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Conhecido como Relatório Delors, traduz, na perspectiva da UNESCO, a preocupação por uma educação integral. Permite identificar paralelos com o que a Igreja Católica apresenta no enfoque de uma educação integral. Serão destacados alguns aspectos gerais, além de uma visão geral dos quatro pilares e algumas observações específicas para as universidades.

Deve haver uma complementaridade entre os diversos espaços educativos, formais e não-formais, da infância à vida adulta, não obstante se acentue, ora mais um ora mais o outro, fazendo com que se possa participar de diversas situações educativas “e, até, desempenhar, alternadamente, o papel de aluno e de professor

326 Idem, p. 183. 327 Idem, p. 185.

328 Idem, p. 186-187: “Se a juventude a ser educada pelas democracias futuras considerar como

mitos todas as coisas que não se podem calcular ou transformar; se só acreditarmos num mundo tecnocrático, podemos conquistar a Alemanha nazista militar e tecnicamente. Mas, moralmente, fomos conquistados por ela. O prefácio do nazismo e do fascismo é desprezo absoluto pela dignidade espiritual do homem e a convicção de que só os fatores materiais ou biológicos governam a vida humana. Já que o homem não pode passar sem um ídolo, a monstruosa adoração do Leviatã totalitário terá o seu dia. A Tecnologia é um bem, como meio de que se serve o espírito humano e para os fins do homem. Mas a Tecnocracia, isto é, a Tecnologia compreendida e venerada de modo a negar qualquer sabedoria superior e qualquer outra compreensão, que não seja a dos fenômenos ponderáveis, só deixa, na vida humana, a sensação de força ou no máximo de prazer. E termina, necessariamente, numa filosofia imperialista. Uma sociedade tecnocrática é sempre totalitária. Uma sociedade tecnológica pode ser democrática, se tiver uma inspiração supratecnológica. E reconhecer, como Bergson, que ‘o corpo mais desenvolvido’ exige ‘uma alma maior’, que o ‘mecânico’ subentende o ‘místico’”.

dentro da sociedade educativa”329. A educação, ao longo de toda a vida, superando a diferenciação tradicional entre educação inicial e permanente, há de se tornar uma característica da educação, no século XXI, aproveitando-se as mais diferentes oportunidades que a sociedade é capaz de oferecer.

O Relatório apresenta o que chama de quatro pilares da educação:

[...] quatro aprendizagens fundamentais que, ao longo de toda a vida, serão, de algum modo, para cada indivíduo, os pilares do conhecimento: aprender

a conhecer, isto é adquirir os instrumentos da compreensão; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente; aprender a viver juntos, a

fim de participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas; finalmente aprender a ser, via essencial que integra as três precedentes. É claro que estas quatro vias do saber constituem apenas uma, dado que existem entre elas múltiplos pontos de contato, de relacionamento e de permuta330.

No parecer da Comissão, que elabora o Relatório, os quatro pilares são igualmente importantes “para que a educação apareça como uma experiência global a ser levada a cabo, ao longo de toda a vida, no plano cognitivo como no prático, para o indivíduo enquanto pessoa e membro da sociedade”331.

Há que ser superada uma visão instrumental da educação para voltar-se à realização da pessoa na sua totalidade. Nas palavras da Comissão,

uma nova concepção ampliada da educação devia fazer com que todos pudessem descobrir, reanimar e fortalecer seu potencial criativo – revelar o tesouro escondido em cada um de nós. Isto supõe que se ultrapasse a visão puramente instrumental da educação, considerada como uma via obrigatória para obter certos resultados (saber-fazer, a aquisição de capacidades diversas, fins de ordem econômica), e se passe a considerá-la em toda a sua plenitude: realização da pessoa que, na sua totalidade, aprende a ser332.

Por isso, é fundamental que se aprenda a dominar as ferramentas requeridas para o conhecimento, ao mesmo tempo, meio para apreender e compreender o mundo em que vivemos, condição necessária para viver a vida com dignidade, comunicar-se e desenvolver as competências profissionais; é também finalidade, enquanto fundamenta o prazer de compreender, conhecer e descobrir.

Faz-se necessário desenvolver, desde a infância, o prazer em descobrir e conhecer, de maneira sempre mais e em maior profundidade, a realidade do mundo, as descobertas e invenções já alcançadas, alimentando a curiosidade. É preciso,

329 DELORS, Jacques, op. cit., p. 117. 330 Idem, p. 89-90.

331 Idem, p. 90. 332 Idem, Ibidem.

pois, aparelhar os estudantes com os meios necessários, “conceitos e referências dos avanços das ciências e dos paradigmas do nosso tempo”333.

