il. Reconnaissance et Perception des Visages
2.1.5 Mécanismes de reconnaissance spécifique du visage humain
Este outro método, Análise de Conteúdo (AC), tem o propósito de analisar as mudanças de mentalidade das práticas e a formação de um ethos que compreenda os hábitos dos produtores agroecológicos inseridos nas feiras, desde suas estratégias de adaptação e lógica mercantil até as relações que são construídas com outros produtores, instituições de apoio e consumidores de produtos agroecológicos. Essa abordagem qualitativa requer dos seus métodos e suas respectivas técnicas uma busca pela compreensão de ações e reações, portanto, dos seus significantes e significados.
Escolher um método como Análise de Conteúdo para uma pesquisa com viés empírico possibilitou alcançar nesse percurso uma objetividade e sistematização dos conteúdos e ideias em categorias, frases, palavras ou termos que viabilizam relacionar e inferir os materiais escritos (JANEIRA, 1972; BARDIN, 1977).
Os primeiros materiais e conteúdos que foram analisados por meio deste método são aqueles listados no quadro 2 acima, entre matérias jornalísticas, documentos oficiais (leis,
decretos, acordos, atos etc.), além de relatórios técnicos e outros documentos que as instituições disponibilizaram. A partir desses materiais elaboramos os roteiros de observação, entrevistas e questionário, que foram aplicados com produtores e consumidores das feiras agroecológicas. As instituições de apoio tiveram roteiros adaptados a cada caso, que dependeu da necessidade de informação que precisávamos para compreender determinados pontos e fatos. Essas entrevistas visaram verificar as relações sociais entre esses atores, além das mudanças de hábitos de consumo e estratégias de comercialização.
Os roteiros de entrevistas com esses atores da atividade agroecológica buscaram também compreender a formação histórica da produção agroecológica familiar em Recife, de modo a perceber se sua atuação teve influência nas estratégias e formação do ethos desses produtores, como também compreender a expansão dessas feiras e espaços no Recife.
Ainda, é importante acrescentar que o uso deste método auxilia a filtrar e analisar separadamente a comunicação textual selecionada para esse fim, pois dela foram estabelecidas categorias e codificações para verificar o que foi de fato pertinente e o que não foi, além de servir como forma de concatenar para análise e interpretação as ideias, os significados e os conceitos (JANEIRA, 1972; BARDIN, 1977; SCHWANDT, 2006), reiterando que este estudo utilizou como comunicação textual: matérias jornalísticas, textos técnicos e científicos, transcrições de trechos decupados dos áudios de entrevistas e respostas dos questionários aplicados.
Esta estrutura de análise de conteúdo permitiu construir e organizar as comunicações textuais para a análise dinâmica do objeto estudado (BARDIN, 1977; FRANCO, 2008) de modo que as categorias de análise puderam ser um elo instrumental para que fosse possível selecionar e organizar no âmbito crítico e epistemológico desse método em questão uma concepção em que se possa reconhecer tanto o “[...] rigor da objetividade e da fecundidade da subjetividade” (BARDIN, 1977, p. 9).
Bardin (1977) segue nos orientando em mostrar sistematicamente e didaticamente como percorrer as etapas evolutivas deste tipo de análise. Ele ordena em três (1977, p. 95): Pré- análise; Exploração do material; e Tratamento dos resultados, inferência e interpretação.
Esse roteiro simples apresenta uma proposta essencial para qualquer pesquisa, em organizar o material, explorar o material e depois analisar. Mas é um processo longo e exaustivo, com regras necessárias e considerando suas adaptações ao objeto e objetivos do estudo, pois como todo estudo científico, o método de Bardin também requer um conhecimento prévio aprofundado do arcabouço teórico, além de uma persistência no uso do método para realização de cada etapa.
Nos tópicos seguintes descreveremos a aplicação de cada uma dessas etapas neste estudo, com o intuito de demonstrar como estão sendo alcançados os objetivos traçados.
