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Une typologie de la monoparentalité féminine

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I NTRODUCTION DE LA PREMIERE PARTIE

NOUVELLE CATEGORIE FAMILIALE

2.2. Les familles monoparentales, questions de définition

2.2.3. Une typologie de la monoparentalité féminine

“(…) Hoje diz-se que os estudantes têm o acesso à informação facilitado e adquirem conhecimentos facilmente. É verdade. Mas não têm preparação para selecionar esses conhecimentos e sedimenta-los. Tem dificuldade em integrá-los porque lhes faz falta essa relação humana. Eles precisam cada vez mais do apoio dos docentes, não no plano científico, mas em termos metodológicos, por exemplo”. (Patrício; 2009: s/p)

Neste capítulo analisaremos a relação estabelecida entre os vários intervenientes do processo de aprendizagem dos estudantes. Referimo-nos aos formadores, equipa multidisciplinar, utentes e respetivos pares. Utilizaremos para o efeito os resultados da análise qualitativa, mais especificamente as dimensões: Relação Pedagógica, Relações Socio Clínicas e Intervenção Pedagógica.

3.1 – RELAÇÃO FORMADOR – ESTUDANTE

Apoiados em vários autores, temos vindo a defender ao longo deste trabalho que a formação inicial em Enfermagem envolve duas componentes essenciais – teórica e prática – que se articulam e se vão complementando ao longo do curso. A primeira decorre em contexto de sala de aula, a segunda desenvolve-se em instituições de saúde. A componente prática envolve assim, para além dos estudantes e professores, os enfermeiros dos contextos clínicos.

Se é verdade que é através do contacto com os contextos reais, que os estudantes se vão apropriando da cultura, das representações e da identidade profissional, é também importante ter em conta que, à semelhança do que refere Abreu (2007), o primeiro contacto com a realidade clínica é sempre marcante para os estudantes, na medida em que é a partir desse momento que as práticas desenvolvidas ganham significado. Nesse sentido, e tal como temos realçado ao longo deste trabalho, a aprendizagem clínica desenvolvida nestes contextos necessita de um acompanhamento por profissionais experientes.

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No contexto da relação que se estabelece entre os diferentes atores envolvidos no ensino clínico, quer o professor, quer o tutor, desempenham um papel crucial como promotores do desenvolvimento dos estudantes. As opções e orientações assumidas por estes têm implicações nas oportunidades proporcionadas e consequente desenvolvimento pessoal e profissional dos estudantes. No decorrer do processo formativo, é essencial que se estabeleça entre estes dois atores e o estudante, uma relação pedagógica, que se baseie numa relação de ajuda desenvolvida num ambiente de confiança, abertura e afetividade positiva, impulsionadora do seu crescimento profissional e pessoal (Carvalhal, 2003).

Deste modo, os ensinos clínicos na formação inicial em enfermagem devem tornar-se momentos relevantes, imprescindíveis e importantes, proporcionando aos estudantes, oportunidade para se desenvolver em todas as dimensões da vida profissional.

No estudo por si realizado, Carvalhal (2003) evidência que os estudantes encaram o professor como o responsável máximo pela orientação, atribuindo ao tutor um papel secundário. Seguindo o raciocínio de Carvalhal, o professor de enfermagem é responsável pela “transferência e mobilização de saberes” sendo que o tutor “parece ser valorizado

essencialmente como enfermeiro, com um papel igualmente importante, de integração na equipa de saúde e no serviço, no desenvolvimento de competências de enfermagem, nomeadamente na área do saber-fazer e do saber-ser e na socialização profissional dos

estudantes” (Carvalhal, 2003: 71). Por sua vez, Abreu & Interpeler (2015), num estudo

exploratório desenvolvido com estudantes de enfermagem de uma escola Portuguesa (Porto) e de uma escola Turca (Izmir), com o objetivo de comparar o sistema de tutoria das duas organizações, concluem que os atores em estudo possuem opiniões semelhantes. Os dois grupos de estudantes consideram igualmente positivo o apoio do tutor, do professor e do enfermeiro da prática clínica. Existe ainda um conjunto de estudos, entre os quais o realizado por Abreu (2003 a), do qual já fizemos referência na primeira parte deste trabalho, que nos indicam quais as responsabilidades que cada um dos intervenientes envolvidos no processo de formação possui em relação ao papel a desempenhar.