No entanto, junto com a especialização deve vir também a cultura geral. Ela é de fundamental importância, para o especialista e para o pesquisador.

A cultura geral, enquanto abertura a outras linguagens e outros conhecimentos, permite, antes de tudo, comunicar-se. Fechado na sua própria ciência, o especialista corre o risco de se desinteressar pelo que fazem os outros. Sentirá dificuldade em cooperar, quaisquer que sejam as circunstâncias. Por outro lado, a formação cultural, cimento das sociedades no tempo e no espaço, implica a abertura a outros campos do conhecimento e, desse modo, podem operar-se fecundas sinergias entre as disciplinas. Especialmente em matéria de pesquisa, determinados avanços de conhecimento dão-se nos pontos de interseção das diversas disciplinas334.

O desafio de aprender a conhecer vem antecedido, no entanto, de outro: aprender a aprender, que supõe trabalhar a atenção, a memória, o pensamento. As informações que recebemos de maneira quase exponencial e de forma cada vez mais rápida requerem, para a sua apreensão, estratégias de atenção, com o desenvolvimento de técnicas para aprendizagem da atenção, do desenvolvimento da memória associativa e do exercício do pensamento, combinando a utilização do método dedutivo e do indutivo, assim como passeios de ida e volta entre o concreto e o abstrato.

O aprender a fazer constitui um desafio especial, principalmente porque se interpõe o fato de não sabermos sequer como será a realidade do trabalho no futuro. Diante dessa realidade se faz sentir, como primeira conseqüência, a constatação de que

aprender a fazer não pode, pois, continuar a ter o significado simples de preparar alguém para uma tarefa material bem determinada, para fazê-lo participar no fabrico de alguma coisa. Como conseqüência, as aprendizagens devem evoluir e não podem mais ser consideradas como simples transmissão de práticas mais ou menos rotineiras, embora estas continuem a ter um valor formativo que não é de desprezar335.

A qualificação se reveste, assim, de características novas, agregando à competência material, como capacidade de fazer determinadas coisas, um conjunto de outras competências, que envolvem a capacidade de trabalhar em grupo, de continuar aprendendo, ser capaz de iniciativas e não ter medo de se lançar em projetos novos. Essa mudança requer o cultivo de “qualidades humanas que as

333 Idem, p. 91. 334 Idem, p. 91-92. 335 Idem, p. 93.

formações tradicionais não transmitem necessariamente e que correspondem à capacidade de estabelecer relações estáveis e eficazes entre as pessoas”336.

O aprender a viver juntos, aprender a viver com os outros, assume nos dias atuais uma importância especial, à medida que tomamos consciência de que os conflitos político-econômicos e sociais, assim como os étnico-religiosos, podem assumir proporções catastróficas muito maiores que todas as que já aconteceram, em função da capacidade autodestrutiva que existe de forma multiplicada hoje. A escola pode contribuir significativamente, não em termos imediatos, mas a longo prazo, trabalhando temas como a não-violência, a tolerância, a convivência e a valorização do que é diferente. O primeiro passo terá que ser, então, trabalhar o autoconhecimento para cada um descobrir e assimilar que possui qualidades e limitações, assim como os outros que, então, procurará conhecer com maior disposição:

Passando à descoberta do outro, necessariamente, pela descoberta de si mesmo, e por dar à criança e ao adolescente uma visão ajustada do mundo, a educação, seja ela dada pela família, pela comunidade ou pela escola, deve antes do mais ajudá-los a descobrir-se a si mesmos. Só então poderão, verdadeiramente, pôr-se no lugar dos outros e compreender as suas reações. Desenvolver esta atitude de empatia, na escola, é muito útil para os comportamentos sociais ao longo de toda a vida. Ensinando, por exemplo, aos jovens a adotar a perspectiva de outros grupos étnicos ou religiosos podem-se evitar incompreensões geradoras de ódio e violência entre os adultos. Assim, o ensino da história das religiões ou dos costumes pode servir de referência útil para futuros comportamentos. [...] O confronto através do diálogo e da troca de argumentos é um dos instrumentos indispensáveis à educação do século XXI337.

