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Définitions et concepts

2.1.2 L’innovation à quelles fins ?

As pesquisas qualitativas são próprias das ciências humanas. Revelam e explicitam como se inserem, e se manifestam os fenômenos sociais, além da mera experimentação em laboratório, e de confirmações lógicas, com métodos puramente matemáticos.

A educação permitiu e patrocinou o surgimento de uma série de contracorrentes teóricas no século XX. Uma delas é a corrente qualitativa, que segundo Morin (2011b, p. 63), “em reação à invasão do quantitativo e da uniformização generalizada, se apega à qualidade em todos os campos”.

Para André (2008), a abordagem qualitativa iniciou-se no século XIX, quando os cientistas sociais começaram a questionar se o método das ciências físicas e naturais era adequado para estudar os fenômenos humanos e sociais. Segundo Bogdan & Biklen (1994), embora a investigação qualitativa em educação remonte ao século dezenove nos Estados Unidos, o termo pesquisa qualitativa surgiu apenas no final dos anos sessenta.

Ainda que os investigadores em antropologia e sociologia tenham vindo a utilizar a abordagem descrita no presente livro desde há um século, a expressão "investigação qualitativa" não foi utilizada nas ciências sociais até ao final dos anos sessenta. Utilizamos a expressão investigação qualitativa como um termo genérico que agrupa diversas estratégias de investigação (BOGDAN & BIKLEN, 1994, p. 16).

André (2008), entende que a abordagem qualitativa se tornou muito popular nos anos 80, com os pesquisadores da área da educação. Surge

nesse período, um grande número de publicações que trabalhavam com os fundamentos teóricos e os procedimentos metodológicos qualitativos.

Segundo André (2008), a pesquisa de abordagem qualitativa originou-se da concepção fenomenológica, também chamada de idealista-subjetivista. Esta concepção está em oposição ao positivismo e ao empirismo, que descontextualiza a complexidade dos sujeitos, “busca a interpretação em lugar da mensuração [...], e assume que fatos e valores estão intimamente relacionados, tornando-se inaceitável uma postura neutra do pesquisador (ANDRÉ, 2008, p.17)

Habermas (2011) afirmou o valor científico das pesquisas qualitativas humanas sem deixar de perceber as dificuldades de comprovação lógica e metodológica com o status exigido pelas ciências da natureza.

Nós encontramos em todas as disciplinas científico-sociais abordagens teóricas que se ligam a uniformidades empíricas próprias ao agir social: na economia, na sociologia, na antropologia cultural e na psicologia social (HABERMAS, 2011, p. 72).

Para André (2008), se quisermos encontrar respostas para as muitas questões com as quais nos defrontamos diariamente precisamos ir além da dicotomia qualitativo-quantitativo e nos perguntar o que realmente caracteriza um trabalho científico. Qual a diferença entre o conhecimento científico e outros conhecimentos? Macedo (2011) entende que a pesquisa qualitativa tem um outro rigor, que se diferencia das mensurações quantitativas das teorias positivistas.

Tendo em vista que o trabalho com os sujeitos aqui representados esteve ligado diretamente ao campo da educação, esta pesquisa norteou-se pela natureza qualitativa, e seguiu os procedimentos metodológicos da investigação etnográfica. Era evidente que a análise do fenômeno de mudança no gênero da escrita seria melhor descrita sob uma perspectiva qualitativa. Isso não quer dizer que haveria facilitações do trabalho. Pelo contrário. A dificuldade de indicação exata do fenômeno exige uma análise profunda, múltipla e complexa das ações e falas dos sujeitos, mesmo porque para Bogdan & Biklen

(1994), uma das características da investigação qualitativa é que o investigador deve se interessar muito mais pelo processo do que pelos resultados.