Pré-análise
Esta etapa consistiu na coleta e organização do material documental disponível, visitas de levantamento e observação de campo (nas feiras agroecológicas em Recife). Com essas informações e mais outros materiais, elaboramos os roteiros de entrevistas com produtores agroecológicos e consumidores, entrevistas com membros de instituições de apoio ou de promoção da comercialização, e também organizamos os dados estatísticos secundários e primários coletados e compilamos. Todos os documentos oficiais (leis, decretos, acordos, atos etc.) estavam disponíveis digitalmente, outros materiais foram obtidos durante as visitas às instituições (ou consultas aos seus sites) para a realização de entrevistas e outros meios de obtenção.
Sobre as visitas, primeiramente fizemos caminhadas aleatórias para conhecer a movimentação das feiras, tanto as que já conhecíamos como outras que tinham pouco tempo, mas de todo, para uma melhor reflexão e auxílio na construção dos materiais de coleta, optamos em fazer mais visitas ao Espaço Agroecológico das Graças, por ser a feira mais antiga, e ter uma dinâmica de interação entre seus atores consolidada para que pudéssemos observar e extrair percepções e os tópicos para elaborar os instrumentos e pontos de análise dos resultados. Também teve como objetivo atualizar uma listagem das feiras, localização, número de barracas, associações dos agricultores e outras informações. Depois desse trabalho inicial, a organização das entrevistas se deu a partir da orientação teórico-metodológica de AC, interpretando os dados da fase inicial de coleta até o momento do tratamento dos dados. Em todas as aplicações de questionários e entrevistas, realizamos observações, para que nos permitissem releituras de todas as informações que compreendem nosso conjunto de dados e informações para análise (BARDIN, 1977; FRANCO, 2008).
A análise quantitativa, como observado e descrito a partir do quadro 2, utilizou bases de dados oficiais para complementar e corroborar argumentos e análises, como também informações quantitativas que foram levantadas e aferidas a partir dos questionários, bem como as visitas de campo e coletas nas instituições. Esses dados possibilitaram traçar um perfil dos grupos e feiras pesquisadas.
Ressaltamos que organizar e apresentar dados quantitativos (tanto secundários como aqueles coletados na pesquisa de campo) foi também um caminho para interpretar, ou seja, este
não podia estar dissociado das informações qualitativas, pois é a partir desta que se consegue revelar e atribuir significados aos números (BARDIN, 1977).
Isto posto, é fundamental considerar no conteúdo da publicação escrita o contexto e também a história, pois sem isso, a análise poderia se tornar sem efeito; por isso, Bardin (1977) reitera a importância de verificar/ler o todo do material selecionado para compor o corpus, material documental reunido para classificação e análise.
Logo, seguindo esse caminho metodológico inicial, uma proposta de aplicação deste método ocorreu por meio da composição do corpus para efeito de aprofundamento do estudo (Quadro 3).
Quadro 3 – Corpus de Análise de Conteúdo
Corpus Descrição do material para
organização da análise
Onde foi utilizado
Textos científicos Artigos, dissertações, teses e livros.
Referencial teórico.
Dados e fatos para comparação nos resultados.
Documentos oficiais
Leis, decretos, acordos, atos,
comunicados, planos etc.
Capítulo sobre Instituições e Marco Legal
Textos jornalísticos
Notícias e matérias digitais, impressas e transcritas de TV/rádio.
Levantamento de informações para listar as feiras e perceber o cenário de ampliação do interesse por produtos orgânicos, sustentáveis.
Entrevistas transcritas
Produtores familiares que participam de feiras agroecológicas; consumidores dessas feiras; representantes de instituições sociais, associações e entidades governamentais que atuem e contribuam com essa atividade.
Capítulos de resultados.
Anotações das
observações de
campo
das visitas às feiras e instituições de apoio
Elaboração de instrumentos;
Capítulos de resultados.
