5.4 Propagation des noyaux
5.4.2 Sources de fer, déflections extragalactiques substantielles
do Gerente de Projetos de TI, e a análise da existência ou não de diferenças de percepção para a função de gerente de projetos em um escopo mais amplo.
O método escolhido para esta avaliação é a Teoria da Representação Social. Ela surge em 1961, na França, pelo trabalho de Serge Moscovivi intitulado “La Psychanalyse, son
image, son public”, voltado para o subjetivismo e ao universo consensual coletivo.
A validade da escolha deste método se justifica pela análise da percepção de um modelo de papel, objeto do estudo, embasado mas não dependente, de suas definições e regras científicas ou de órgãos reguladores. O que se procura aqui é a análise do senso comum ou a resposta da “sociedade pensante”, termo grafado por Moscovici (1961), que reflete a transformação acelerada da sociedade, pela velocidade dos acontecimentos, tão característica de um segmento dinâmico como a área de Tecnologia da Informação.
3.1. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DO MÉTODO
A TRS, objeto de estudo de Moscovici (1961), é baseada na informalidade e na vida cotidiana, gerando conceitos não necessariamente baseados em teorias ou na ciência, mas pela experiência, convivência social e na troca de informações entre grupos menores da sociedade. O indivíduo só assume representação quando em sociedade e interagindo com outros indivíduos. É uma visão menos individualista e que prima por desmontar as fronteiras entre a razão e a emoção, ou ciência e o senso comum, indicando que a primeira está ligada a individualidade e ao sujeito, enquanto que a segunda é uma construção social. Ele defende que os indivíduos, ou grupos pequenos de indivíduos, tem um papel mais participante em uma sociedade pensante, e que este processo é vivo, uma vez que o próprio grupo que elabora o pensamento social está em processo contínuo de avaliação da realidade, de seus problemas e soluções. O autor ainda ressalta que, embora distintas, o senso comum e a ciência são modos diferentes de se entender e se relacionar com o universo.
O trabalho de Moscovici (1961) propôs a adoção do senso comum como uma nova forma de conhecimento, onde o indivíduo se informa e tem atitude para adotar uma posição que o levará a representar o grupo do qual faz parte. Este trabalho inicialmente recebeu diversas críticas, principalmente daqueles que defendiam as representações coletivas,
propostas pelo racionalismo pioneiro de Durkheim (1898), e que se baseavam na ambiguidade entre coletivo e individual, governados e explicados por leis distintas. Este último defendia uma teoria de representação coletiva, classificada como estática, ainda que reconhecesse uma possível dinâmica do indivíduo mas incapaz de afetar o senso comum, pois não o reconhecia como capaz de criar e difundir uma religião, uma língua. Moscovici não reconhece o indivíduo ou grupos como sujeito passivo a um conjunto de regras definido pelo estado ou pela igreja, por exemplo.
Moscovici (1961) introduziu o conceito de representação social como uma ferramenta para explorar a transformação da ciência no curso de sua difusão, e para examinar o senso comum que surge em sua esteira, e que pode passar por fazer alterações no conteúdo inicial. Não se trata de transformar a ciência em senso comum, mas sim de como diferentes formas de pensar em diferentes esferas podem construir um novo significado acima do que acreditam as instituições ou os indivíduos. Ele defende que a ciência não é tão bem absorvida pelos indivíduos comuns da sociedade, caso estes não sejam cientistas, residindo aí a importância das práticas cotidianas.
Em 1994, Abric propôs a teoria do núcleo central, em associação com a TRS, indicando que sua composição era formada por elementos inquestionáveis, que representam a interpretação do constructo principal. São valores inegociáveis, embora possam ser inconscientes em determinadas situações.
Pode-se perceber na dualidade entre Durkheim (1898) e Moscovici (1961), o quão atual é a TRS, tendo em vista o crescimento das redes sociais na internet, que se de um lado contribuem para o isolamento físico do indivíduo, permitem ampliar imensamente a sua esfera de relacionamento, como retratado por Mick e Fournier (1998) no paradoxo da integração e isolamento.
Ainda que Moscovici tenha publicado seu estudo em 1961, a Teoria da Representação Social permaneceu adormecida até a década de 1980, quando então começam a aparecer mais estudos e discussões que aprofundaram o tema.
