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CHAPITRE II Passage obligatoire aux normes comptables IAS/IFRS, discipline de marché et

2. Méthodologie

2.2. Problèmes posés par le test des hypothèses

Durante a materialização das diferentes etapas delineadas para a concretização do nosso estudo confrontámo-nos com limitações e dificuldades de origem e natureza diversa. Uma das limitações com que nos deparámos ao longo do percurso investigativo diz res- peito à operacionalização das etapas da Grounded Theory. A nossa inexperiência20 no uso dos procedimentos (complexos e rigorosos) que lhe são próprios potenciou a moro- sidade de todo o processo, especialmente durante a etapa da indução categorial, dado que a mesma implicou uma constante comparação de dados, que umas vezes nos sur- preendiam pela intensidade com que nos dirigiam para fora do nosso pensamento, outras apelavam a um exercício robusto da nossa criatividade e, noutras ainda, nos colo- caram perante o vazio, o que nos transportou, com alguma regularidade, para o campo da angústia, por um lado, e, por outro, para o da contradição, marcado pela inquietação

20 Com o avançar dos trabalhos conhecemos e fomos partilhando as nossas dificuldades com outros investigadores que utilizaram a

Grounded Theory, na perspetiva de Kathy Charmaz (2008, 2006a), nas suas investigações e fomos realizando, quase diariamente,

pequenos exercícios reflexivos sobre a nossa postura e papel no todo da investigação, o que possibilitou o desenvolvimento de uma consciência crítica face ao fenómeno a observar, conseguindo, deste modo, minimizar as dificuldades iniciais e revertendo esta limitação num enriquecimento pessoal e profissional.

e desapego, paragem e procura, quietude e movimento frenético.

Quando pensávamos que o processo de nomeação de uma categoria estava concluído, logo se instalava a incerteza e novo processo de interrogação dos dados ou, então, eram os dados que nos continuavam a interrogar. Foi um percurso com elevado grau de insta- bilidade, constituído por muitos avanços e recuos, deslocações constantes aos terrenos da pesquisa, com forte necessidade de conciliação entre os raciocínios indutivo e abdu- tivo, num movimento onde a ambivalência e as desordens cognitivas, emocionais e conativas marcaram presença com frequência.

Experienciámos como limitação, que se viria a revelar uma mais-valia para a nossa formação e crescimento pessoal em termos do processo de investigação, a morosidade do processo de indução categorial, com refinamento e integração das categorias, ainda mais quando as marcas do corpus dos dados foram a abundância, a diversidade e a riqueza de informação, dado que foi realizado manualmente na sua totalidade. Se a lentidão do processo dificultou a concretização atempada das etapas planeadas para este projeto, o trabalhar manualmente em suporte papel proporcionou o acesso contínuo aos dados, a configuração e continuada alteração de diagramas, a escrita e reescrita dos significados, dos memorandos, das categorias e respetivas propriedades, melhorando a nossa capacidade criativa e agilidade de pensamento. Estamos conscientes que algumas questões ficaram sem resposta, entre outras razões, simplesmente, porque não foram colocadas ou não o foram devidamente.

Aprendemos que duas características próprias da abordagem metodológica utilizada são a instabilidade (que nos conduz para a desordem e confusão, mas também para o espan- to e a indagação) e a morosidade (tão útil à aprendizagem profunda e penetrante em tempos marcados pela celeridade e superficialidade).

Consequentemente, outra das limitações experienciadas situou-se ao nível da observa- ção das reuniões de conselho de turma, ou seja, encontrámo-nos sempre limitados pelo calendário das reuniões e suas flutuações de última hora, que decorriam em simultâneo em três das escolas participantes, e pelo calendário das mesmas reuniões estabelecido para o nosso local de trabalho, pelo que o número de observações realizadas resultou de um trabalho de coordenação difícil e que não possibilitou efetuar um número maior de observações em cada uma das escolas.

Por isso, o tempo revelou-se para nós como imposição, como tempo claramente inade- quado, uma vez que o nosso envolvimento no estudo foi enorme e a circunstância de permanecermos a trabalhar e a desenvolver outros projetos pessoais em paralelo consti-

tuiu-se como uma poderosa limitação. Em determinados momentos, observámos que este estudo reclamava uma dedicação quase exclusiva, o que era impossível de se con- cretizar e nos deixava insatisfeitos e desanimados. No entanto, esta situação acabou por ir sendo atenuada quer pela colaboração dos orientadores, quer pela disponibilidade manifestada por participantes no estudo para interagir connosco durante o processo ana- lítico, quer ainda pelo apoio de outros professores ao colaborarem connosco na realiza- ção de pequenas, mas importantes, tarefas (discussão de resultados, reconhecimento de incongruências, correção da escrita e resolução de dificuldades ao nível informático). Porém, devemos ter consciência de que há sempre limitações de tempo, de energia, de disponibilidade nossa e de participantes e outras condições que afetam a recolha de dados, que podem condicionar essa etapa e aos quais não fomos alheios. Em qualquer dos casos, a investigação e o tempo do investigador são naturalmente incapazes de alcançar a totalidade das propriedades da realidade em estudo, mesmo quando, pela natureza desta, se pode concluir quão importante teria sido incorporá-las, prolongando o tempo da investigação e adiando a redação do relatório final. Ao transcorrer no tempo (e em diferentes tempos) uma investigação (e o investigador) encontra-se submetida às condições, aos ritmos, aos calendários, às rotinas e às ocorrências fortuitas próprias da realidade que se pretende observar, direta ou indiretamente.

A principal dificuldade situou-se, num primeiro momento, em reconhecer escolas que abrissem as portas dos conselhos de turma, dado que nem todas as escolas convidadas se mostraram disponíveis para a abertura das portas que a investigação exigia, argu- mentando com falta de disponibilidade, originada pela intensificação das tarefas educa- tivas, o que não lhes permitia garantir um acompanhamento adequado ao investigador e, num segundo momento, a lentidão, compreensível, que o processo de negociação impli- cou no interior das escolas (as direções executivas tiveram de alcançar o acordo dos conselhos pedagógicos e, posteriormente, no interior de cada conselho de turma a observar, o consentimento de todos os seus elementos em relação à nossa presença). Outra dificuldade relacionou-se com a observação direta do funcionamento dos conse- lhos de turma, uma vez que foi a primeira vez que utilizávamos a observação direta em contexto de investigação como um instrumento de recolha de dados, o que levou a que, no primeiro ciclo de observações, aquele que seria o agente observador se sentisse, mui- tas vezes, como aquele que era observado.

Apesar das limitações e dificuldades, consideramos que o estudo realizado pode trazer contributos para a compreensão do modo como funcionam os conselhos de turma e da

sua envolvente interna e externa. Os achados que apresentamos, mesmo não sendo generalizáveis, evidenciam a relevância do estudo para a compreensão do mesmo fenó- meno noutros contextos, dado que proporcionam insights para análises futuras, e pelo facto da teoria construída estar aberta a outros esforços e aperfeiçoamentos, sendo ape- nas uma conjetura relativa a uma realidade social complexa.