No nosso estudo, tal como foi já referido, interveio um professor que acompanhou os estudantes ao longo de todo o semestre e quatro tutores. Dois dos tutores orientaram os estudantes no ensino clínico de medicina, e os outros dois no ensino clínico de cirurgia. O professor, estando-lhe atribuída a responsabilidade dos dois ensinos clínicos, manteve

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sempre uma relação de proximidade e de apoio para com os tutores. Em alguns momentos apercebeu-se de um certo desfasamento entre o ensinado em contexto escolar e o praticado em contexto hospitalar. Na presença dessas divergências, foi subtil e sensato, na medida em que recorreu a estratégias, no sentido de valorizar junto dos estudantes, o aprendido em contexto de sala de aula. Para atingir esse fim, integrou-se na prestação de cuidados e dessa forma foi-lhe possibilitada a execução dos procedimentos que ele entendeu explanar.

“A professora comentou comigo da forma como os cuidados estavam a ser organizados, mostrando insatisfação. Referiu que para ela era difícil intervir na medida em que a tutora poderia sentir-se avaliada”. (Notas de Campo -M1)

“A professora aproximou-se da tutora e disse que os estudantes lhe tinham pedido para ela lhes lembrar determinados procedimentos técnicos, mais especificamente o dobrar das toalhas e lençóis durante o banho. A tutora respondeu: «habitualmente não nos preocupamos com isso, até porque na prática não é muito viável e demora muito tempo». A professora aproveitou este espaço e começou a dobrar as toalhas em harmónio e a coloca-las em V, explicando aos estudantes as vantagens deste procedimento, aquando do momento de secar a face. Exemplificou também como dobrar os lençóis, antes de os colocar na cama. Executou os procedimentos com vários estudantes”.

(Notas de Campo - M1)

Como é sabido, para o sucesso de uma relação supervisiva, devem ser evitadas atitudes de distanciamento e de reserva na medida em que tornam a relação impessoal. Com base na observação por nós efetuada, consideramos que o professor responsável pela supervisão dos ensinos clínicos estabeleceu com os estudantes uma relação de proximidade e abertura, demonstrando sempre grande envolvimento e elevada sensibilidade. Visitou os campos de estágio com muita regularidade e os estudantes demonstraram sempre muito à- vontade na sua presença. As notas de campo que se seguem são demonstrativas deste facto:

“Aproveitei para questionar os estudantes sobre a frequência da professora em ensino clínico. Referiram que passa todos os dias. «Até hoje, só ontem é que não passou. Fora isso veio todos os dias. Mais ao menos à hora de hoje»” (Notas de Campo - M2)

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“A presença da professora no auditório não pareceu ser constrangedora. As (poucas) intervenções que fez foram assertivas, pertinentes, mas sempre numa perspetiva de construção e desenvolvimento pessoal e profissional do estudante. Sempre que tomou a palavra, não me apercebi de sinais de ansiedade/medos por parte dos estudantes. Parece existir um bom relacionamento entre ambos, bem como, um ambiente de confiança/aceitação”. (Notas de Campo - M12 – Esc.)

“Pouco tempo depois, a professora entrou na enfermaria. Não me apercebi que qualquer reação de desagrado ou apreensão por parte dos estudantes. A docente cumprimentou-os de forma simpática e afável. Verifica-se que estes jovens se sentem bem na sua presença”. (Notas de Campo - M17)

Torna-se visível, através das atitudes e comentários, que o professor reconhece que para o sucesso educativo, é fundamental que o supervisor seja aceite na relação. Nesse sentido, e como se identifica nas notas de campo abaixo transcritas, a sua presença, proximidade e abertura para com os estudantes, foi uma atitude deliberada.

“A professora comentou comigo que passava nos serviços fundamentalmente para tranquilizar os estudantes. Referiu que «eles sentem necessidade de ver o professor» ”. (Notas de Campo - C8)

O tipo de relação estabelecida entre professor e formandos é reconhecido e muito valorizado pelos tutores. Consideram os mesmos que a presença do docente faz sentir ao estudante a importância da tríade supervisiva no seu processo de aprendizagem.

“Nós somos assistentes, não é, mas quando o professor vem cá é diferente. Os alunos sentem-se mais apoiados quando vêm a figura da “escola” - O Professor. Os alunos sentem a ligação entre a escola e nós. Isso é muito bom para eles, eu acho”. (Entrevista T1)

Resultante da relação de proximidade, experiência docente, sensibilidade pedagógica e competências humanas, o professor facilmente identifica problemas que os estudantes possam estar a vivenciar, assim como, facilmente reconhece o estádio de aprendizagem de cada um.

“A professora expressou um ar de insatisfação. Comigo referiu tratar-se de «uma aluna fraquinha». E acrescentou: «Eu conheço-os a todos muito bem» ”.