Envolver as crianças e os jovens em projetos comuns pode tornar-se medida concreta e ensaio de novas relações, passando da indiferença, do preconceito e, muitas vezes, da exclusão para a colaboração e a solidariedade.

Como quarto pilar, o aprender a ser expressa, como preocupação fundamental, o desenvolvimento total da pessoa:

Desde a sua primeira reunião, a Comissão reafirmou, energicamente, um princípio fundamental: a educação deve contribuir para o desenvolvimento total da pessoa – espírito e corpo, inteligência, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal, espiritualidade.338.

Subentende-se o desenvolvimento do sujeito, com referências para compreender o mundo e agir nele de forma responsável, justa, solidária. Para isso,

336 Idem, p. 95. 337 Idem, p. 98. 338 Idem, p. 99.

não pode ser negligenciado nenhum nível, dimensão ou potencialidade humana. Trata-se, em outras palavras, da recuperação da inteireza do ser humano, que se configura complexa, múltipla e em permanente mudança. Por isso mesmo, a educação comporta um processo dialético que contemple os conhecimentos e as práticas já construídas, a abertura ao novo, a síntese pessoal e a criatividade, acompanhados da inserção propositiva no meio, em vistas à sua transformação.

A escola, em qualquer nível, não tem condições de dar conta, sozinha, de tamanha tarefa, tornando-se necessário o diálogo entre as diversas instâncias educativas, com o estabelecimento de parcerias e a conseqüente valorização das aprendizagens construídas nos vários âmbitos da vida, tornando complementares teoria e prática, otimizando tempo e recursos, expressando, ao mesmo tempo, o reconhecimento do desenvolvimento da pessoa como um todo.

A universidade assume importância especial enquanto constitui o espaço, por excelência, tanto para a criação de novos conhecimentos quanto para a comunicação e assimilação do patrimônio cultural e científico da humanidade339. Entre os riscos de que deve precaver-se estão a preocupação com a produtividade imediata, que levaria a sacrificar a qualidade da própria ciência e, de outra parte, o academicismo estéril, que a levaria a fechar-se sobre si, distante da realidade e dos problemas da sociedade e da macro-realidade em que está inserida. Há necessidade de adaptação à dinâmica das necessidades que a sociedade apresenta à universidade. Isso requer flexibilidade e uma crescente superação da divisão por disciplinas, também para conciliar melhor a preparação para o trabalho e a formação global:

Além da tarefa de preparar numerosos jovens para a pesquisa ou para empregos qualificados, a universidade deve continuar a ser a fonte capaz de matar a sede de saber dos que, cada vez em maior número, encontram na sua própria curiosidade de espírito o meio de dar sentido à vida. A cultura, tal como a entendemos, inclui todos os domínios do espírito e da imaginação, das ciências mais exatas à poesia. As universidades têm certas particularidades que as tornam locais privilegiados para desempenhar estas funções. Constituem o conservatório vivo do patrimônio da humanidade, patrimônio sem cessar renovado pelo uso que dele fazem professores e

339Idem, p. 139-140: “O ensino superior é, em qualquer sociedade, um dos motores do

desenvolvimento econômico e, ao mesmo tempo, um dos pólos da educação ao longo de toda a vida. É, simultaneamente, depositário e criador de conhecimentos. Por outro lado, é o instrumento principal de transmissão da experiência cultural e científica acumulada pela humanidade. Num mundo em que os recursos cognitivos, enquanto fatores de desenvolvimento, tornam-se cada vez mais importantes do que os recursos materiais a importância do ensino superior e das suas instituições será cada vez maior. Além disso, devido à inovação e ao progresso tecnológico, as economias exigirão cada vez mais profissionais competentes, habilitados com estudos de nível superior”.

pesquisadores. As universidades são geralmente multidisciplinares, o que permite a cada um ultrapassar os limites do seu meio cultural inicial. Têm, em geral, mais contatos com o mundo internacional do que as outras estruturas educativas340.

Diante das mudanças cada vez mais rápidas e das exigências crescentes advindas desse dinamismo, dentre as quais radicalismos de várias ordens e a exclusão de muitos, inclusive das condições de vida digna, a universidade tem um papel cada vez maior na educação, ao longo da vida, e nos debates relacionados às grandes questões humanas e do desenvolvimento em geral, tanto no implemento de uma maior consciência crítica quanto na busca de alternativas para a superação de conflitos e alternativas de inclusão, inclusive no plano internacional, através de intercâmbios, estágios, pesquisas com profissionais de diversos países, com trocas de conhecimentos, concepções e tecnologia, gerando avanços técnico-científicos e também superando preconceitos e indiferença, contribuindo para a inclusão de povos inteiros marginalizados341.