Doise (1986) foi outro estudioso das representações sociais, e que focou a importância da ancoragem como elemento social catalisador da difusão do conhecimento dentro do grupo. É quando o entendimento de um novo evento é realizado pela moldagem de uma forma contínua com as ideias existentes, removendo ou diminuindo as especificidades típicas deste novo evento, ainda não conhecidas por quem o ancorou.
Billig (1988) amplia o conceito de “thinking society”, introduzido por Moscovici (1961), para “arguing society”, exaltando que o senso comum questiona valores antes tido
como verdade e imutáveis pelas demais áreas de conhecimento coletivo, como religião, política e ciência.
Jodelet (1989) aprofundou o estudo de Moscovici, e reforçou que as representações sociais são formas de conhecimento prático, elaboradas e compartilhadas e que formam uma realidade aceita e entendida por um grupo de indivíduos. É o saber do senso comum, que serve como identificador de uma determinada realidade social. Funcionam como imagens que condensam significados múltiplos, permitindo as pessoas interpretarem o fenômeno que está acontecendo.
Figura 4 - A Representação Social Segundo Jodelet (1989)
Marková (2003) ressalta a importância da linguagem na construção simbólica da realidade que circundam os indivíduos, baseada no relacionamento do ego e do alter da mente humana para a concepção, construção e comunicação desta realidade, em comparação à palavra da ciência, que não requer reflexão e interpretação pelos indivíduos.
Howarth (2007) teorizou sobre o poder emanado pelas representações sociais e o seu papel no estabelecimento da ordem, defendendo a legitimação da representação social como uma manifestação de poder. Este estudo é particularmente interessante, pois poderá embasar, via representação social, o reconhecimento da tão discutida carreira de TI, incluindo aí ocupações oriundas de outras áreas do conhecimento.
A importância da Representação Social é crescente ao ponto de já existir um journal chamado “Papers in Social Representations”, criado em 1992 e mantendo-se ativo até os dias de hoje, patrocinando uma conferência bianual (PSR, 2015).
A escolha do método é particularmente interessante para a análise do objeto de estudo, uma vez que o constructo encontra-se entre duas áreas bastante regulamentadas e reconhecidas, com ampla prática e reconhecimento do mercado, mas nem por isso includentes, como mostra essa pesquisa ao constatar uma ancoragem lateral de uma ou ambas áreas do conhecimento, seja Gerência de Projetos ou Tecnologia da Informação.
3.2. APLICAÇÃO DO MÉTODO
Para analisar e comparar as percepções sobre as duas funções, foi feita a coleta de dados através da associação livre ou evocação, e sem estimulação do entrevistado, utilizando como instrumento indutor a expressão “Gerente de Projetos de TI”, e em seguida sendo coletadas as cinco primeiras respostas, na ordem de ocorrência, o que me permitiu avaliar tanto qualitativamente (a citação em si) como quantitativamente (pela análise da frequência e ordem). Ao final da entrevista foram coletados alguns dados sociodemográficos, e também dados categóricos, principalmente a área de ocupação e a posição funcional do entrevistado. Isto permite a avaliação de possíveis vieses profissionais na resposta à pesquisa.
De posse das respostas, foram consolidadas as ocorrências por similaridade semântica e aplicada no grupo de respostas. Isto melhora a base de análise pela diminuição da quantidade de ocorrências individuais, agrupando respostas com o mesmo significado.
O produto final da pesquisa é mostrado em um plano cartesiano de quatro quadrantes, conforme definido por Guimelli & Rouquette (1992), onde há o resultado do produto da frequência com a ordem de ocorrência das respostas, refletindo a importância denotada pelos entrevistados.
Esta representação gráfica apresenta no quadrante superior esquerdo os termos mais significativos encontrados nas respostas, constituindo o núcleo central da representação estudada. Na posição oposta, ou seja, no quadrante inferior direito, estão os elementos periféricos, que podem ser interpretados como os constructos negociáveis sob certas circunstâncias. Nos quadrantes restantes, o superior direito e o inferior esquerdo, estarão os elementos intermediários, sobre os quais não poderemos considerar qualquer comentário.
Figura 5 - Os Quadrantes Segundo Guimelli & Rouquette (1992) O resultado está embasado na bibliografia estudada.
Esse trabalho não esgota a análise de todas as possibilidades abordadas no estudo, sendo essas recomendadas para estudos futuros.
4. METODOLOGIA DE PESQUISA