enseignements du modèle productiviste
A. Une crise par paliers
3. Le succès des actions interprofessionnelles
No ensino-aprendizagem de língua estrangeira tem-se a crença de que para se aprender uma língua é essencial que se aprendam suas regras gramaticais. Restando ao vocabulário, apenas o papel de coadjuvante nesse processo, sendo ensinado de maneira segmentada e
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SMITH, J.B. & LANSMAN, M. A Cognitive Basis for A Computer Writing Environment. Technical Report, University of North Carolina at Chapel Hill, 1988.
artificial. Assim, pode-se deduzir a razão de a comunicação de estudantes submetidos a esse tipo de escola de ensino de língua não ser muito rápida, nem fluente, nem muito efetiva. Isso porque, nesse tipo de processo de ensino-aprendizado, não há uma boa incorporação de regras composicionais e convencionais de língua em uso.
Acreditamos, portanto, que para um aprendiz de língua estrangeira ter um discurso mais rápido e fluente71, (no nosso caso, o discurso acadêmico), é necessário que tal discurso esteja em acordo com as convenções ditadas pela comunidade, na qual se encontra inserido. Achar que o discurso é, em geral, apenas um conjunto de regras sintáticas e gramaticais, que quando dominadas pelo aprendiz, este apenas escolhe de maneira aleatória os elementos lexicais para compor seu discurso é, entender língua enquanto preenchimento de lacunas. Fato que não é verdadeiro, conforme pode ser demonstrado com a utilização da metodologia baseada em córpus aplicada ao ensino. Frente a isso, julgamos não ser adequada a realização de ensino do léxico de maneira descontextualizada e, no caso das expressões formulaicas, de maneira a isolar seus constituintes, que, a rigor, só têm valor no conjunto da expressão.
Ellis (1997:12) afirma que as fórmulas têm um papel importante não só no desempenho comunicativo, mas também na facilitação do aprendizado de alguns fatores gramaticais. Ellis também afirma, que o aprendizado de L2 envolve diferentes tipos de conhecimento: por um lado, o do aprendiz de L2 que internaliza fórmulas; por outro, o desse mesmo aprendiz que aprende regras (o contexto determina a função da expressão utilizada). Ainda segundo Ellis (1997), ao se estudar uma língua estrangeira, não é suficiente para esse aprendiz instruir-se apenas de itens lexicais que a compõem, mas também do sistema lingüístico que estrutura essa língua. Assim, é interessante que esse aprendiz tenha consciência tanto da sistematização da gramática, quanto da língua como um todo, pois pode vir a perceber também que a língua não é uma mera combinação de palavras, mas que, por exemplo, que seqüências semelhantes em diferentes contextos podem produzir diferentes significados. Mas o que são essas expressões formulaicas ou fórmulas, como preferem alguns autores?
Autores como Wray (200272 apud Tavares, 2004) e Tagnin (1989), trabalham com o conceito de fórmula. Tagnin (1989:57), do ponto de vista pragmático73, faz menção às fórmulas situacionais, as quais seriam expressões utilizadas em determinadas ocasiões, ou
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Fluência, isto é, com estruturação e conteúdo adequados. 72
WRAY, A. Formulaic Language and the Lexicon. Cambridge: Cambridge University Press, 2002.
73 Levinson (1983:32) afirma que o uso moderno do termo pragmática é atribuído ao filósofo Charles Morris que se ocupava com a ciência dos sinais, ou a semiótica. Para o autor, o termo pragmática inclui tanto aspectos de estrutura lingüística dependentes do contexto como princípios de uso de língua e entendimento que muitas vezes não têm nada, ou têm muito pouco a ver com a estrutura lingüística. Assim, os pragmaticistas estão especificamente interessados na inter-relação da estrutura da língua e os princípios de uso da língua.
seja, em situações que exigem um determinado ritual. Se entendermos ritual enquanto seqüência de atos consagrados pelo uso, podemos denominar tais expressões como fórmulas de rotina. Tagnin ainda reforça a utilidade de tais expressões ao declarar que, na conversação diária, grande parte da nossa fala segue caminhos já trilhados. Em geral, as conversas são destituídas de um caráter mais profundo, desenvolvendo-se de acordo com padrões de pensamento e de expressão verbal pré-concebidos. Esses padrões fazem com que nossa comunicação flua com mais facilidade e eficiência, evitando a necessidade de sermos criativos a todo o instante, o que tornaria a conversação uma prática dificílima. Esta proposta serve para ambos os interlocutores, uma vez que o ouvinte não seria capaz de estar constantemente decodificando seu interlocutor. Em suma, Tagnin estabelece a existência de uma conveniência lingüística indicada pela disponibilidade de um conjunto de expressões às quais podemos recorrer sempre que necessário. Para Wray (2002: 7), a fórmula:
(...) pode ser uma sentença completa ou um grupo de palavras, ou pode ser uma só palavra, ou pode ser somente parte de uma palavra, - (...), mas precisa sempre ser algo que para o instinto da fala seja uma unidade que não pode ser mais analisada ou decomposta da mesma forma que uma combinação livre pode.
