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La vulnérabilité des jeunes adultes : concepts et théories

1.1 Perspective intra-individuelle

1.1.1 Naissance de l’adolescence

Embora seja este um problema fundamental da ontologia e da cosmologia desde a Grécia clássica, consideramos que uma das premissas básicas para o cientista é a existência de um mundo objetivo exterior ao investigador que busca o seu conhecimento. Esta premissa básica, no entanto, não impede que se reconheça a intervenção do cientista no mundo, seja através da observação e análise da realidade, ou pela interferência no funcionamento do mundo cuja dinâmica se pretende investigar. Outra importante questão é que esta aproximação do mundo deve acontecer gradativamente. O reconhecimento da provisoriedade das descrições da realidade e do mundo é essencial, o que implica em que estas estejam sempre sendo revistas e aprimoradas.

A relação entre as afirmações da ciência e a realidade ou entre as teorias científicas e o mundo em que se tem a intenção de aplicá-las é uma importante questão debatida no âmbito da moderna filosofia da ciência. Duas principais tendências podem

ser identificadas em relação a esta questão: de um lado, os realistas científicos, que consideram que uma teoria científica descreve ou tem como objetivo descrever como o mundo realmente é, ou seja constitui um relato aproximadamente verdadeiro de como o mundo é. O conceito de verdade aproximada é utilizado pelos realistas científicos para explicar o sucesso preditivo de uma teoria (DUTRA, 1998).

Neste caso considera-se que a realidade existe independentemente da nossa cognição e a aceitação de uma teoria acontece a partir da crença em sua “verdade aproximada”, as afirmações da ciência são descrições fiéis da realidade. Neste ponto de vista a idéia aceita é a de verdade como correspondência, ou seja uma teoria é verdadeira se o que ela diz corresponde ao mundo ou as coisas às quais ela faz referência (CHALMERS, 1995; DUTRA, 1998).

Em oposição a esta visão encontram-se os anti-realistas que consideram que os componentes teóricos da ciência não descrevem a realidade, constituindo-se em instrumentos que possibilitam a relação entre conjuntos de estado de coisas observáveis, uns com os outros. As teorias seriam bons instrumentos de predição, que poderiam funcionar bem empiricamente, mesmo não se aproximando da verdade. A aceitação de uma teoria científica deve levar em conta a sua adequação empírica.

Existem diversas variações possíveis combinando formas de realismo e de anti- realismo envolvendo tanto as teorias quanto as entidades inobserváveis envolvidas na formulação de teorias. A relação entre o realismo sobre as teorias e o realismo sobre entidades, pode ser objeto de discussões e de novas categorizações; no entanto este é um assunto mais complexo que pode envolver a interpretação dada à linguagem científica.

Dutra (1998) chama o anti-realismo de teorias de instrumentalismo; neste ponto de vista as teorias são consideradas como instrumentos ou ferramentas de predição e sua avaliação não leva em conta o seu valor de verdade. O anti-realismo de entidades é denominado de nominalismo, uma vez que tais entidades inobserváveis são consideradas ficções ou fórmulas para se referir a observações, não tendo correspondência no plano real. O realista científico é aquele que aceita tanto que uma teoria é um relato que corresponde à realidade quanto que, as entidades relacionadas existem e são reais. O realismo científico é também conhecido como realismo ingênuo (MEDEIROS; BEZERRA FILHO, 2000).

Um exemplo desta discussão pode ser encontrado na teoria atômica clássica. Esta teoria procura descrever a constituição da matéria como um agregado de partículas (átomos, íons ou moléculas), que originam as diversas substâncias e materiais conhecidos com as suas distintas propriedades. Incorporando os avanços da ciência no século XX, esta teoria tornou-se mais sofisticada e passou a postular a existência de novas partículas constitutivas da matéria (prótons, elétrons e neutrons, etc.) que não são diretamente observadas. Para o realista científico, se a teoria é aproximadamente verdadeira, então tais entidades, postuladas e descritas realmente existem de acordo com o que foi previsto pela teoria. Na interpretação realista aceita-se que as teorias científicas têm a pretensão de dizer algo acerca da constituição ontológica do mundo, tomado como objeto de investigação.

Em relação a esta questão, Chalmers (1995) defende um ponto de vista que ele chama de realismo não representativo, porque não incorpora uma teoria de verdade de correspondência. Este tipo de realismo não envolve uma distinção em termos de

observação e termos teóricos, não sendo, portanto, passível de críticas como aquelas feitas ao instrumentalismo.

O realismo não representativo é realista em dois sentidos. Em primeiro lugar, envolve a suposição de que o mundo físico é como é independentemente de nosso conhecimento dele[....] Em segundo lugar, ele é realista porque envolve a suposição de que, na medida em que as teorias são aplicáveis ao mundo, são aplicáveis dentro e fora das situações experimentais. As teorias físicas fazem mais que afirmações a respeito de correlações entre conjuntos de proposições de observação (CHALMERS, 1995, p.208).

Entre as tendências anti-realistas, destaca-se a de Van Frassen, que considera que a ciência visa a construção de modelos empiricamente adequados mas que não precisam ser verdadeiros; portanto, uma teoria científica seria um programa de construção de modelos adequados empiricamente. Van Frassen é considerado um anti- realista de teorias e de entidades, admitindo que a aceitação de uma teoria deve envolver a crença em sua adequação empírica. Em função do caráter construtivo das suas idéias sua filosofia é conhecida como empirismo construtivo.

Outra postura encontrada nas discussões sobre este assunto é conhecida como realismo crítico, que assume a existência do mundo, mas admite que as descrições da ciência são apenas modelos ou construções metafóricas feitas pelos cientistas (MATTHEWS, 1994). Esta pode ser considerada uma perspectiva mais aberta da produção do conhecimento científico que está em consonância com a Filosofia da Ciência contemporânea.