Le pouvoir de juger dans l’État souverain
A. P UISSANCE SOUVERAINE ET DIFFERENCIATION DES POUVOIRS
Jenkis [34] expõe que os meios de comunicação não estão sendo substituídos, mas sim modificados a partir da introdução das novas tecnologias, alterando a maneira de produzir e principalmente de consumir os conteúdos. Neste contexto, a convergência surge como um conceito que consegue definir transformações tecnológicas, mercadológicas, culturais e sociais.
Esta convergência tem transformado a linguagem televisiva, de forma que os formatos de comunicação midiáticos pré-existentes começam a se fundir com mecanismos emergentes, gerando novas formas de veiculação e recepção da mídia, culminando na concepção de novos modelos de negócio.
Atualmente, já é possível ter acesso a conteúdos televisivos através de outros suportes midiáticos como a Internet e o celular. Estas integrações abrem novas possibilidades de comunicação e interação, que aliadas às já existentes geram novos paradigmas. A Internet e as mídias digitais têm transformado o cenário do mercado audiovisual, desde a possibilidade de produção democratizada, acessível em qualquer lugar e a qualquer tempo, até a recepção personalizada, acessível por qualquer pessoa.
Bonasio [16] afirma que a Internet inovou na mídia eletrônica, ampliando a capacidade e o acesso na distribuição de sinais de áudio e vídeo. Estudos [35] mostram que a Internet é o grande concorrente da televisão, no que se refere a competir pelo tempo livre que as pessoas dispõem, afirmando que há uma tendência na troca de tempo televisivo na televisão tradicional, pelo tempo televisivo na Internet, enfatizando a Internet Television como um setor em grande crescimento, que poderá vir a tomar parte dos hábitos de utilização dos usuários em detrimento de outras aplicações disponíveis na Internet.
Segundo Cannito [36], a Internet é uma mídia especificamente digital, muitas vezes confundida com o digital em si. Mas o digital é maior que a Internet e está transformando também o cinema, a televisão e o telefone. De forma que não é apenas a Internet que tem contribuindo para as evoluções dos meios de comunicação.
O diretor de engenharia da Rede Globo, Fernando Bittencourt, no 5º Fórum Internacional de TV Digital, ao comentar a queda da audiência da televisão aberta frente às novas mídias, sobretudo a Internet, proferiu a seguinte frase: “Ora, lembro, há 10 anos, muito publicitário por aí dizendo que a Internet não substituiria a Televisão. E podemos ver que não substituiu mesmo. A Televisão que foi para a Internet” [37]. Esta afirmativa ressalta o novo momento de convergência entre a televisão e a Internet, percebido na prática por uma das maiores redes de televisão da america latina.
29 Para Jenkins [38], a televisão, assim como outros meios de comunicação, não irá desaparecer, a prova disso é o rádio e o jornal impresso que não desapareceram, mesmo com o surgimento da televisão e da Internet. As linguagens dessas mídias estarão em contato constante e influirão umas nas outras. Mas conservaram sua identidade. Mesmo que a linguagem do game, do cinema, ou da Internet possa influenciar a televisão, ela ainda será televisão, principalmente por já ter sua identidade definida.
Cannito afirma que:
“[...] não é o caso de perdemos tempo especulando sobre quem vai ganhar nas batalhas das mídias. É um falso debate, baseado na antiga teoria de que uma nova mídia destrói a anterior. Na verdade, essa conversa toda sobre qual mídia vai vencer na era digital ainda é um debate analógico. O debate digital é convergente. Na prática tudo vai confluir. Quem vai ganhar a batalha não são as mídias em si, mais sim o produtor de conteúdo que souber criar obras que atuem simultaneamente em todas as mídias” [36].
Neste contexto, não há mais sentido em separar as mídias, a tendência é que as mídias se integrem cada vez mais. Tudo é concebido digital e pode ser convertido em suportes diferentes. As empresas não mais se definem como produtoras de uma única mídia (revista, internet ou televisão) e sim como produtoras de conteúdo.
2.3.1. Aplicabilidade da Narrativa Transmidiática
Uma linguagem produzida originalmente no cinema pode, através da tecnologia, ser exibida também em outros meios. Jenkins [39] aponta que a atual indústria do entretenimento está aprendendo a utilizar o transmidiático em suas obras.
Isso faz com que as obras, desde o início sejam concebidas com uma linguagem adequada a várias saídas, com conteúdos que possibilitam ações crossmedia (mídia cruzada). Segundo Norman [37], o principio básico do crossmedia, deve envolver mais de uma mídia, e objetiva uma produção integrada, com conteúdo acessível e distribuído através de vários dispositivos e mídias.
