4. ECLAIRAGES
4.4 La régulation du prix des médicaments en Allemagne
outras e mais profundas leituras. A sociologia é um modo de pensar e explicar a sociedade diferente de outras ciências humanas. Para o estudo da sociedade, é necessário o conhecimento de dois conceitos fundamentais: o conceito de cultura e o de trabalho.
O autor parte da idéia de que é a partir do trabalho que as pessoas irão criar a cultura, portanto, responder a pergunta “o que a sociologia entende por trabalho?” torna-se necessário. “Podemos definir trabalho como sendo o processo pelo qual as pessoas, na criação de bens, transformam os elementos que compõem a natureza” (MEKSENAS, 2001, p. 21). Para
realizar tal transformação, o homem une sua capacidade mental à capacidade física. Neste sentido, uma pessoa realiza um trabalho, por exemplo, produzindo um tijolo ou o ato de estudar. Nestes processos ocorrem: a transformação da natureza, utilização da força física e intelectual. Assim, “o trabalho é fonte de cultura porque é através desta atividade que as pessoas podem suprir suas necessidades” (idem, p. 21). Por isso o trabalho é tão importante. “É fonte de cultura e de riqueza” (idem, p. 21). contudo, se o trabalho é tão importante, por que as pessoas que trabalham muito, nem sempre são valorizadas? Esta questão não é respondida pelo autor. O mesmo sugere que em grupo se discuta a questão e, após, sugere a leitura e a produção de um comentário acerca do poema “Construção” de Chico Buarque de Holanda.
A compreensão do que seja trabalho em Meksenas denota estar fundada em Marx, particularmente no capítulo V, do livro I da obra O Capital. Trata-se de uma compreensão do trabalho em geral, como eterna necessidade humana.
Após a definição do que seja trabalho, o autor desenvolve sua compreensão a respeito do processo de trabalho. “O ato de trabalhar dá-se dentro de um processo, que tem por finalidade transformar a matéria-prima em produto final, através do uso que o homem faz dos meios de produção” (idem, p. 23). Este processo envolve, por conseguinte, três momentos: a matéria prima, os meios de produção e o produto final. A observação do processo de trabalho permite perceber que somente o ser humano realiza trabalho, diferenciando-se dos animais. A ação dos animais é biológica, instintiva, enquanto a ação humana é conscientemente articulada para um fim.
No capítulo três da primeira unidade, Meksenas desenvolve o conceito de sociedade, a partir do processo de trabalho, identificando cinco possíveis tipos de sociedade. No que se refere à sociedade capitalista, essa se caracteriza pela organização do trabalho basicamente em duas classes: de um lado, os proprietários dos meios de produção e, de outro, os proprietários apenas de sua capacidade de trabalho.
As unidades dois e três apresentam alguns dados que permitem o entendimento de como nasceu a Sociologia e quais seus objetivos. Não serão analisadas pelo motivo de não serem objetos centrais da pesquisa. A próxima unidade a ser analisada é a quarta, que trata das “teorias sociológicas”. Nesta unidade, o autor aborda as teorias de Émile Durkheim (positivismo) e de Karl Marx (materialismo histórico). Estas duas concepções analisam a sociedade capitalista e, portanto, o trabalho de modos diferentes.
Durkheim desenvolve uma série de conceitos para explicar o capitalismo, dentre eles, a divisão do trabalho. A divisão do trabalho é entendida como a especialização das
funções entre os indivíduos de uma sociedade. Nesta sociedade, cada indivíduo tem uma função para cumprir. Cada membro da sociedade, desenvolvendo uma atividade útil e especializada, passa a depender cada vez mais dos outros indivíduos. À medida que as sociedades se desenvolvem, progridem, surgem novas atividades; estas, por sua vez, tornam- se divididas. “O efeito mais importante da divisão do trabalho social não é apenas seu aspecto econômico, mas também tornar possível a união e a solidariedade entre as pessoas de uma mesma sociedade” (idem, p. 67).
Meksenas apresenta a compreensão de Durkheim a respeito da solidariedade mecânica e orgânica do trabalho, enfatizando que no capitalismo desenvolveu-se mais a solidariedade orgânica, visto que aumentou muito a dependência de um trabalhador em relação a outro. Após apresentar a divisão do trabalho social e da solidariedade mecânica à solidariedade
orgânica, Meksenas entende que Durkheim admite a superioridade da solidariedade orgânica
sobre a mecânica, “pois, ao se especializarem as funções, a individualidade, de certo modo, é ressaltada, permitindo maior liberdade de ação” (idem, p. 68). Conclui com o exemplo do professor que forma um grupo de pesquisa em sala.
