7.4. Tipa préposition comparé à vrode dans des contextes proches
7.4.3. Tipa comparé à vrode : « règle » versus « exception »
A mais antiga profissão de fé acerca da Igreja como sendo santa talvez se encontre em alguns dos estratos mais primitivos do assim denominado ‘Credo Apostólico’. É interessante notar que no texto desta profissão de fé aparece: “creo en el Espirito Santo, la
santa Iglesia católica, la comunión de los santos”43. Ou seja: no que concerne às
expressões “Igreja católica” e “comunhão dos santos” é utilizado o verbo “crer”, na primeira pessoa do singular do presente do Indicativo, sem ser seguido da partícula “em”, sendo de enorme importância o fato de que esta partícula – “en” (espanhol), “eis” (grego) e “in” (latin) – só é utilizada para os artigos de fé referentes a Deus: Pai, Filho e Espirito Santo. Clarificando: para se referir à Igreja é utilizada a expressão “creer la Iglesia”, mas a expressão “creer en” é só utilizada para se referir às três Pessoas divinas.
Face a este fato, Fausto de Riez (falecido antes do ano de 500) refere que “«lo que en la confesión de fe sigue a las palabras ‘el Espirito Santo’ ha de entenderse sin referencia alguna a la preposición in, de modo que nuestra fe respecto de la Iglesia santa, de la comunión de los santos, etc., se exprese por referencia a Dios. Eso quiere decir que nosotros confesamos que tales cosas han sido ordenadas por Dios y que gracias a él
conservan su existencia»”44. Tomás de Aquino, por seu lado, pedia que, quando se
utilizasse “creer en la Iglesia”, fosse dado o sentido de “«creo en el Espiritu Santo que
43
PIÉ-NINOT, Salvador – Eclesiología, p. 52.
44
44
santifica la Iglesia»”45, baseando-se, quanto à fundamentação desse pedido, na distinção
por si feita entre “verdade de fim” e “verdade de meio”.
Ainda a respeito do motivo de se professar o “creer la santa Iglesia”, e não “en la santa Iglesia”, o ‘Catecismo Romano’ de 1564 refere que “profesamos creer la santa Iglesia y no en la santa Iglesia. Mediante esta manera de hablar, distinguimos a Dios, autor de todas las cosas, de todas sus criaturas y de todos los bienes inestimables que ha
dado a la Iglesia: al recibirlos, las relacionamos con su divina bondad”46. Já o ‘Catecismo
da Igreja Católica’ de 1992 recorda, numa síntese de Garijo-Guembe que para aqui trazemos, que “la Iglesia es «el lugar donde florece el Espíritu» (n.º 79), y afirma que «En el Símbolo de los Apóstoles hacemos profesión de creer que existe una Iglesia santa, y no de creer en la Iglesia, para no confundir a Dios con sus obras y para atribuir claramente a
la bondad de Dios todos los dones que ha puesto en su Iglesia» (n.º 750)”47.
Se assim é, também se pode dizer que se acredita “a Igreja santa”, e não “na Igreja santa”, para, também desse modo, se distinguir Deus das Suas criaturas e atribuir-se à Sua vontade todos os bens espirituais que Ele tem concedido à Igreja, tornando-se claro, além do mais, que se reconhece que é impossível divinizar à Igreja e à sua dimensão institucional. O sentido do símbolo é claro: “creemos en el Espiritu Santo, que santifica a
la Iglesia y la conduce a la verdad”48, reforçando-se a evidência de uma relação entre a
Igreja e o Espirito Santo desde aquela que é tida como a mais antiga profissão de fé na Igreja como santa. Aquela em que a Igreja já é apresentada, não como um objeto de fé, mas como o lugar onde, graças ao Espírito Santo, se acredita: “se cree a Dios-Trino en la Iglesia (que está «dentro de la Iglesia»); sólo desde esta lógica se entiende adecuadamente porque la Iglesia se encuentra dentro del tercer artículo del Credo dedicado al Espirito Santo, ya que es éste quien hace presente la revelación del Padre por Jesucristo en el
mundo y la historia”49. Isto é, a revelação plena de cada uma das Pessoas da Santíssima
Trindade realiza-se, e só se pode realizar, no meio da Igreja.
45
PIÉ-NINOT, Salvador – Eclesiología, p. 53.
46
Ibidem, p. 53.
47
Ibidem, p. 53.
48
GARIJO-GUEMBE, Miguel María – La Comunión de los Santos, p. 26.
49
45
Para se terminar esta parte deste estudo referente a uma explicação cronológico- teológica do sentido em que se afirma a crença de que a Igreja é santa, pode dar-se uma breve atenção ao que acerca desta realidade aduz o II Concílio do Vaticano.
Assim sendo, é de mencionar que os textos conciliares referem que a Igreja é fruto
do desígnio amoroso do Deus que é Trindade. Ou seja,“a Igreja toda aparece como «um
povo unido pela unidade do Pai e do Filho e do Espirito Santo»” (Lumen Gentium, 4). Nesta mesma linha, pode ainda ler-se que, “aos eleitos, o Pai, antes de todos os séculos os «discerniu e predestinou para reproduzirem a imagem de Seu filho, a fim de que Ele seja o primogénito de uma multidão de irmãos» (Rom. 8,29). E, aos que crêem em Cristo, decidiu chamá-los à santa Igreja” (Lumem Gentium, 2).
Por outro lado, “a Igreja, ou seja, o Reino de Cristo já presente em mistério, cresce visivelmente no mundo pelo poder de Deus. Tal começo e crescimento exprimem-nos o sangue e a água que manaram do lado aberto de Jesus crucificado (cfr. Jo. 19,34), e preanunciam-nos as palavras do Senhor acerca da sua morte na Cruz: «Quando Eu for elevado acima da terra, atrairei todos a mim» (Jo. 12,35 gr.)” (Lumem Gentium, 3), sendo absolutamente claro que, desta maneira, todos os seres humanos, mais ainda os que pela graça de Deus e a sua livre adesão à mesma são membros da Sua Igreja, são chamados à santidade.