Fonte: Elaboração própria, 2019.
O corpus foi derivado do material levantado e sistematizado para a realização da análise documental, mas que agora tem a função de reorganizar e destacar as informações e mensagens para o processo de elaboração das categorias para a análise dos resultados.
Exploração do material
Definir as categorias foi um passo fundamental na aplicação do método, mas por ser um processo gradual e extenso, quando da execução desta etapa, poderá haver durante o processo
uma revisão da parte teórica sobre o material de análise, e vice-versa. Por sua vez, o conjunto de categorias também foi revisado. Esse refinamento foi importante até estabelecer versões mais próximas daquelas que são utilizadas para análise dos resultados (BARDIN, 1977; FRANCO, 2008).
A partir do material inicial verificado nos trabalhos científicos, matérias jornalísticas sobre a expansão das feiras agroecológicas, além da legislação e outros textos científicos, foram selecionadas algumas expressões e termos recorrentes que apontam e resumem características tanto sobre os grupos que serão analisados como os elementos de significados do objeto deste estudo.
Quadro 4 – Lista de termos e palavras para filtrar pesquisas em buscadores de indexadores, repositórios, revistas, bases de dados e outros fontes
Orgânico/Agroecológico Cooperação/Associativismo Feira Família Ecologia/Ecológico Confiança Saúde/Saudável Solidariedade/Solidário Limpo/Sem agrotóxico Trocas Meio-ambiente Reciprocidade/Dádiva
A partir desses termos (e combinações destes) e seguindo as orientações de Bardin (1977), propomos inicialmente as seguintes categorias:
1 o atrativo do produto agroecológico em termos de saúde e qualidade;
2 importância das relações e interações sociais na feira entre produtores e consumidores;
3 a presença da dádiva na organização de uma cultura de consumo de produtos agroecológicos;
4 a particularidade do produto agroecológico.
A primeira delas é a atração dos consumidores pelos alimentos agroecológicos, principalmente aquelas com atributos de saúde e qualidade. Como se trata de um estudo sobre a constituição de um ethos do consumo desses produtos, essa demarcação nos permitiu uma apreensão acerca das mudanças nos hábitos de consumo.
A segunda buscou descrever as relações entre os principais atores desse estudo – produtores familiares e consumidores – considerando que a proximidade com o produtor é um
fator importante para o desenvolvimento de diálogos e vínculos solidários, o que auxiliou nas interações no comércio solidário de alimentos agroecológicos entre esses atores, que inclui a própria ideia de sociabilidade.
A presença da dádiva é a terceira categoria identificada, pois dela se estabelecem relações singulares para realização dos negócios e constituição de uma cultura de consumo por produtos agroecológicos.
Por fim, as estratégias de apresentação, distribuição e divulgação desses produtos retratam uma categoria analítica que teve o papel de identificar como os produtores familiares, por meio de uma forte concorrência com supermercados, feiras e mercados livres de produtos da agricultura convencional, expandiram sua presença (e dos produtos) e inseriram novas formas de conduta e hábitos nas trocas comerciais e no consumo.
Tratamento dos resultados, inferência e interpretação
Esta terceira etapa implicou na organização da análise a partir da compilação, comparação e aprofundamento para inferência e interpretação dos resultados. Foi também o momento de utilização de técnicas estatísticas básicas para sistematizar os dados primários coletados – das transcrições das entrevistas, anotações das observações/visitas de campo e documentos – em tabelas e gráficos para facilitar o destaque das informações que são tratadas e discutidas na análise dos resultados.
Essa etapa expôs os conteúdos que estavam ocultos e/ou indefinidos nos documentos que foram revelados com base nas categorias de análise e inferidas e interpretadas à luz do arcabouço teórico. Em síntese, é um processo de discussão que avançou além da leitura selecionada e realizou uma análise comparativa dos dados sistematizados e das mensagens destacadas em consonância com os objetivos propostos.