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L’usage du chiffre comme langage commun, outil de coordination, de communication et de prise de décision

Première partie Revue de littérature

1. Définition des concepts constitutifs de notre question question

2.2 Quelles raisons justifient cet usage privilégié, voire excessif ?

2.2.2 Les usages justifiant la priorité au chiffre

2.2.2.1 L’usage du chiffre comme langage commun, outil de coordination, de communication et de prise de décision

Clara pertencia a uma família nobre de Assis de grande prestígio, filha de Favarone de Offredúccio e Madona Hortolana, o pai dedicava-se ao governo dos seus territórios enquanto sua mãe tomava uma vida mais devota e corajosa, algo que viria a influenciar a filha, Hortolana teria visitado os lugares santos em Jerusalém e as basílicas de Roma. Clara também passou pelos tempos em que Assis e o seu povo expulsaram a nobreza da cidade, incluindo também a sua família que ficou a perder com a ruína das suas propriedades e tiveram de pedir refúgio a Perúsia. Este acontecimento deixou-lhe uma marca na sua alma e memória sobre um tempo de incerteza, miséria e desgraça, mesmo que todos os bens e propriedades sido retornado à posse da sua família após o seu retorno a Assis, Clara sentia as suas emoções e piedade a exaltarem-se, levando a uma vontade de realizar a prática de atos cristãos de generosidade. Muitos foram atraídos a tal mulher de virtude e piedade, todos com oferendas e propostas de casamento, mas só um homem lhe chamou a atenção e a comoveu, e só ele viria a fornecer o caminho da paz e servidão do Senhor e da sua vontade.135

Pouca é a informação em relação ao primeiro encontro realizado entre Francisco e Clara, sabe-se que ambos iniciaram a sua amizade baseada na devoção e adoração que ambos partilhavam pelo Senhor numa tremenda alegria que lhes enchera o coração, mas afirma-se que Clara ouviu sobre Francisco após a realização da renúncia dos bens materiais que ele realizou no julgamento realizado pela Comuna de Assis como o jovem de um mercador rico que abdicou de tudo, este gesto cativou o coração de Clara. Tal como Francisco, houve um ponto em que sentiu a necessidade de realizar os atos de caridade em nome do Senhor e do bem-estar dos desafortunados, ausentando-se de alguns banquetes e outras celebrações para oferecer esmola e alegrar os pobres e os doentes, nela refletia-se uma alma caridosa. Muitas vezes ela

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viu Francisco a realizar os seus sermões, e até a um ponto ela veio a ter encontros em segredo com o pobre de Assis, este segredo deve-se à necessidade de os pais não saberem pela razão de não aprovarem este comportamento, nem companhia. Francisco falava-lhe sobre Jesus Cristo e a sua vontade e Clara ouvia-o, cativada pela sua palavra. Sempre o viu a saudar toda a gente pelos caminhos por onde caminhava, contagiando todos em redor com a alegria do seu espírito, Clara decidiu então entregar-se à vida ao serviço da pobreza e sujeitar-se à santa virgindade.136

E foi em 1212, durante uma noite que ela saiu do palácio da sua família em direção a Porciúncula para vir ao encontro dos frades que lá se encontravam reunidos na ermida. Ela deixou as suas vestes de nobre para se submeter à pobreza, tremendo de uma imensa alegria que lhe enchia o coração, Francisco veste-a da mesma forma que os outros frades, uma túnica com uma corda a servir como um cinto, cortando-lhe as tranças fartas e põe um véu na sua cabeça.

Na cidade dava-se a falta por Clara, a notícia do seu desaparecimento corria pela cidade. Quando Favarone soube que a filha entendia aderir à vida religiosa e a viver na pobreza, ele enviou cavaleiros para o mosteiro de S. Paulo de Bastia onde os frades menores teriam levado Clara para finalizar o juramento como uma esposa de Deus. Os cavaleiros não atreviam a tocar, pois ela, no momento que chegaram, já tinha concluído a sua iniciação da sua nova vida, e tocar nela poderiam levar à excomunhão, eles ameaçaram e tentaram convencer Clara a abandonar o mosteiro, mas ela não se moveu das suas intenções de servir o Senhor, deixando nenhuma outra opção, os cavaleiros voltam para Assis.137

E com este ato, forma-se a Ordem das Clarissas, o ramo feminino dos Menores que se fixou no Convento de S. Damião, e até mesmo antes de um mês passar, a ordem veio a encontrar-se em crescimento. A maior parte delas vinham da nobreza, Francisco serviu como um mentor a ensinar-lhes o Evangelho e Santa Clara organizava as lições e até veio a compor a Regra para as suas irmãs da ordem. Até aos seus últimos dias, Francisco auxiliou as clarissas, a sua última visita foi já depois da sua morte: o seu corpo foi levado a S. Damião para a despedida de Clara.

136 Cf. Lopes, O Poverello – S. Francisco de Assis, págs. 221-238. 137 Cf. Lopes, O Poverello – S. Francisco de Assis, págs. 221-238.

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Em relação ao modo de viver deste ramo feminino, não se sabe muito, para além das orações ou trabalho, mas tal como os frades, dedicaram-se à pobreza que encaminhava a alma para a verdadeira liberdade e alegria, distribuindo todos os bens para se juntarem a ela nesta vida que as espera. Afirma-se que Francisco via em Clara o rosto da madona Pobreza devido à sua devoção e espírito gentil, e durante quarenta anos viveu de tal forma seguindo o Evangelho.

As exigências da pobreza na ordem eram elevadas, que até o papa Gregório IX em 1228 pediu que Santa Clara as mitigasse, oferecendo-lhes rendas para o sustento do seu mosteiro, mas a Sorella Clara138 recusa formalmente tais cuidados, afirmando

que só viria a aproximar-se do pecado.139

Muitos foram os feitos realizados por Clara, o que teve maior relevância ocorreu em setembro de 1240 quando um exército às ordens do Imperador se aproxima de Assis, subindo os muros do mosteiro, a Santa levanta-se e exige que as irmãs tragam o Sacramento enquanto ela implora «Guarda, Senhor, este pequenino rebanho que os lobos assaltam, pois eu não o posso já defender.»140 O perigo sobressaltava, mas Cristo

responde às suas preces «Sossega, filha, que sempre o guardarei.»141 E foi neste

momento que os assaltantes fogem, a causas para tal ocorrência sendo desconhecidas, um ano depois o mesmos exércitos continuavam o cerco sobre Assis, as irmãs, em jejum, imploram a Deus para que concede-se a sua proteção sobre a cidade, e novamente, estes retiram-se.

A 11 de Agosto de 1252, Santa Clara falece, os seus últimos momentos recheados de louvores e cânticos ao Senhor que lhe abençoara a sua vida, entregando a sua alma para o Reino de Deus e juntar-se a S. Francisco.142

138 O termo “sorella” significa irmã em italiano.

139 Cf. Lopes, O Poverello – S. Francisco de Assis, págs. 221-238. 140 Lopes, O Poverello – S. Francisco de Assis, pág.237.

141 Lopes, O Poverello – S. Francisco de Assis, pág.237.

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