A série Lost [38] é um exemplo de um produto que planeja suas ações de interatividade para além do ambiente da televisão. A narrativa é aparentemente tradicional mais inova ao se expandir e coletar audiência através de outras mídias. Norman [40], afirma que o conceito de narrativa transmidiática é a narrativa fragmentada (ou distribuída) em diversas mídias, porém, não sendo interdependentes entre si.
A obra transmidiática apresenta vazios que abrem um espaço a ser preenchido pelo público, característica importante, já que observamos um número crescente de indivíduos que querem
30 participar e contribuir. Pensando nisso, além da série veiculada na televisão, a série Lost, possui outros serviços, como apresentado na Figura 2: (a) o Portal ABC que mantêm um acervo com os episódios anteriores e fóruns de discussão; (b) a Lostpedia que contêm todas as informações a respeito do seriado; e (c) um game criado para acesso em dispositivos móveis.
(a) (b)
(c)
Figura 2 - Narrativa transmídiatica implementada na série Lost
A emissora de televisão inglesa BBC propõe modelos de interação que atuam através da narrativa transmidiática. Hayes [41] um dos diretores da BBC utiliza o termo “What audiences want” – em português: O que a audiência quer – para designar a geração do conteúdo de acordo com as características dos usuários, seja devido aos seus interesses pessoais, ou por fatores relacionados aos dispositivos midiáticos onde os mesmos querem recepcionar o conteúdo.
Uma das ferramentas desenvolvidas pela BBC que segue esta tendência é o BBC iPlayer8, que consiste em um serviço que disponibiliza programas de televisão e rádio para os usuários do portal. A Figura 3 apresenta uma ilustração que denota a possibilidade de adaptação do conteúdo veiculado pela BBC através de diversos dispositivos midiáticos, e destaca a característica mais importante do pensamento crossmedia, que é justamente fidelizar os usuários através de uma
31 experiência continuada, ou seja, no caso da BBC, sugere uma interação que não acaba na televisão e segue em outros meios.
Figura 3 - Narrativa transmidiática implementada na BBC [41]
2.3.2. Computação Ubíqua e Pervasiva
Com os avanços e as pesquisas da Computação Ubíqua (ubiquitous computing) [40] ou Pervasiva (pervasive computing) [42], tem emergido como um paradigma importante neste cenário convergente, novos modelos que buscam uma integração entre o mundo físico e o mundo virtual. Esta visão, inicialmente proposta por Weiser [43], representa o contexto de uma sociedade na qual a computação é onipresente e suporta as atividades diárias das pessoas.
Para Weiser [43], o enorme crescimento no uso de dispositivos móveis e embarcados, e suas interações com os usuários, produzem uma quantidade significativa de dados, serviços e aplicações que necessitam ser processadas a qualquer momento (anytime), em qualquer lugar (anywhere) e adaptadas a qualquer dispositivo (anydevice), distribuídas em qualquer rede (anynetwork) dentro de parâmetros que refletem alta disponibilidade (always-on). Projetando essa tendência, podemos observar o nascimento de uma grande quantidade de dispositivos, interconectados e atuando de forma inteligente, com o objetivo de tornar as atividades diárias mais fáceis, produtivas e com mais opções de entretenimento.
Em resposta aos movimentos do mercado em direção à digitalização, à fragmentação da audiência, e à concorrência com conteúdos gerados para outras mídias e dispositivos, a Rede Globo iniciou estratégias buscando um modelo mais convergente.
No Rio de Janeiro está em teste um modelo de exibição de conteúdo televisivo em transporte coletivo, onde o conteúdo é exibido conforme a localização do ônibus. Em alguns lugares é exibido o conteúdo embarcado, e em outro ponto da rota, é exibido o conteúdo do sinal ao vivo.
32 Além disso, é disponibilizada a possibilidade de exibição de conteúdos georreferenciados, que são transmitidos nos ônibus através de uma rede 3G em determinado ponto da rota, o que permite o uso diferenciado de estratégias de publicidade, também é possível detectar os dispositivos móveis dos passageiros, para que recebam o conteúdo diretamente em seus aparelhos [44].
A incorporação pela televisão das tecnologias encontradas na Internet, das possibilidades encontradas nas narrativas transmidiáticas, no conceito crossmedia, na computação ubíqua, nas mídias móveis, e em várias outras tendências emergentes, tem impulsionado o surgimento de novas formas de interação com o público, proporcionando uma audiência cada vez mais segmentada, já que a criação de ambientes baseados nestas possibilidades tem o potencial de atingir o público de uma forma mais individualizada, e com alcance maior do que se estivesse usando apenas o meio tradicional da televisão.
Compreender e se adequar a estas mudanças, de caráter tecnológico e social, é fundamental para um enquadramento conceitual do futuro da televisão, num ambiente de crescente convergência e de digitalização midiática.