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b Luc Boltanski et Le Nouvel Esprit du Capitalisme

Chapitre 1 : Historique

II. 3 1975-1995 : Remise en question et morcellement de l’analyse sociologique

IV.2. b Luc Boltanski et Le Nouvel Esprit du Capitalisme

Como qualquer diálogo de caráter investigativo, a conversa (pesquisa) não se configurou como algo simples, por mais que se tivesse proximidade, em virtude da inserção na empresa enquanto funcionária-pesquisadora. Mesmo assim, foi realizada a pesquisa empírica, considerando as possíveis adversidades que poderiam surgir no decorrer do processo.

Ao serem indagados sobre como foi desenvolvido o percurso e quais as suas expectativas e experiências frente à parceria da pesquisa e extensão, os entrevistados responderam o seguinte:

A Emparn enveredou por esse caminho em busca da sua sobrevivência [...] estratégia da diretoria. [...] a pesquisa tem um formato que fica distante da sociedade. [...] a Embrapa tem política de marketing agressiva. A Emparn não possui uma descentralização, quer dizer, a estrutura não é descentralizada, precisa da Emater, dessa parceria para chegar ao produtor. Experiência importante para as duas organizações. O pesquisador se aproximou do agricultor, do extensionista. Passou a perceber que o agricultor também pesquisa, também tem curiosidade. Com o extensionista, percebeu a importância da mudança da linguagem para se comunicar melhor com o agricultor (entrevista concedida pelo Extensionista 01).

A parceria pela necessidade de se difundir as tecnologias geradas pela pesquisa. [...] por meio da realização de dias de campo itinerantes. Os eventos contavam com a participação de técnicos de ambas as instituições. As experiências foram bastante positivas, pois aproximou a pesquisa da extensão, facilitando o diálogo e a apropriação das tecnologias geradas pela pesquisa pelos técnicos da extensão (entrevista concedida pelo Extensionista 02).

A parceria existe sim, principalmente devido ao esforço de alguns diretores institucionais, entretanto quando ocorre mudança nestas diretorias e que as mesmas não têm formação ou vivência na área, esta parceria fica muito fragilizada, até porque não há um programa, nem verba, para fortalecer esta parceria (entrevista concedida pelo Extensionista 03).

Por estar atualmente num cargo de gestão, o primeiro extensionista fez um retrato mais contextualizado do percurso da parceria, ressaltando a importância da aproximação entre pesquisa e extensão e como forma de chegar mais próximo do agricultor, uma vez que o formato da pesquisa torna o pesquisador distante do agricultor. O segundo entrevistado colocou um momento para melhor divulgação dos resultados da pesquisa, além de aproximar o extensionista do pesquisador. Já o terceiro centrou sua observação no esforço dos diretores e na descontinuidade de atividades frente às mudanças nos cargos dos gestores.

Foi pedida aos entrevistados uma breve análise das atividades de transferência de tecnologia agropecuária demandadas pela Emparn, para a agricultura familiar, no período de 1995-2012, sendo recebidos os seguintes pontos de vista:

Lembro que o Senar e o Sebrae estiveram presente nas atividades como agentes financiadores. Mas a mobilização com os agricultores sempre foi feita pela Emater. Uma fase que a Emater estava desestruturada, o que vinha acontecendo em todo estado. Em 2003, o serviço de Ater passa para o MDA. As atividades do Circuito de Tecnologia foi uma excelente oportunidade para divulgação do que a Emparn estava fazendo. A partir de 2003 os extensionistas deixaram de ser somente mobilizadores e passaram a ministrar as palestras nos dias de campo com os pesquisadores. Fase bastante rica e produtiva (entrevista concedida pelo Extensionista 01).

A Emparn muito sabiamente vem se adaptando ao longo do tempo no processo de transferência de tecnologias para agricultores familiares, no início através das Semanas de Silagem e Fenação na base de Cruzeta, onde o foco era a conservação de forragens, com o passar dos anos sentiu a necessidade de levar novos temas necessários à exploração pecuária, com isso buscou parcerias junto

a outras instituições, como o Sebrae, Emater e CNPGL (entrevista concedida pelo Extensionista 02).

Em parceira com Emater, criou o CVTBL, para capacitação de técnicos e agricultores. A Emparn também liderou o processo de discutir as atividades agropecuárias, com o objetivo de apresentar um material rico em informações, que possa balizar a tomada de decisão dos diversos atores que compõem o setor, principalmente o setor público. Portanto, as atividades foram bem pensadas, no entanto, a falta de uma assistência técnica mais permanente e eficiente fragiliza os resultados obtidos com as ações de transferência de tecnologias nos formatos usados pela Emparn e seus parceiros. Pois as tecnologias geradas e adaptadas pela Emparn são repassadas em seus eventos e ficam registradas nas cartilhas que anualmente são publicadas. Faltando, portanto, o acompanhamento mais pontual que não é o papel da Emparn, e sim do órgão de extensão (entrevista concedida pelo Extensionista 03).

