• Aucun résultat trouvé

Conséquences de l’utilisation du modèle en juste valeur partielle instauré par les

CHAPITRE I Conséquences attendues sur l’instabilité bancaire de l’adoption des normes

3. Conséquence attendue n°2 : la réduction, induite par la qualité supérieure des états

4.1. Canaux d’influence des accruals de juste valeur sur l’instabilité

4.2.1. Conséquences de l’utilisation du modèle en juste valeur partielle instauré par les

De acordo com Mara, os encontros e espetáculos promovidos pelo GTOLX são resultado do processo de formação que o mesmo desenvolve junto das comunidades ou grupos com quem trabalha. São criados e dinamizados pelos intervenientes que constituem os grupos, com o apoio dos formadores e/ou curingas que os acompanham e, por vezes, de um grupo de profissionais das artes de palco que colabora regularmente com o Grupo.

Conforme explicou Rui (curinga e representante de um dos grupos comunitários de Teatro-Fórum da Rede Multiplica)50, “todas as interpretações partem da realidade dos elementos dos grupos” e abordam temas eminentemente sociais. A mensagem varia consoante os temas que pretendem abordar e representar. “Pesquisamos e vamos à raiz do nosso problema, do que nos oprime, para falarmos à sociedade que sentimos determinada opressão, pois somos nós, enquanto elementos da sociedade, os responsáveis pela existência desse problema, dessa opressão”, explicou Rui.

Por isso, o trabalho com os grupos, ao longo do tempo, provoca muitas mudanças nos seus elementos, visto que a metodologia de Teatro do Oprimido pressupõe cultivar uma visão mais crítica sobre si mesmo, sobre a sociedade e sobre o seu papel enquanto cidadãos participativos, tornando-se mais interventivos e ativos, atuando, eles próprios, como mediadores de conflitos, “servindo de exemplo o facto de alguns deles regressarem à escola porque entendem que o seu futuro passa por uma educação melhor, tornando-se modelos dentro das suas comunidades e embaixadores das mesmas fora delas”. Com a experiência, os elementos dos grupos podem, também eles, tornar-se formadores e curingas, assumindo, então,

50

97

responsabilidades de gestão e acompanhamento de grupos, contribuindo para o crescimento da Rede Multiplica, conforme referiu Mara.

Para que a participação da comunidade se torne efetiva é necessário desenvolver um trabalho educativo, que ajude a comunidade a entender os aspectos envolvidos nas relações interpessoais e “inter-humanas”, bem como ambientais, visando colmatar a ausência de debate e discussão, em torno das situações de opressão, discriminação e preconceitos que não são analisados nem ultrapassados e que “prejudica o exercício da cidadania, que pressupõe a discussão coletiva dos problemas sociais”, como referiu Mara. O contacto com a metodologia de Teatro do Oprimido possibilita que a comunidade redescubra a sua capacidade de “metaforizar”/(re)criar, através de “representações do real”, servindo de objeto para discutir os problemas vividos e ensaiar formas de resolvê-los e ou superá-los.

No que se refere à experiência observada, o 2º Laboratório Ami Afro propriamente dito, foi notória a importância que os jovens lhe atribuíram, convictos e unânimes em dizer que se tratou de “uma oportunidade para adquirir conhecimentos e aprendizagens” (de uma forma não formal) “sobre si próprios”, bem como sobre as suas pretensões e reivindicações sociais (n.c. 04/05/2013).

Acima de tudo, foi evidente a vontade de participação dos jovens envolvidos, bem como o desejo de expor as suas ideias e experiências, demonstrando a sua capacidade de argumentar e o seu espírito crítico, em relação ao mundo que os rodeia. Foi igualmente percetível a noção que têm de uma realidade que lhes é próxima, nomeadamente no que se refere aos bairros sociais e suas dificuldades económicas e estruturais. “Embora muitas pessoas não gostem do aspeto físico do bairro, nós sentimos que temos o essencial e gostamos de lá viver. Os que lá vivem têm bastantes dificuldades económicas”, argumentou Rui.

Foi interessante, verificar como associavam a descriminação às generalizações, muitas vezes, provocada por rumores ou pelas próprias instâncias de poder. “Somos um bairro esquecido pela sociedade. Somos um bairro à parte. Há muita descriminação em relação a nós”, disse Rui.

98

Da relação com o(s) curinga(s), os jovens destacam a atitude dialógica e também a da partilha recíproca, pois “eles (curingas) aprendem connosco e nós aprendemos com eles” (n.c. 04/05/2013).

Conscientes das várias formas de oprimir e ser oprimido, sentem o Teatro do Oprimido, nomeadamente, a técnica Teatro-Fórum, como “uma forma de ultrapassar as dificuldades e resolver os problemas” (n.c. 04/05/2013), compreendendo a tensão existente entre individual e social, que é um dos substratos da metodologia, ou seja, “de que sendo um problema pessoal é, ao mesmo tempo, coletivo e, que, como tal, deve ser também ele resolvido, em grupo, com a união de várias forças” (Barbosa, 2011, p.78).

A questão da união foi, aliás, referida várias vezes durante as entrevistas e observação, demonstrando, desta forma, uma postura ativa, participativa e lutadora, que acredita no potencial transformador do Teatro do Oprimido e, também, no seu próprio potencial, como seres humanos e cidadãos, pois, embora evidenciem preocupações com o futuro, esclarecem que este está nas suas mãos, reivindicando os seus direitos enquanto jovens e cidadãos.

Como referiu Boal (1978), “o Teatro do Oprimido começa quando acaba. Quando acaba, a gente tem de ir para a rua. A gente tem de ir para a nossa vida, tem que ir para transformar, aqui é uma espécie de laboratório” (p.22)

Segundo Freire (1980), considera-se, porém, que a realidade só pode ser modificada quando o sujeito percebe que ela é modificável e que pode fazê-lo a partir de um necessário processo de conscientização, preparando o indivíduo “(...) para um juízo crítico das alternativas propostas pela elite, e dar a possibilidade de escolher o próprio caminho” (p. 20).

De acordo com Soeiro (2012) o Teatro do Oprimido é “mais um momento do trabalho dos oprimidos para a sua libertação” (p.2). Não representa, por isso, um fim em si mesmo, “não é mera celebração da arte pela arte, não é a busca de acontecimentos sublimes que se bastariam a si próprios” (idem, ibidem), ou melhor, não se contenta em ser apenas um espaço de expressão daqueles a quem a voz, a

99

palavra e o gesto são normalmente “confiscados”. Embora, seguramente, abranja um pouco de tudo isso, “mas é sempre um teatro inacabado” (idem, ibidem).

O Teatro do Oprimido reclama sempre a ação fora de si próprio, porque é ensaio! (idem, ibidem)

7. Construir caminhos para a Cidadania e Transformação Social: a