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CHAPITRE I Conséquences attendues sur l’instabilité bancaire de l’adoption des normes

3. Conséquence attendue n°2 : la réduction, induite par la qualité supérieure des états

4.1. Canaux d’influence des accruals de juste valeur sur l’instabilité

4.1.1. Canal des arrangements contractuels

Segundo Boal (1980), os pressupostos conceituais do Teatro do Oprimido “giram em torno de cultura, cidadania e opressão”, numa sociedade dividida em

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classes sociais, “é o teatro no qual cada um, sendo quem é, representa o seu próprio papel e tenta descobrir meios para se libertar” (p.26).

Este é, aliás, o objetivo principal da metodologia de Boal, e repercute-se através da técnica mais difundida pelo GTO LX, o Teatro-Fórum, que partindo de uma questão suscitada pelos atores ao público, procura “desempoeirar” um problema objetivo, através da representação de uma história (que termina mal), cujas personagens (opressor e oprimidos) entram em conflito devido às suas manifestações contraditórias. Nessa luta pela resolução do conflito, o oprimido fracassa, necessariamente, pelo que se instiga à participação ativa do público, através da intervenção direta no espetáculo, substituindo a personagem “oprimido”, na procura de alternativas para a resolução dos problemas encenados (Mara). “As ferramentas são investigadas em conjunto com o público através dos argumentos apresentados”, referiu Mara.

Segundo Canda (2012), o problema ou o conflito re(a)presentado deve ser claro e inteligível, exposto sob a forma de interrogações e/ou perguntas, e apresentado ao “fórum”, ou melhor ao público, destacando-se a vontade de superar a opressão por parte do oprimido, pois apenas com essa garantia é possível construir “um fórum de debate político e estético” (p.121).

Algumas questões se colocam, tais como: “Qual é a opressão aqui retratada? Como é que nós, oprimidos e opressores, conseguimos resolver a situação? São essas respostas que procuramos que o público traga” (Mara).

O Teatro do Oprimido utiliza, assim, uma conceção de narrativa inacabada, solicitando-se a intervenção do público para, em conjunto, definir o final da peça. Desta forma, o público adota uma posição ativa e participante, deixando de ser apenas o espectador, passando a protagonista, apresentando alternativas para a questão em debate e envolvendo-se na discussão do problema (Canda, 2012, p.122).

De acordo com Barbosa (2011, p.72), a construção de uma peça de Teatro- Fórum segue determinadas regras, que se foram adaptando ao longo do tempo, mas que no essencial se mantém iguais. Uma delas é montar o esquema da peça, de acordo com a “crise chinesa”. Esse conceito provém da descoberta, por parte de Boal, que a

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palavra (símbolo) “crise” em chinês significa, simultaneamente, perigo e oportunidade, ou seja, “se estamos perante um problema, haverá sempre janelas, saídas, para se poder resolver e sair desse problema” (idem, ibidem).

Nessa perspetiva, conforme explicitou Mara, ganha relevância o papel do curinga (abordado no ponto 1.2 do Capítulo II), enquanto mediador do debate entre os atores e os espetadores (público), incumbindo-se-lhe, por isso, a responsabilidade de provocar questões e estimular a participação ativa do espect-ator, incitando a sua subida ao palco para re(a)presentar a sua perspetiva para a “superação ou amenização” da situação de opressão exposta, e auxiliando na construção da narrativa.

Contudo, o curinga não deve alegar inferências ao público mas antes, deve “questionar a plateia e provocar reflexões”, problematizando o que foi visto e (re)feito pelo espect-ator (Mara). A interpretação e exposição dos conteúdos reflexivos devem, portanto, ser rigorosamente elaborados, a fim de se evitar a manipulação do pensamento do outro, visto que “o curinga desempenha uma tarefa privilegiada de coordenação das atividades” (Canda, 2012, p.124).

Todavia, segundo Nunes (2004), é importante ressalvar que, o que se pretende é construir um alargado número de possíveis orientações para a resolução da situação de opressão, pois “anunciar apenas uma alternativa exequível é também uma atitude autoritária” (p.44).

Uma vez no palco, o espect-ator tem a oportunidade de testar concretamente, ainda que de forma simbólica/metafórica, as possibilidades de atuação em contexto real, sendo que, “o objetivo é que o público traga ferramentas, informação e outras perspetivas para que experimente por em prática, na sua vida real, o que ali se retratou” (Mara).

De acordo com Nunes (2004), a técnica de Teatro-Fórum caracteriza-se como um instrumento inovador na arte teatral, do ponto de vista da criação e consolidação de “uma metodologia profícua de mobilização social” (p.44). O que pressupõe que a técnica Teatro-Fórum seja considerada por “diversos segmentos sociais” (idem, ibidem), como “a mais radical na socialização dos meios de produção teatral” (idem, ibidem), pois rompe completamente a barreira entre o palco e a público, integrando

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no ato teatral, por via de uma ação dialógica, “aqueles que, convencionalmente, dizem e fazem (os atores) e aqueles que escutam e assistem (o público) ” (idem, ibidem).