Os entrevistados foram indagados acerca dessa mobilização acima mencionada, que é particularmente realizada pela Emater junto aos agricultores familiares para que os mesmos possam participar das atividades de transferência de tecnologia demandadas pela Emparn anualmente. Também foi frisado sobre quais os aspectos relevantes desse momento e qual a resposta do agricultor diante desses convites, sendo apresentado da seguinte forma:

Hoje a Emater não faz mais atendimento particular, quer dizer, de forma individual. Hoje atendem a grupos de agricultores. O convite para as atividades geralmente é feito aos sindicatos rurais, durante as reuniões das associações de agricultores e diretamente no escritório local da Emater, quando os agricultores vão até lá em busca de GTA ou outras informações (entrevista concedida pelo Extensionista 01).

A mobilização é feita através de convites nas comunidades rurais, sendo nos últimos anos mais qualificada, como pode ser verificada através de pesquisa realizada durante o Circuito de Tecnologias realizado no ano 2009 (entrevista concedida pelo Extensionista 02). A mobilização sempre foi realizada através dos escritórios locais da Emater devido à sua maior capilaridade, e também através de cartazes e anúncios nas rádios locais. O aspecto relevante, em minha opinião, é a liderança que o extensionista tem à frente dos agricultores que ele adquiriu com sua presença nas comunidades. Os agricultores, na sua grande maioria, são interessados em receber novos conhecimentos, principalmente as mulheres (entrevista concedida pelo Extensionista 03).

Finalizou-se com uma pergunta sobre o Pronaf, no sentido que, nos últimos anos, uma das condições colocadas pela Emater para o público participante dessas atividades de transferência de tecnologia aqui em estudo foi que prioritariamente esse agricultor deveria ser pronafiano. Então foram indagados sobre qual a experiência da Emater frente a essa institucionalidade.

No Rio Grande do Norte foram emitidas 125 mil DAPs. Dessas, 100 mil são assistidas pela Emater. O técnico faz todo procedimento exigido para liberação do crédito. Isso sem os assentamentos rurais, pois são de responsabilidade do Incra, um território federal. Um professor da federal não vai dar aula na estadual porque está faltando professor, a mesma coisa é com a assistência técnica nos assentamentos. Não trabalhamos com os assentados, mas sempre que um assentado procura um escritório da Emater, é atendido pelo técnico, mesmo ele sabendo que não tem responsabilidade com esse público. Mas isso mudou com a Lei nº 12.188/2010, pois a gente passou as chamadas públicas (entrevista concedida pelo Extensionista 01).

A proximidade com esse público se dá inicialmente pela necessidade da emissão da DAP (Declaração de Aptidão ao Pronaf), a partir deste primeiro contato os agricultores passam a acessar as diversas políticas públicas ofertadas pelo governo para esse público específico, como: crédito rural, garantia safra, Minha Casa Minha Vida Rural, compra direta, PAA Leite, dentre outras. Não ocorreu dificuldades no que se refere à interação com esse público, contudo, o excesso de tarefas distanciou um pouco os técnicos da assistência técnica propriamente dita, que a transferência de tecnologias aos agricultores na base (entrevista concedida pelo Extensionista 02).

Como instituição pública, a Emater tem que cumprir as normas estabelecidas pelo governo federal. No meu ponto de vista foi um ganho para os agricultores e para a instituição, que agora tem seu público-alvo as pessoas mais necessitadas de assistência técnica e crédito (entrevista concedida pelo Extensionista 03).

Existe, nessas falas, ora complementaridade, ora similitude, ora discrepância acerca do assunto dialogado com os agentes. O fato é que se trata de um ambiente institucional em que se tem nesse espaço, segundo Bastos e Gomes da Silva (2009), uma relação dialética entre os indivíduos e as instituições, em que hábito de cooperar com mudanças ou de resistir a elas depende dos resultados das experiências pretéritas dos indivíduos e grupos com respeito às intervenções a que se submeteram historicamente. Além disso, as instituições não agem apenas

no sentido de constranger para reduzir custos de transação econômicas e políticas, mas também para criar, realizar oportunidades e promover direitos substantivos.

Como resultado desta pesquisa, pode-se afirmar que, quanto ao fazer profissional dos extensionistas, pesquisadores, dependendo do extensionista, encontra-se um diálogo entre este e os agricultores familiares.