Chapitre 1 : Historique
II. 3 1975-1995 : Remise en question et morcellement de l’analyse sociologique
III.3. b Boudon, Crozier et Mendras : le renouvellement des dynamiques
Assim como a agricultura familiar agrega várias discussões em torno da sua significação, o conceito de desenvolvimento vem sendo questionado nas últimas décadas, quando se deixou de considerar o primado do fator econômico, que gerava tão somente crescimento, para entendê-lo no interior de uma junção de
outros fatores, a saber: social, espacial, cultural, ambiental, político. E, ao serem considerados todos esses fatores, o desenvolvimento foi chamado de sustentável, a partir do que se credita de forma simplista que as necessidades e aspirações humanas seriam atendidas.
Isso decorre do modelo de desenvolvimento vigente, marcado sobretudo pelo crescimento econômico, negligenciando os outros aspectos, como o social, o cultural, o ambiental, entre outros, ocasionando um conjunto de problemas, especificamente para a parcela da população que se encontra excluída do processo produtivo; daí o surgimento dessa nova forma de pensar o desenvolvimento.
O pressuposto até então adotado foi que o crescimento econômico iria trazer todos os outros fatores capazes de promover o desenvolvimento social e humano. Mas quando se começou a perceber que somente o fator econômico não iria atingir os ideais imaginados, teve início um processo de agregação de outros preceitos, também chamados de novas dimensões do desenvolvimento. Dessa forma, primeiro veio a dimensão social, seguida da cultural e, a partir de 197216, a dimensão ambiental. A agregação desta última dimensão coloca em “xeque” todos os conceitos até então conhecidos, que passam por uma grande transformação, cuja consequência é a busca de um novo caminho para o desenvolvimento.
Diante disso, fica evidente a necessidade de mudanças nas políticas do desenvolvimento, incorporando o meio ambiente ao processo, na tentativa de busca por outro tipo de desenvolvimento, que a princípio é adjetivado como
durável, endógeno e, por fim, sustentável.
Ignacy Sachs, um dos teóricos mais destacados dessa estratégia de desenvolvimento, formula alguns princípios básicos que servem de eixo norteador à construção dessa nova visão, os quais são sistematizados por Bruzeke (1995, p. 31):
A satisfação das necessidades básicas; a solidariedade com as gerações futuras; a participação da população envolvida; a conservação dos recursos naturais e do meio ambiente em geral; a elaboração de um sistema social garantindo emprego, segurança social e respeito a outras culturas e programas de educação.
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Naquele ano, devido à realização da Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente Humano, em Estocolmo, o mundo passou a conhecer e debater as questões ambientais, t anto no que diz respeito à degradação, quanto a suas implicações para as populações atuais e futuras.
Esses princípios básicos estão contidos nos critérios pelos quais passa a sustentabilidade do desenvolvimento e que, segundo Sachs (2000, p. 85-88), são os seguintes: o social, o cultural, o ecológico, o ambiental, o territorial, o econômico e o político.
Assim, o mundo se vê diante de novos desafios na busca pela incorporação desses critérios fundamentais para um desenvolvimento com sustentabilidade. Se, até então, se tinha a crença de que resolvendo-se o problema do crescimento econômico, todas as outras dimensões se resolveriam, passa-se a ver que outros fatores também exigem solução, uma vez que a sustentabilidade do desenvolvimento requer uma nova postura, não só frente às questões econômicas, mas frente à vida, às pessoas, à miséria, à pobreza, às instituições. Em outras palavras, é preciso uma nova postura humana, social, cultural, territorial, político - institucional, ambiental. Continua-se com os postulados de Sachs (1993, p. 25) quando fala de:
[...] uma civilização do ser em que exista maior equidade na distribuição do ter e da renda, sem a degradação irracional dos recursos naturais, com o uso dos recursos potenciais dos ecossistemas com um mínimo de danos aos sistemas de sustentabilidade da vida e uma economia que possibilite a alocação e gestão eficientes dos recursos. Também se quer uma nova configuração rural-urbano mais equilibrada e uma melhor distribuição territorial. Tudo juntamente respeitando-se as especificidades de cada ecossistema, de cada cultura e de cada local.
Percebe-se que o desenvolvimento sustentável é um conjunto de princípios que norteiam uma melhoria na qualidade do ambiente, da economia, da vida e do espaço: do ambiente, ao querer-se a utilização racional dos recursos naturais, para não haver degradação; da economia, o primado da eficiência17 em todos os níveis; da vida, ao apontar-se que o homem é o centro de todo desenvolvimento, busca-se o fim da fome e da miséria; além de passar também pela preservação dos valores culturais de cada lugar e do espaço, ao se configurar uma nova realidade socioespacial para resolver as questões estruturais que atingem, sobretudo, os países pobres.
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Segundo Cuéllar (1997, p. 43), cada vez mais os estudiosos do desenvolvimento colocam novos elementos de promoção do desenvolvimento, na perspectiva de que o ser humano se torne o centro e não mais a periferia desse processo, principalmente quando se busca a sustentabilidade. Dessa forma, o desenvolvimento torna-se uma tarefa complexa e ambiciosa, pois assegura a todos os seres humanos condições que lhes permitam levar uma vida decente, exigindo um grande investimento de energia e amplas mudanças políticas.
Embora já se conheçam os efeitos negativos, tanto para o homem quanto para os recursos naturais, as técnicas utilizadas na agricultura moderna continuam sendo utilizadas, na maioria das vezes, sem critérios orientados para o uso racional dos recursos naturais (água, solo, vegetação etc.).
É preciso que haja um redirecionamento desse modo de produção, procurando-se a eficiência nos modelos agrícolas sustentáveis, como o plantio orgânico e o uso de tecnologias adaptadas. Sabe-se que começa em todo o mundo uma busca por tecnologias que primem por padrões sustentáveis de desenvolvimento que garantam a qualidade de vida e a vitalidade dos agroecossistemas.
Dessa forma, as mudanças organizacionais abordadas no capítulo seguinte objetivam mostrar, por meio da trajetória de uma organização (Emparn), que esta poderá redirecionar/reorganizar suas ações/atividades, numa perspectiva de desenvolvimento rural em bases sustentáveis. Muito embora sabendo que somente a partir das ações de uma só organização não se terá um novo desenvolvimento, essa organização poderá desenvolver suas atividades nessa linha e vir a contribuir e fazer parte dessa premissa inovadora de desenvolvimento.