgotá-lo e sim como exemplos, de situações metacomunicacionais importantes, à guisa de uma possível gramática para a identificação de padrões recorrentes que, isolados ou combinados, possam sinalizar intenções nos respectivos turnos dialógicos dos interlocutores, dentro de um determinado frame, considerando, por exemplo, que um bocejo tanto pode indicar cansaço como enfado. Entendendo que tal esforço pode estender-se muito além da súmula que aqui apresentamos. Vejamos os quadros seguintes:
SITUAÇÕES METACOMUNICACIONAIS IMPORTANTES
VOZ
Volume (altura) Tom (entonação) Cadência (ritmo)
Sussurro – Cochicho – Baixo Baixíssimo – Normal – Alto
Grito Aborrecimento – Aceitação Aconselhamento – Advertência Alegria – Ameaça Ansiedade – Aspereza Concordância – Convicção Desafio – Discordância Enfado – Ênfase – Estímulo
Euforia – Exigência Impaciência – Indagação Indignação – Intervenção Mando – Modéstia – Pedido
Protesto – Provocação Reforço – Reprovação Revolta – Rispidez – Timidez
Tristeza – Zombaria
Mansa – Normal – Soletrando Bocejo – Agitada
Quadro 4 - Situações Metacomunicacionais Importantes: Voz
FACE
Boca/Lábios Olhos/Sobrancelhas
Contraindo – Mordiscando – Abertos Assoviando - Sorrindo naturalmente - Sorrindo
laconicamente - Rindo – Gargalhando Cobrindo-a enquanto fala - Pigarreando
Suspirando
Piscando para alguém – Arregalando-os Espremendo-os – Alertas
Dirigindo-os sem o movimento da cabeça Sem contato visual - Contato visual firme
Contato visual vacilante – Franzindo sobrancelhas
Erguendo sobrancelhas Quadro 5 - Situações Metacomunicacionais Importantes: Face
OUTROS ELEMENTOS CORPORAIS
Mãos Braços Ombros Cabeça Pés/Pernas
Aplaudindo - Alisando os cabelos - Puxando os cabelos - Apoiando sobre a cabeça - Esfregando uma na outra - Tamborilando os dedos - Roendo as unhas - Chupando o dedo - Afagando o colega. Cruzando sobre o tórax - Cruzando para trás - Convidando para um abraço Encolhendo- os Erguendo- os Apoiando- os na parede Negando - Aprovando - Disponibilizando a escuta Baixa Erguida Ficando em pé – Sentando - Cruzando as pernas – batendo o pé- Pulando Andando em círculos
Quadro 6 - Situações Metacomunicacionais Importantes: Outros Elementos Corporais
Desta forma, como indicam Bateson e Goffman (em Sarangi, 1999), entendemos que as sugestões no nível da metacomunicação e da semiótica orientam o receptor da mensagem no arranjo e rearranjo de suas crenças, valores e compreensões pautadas nas pressuposições que faz acerca dos posicionamentos metacomunicativos de quem está de posse do turno conversacional. Assim, acreditamos que tais insinuações podem interferir na auto-avaliação e, assim, no processo de construção da auto-estima da criança na medida em que podem implicar no medo, na tristeza, na desmotivação, no desapreço, na descrença em si mesmo, no incremento da timidez, da falta de iniciativa, no isolamento social, etc. Ou nos seus reversos, obviamente.