No grupo formado por amigos, pode acontecer que um elemento discorde muito das opiniões de outro; este fato pode trazer um conflito que põe em risco a existência do grupo. Nesse caso, os elementos devem agir de acordo com as idéias comuns do grupo, e não a partir das suas próprias idéias. Já no grupo onde a união dá-se pela atividade especializada, a individualidade é ressaltada, pois dentro da sua atividade, cada um age como bem entende, e aí a divergência de opiniões não põe em causa a existência do grupo(idem, p. 69).
No que concerne à compreensão de trabalho em Karl Marx, Meksenas o fará a partir do entendimento de um conjunto de conceitos desenvolvidos por Marx. Esses conceitos apresentam perspectivas diferentes das apresentadas pelo positivismo, sendo impossível conciliá-los. Trata-se de formas radicalmente opostas de entender o fenômeno do capitalismo.
A compreensão da sociedade, na perspectiva marxiana, se dará analisando a forma de as pessoas trabalharem em sociedade. Os conceitos desenvolvidos por Marx em sua teoria são: mercadoria, capital, lei da mais-valia, classes sociais e ideologia.
O ponto de partida para a compreensão da sociedade capitalista é a mercadoria. Para sobreviver, as pessoas produzem os bens materiais para seu consumo. Pelo trabalho, transformam a natureza e a colocam a seu dispor. Como as pessoas não conseguem fabricar todos os bens que necessitam, trocam entre si os produtos de que necessitam para viver. O que determina o valor da troca entre mercadorias é o “tempo de trabalho socialmente necessário
para a sua produção” (idem, p. 79). Para facilitar a troca, surge o dinheiro e o ouro como equivalente geral. O mercado é o palco das trocas entre mercadorias.
Meksenas representa esse processo da seguinte maneira: M (mercadoria) ⇒ (venda) D (dinheiro) ⇒ (compra) M (mercadoria). “Esse é o processo de circulação simples, onde o empresário A possui uma mercadoria e troca-a por dinheiro, e depois por outra mercadoria que satisfaça suas necessidades” (idem, p. 79).
O processo capitalista, no entanto, não consiste em trocar mercadorias. Trata-se de um processo de formação de capital. O lucro não surge do processo simples da troca de mercadorias, mas sim da compra de uma mercadoria específica, a força de trabalho. “Compra com dinheiro determinadas mercadorias e transforma-as, acrescentando-lhes maior quantidade de trabalho, alterando para mais o seu valor” (idem, p. 81).
A força de trabalho é transformada em mercadoria e, como toda mercadoria “tem um preço estipulado, e definimos este preço como sendo toda quantidade de meios de vida (bens de consumo) necessários para manter o trabalhador vivo, em condições de trabalhar e de se reproduzir” (idem, p. 82).
O processo de exploração capitalista dá-se no momento da compra e venda da mercadoria força de trabalho. “O empresário, ao pagar os salários aos trabalhadores, nunca paga a estes o que eles realmente produziram” (idem, p. 82). Meksenas segue desenvolvendo o raciocínio e utilizando-se de exemplificações, conclui que a mais-valia é o segredo do capital. “O excedente de valor produzido que não é devolvido ao trabalhador; sendo apropriado pelo capitalista. Isso é o que Marx define como sendo mais-valia” (idem, p. 81). O empresário se enriquece às custas do trabalho do trabalhador e não do seu próprio esforço.
O capital não é algo mágico; ele surge de determinadas relações sociais de produção. É a mais-valia “que irá caracterizar o capital, pois parte dela é reempregada no processo de acumulação capitalista” (idem, p. 83). Quanto às mercadorias, elas “nada mais são do que a materialização do trabalho que não foi pago ao empregado” (idem, p. 83). Entretanto, esse processo precisa ser encoberto, de modo que as relações de exploração entre patrão e empregados possam continuar.
Decorrente dessa relação de produção, Meksenas apresenta as reflexões de Marx acerca das classes sociais e origem dos problemas sociais.
2.5. SOCIOLOGIA. Obra de Paulo Meksenas. Nesta obra, o autor segue a