Wray (2002:15) aponta o fato de que, a fórmula prevalece no sistema da linguagem adulta, por conta do processamento do princípio da economia. Essa economia acontece, porque temos acesso a estruturas pré-fabricadas, que utilizamos para expressar nossas idéias, sem que precisemos recorrer a um trabalho de criar um novo enunciado sempre que desejamos expressar uma idéia. Wray também afirma, que as palavras se combinam e obedecem às restrições atribuídas pelo contexto, e pelas regras sociais definidas. Tornando claro que, uma vez mapeados os padrões de distribuição para as palavras, fica perceptível que as combinações não são explicáveis apenas através de ajuntamentos graduais, ou seja, por meio de análise de seqüências lineares de sentenças. Ainda segundo o autor, as palavras, que funcionam em uma seqüência formulaica, produzem um significado que vai além do somatório de significados individuais, pois os falantes não as decodificam isoladamente, mas obtêm um significado advindo do todo que estas representam.
Wray (2002:11) também define o termo seqüência formulaica levando em consideração que uma expressão formulaica é também uma seqüência formulaica. Sua proposta para caracterização de uma seqüência formulaica é:
(...) uma seqüência, contínua ou descontínua, de palavras ou outros elementos, que é, ou parece ser, pré-fabricada: isto é, armazenada e acessada por inteiro da memória na hora do uso, ao invés de ser sujeita a geração ou análise pela gramática da língua.
No entanto, esse autor (Ibid: 44) reconhece a grande dificuldade existente em se encontrar uma única definição capaz de capturar todos os traços relevantes para a identificação de uma fórmula, apesar de outros autores já terem proposto muitas classificações para esse fenômeno lingüístico. Por conta disso, faz algumas considerações sobre uma possível proposta de classificação para as fórmulas. Segundo Wray, as estruturas formulaicas são capazes de conter espaços, que aceitam uma classe aberta de itens, criando uma nova mensagem com pequena criatividade, e trazendo economia e eficácia ao uso da língua. Embora seja necessário lembrar, que há uma infindável capacidade lingüística de forjar novas seqüências formulaicas de todos os tipos, o que dificulta este tipo de classificação. A classificação baseada na prática, por outro lado, não precisa de um arcabouço teórico tão profundo, embora tenha de funcionar em seu propósito inicial. Em dicionário ou ensino de língua, vemos a necessidade de tal abordagem. No entanto, o problema se apresenta na necessidade de decidir o que incluir e o que omitir como seqüência formulaica.
Tão relevante quanto a definição de expressão formulaica é o papel que esse elemento representa dentro do CECARL74 proposto por este trabalho. Devido as já citadas estratégias de sucesso no ensino-aprendizado de línguas, por meio do reuso de material lingüístico em ferramentas de auxílio à escrita (cf. Capítulo 2). A seguir, será apresentada como as expressões formulaicas e outros elementos reutilizáveis de uma língua podem ser trabalhados em seu contexto de uso.
Conforme dito no Capítulo 2, as ferramentas de auxílio à escrita científica baseadas no AMADEUS fazem uso, dentre os recursos lingüísticos reutilizáveis de uma língua, de agrupamentos (chunks) de expressões lingüísticas que podem ser (re)utilizadas em contextos distintos dos quais foram coletadas. A reutilização desses pedaços subjaz a idéia de que por meio de uma reorganização desses pedaços textuais, como se fossem peças de LEGO™, um novo texto pode ser produzido. Importante dizer, que essa prática não consiste em plágio, uma vez que sentenças completas não são utilizadas, mas sim apenas partes textuais com informações não factuais, isto é, com informações que não trazem o conteúdo da pesquisa, que descrevem ou representam.
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Depois de se ter essa experiência com sentenças, o aprendiz pode começar a trabalhar com passagens maiores de textos, repetindo o procedimento de combinar os pedaços, ligando- os agora com elementos conectores (ver seção 3.5.5). A seguir, o aprendiz poderá tentar produzir uma seção completa de um artigo, por exemplo. Para tanto, poderá selecionar os componentes esquemáticos dessa seção, bem como as estratégias retóricas, que realizam lingüisticamente essas estruturas no texto. Para isso, poderá navegar pela base de casos da ferramenta de suporte à escrita, que estiver utilizando. Em seguida, esse aprendiz/autor poderá checar o uso de marcadores discursivos adequados de modo a obter coesão e coerência no texto produzido. Para tal checagem, poderá ser utilizado o ícone “Marcadores Discursivos” contido na ferramenta Scientific Writing, disponibilizada junto de nosso CECARL. Uma outra contribuição interessante dessa mesma ferramenta ao ensino-aprendizagem de escrita científica contextualizada é o auxílio via ícone de “Expressões Formulaicas”. Neste item, assim como ocorre no ícone anterior, as expressões formulaicas, coletadas de trabalhos realizados com base em córpus, aparecem organizações sob uma lista de funções as quais podem desempenhar. Mais detalhes sobre esses itens ver seção 4.9.
E por fim, poderá passar para o processo de edição do texto produzido, verificando erros ortográficos, eliminando palavras desnecessárias, checando a consistência das estratégias retóricas selecionadas para compor a seção e a relação existente entre elas. Com o constante uso dessas listas, o usuário do CECARL tenderá a se familiarizar com o uso desses termos e poderá identificar, nos córpus futuramente coletados, como incremento de sua base de casos, identificar novas expressões formulaicas ou até mesmo marcadores discursivos que carregam importantes mensagens textuais. A partir de então, o aprendiz de língua pode começar a “brincar” com seus pedaços de textos, identificando diferentes combinações que aparecem nos textos originais e criando, em seguida, sua própria combinação.
Um exemplo de sentença com partes factuais a serem preenchidas é apresentado na Figura 3.5:
Figura 3.5: Exemplo de reuso de expressões formulaicas do português no SciPo. A navegação pela base de casos da ferramenta SciPo também traz à mostra expressões formulaicas que podem ser reusadas no texto do usuário.