2. Les modèles normatifs envisagés par les philosophes politiques et leurs limites
2.1. Harmoniser les rapports de pouvoir entre groupes sociaux
2.1.2. Young : l'inclusion politique
2.1.2.1. Limites du modèle de l'inclusion par la différence
Após exemplificação e discussão das contradições, Charolles introduz a quarta metarregra, a que chamou de relação e que estamos chamando, seguindo Costa Val (2006) de ARTICULAÇÃO (MR4). Segundo o autor, esta metarregra é de natureza pragmática e enuncia que as ações, estados ou eventos que ela denota sejam percebidos
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como congruentes no tipo de mundo reconhecido por quem avalia. A avaliação de congruência é uma relação bastante indefinida e repousa na relação de fatos.
Para nós, a indefinição da relação de congruência nos leva a aproximá-la da metarregra de não contradição. O autor tenta elucidar a metarregra de articulação tomando por exemplo três fatos, todos relacionados a um mundo ordinário: i) Maria está doente; ii) Maria logo vai dar à luz; iii) Os cantores românticos desagradam aos intelectuais. Charolles (1978) admite que os dois primeiros fatos, pertencentes a um mundo ordinário, são coerentes e podem estar diretamente relacionados como em a) Maria está doente, portanto logo vai dar à luz, ou b) Maria vai logo dar à luz porque está doente; situação que não está presente entre o primeiro enunciado e o terceiro – ou entre o segundo e o terceiro – devido à impossibilidade de ligá-los por um conectivo. Este constitui um bom teste, conforme o autor, para revelar incongruência entre fatos.
Como vemos, a metarregra de articulação parece ter sido idealizada tendo em vista o modo como os mecanismos coesivos de articulação entre ideias fazem as costuras dentro do texto. Por essa razão, estamos associando a metarregra de articulação aos mecanismos de articulação tópica, propostos por Pinheiro (2003). Em nossa pesquisa, essa metarregra será estendida a um princípio mais amplo de coesão – abarcando, portanto, as metarregras de continuidade e de progressão –, como articulação entre ideias que continuam e que progridem no texto.
A metarregra de articulação é avaliada na Matriz da redação do Enem na Competência IV, que focaliza a coesão, caracterizada pela articulação das ideias de um texto em um todo significativo, em que o candidato deve “Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação”. Na descrição dos níveis desta competência, o que determina a atribuição de um nível ou outro à redação do candidato é a qualidade da articulação entre as partes do texto. Nível 0, o candidato “não” articula informações; nível 1, articula as partes do texto de forma “precária”; nível 2, articula as partes do texto, de forma “insuficiente”, com muitas inadequações e apresenta repertório limitado de recursos coesivos; nível 3, articula as partes do texto, de forma “mediana”, com inadequações, e apresenta repertório pouco diversificado de recursos coesivos; nível 4, articula as partes do texto com “poucas inadequações” e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos; e nível 5, “articula bem” as partes do texto e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos.
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Em nossa investigação, pretendemos estabelecer critérios para a avaliação da continuidade, progressão, articulação de ideias e não contradição, considerando os mecanismos de articulação tópica, propostos por Pinheiro (2003), que descreveu, em um corpus diversificado de gêneros orais e escritos, mecanismos mais recorrentes através dos quais a articulação intra e intertópica se manifesta. Em seguida, propôs uma classificação para os mecanismos de articulação tópica: marcadores discursivos, formas referenciais, formulações metadiscursivas, perguntas e paráfrases. Mas também convocamos as modalidades de coesão apresentadas por Koch (1991), nomeadas de coesão referencial e a coesão sequencial para demonstrar como funcionam esses mecanismos de ligação entre (sub)tópicos.
Tendo em mente o cumprimento de nossos objetivos, não podemos nos limitar a critérios que levem em conta, exclusivamente, formas linguísticas na articulação tópica, conforme Pinheiro considerou. Associamos os mecanismos de articulação tópica às quatro condições que costumam ser apontadas como garantias de um texto coerente, visando ultrapassar as formas de expressão linguística.
Por essa razão, recorremos aos estudos de Cavalcante et al. (2017) para iniciar esse diálogo teórico. Os autores refletem sobre a articulação das ideias, advinda da metarregra de “relação”, e afirmam que ela não cumpre a mesma função que a continuidade temática, derivada da metarregra de “repetição”.
Os autores afirmam que a justificativa para o estatuto divergente das duas metarregras de coerência citadas se baseia no fato de que a primeira é condição de ocorrência da segunda, ou seja, a articulação de ideias permite a continuidade temática. Segundo Cavalcante et al. (2017, p. 141), “só se pode falar de continuidade de um tópico central porque as ideias se articulam”. Compreendemos que a continuidade é condição para a progressão, mas para afirmarmos que condiciona também a articulação deveríamos proceder a uma investigação no sentido de verificar se a continuidade pode, ou não, se estabelecer sem articulação.
No que tange à progressão temática, os pesquisadores afirmam que um tópico somente pode progredir porque continua. Afirmam ainda que, se continua, o referido tópico precisa também progredir para que uma unidade de sentidos se configure. Logo, os dois fatores de coerência se condicionam mutuamente. Na articulação dos tópicos, é necessário não se contradizer para garantir a continuidade temática dos subtópicos que se articulam com os tópicos. Cavalvante et al. (2017)
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ressaltam que nenhum desses fatores é preexistente ao texto, mas se constroem no momento da negociação dos sentidos.