4.3.3.3 Ken Wilber

Situado dentro da corrente conhecida como espiritualista342, apresenta uma proposta de Abordagem Integral343, que intenta, de alguma forma, abarcar a soma

340 Idem, p. 144.

341 Idem, p. 150-151: “A universidade deve ocupar o centro do sistema educativo, mesmo que, como

acontece em numerosos países, existam, além dela, outros estabelecimentos de ensino superior. Cabem-lhe quatro funções essenciais:

1. Preparar para a pesquisa e para o ensino.

2. Dar formação altamente especializada e adaptada às necessidades da vida econômica e social. 3. Estar aberta a todos para responder aos múltiplos aspectos da chamada educação permanente, em sentido lato.

4. Cooperar no plano internacional”.

342 BERTRAN, Yves. Teorias Contemporâneas da Educação. Tradução: Alexandre Emílio. 2. ed.

Lisboa: Instituto Piaget, 2001, p. 15: “Uma velha corrente da educação renasceu das suas cinzas no começo dos anos 70. Trata-se da corrente espiritualista, também chamada metafísica ou transcendental, que fascina, em particular, as pessoas preocupadas com a dimensão espiritual da vida neste mundo e o sentido da vida. Os adeptos das teorias espiritualistas da educação interessam- se pela relação entre o sujeito e o Universo numa perspectiva metafísica. Estas teorias inscrevem-se freqüentemente na ‘nova’ corrente sociocultural, chamada Nova Época (Nouvel Age), isto embora se preocupem mais com valores descritos em textos amiudadas vezes milenários. As religiões e filosofias orientais alimentam muito as reflexões sobre a educação. O budismo Zen e o taoísmo são amiúde citados enquanto fontes dominantes desta corrente educativa”.

343 http://www.integralinstitute.org/public/static/default.aspx: “’What's "Integral’? It simply means more

balanced, comprehensive, interconnected, and whole. By using an Integral approach—wether it's in business, personal development, art, education, or spirituality (or any of dozens of other fields)—we

dos conhecimentos e das experiências, a sabedoria e a reflexão que a humanidade já produziu. Objetiva trazer à baila tudo o que as diferentes culturas pensaram e produziram sobre as potencialidades humanas, o crescimento psicológico, social e espiritual e, a partir dele, descobrir as chaves fundamentais para o crescimento humano, baseado, justamente, nessa soma de conhecimentos a que agora, pela primeira vez, temos acesso. Propõe, então, criar um mapa integrado com o que de melhor possa ser recolhido de todas as grandes culturas do mundo, a partir de profundos estudos transculturais, de forma abrangente e inclusiva.

Wilber explicita, então, esse mapa integrado, distribuído em cinco categorias essenciais, com o intuito de manifestar e facilitar a evolução humana: quadrantes,

níveis, linhas, estados e tipos:

Ao usar a Abordagem Integral – um mapa ou sistema operacional integrados -, conseguimos facilitar e acelerar dramaticamente os conhecimentos inter e multidisciplinares, criando assim uma primeira comunidade de aprendizagem realmente integral do mundo. E no que diz respeito a religião e espiritualidade, o uso da Abordagem Integral permitiu a criação do Integral Spiritual Center, onde alguns dos principais professores espirituais do mundo, de todas as grandes religiões, reúnem-se, não só para ouvirem uns aos outros, mas para ‘ensinarem aos professores’, resultando em um dos eventos didáticos mais extraordinários já imaginados. [...] Mas tudo começa com esses simples cinco elementos na fronteira da consciência344.

Envolvem realidades subjetivas, no próprio indivíduo, realidades objetivas, ligadas ao mundo externo, e outras que são coletivas ou comunitárias, compartilhadas com outras pessoas.

Fazem parte os estados de consciência, desde a vigília, o sonho e o sono profundo. Inclui, também, os estados meditativos, induzidos pela meditação que, normalmente, se vale de algum método ou técnica; os estados alterados induzidos, por exemplo, por drogas e as assim chamadas experiências “de pico”, desencadeadas por atividades intensas ou extremo relaxamento. Tais estados são temporários, vão e vêm.