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“Durante a nossa conversa a professora apareceu. Depois de me cumprimentar, perguntou ao E2 se ele estava melhor. A docente tem conhecimento que este estudante tem faltado bastante, não só por motivos de saúde, mas também por (…). De uma forma amável e motivadora alertou-o, para a importância de não faltar ao ensino clínico. Disse-lhe que «as razões que o levam a faltar» não lhe permitiriam uma carreira profissional, por isso necessitaria pensar bem. O estudante aceitou e agradeceu os conselhos”. (Notas de Campo - C5)

Tratando-se de uma pessoa que conhece e compreende os estudantes, a relação estabelecida entre ambos, para além de incluir um clima de afetividade, é também facilitadora do diálogo. Os estudantes demonstram confiança, para manifestar as problemáticas vivenciadas em contexto clínico. Facilmente interagem com o professor, no sentido de manifestar as suas preocupações/receios e pedir ajuda. Sentem abertura para solicitar reuniões com o docente para debater aspetos relacionados com o contexto clínico.

“Perguntei se «Alguma vez conversaram com a professora no sentido de manifestar os sentimentos e preocupações que me estão a referir?» Ao que uma estudante respondeu: «Logo na primeira semana, apercebemo-nos do que se estava a passar e questionamo-nos sobre o que deveríamos fazer. O grupo decidiu falar com a professora. Não queríamos acusar ninguém, mas achamos que era melhor falar logo no início do que guardar para o fim. A professora sugeriu-nos que tentássemos tornear a situação. Aproveitar (…) para gradualmente e de boas maneiras ir dizendo as coisas sem causar conflito. É isso que temos feito» ”. (Notas de Campo - M10)

“Respondeu que a professora lhes deu toda a abertura para falar sobre o assunto e que se mostrou sempre compreensiva. «Não sendo crítica (…) mostrou-se sempre muito compreensiva. Foi muito correcta» ”. (Notas de Campo - C6)

“Quando me despedi da E5 questionei-a sobre como se estava a sentir. Referiu «Estou melhor. Sexta-feira falamos com a professora e pareceu-me que fomos entendidos. (…) A professora compreendeu-nos» ”. (Notas de Campo - C6)

Em termos de intervenção pedagógica, e estando-lhe atribuída a responsabilidade dos ensinos clínicos, o papel do professor foi de acompanhamento e mediação da aprendizagem. Sendo possuidor de um conhecimento pleno sobre a filosofia da escola, preocupou-se em estabelecer a adequação entre as experiências clínicas dos estudantes e o currículo académico. Interveio ao nível do desenvolvimento de competências profissionais promovendo uma visão global do indivíduo. Numa primeira fase do primeiro ensino

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clínico, deu especial relevo à postura/apresentação pessoal e ao rigor dos procedimentos técnicos, bem como, à aproximação entre a prática clínica e o aprendido em contexto de sala de aula.

“A estudante acrescentou: «é muito rigorosa com os cabelos, não podem tocar na farda. Tem que estar sempre presos. A farda não pode estar suja. Não podemos maquilhar-nos, não usar pulseiras, anéis, brincos, relógio,... ela vê tudo isso».”. (Notas de Campo - M2)

“Quando aparece valoriza muito determinados procedimentos como por exemplo se o doente está tapado, as pregas das toalhas e dobras dos lençóis,... ”. (Notas de Campo - M9)

Percebe-se no discurso dos estudantes que estes reconhecem no professor competências pedagógicas e sentido de justiça. Estes dois aspetos são muito valorizados pelos atores.

“ «Quando soube que era esta professora fiquei satisfeita porque sei que é imparcial» ” (Notas de Campo - C17)

De acordo com Serra (2011), a relação que o professor estabelece com o estudante em ensino clínico, pelo facto de ser mais individualizada e permanente, habitualmente é mais intensa e mais próxima, comparativamente com a estabelecida em contexto escolar. Curiosamente, este aspeto não foi visivel no nosso caso de estudo. Durante o nosso processo de recolha de informação, apercebemo-nos de um elevado apreço pelo professor orientador de ensino clínico, mas também, pelos restantes professores da escola. Tal facto parece estar relacionado com o tipo de relação estabelecida entre docentes e discentes. Como podemos confirmar através das notas de campo que se seguem, a opinião dos estudantes em relação ao corpo docente da escola, em geral, parece ser muito próxima da que possuem em relação a este professor.

“O E2 acrescentou: «Quando iniciei o 2º ano optei por (…). No pouco tempo que lá estive achei que os professores eram muito frios e distantes para com os alunos. (…) Aliás, até mesmo entre eles, deu para perceber que havia muito distanciamento e também muitas contradições. Por tudo isso decidi voltar para esta escola» ”. (Notas de Campo - M5)

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