Reforçamos a estreita relação existente entre a metarregra de progressão e a informatividade mencionada no momento em que tratamos dos princípios de textualidade propostos por Beaugrande e Dressler (1981). Retomamos o que nos diz Costa Val (2006, p. 30), que compreende infomatividade como “a capacidade do texto de acrescentar ao conhecimento do recebedor informações novas e inesperadas”. Assim, a relação entre essas duas categorias se dá na medida em que o texto, para ser informativo, deve apresentar imprevisibilidade e suficiência de dados.
A autora explica que, de um lado, avaliar imprevisibilidade é observar o grau de previsibilidade de um texto, a qual é medida em três ordens. Ocorrências de alta previsibilidade, como afirmações sobre o óbvio, clichês e estereótipos possuem baixa informatividade. Ocorrências que equilibram o original e o previsível são geralmente mais aceitáveis pelo recebedor, portanto é onde ocorre o processamento do texto. E ocorrências que não figuram como alternativa para compreensão de um texto são rejeitados pelos recebedores. De outro lado, avaliar suficiência de dados é examinar se o texto fornece, ao recebedor, elementos indispensáveis a uma interpretação que corresponda às intenções do produtor.
Avaliar a informatividade para Costa Val (2006, p. 32-33) é
Medir o sucesso do texto em levar conhecimento ao recebedor, configurando- se como ato de comunicação efetivo. Esse sucesso depende, em parte, da capacidade do discurso de acrescentar alguma coisa à experiência do recebedor, no plano conceitual ou no plano da expressão (imprevisibilidade). De outra parte, resulta do equilíbrio entre o que o texto oferece e o que confia à participação de quem o interpreta (suficiência de dados).
A autora ainda esclarece que um texto informativo pode não ser de processamento imediato e demandar algum esforço de interpretação. Entretanto, é um texto que se mostra apto a engajar o recebedor a conquistar a adesão dele, viabilizando, assim, o estabelecimento de uma comunicação efetiva.
Conforme verificamos, a metarregra de articulação se relaciona mais diretamente à coesão. Não estamos querendo dizer, todavia, que continuidade e progressão não estejam também relacionados à coesão, consideramos que ambas as metarregras se utilizam de processos coesivos explicitamente. Para Costa Val (2006, p. 27), no entanto, a articulação não recobre apenas as modalidades de coesão que foram discutidas, mas é responsável por identificar “a maneira como fatos e conceitos
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apresentados no texto se encadeiam, como se organizam, que papéis exercem uns com relação aos outros, que valores assumem uns com relação aos outros”.
Marcuschi (2006) se opõe à proposta das metarregras de Charolles (1978) e não considera que a coerência seja um princípio de boa-formação, mas, sim, um princípio de acessibilidade. Portanto, o entendimento de Marcuschi (2006, p. 17) sobre a coerência é de “uma necessidade e uma condição da discursividade e não um simples produto de relações ou de atividades linguísticas e lógicas”. No entanto, quando Charolles afirma ser a coerência um “princípio de interpretabilidade do discurso”, contempla, em certa medida, o processo, não se limitando ao aspecto lógico-semântico, apesar de focalizá-lo com certo rigor. Para Marcuschi (2006), o texto não se dá como numa sequência de palavras e frases, mas acontece como um evento interativo que ocorre como um processo multifuncional e uma coprodução. Essa visão toma coerência e coesão sob uma perspectiva integrativa do fenômeno da construção da interpretação de um texto.
Em nossa pesquisa, concordamos com Cavalcante et al. (2017) quando defendem que a coesão seja concebida como o fator de articulação das ideias para a construção da coerência. Para os autores, coesão não está limitada a elos coesivos explícitos, mas é idealizada como um fator de articulação das ideias no processo interpretativo da coerência. Tendo em vista uma perspectiva textual-interativa, os mecanismos de articulação tópica presentes em Pinheiro (2003) são tomados, ao lado das modalidades de coesão presentes em Koch (1991) como mecanismos coesivos de articulação tópica.
Finalizamos esta seção apresentando uma configuração de caráter mais integrativo para as metarregras de coerência. Para nós, a continuidade e a progressão são “centrais”, no sentido de serem esses os fatores básicos para a construção dos sentidos e, consequentemente, da coerência. Acrescentamos que a articulação passa a assumir um plano mais em relação aos dois fatores elementares, na medida em que se constitui como um princípio mais amplo, que abarca a progressão e a continuidade, e a não contradição passa a ocupar um plano superior em relação às outras metarregras.
Conquanto estejamos propondo um redimensionamento das relações entre as metarregras, ressaltamos que esses quatro princípios são indispensáveis para a análise da construção da coerência em redações do Enem. Não atribuímos papel de destaque a
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nenhuma delas isoladamente e acrescentamos que a nova configuração só faz sentido se todos os fatores forem considerados indissociavelmente.
Destacamos ainda que se as metarregras foram concebidas com base na tessitura semântica influenciada pela gramática de texto, a nosso ver, elas podem ser repensadas pela articulação com as concepções de tópico e com aspectos de uma dimensão contextual mais ampla, dentre os quais o gênero como prática discursiva tipificada figura como uma noção central. É essa articulação que tencionamos propor nesta tese, tomando como exemplo a redação do Enem.
Na próxima seção, enfatizamos os diferentes recursos para articular os (sub)tópicos de forma que eles continuem e progridam. Pinheiro (2003) faz uma primeira tentativa de apontar regularidades nesses diferentes expedientes articulatórios e propõe cinco tipos de mecanismos de articulação tópica os quais serão apresentados na próxima seção, em que passamos a apresentar a segunda base teórica importante de nossa investigação, o tópico discursivo a partir de suas duas propriedades, centração e organicidade. Buscamos ainda demonstrar com razoável clareza como as características destacadas dessas duas propriedades se efetivam na articulação tópica, por meio dos mecanismos de articulação tópica definidos por Pinheiro, para a construção da coerência.
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