Diferentemente, no entanto, os estágios de consciência são permanentes. São eles, de fato, que indicam crescimento e desenvolvimento. Na variedade de

can include more aspects of reality, and more of our humanity, in order to become more fully awake and effective in anything we do. As you click around, we think you'll see that "Integral" is not only a "theory of everything," but involves new ways of working, loving, creating, playing, and interacting in a complex and evolving world—it's a worldview for the 21st. Century.

344 WILBER, Ken. Espiritualidade Integral: Uma nova função para a religião neste início de milênio.

conceitos ou de descrição dos estágios, pode-se falar também em estágios de desenvolvimento ou em níveis de desenvolvimento, no sentido de que cada estágio expressa um nível de organização ou de complexidade, lembrando que há qualidades emergentes importantes as quais, geralmente, surgem de modo discreto.

Ao tratar das linhas, o autor lembra as inteligências múltiplas, idéia popularizada por Howard Gardner, como ele mesmo explica:

Entre as diversas inteligências múltiplas estão a cognitiva, a interpessoal, a moral, emocional e estética. Por que são também denominadas linhas de

desenvolvimento? Porque elas revelam o crescimento e o desenvolvimento,

desdobram-se em estágios progressivos, que são os estágios que acabamos de resumir. Ou seja, cada inteligência múltipla passa – ou pode passar – pelos três estágios principais (ou por qualquer um dos estágios de qualquer modelo de desenvolvimento, sejam eles três, cinco, sete ou mais; lembre-se, todos são como a escala Fahrenheit e a Celsius). O desenvolvimento cognitivo pode chegar até a etapa 1, 2 e 3, por exemplo. Isto é semelhante às outras inteligências345. [...] As diversas linhas

progridem pelos principais estágios ou níveis de desenvolvimento. Os três

níveis, ou estágios, aplicam-se a qualquer linha de desenvolvimento – sexual, cognitivo, espiritual, emocional, moral e assim por diante. O nível de uma determinada linha simplesmente representa sua ‘altitude’ em relação ao seu crescimento e consciência. Costumamos dizer: ‘Essa pessoa tem desenvolvimento moral elevado’, ou ‘Essa pessoa é espiritualmente elevada’347.

Quanto aos tipos, referem-se a elementos ou componentes passíveis de estarem presentes em qualquer estágio ou estado, como, por exemplo, as tipologias horizontais sugeridas por Myers-Briggs, percepção, pensamento, sensação e intuição.

Todas as ocorrências, no mundo, perceptíveis pelos nossos sentidos, podem ser captadas no nível dos pronomes de 1ª, 2ª e 3ª pessoas, que podemos simplificar como “eu”, “nós” e “ele”. Qualquer acontecimento pode ser olhado nesta perspectiva: a) pelo ponto de vista do “eu”, ou seja, como eu pessoalmente o vejo e sinto; b) do ponto de vista do “nós”, ou seja, não apenas eu, mas também como os outros o vêem; c) vejo o acontecimento como um “ele”, ou seja, volto-me aos fatos objetivos do ocorrido. E explicita Wilber:

Assim, um caminho integralmente informado leva em consideração todas essas dimensões e, portanto, chega a uma abordagem mais abrangente e eficaz – no “eu”, no “nós” e no “ele” – ou no self, na cultura e na natureza. Se deixarmos de fora a ciência, a arte, ou os princípios morais, ficará faltando alguma coisa, algo se romperá. Ou o self, a cultura e a natureza são liberados junto ou nunca são liberados. Essas dimensões de “eu”, “nós” e “ele” são tão fundamentais que as denominamos os quatro quadrantes, e os transformamos em uma base do modelo integral ou IOS [Integral

345 Idem, p. 22-23.

Operating System]. (Chegamos aos “quatro” quadrantes ao subdividirmos “ele” em “ele” singular e “eles” plural). [...] Ou seja, os quatro quadrantes – que são as quatro perspectivas fundamentais em qualquer ocasião (ou os quatro modos básicos de se analisar qualquer coisa) – acabam sendo relativamente simples: eles são o dentro e o fora do indivíduo e do

coletivo346.

A complexidade dos seres humanos, na sua relação consigo mesmo, com os outros, a natureza e o Transcendente, deveria ser desenvolvida no horizonte dos quatro quadrantes. Isso significa, por exemplo, que os níveis físicos, mentais,

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