Atmosphère Océan
Chapitre 3. Du changement climatique au problème de décision
2. Aspects socio-économiques: le sans regret et au delà.
2.1. Les coûts de réduction
Uma das abordagens comuns ao tratar das literacias é a information literacy, ou, buscando uma tradução, literacias informacionais, para a qual também há autores que utilizam o termo de competência informacional, como já demonstrado acima. Segundo Gasque (2010, p. 83) “muitos são os termos e as expressões utilizados para traduzir o termo original”. Neste sentido, no Brasil surgem as expressões letramento informacional, alfabetização informacional, habilidade informacional e competência informacional. Na Espanha é comum a expressão alfabetização informacional – também comumente chamada pela abreviação Alfin –, enquanto em Portugal usa-se Literacia da Informação.
Entre os pesquisadores brasileiros dedicados à Information Literacy estão, na recuperação sistemática de Gasque (2010), os trabalhos de Campello (2002, 2003, 2009), Miranda (2004), Belluzzo (2005), Silva et al. (2005), Lins e Leite (2008), Vitorino (2008), Liston e Santos (2009), Dudziak (2003, 2010) e Vitorino e Piantola (2009).
Ao tratar da trajetória da consolidação da expressão Information Literacy, uma destas autoras, Dudziak (2003, p. 24) recupera o seu surgimento na literatura em um relatório de 1974 do bibliotecário americano Paul Zurkowski, em documento intitulado The information
service environment relationships and priorities. A este precursor sucederam pesquisadores
como Hamelink e Owens e Taylor e Garfield. Todos eles, neste contexto, segundo Duzdiak (2003, p. 24), ajudaram a compreender, nesta década, que a informação é essencial à sociedade. "Portanto, um novo conjunto de habilidades era necessário para o uso eficiente e eficaz da informação. Antevia-se uma realidade de mudanças nos sistemas de informação e no papel exercido pelos bibliotecários”.
Já a década de 80 é considerada pela autora como o tempo dos exploradores, fortemente influenciados pelas TIC, que começavam a alterar os sistemas de informação e as bibliotecas nos EUA. Neste sentido, segundo Duzdiak (2003, p. 25) surgiram inúmeros trabalhos enfocando a information literacy no sentido de capacitação em tecnologia. Ela relata um importante movimento dos bibliotecários nesta época, que reagiram a um documento governamental americano intitulado Nation at Risk, que, como ressalta Campelo (2003, p. 31), não mencionava as bibliotecas como organizações com potencial para contribuir com as demandas educacionais da sociedade. Como reação, os bibliotecários publicaram vários documentos demonstrando desapontamento com a omissão do papel da biblioteca, dentre eles um enfático documento publicado em 1984 pela American Library Association (ALA), intitulado Libraries and the Learning Society: Papers in Response to A Nation at Risk.
Neste período, Duzdiak (2003, p. 25) ressalta a importância dos trabalhos de Breivik e Kuhltau, este último "por construir, a partir de experiências de busca e uso da informação, um modelo descritivo dos processos de aprendizado a partir da busca e uso da informação". Breivik chegou a publicar um dos livros marcantes desta época, em conjunto com E. Gordon Gee, intitulado Information literacy: Revolution in the Library. Outra obra marcante do período foi um documento elaborado por bibliotecários e educadores ligados à ALA, intitulado Presential Committee on information literacy: Final Report. Este trabalho, segundo Duzdiak (2003, p. 26) ressaltou "a importância da information literacy para indivíduos,
trabalhadores e cidadãos. As recomendações se concentram na implantação de um novo modelo de aprendizado, com a diminuição da lacuna existente entre sala de aula e biblioteca".
Ao também buscar traçar um histórico do desenvolvimento do conceito de literacias no mundo, Hatschbach e Olinto (2008) recuperam a definição da ALA, que em 1989 afirmava que alguém competente informacionalmente era alguém “capaz de reconhecer quando a informação é necessária e ter a habilidade para localizar, avaliar e usar efetivamente a informação... e usar a informação de forma que os outros também possam aprender com ela”.