No entanto, embora a interação e participação do público na ação dramática se caracterize como um aspeto primordial da técnica Teatro-Fórum, para Canda (2012) é preciso esclarecer que, não se deve considerar apenas a possibilidade do público participar e traçar o “guião” da peça, como a característica principal para alcançar “os princípios de humanização e de libertação” almejados por Augusto Boal (p.122). Uma vez que, o que difere o Teatro-Fórum de outras técnicas de teatro interativo se traduz no seu “objetivo político” de emancipação humana e social (idem, ibidem, p.123) que se sustenta nos dois princípios orientadores da metodologia de Boal, anteriormente referidos: a transformação do espectador em protagonista da ação teatral; e a tentativa de, através dessa transformação, modificar a sociedade, não apenas interpretá-la, numa perspetiva de arquitetar o futuro (Boal, 2009, p. 319).

Como referiu Mara, a realidade social em que o GTO LX desenvolve sua atividade caracteriza-se, essencialmente, “por pessoas que estão em desvantagem social” e que, através da sua participação no projeto do GTO LX, “ganham responsabilidade social e cívica, ascendendo a outro nível de consciência”. Segundo Mara, “é na base, nos problemas que se dá a transformação social (…) que resulta de uma ação política”, isto é, de uma luta política.

E é este “sentido da formação política”, constituído em “atuação cênico- reflexiva”, que Canda (2012, p.122) referiu caracterizar o pressuposto metodológico da técnica Teatro-Fórum, que revela o oprimido como um sujeito que se debate continuamente, numa relação conflituosa e constrangedora com o opressor, sem êxito, por não ter condições de visualizar e implementar possíveis estratégias para resolver o problema retratado. O palco é, por isso, um espaço metafórico, mas enquanto atua, o espect-ator estará concretamente a simular “as prováveis estratégias de atuação” (idem, ibidem).

Desta forma, Boal (2008) considerou que o Teatro do Oprimido provoca nos intervenientes “o desejo de praticar na realidade, o ato que se ensaiou no teatro”

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(p.120), pois a prática das (suas) técnicas teatrais “cria um sentido de incompletude que procura preencher-se através da ação real” (p.120).

Nesse âmbito, constata-se que, em termos concetuais, o processo de aprendizagem através da metodologia do Teatro do Oprimido pode ser encarado como antagónico em relação ao que é proposto, normalmente, pelas estruturas educativas formalizadas, uma vez que os pressupostos concetuais do Teatro do Oprimido sustentam-se em métodos práticos para se alcançar, através de uma ação coletiva, a construção de uma ideia (Vanzan, 2008, p.45). Esse “processo de ação coletiva”, segundo Boal (1999), reflete-se quer no processo de criação da história, como, também, no momento da representação, pelo que ao assistir a uma sessão de Teatro- Fórum, o público tem a oportunidade de se identificar com o protagonista da cena (p. 343).

Segundo Mara, essa identificação individual e, posteriormente, coletiva por parte do público, normalmente ocorre tendo em conta três perspetivas: por um lado, através da solidariedade humana, porque também ele é ou foi vítima daquele tipo de opressão; por outro, por via de uma analogia, porque reconhece que aquele problema existe e, como tal, não pretende compactuar com aquela injustiça; ou, ainda, a através da identificação direta ou indireta, embora possa não se sentir oprimido em relação aquele problema específico, já experienciou situações semelhantes, das quais se sentiu oprimido.

É neste contexto que Boal (1999) defendeu que nenhum espect-ator sai de uma sessão de Teatro-Fórum “sem ser transformado, mexido de alguma maneira”, pois o fato de ter presenciado a possibilidade de intervenção cénica, “abre precedentes para uma mudança na vida real” (p.344).

Nesta perspetiva, Motta (s/d) referiu que o Teatro do Oprimido, através das suas técnicas, “não apresenta respostas, mas procura fazer as perguntas certas”, de forma a desencadear um debate para se alcançar um entendimento acerca da situação retratada (idem, ibidem). A metodologia de Boal permite, assim, a conceção de novas relações interpessoais, “mais humanas”, entre os participantes, com o objetivo de repercuti-las nas suas relações diárias (idem, ibidem). “O diferente é afinal igual a nós”

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(idem, ibidem). É isso que o Teatro do Oprimido pretende, transformar essa diferença entre papéis sociais, estimulando a sua visibilidade e consciência como cidadão e agente transformador da sua própria história (idem, ibidem). “O diferente (oprimido) sobe ao palco, narra a sua história, observa e é visto por todos, sem negar a sua condição de oprimido, porém sem se sentir inferior, mas antes semelhante com a sua diferença”, destacou Motta (idem, ibidem).

O Teatro do Oprimido permite a mudança para a inclusão e aceitação, “porque os diferentes (oprimidos) voltam a sentir-se como parte da sociedade” (idem, ibidem).

Tal como o Rui (curinga e representante de um dos Grupos de Teatro Fórum da Rede Multiplica) referiu, “a sociedade somos todos nós (…) somos nós os responsáveis pela existência desse problema, dessa opressão”!