A investigação qualitativa descreve detalhes de complexo tratamento estatístico, relacionado a pormenores de fenômenos voltados para pessoas, suas ações, suas conversas, locais de exposição, sem a preocupação de testar hipóteses, porque buscam a compreensão dos fenômenos “a partir da perspectiva dos sujeitos da investigação” (BOGDAN & BIKLEN, 1994, p.16). O objetivo dos investigadores qualitativos é compreender o comportamento e as experiências dentro de um processo de construção de significados dos sujeitos humanos e recorrer à observação para descrever em que consistem tais significados

Em educação, a investigação qualitativa é frequentemente designada por naturalista, porque o investigador frequenta os locais em que naturalmente se verificam os fenómenos nos quais está interessado, incidindo os dados recolhidos nos comportamentos naturais das pessoas: conversar, visitar, observar, comer, etc. (Guba, 1978: Wolf, 1978a). A expressão etnográfica é igualmente aplicada a este tipo de abordagem (BOGDAN & BIKLEN, 1994, p. 17).

Sabedores de que no passado os pesquisadores alicerçavam suas pesquisas no paradigma das ciências naturais e exatas, Bogdan & Biklen (1994, p. 64), questionam: “Será que a abordagem qualitativa é verdadeiramente científica? ” E a resposta vem em seguida:

No passado, os investigadores educativos baseavam o seu trabalho nas investigações feitas pelos "colegas das ciências exactas". Alguns autores entendiam medida como sinónimo de ciência, e tudo o que saísse deste registo era considerado suspeito (BOGDAN & BIKLEN, 1994, p. 64).

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Ainda segundo Bogdan & Biklen (1994) há determinadas expressões que se associam e dão significado à investigação qualitativa, tais como: interacionismo simbólico, fenomenologia, etnometodologia, estudo de caso, etnografia, etc. Várias são as estratégias e procedimentos da investigação qualitativa.

Para André (2008, p. 18) “o interacionismo simbólico assume como pressuposto que a experiência humana é mediada pela interpretação”. Cada

pessoa vai construindo a partir da interação com os outros. Toda construção é social. “A fenomenologia enfatiza os aspectos subjetivos do comportamento humano e preconiza que é preciso penetrar no universo conceitual dos sujeitos” (ANDRÉ, 2008, p.18). Na fenomenologia é importante verificar qual o sentido das interações sociais com a vida cotidiana das pessoas. Segundo André (2008), a etnometodologia refere-se ao campo da investigação e procura descobrir quais os recursos que as pessoas utilizam para compreender e enfrentar as complexidades da realidade. Ainda segundo André (2008), o estudo de caso trabalha com particularidades de situações vividas no dia a dia, com suas complexidades e sua naturalidade. Sobre a etnografia afirma André (2008, p. 19):

Muito similar ao interacionismo simbólico, desenvolve-se na antropologia uma tendência que se tornou conhecida como etnografia. Segundo Spradley (1979), a principal preocupação na etnografia é com o significado que têm as ações e os eventos para as pessoas ou os grupos estudados. Alguns desses significados são diretamente expressos pela linguagem, outros são transmitidos indiretamente por meio das ações. De qualquer maneira, diz ele, em toda sociedade as pessoas usam sistemas complexos de significado para organizar seu comportamento, para entender a sua própria pessoa e os outros e para dar sentido ao mundo em que vivem.

Bogdan & Biklen (1994) afirmam ainda que a pesquisa qualitativa pode ser vista como fenomenológica por alguns estudiosos e para outros o qualitativo seria sinônimo de etnográfico.

Para Sousa & Fino (2007, p. 7) “as metodologias de investigação qualitativa são as mais adequadas à compreensão e descrição dos fenómenos que se desenvolvem no interior das escolas”. Os grupos, em seus ambientes sociais, expressam mensagens que ressoam e ecoam como afirmações identitárias. Segundo McLuhan (apud Sousa,1997, p. 2) “o meio é a mensagem”. Os sujeitos deste ambiente protagonizam suas ações que reverberam modificações paradigmáticas importantes. Eles são o canal de contribuição para confirmação de determinados fenômenos sociais.