Com a aceitação de uma definição da ALA, na década de 90 há, segundo Duzdiak (2004, p. 26), uma busca de caminhos. Neste sentido, "os profissionais da informação, conscientes da necessidade de possibilitar o acesso rápido e fácil ao novo universo informacional, voltam-se para a information literacy". Neste período são importantes as experiências de Doyle, Bhrens, Candy et al., Kuhlthau e Eisenberg. É neste período, segundo a autora, que surgem diversos modelos de processos de busca e uso da informação, além de um movimento de educadores preocupados com o direcionamento do “aprendiz ao pensamento crítico e criativo”. Neste contexto, inclusive, aparecem, segundo Duzdiak, os neologismos relacionados à Information Literacy, principalmente com ênfase nas tecnologias de informação e nos ambientes eletrônicos. Surgem, assim, expressões como a digital
literacy, multimedia literacy, mediacy e information technology literacy.
Movimento importante registrado por Duzdiak (2003, p. 27) é o da criação do
Institute for Information Literacy da ALA – ACRL, em 1997, “destinado prioritariamente a
treinar bibliotecários e dar suporte à implementação de programas educacionais no ensino superior”. Dentre outros fatos importantes para consolidação do termo neste período, verificou-se também uma expressão maior da pesquisa em torno da Information Literacy. Segundo Duzdiak (2003, p. 27), “várias organizações se estabeleceram nos anos 90, e a
information literacy ganhou dimensões universais, disseminando-se nos vários continentes,
havendo uma busca constante pela elucidação do conceito, procurando torná-la acessível a um número cada vez maior de pessoas”.
A partir desse traçado histórico, Duzdiak (2003, p. 28) define Information Literacy como “o processo contínuo de internalização de fundamentos conceituais, atitudinais e de habilidades necessário à compreensão e interação permanente com o universo informacional e sua dinâmica, de modo a proporcionar um aprendizado ao longo da vida”.
Outro trabalho portado de conceituações, autores e princípios sobre as literacias informacionais é o de Vitorino e Piantola (2009), que assim como Dudziak, também apresenta
um panorama internacional, histórico e conceitual das pesquisas sobre o tema e os desdobramentos que a reflexão sobre esse assunto tem tomado em países onde seu processo de legitimação já se encontra consolidado. O conceito de literacias é entendido por Vitorino e Piantola (2009, p. 131) num contexto social contemporâneo, onde a atuação do indivíduo depende do desenvolvimento de habilidades e competências que lhe permitam um uso consciente, criativo e benéfico da informação. Segundo elas, “os novos paradigmas de velocidade e transformação que configuram a sociedade, demandam que o indivíduo estabeleça uma nova relação com a informação e com o saber, uma relação de aprendizado ao longo da vida”. Mas a definição mais cara a Vitorino e Piantola (2009, p. 137) é a do Ministry
of Education e da National Library of New Zealand (2002, p. 9), que a apresenta como “um
conceito amplo que abrange habilidades em informação, habilidades em tecnologias de informação, habilidades em bibliotecas, habilidades em resolução de problemas e habilidades cognitivas, além de atitudes e valores que possibilitam ao estudante atuar efetivamente no contexto da informação”.
Esta ideia de Information Literacy que surgiu nos Estados Unidos na década de 1970, ligada à concepção de Sociedade da Informação, encontrou um campo de reflexão brasileira somente no início da década de 2000. Campello (2003) por exemplo afirma que o primeiro trabalho a abordar o tema no Brasil foi o de Caregnato (2000). Neste sentido, como afirmam Vitorino e Piantola (2009, p. 134), “estamos alocados ainda na primeira fase descrita por Bruce e caminhando a passos curtos, mas sólidos, para a fase experimental, ainda bastante modesta no cenário brasileiro”.
Diante da variedade de conceituações para competência informacional que trazem em seu trabalho, Vitorino e Piantola (2009, p. 138) ressaltam que qualquer abordagem sobre o tema “deve levar em conta uma complexa gama de processos individuais e coletivos, constituindo um campo fértil de pesquisa e de ação de potencial transformador”. Isto, no entanto, não deve ser considerado como algo estático e limitado. A noção de competência informacional, segundo as autoras, é algo dinâmico. Neste sentido, elas consideram a
Information Literacy como a arte de usar os computadores, acessar informação, refletir
criticamente sobre sua natureza, assim como a de sua infraestrutura técnica e o contexto e impactos sociais, culturais e filosóficos. Isto permite, segundo esta visão, “uma percepção mais abrangente de como nossas vidas são moldadas pela informação que recebemos cotidianamente.” (VITORINO, PIANTOLA, 2009, p. 138).