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5 10 15 20 25 30 Crónica A estante estável

Não é um móvel histórico, nem artístico, nem único. É apenas a estante Expedit, da Ikea, cujo fim de produção foi há semanas anunciado. E a notícia lançou amantes de livros, filmes, jogos e vinis em pânico.

Texto de Jorge Palinhos • 07/03/2014

O mundo está cheio de movimentos para salvar coisas em risco de extinção: animais, habitats, monumentos, comidas, obras de arte, etc., mas só conheço um movimento para salvar um móvel em risco de extinção.

Não é um móvel histórico, nem artístico, nem único. É apenas a estante Expedit, da Ikea, cujo fim de produção foi há semanas anunciado. E a notícia lançou amantes de livros, filmes, jogos e vinis em pânico, a ponto de se criar um grupo do Facebook em defesa do móvel, que conta já com mais de 25 mil assinantes, que acreditam que esta é a melhor estante da multinacional sueca para guardar as suas coleções.

Não é o primeiro móvel que a Ikea deixa de produzir — antes já houve os móveis de cozinha Varde ou os sofás Ektorp ou Karlanda – mas é o primeiro cuja descontinuação causa tal furor, o que leva a pensar que, para o público, um móvel onde se pousam livros, filmes, jogos ou música é muito diferente de um móvel onde se pousam pratos ou traseiros.

E é também curioso que numa época em que música, jogos, livros, filmes são cada vez mais imateriais, escondidos em discos rígidos ou a pairar na nuvem da Internet, os objetos que os suportam continuem a ser preciosos, ou, pelo menos, mais preciosos do que o conforto das nossas nádegas.

O filósofo Walter Benjamin afirmou que a reprodução mecânica da obra de arte iria tornar o objeto de arte original ainda mais precioso, mas talvez não imaginasse que a reprodução digital, que na verdade faz desaparecer o objeto da arte, tornasse a existência material da arte — o papel do livro, a caixa dos DVDs ou dos jogos, o invólucro de cartão do vinil — ainda mais precioso, mesmo quando não é mais do que mais uma de milhares ou milhões de cópias. Pois um livro que habita uma mesa ou uma prateleira é diferente de um livro que se abre com um clique e de uma música que se leva no telemóvel, entre contactos, fotos e mensagens, não tem a aura especial de um vinil que é preciso depositar cuidadosamente no prato e dar a beber à agulha.

Possivelmente porque o amor — mesmo o amor às palavras, aos sons, às imagens — é ainda um amor sensual, feito de olfato, tato e posse física. E a todas as paixões sensuais se quer dar um palácio para viver, ou, pelo menos, o melhor móvel Ikea que o dinheiro

 

35 possa comprar.

Adaptado de http://p3.publico.pt/cultura/design/11127/estante-estavel

B. Depois de reler o texto atentamente, resolva as tarefas seguintes:

1. Escolha as afirmações que comprovam que o texto é uma crónica jornalística. Na folha de

respostas, transcreva as letras das alíneas que considerar corretas.

a) Obedece a uma estrutura fixa. b) É um texto assinado.

c) Utiliza uma linguagem denotativa.

d) Há um acontecimento, facto ou ideia que está na génese do texto. e) O assunto tratado é apresentado de acordo com a visão do cronista. 2. Identifique o facto que esteve na origem desta crónica.

3. Explique, por palavras suas, o que levou o cronista a pensar que os móveis não são todos iguais. 4. Interprete o sentido de “imateriais” (linha 20).

5. Explicite a razão pela qual o cronista evoca o filósofo Walter Benjamim.

6. Indique os dois tipos de livro que o cronista distingue no penúltimo parágrafo do texto.

7. No último parágrafo, o cronista afirma que “o amor — mesmo o amor às palavras, aos sons, às

imagens — é ainda um amor sensual, feito de olfato, tato e posse física” (linhas 32-33). Explique, por palavras suas, o sentido desta afirmação.

GRUPO II

1. Indique como se designa o processo de criação de novas palavras. 2. Classifique os processos de formação das seguintes palavras:

2.1. DVDs (linha 26) 2.2. Facebook (linha 11) 2.3. Discos (linha 20) 2.4. Telemóvel (linha 30) 2.5. Fotos (linha 30)

3. Faça a análise sintática das frases seguintes: 3.1. Os clientes enviaram uma petição à empresa. 3.2. O cronista concorda com a reclamação. 3.3. Todos estão chocados.

4. Leia com atenção as duas frases que se seguem: a) O móvel que vai ser descontinuado é sueco. b) O móvel, que vai ser descontinuado, é sueco.

4.1. Classifique as orações introduzidas por que em cada uma das frases. 4.2. Indique a função sintática desempenhada por cada uma dessas orações.

5. Reescreva as frases seguintes substituindo os modificadores do nome sublinhados por uma oração

subordinada relativa, sem repetir as palavras sublinhadas.

5.1. A prateleira sueca é exportada para vários países. 5.2. As pessoas gulosas têm mais tendência para engordar.

6. Classifique as formas verbais seguintes quanto ao tempo e ao modo: 6.1. anunciado (linha 10)

6.2. lançou (linha 10) 6.3. salvar (linha 6) 6.4. imaginasse (linha 24) 6.5. possa (linha 35)

 

GRUPO III

1. Observe com atenção a imagem:

In http://s3.media.squarespace.com/production/547618/6302773/site/wp-content/uploads/2009/03/livros-como-nova-iu.jpg

1.1. Redija um texto de opinião que apresente a sua leitura, considerando, entre outros aspetos que lhe

mereçam destaque, a atualidade da mensagem. Deve utilizar entre 150 a 200 palavras.

FIM Grupo I 100 pontos A 65 pontos 1. 9 pontos 2. 15 pontos 3. 16 pontos 4. 14 pontos 5. 16 pontos 6. 14 pontos 7. 16 pontos Grupo II 50 pontos 1. 1 ponto 2. 10 pontos 3. 12 pontos 4. 14 pontos 5. 8 pontos 6. 5 pontos

Grupo III 50 pontos

Estruturação temática

e discursiva 30 pontos Correção linguística 20 pontos

 

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AEAC - ESCOLA SECUNDÁRIA AUGUSTO CABRITA

Ano: 10º Turma: H Prof.ª Orientadora: Ana Cristina Fortes

Prof.ª Estagiária: Cristina Miguel



DIA MUNDIAL DA POESIA 21 de março

Sensibilidade ao poema Senti um poema e chorei.

Não o escrevi, mas em muitos dias o soletrei. Convivi com o poeta ao compreender a mensagem. A coexistência das emoções deu-lhe voz e imagem.

Mas nunca chorei com o que escrevi. Derramei cumplicidade em muito do que li. O silêncio é como segredos que no papel evaporo.

Lágrimas em letras. Escrevo com o que choro.

Catarina Castro Melo

1 de abril de 2014