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Les coûts liés aux cancers professionnels pour la branche AT – MP

4. ECLAIRAGES

4.7 Les coûts liés aux cancers professionnels pour la branche AT – MP

autor analisa o trabalho, realização e alienação. O trabalho é apresentado como uma categoria do fazer humano capaz de “promover a interação entre o homem e a natureza e moldar o perfil sociocultural de um povo” (COTRIM, 1996, p. 27), e pode ser definido “como toda atividade pela qual o ser humano utiliza sua energia física e psíquica para satisfazer suas

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No capítulo seguinte apresentar-se-á, de modo sucinto, a teoria da alienação em Marx. Para o autor, o processo de alienação está relacionado à propriedade privada e ao processo de trabalho instituído pelo modo capitalista de produção

necessidades ou para atingir um determinado fim” (ibidem). Sendo assim, o trabalho é “uma eterna necessidade do homem” (ibidem). Por meio do trabalho o homem acrescenta um mundo novo – a cultura – ao mundo já existente. O trabalho é elemento essencial da relação dialética homem natureza, entre o saber e o fazer, entre a teoria e a prática. “Trata-se de uma atividade tipicamente humana” (idem, p. 28). Cotrim cita o início do capítulo V, livro primeiro de O Capital de Marx, para afirmar que, como atividade tipicamente humana, o trabalho precisa ser primeiro projeto mental que determina a ação a ser desenvolvida para se alcançar o objetivo almejado.

No plano individual, “trabalhando, o homem pode modificar o mundo e a si mesmo, produzir cultura e se autoproduzir” (ibidem), no plano social, “o trabalho tem como objetivo último a manutenção da vida e o desenvolvimento da sociedade” (ibidem). O autor sustenta que, dentro dessa visão positiva, o trabalho é sinônimo de realização do indivíduo e solidariedade entre os homens. Salienta também que o trabalho é categoria central da existência humana e eterna necessidade natural da vida social, conforme Marx. No entanto, o trabalho estaria perdendo seu poder irradiador de vida, segundo Dahrendorf. Por que? Com o surgimento da dominação e da sobreposição de uma classe sobre a outra,

o trabalho foi desvirtuado de sua função positiva. Em vez de progresso de todos, passou a ser utilizado para o enriquecimento de alguns. De ato de criação virou rotina de reprodução. De recompensa pela liberdade se transformou em castigo. Enfim, em vez de realização, foi transformado em instrumento de alienação (idem, p. 29. Grifos do autor).

O autor recorre à etimologia da palavra trabalho, do latim tripalium, para justificar, que de, fato, “mesmo nos dias de hoje, o trabalho é utilizado como instrumento para torturar e triturar o trabalhador” (ibidem).

Na seqüência, Cotrim explicita o tópico o processo de alienação – o homem alheio a

si mesmo. O termo do latim significa alheio a alguém, algo pertencente a outro. Observa que,

hoje, o termo tem vários significados e seu uso deve-se muito a Karl Marx, “para quem alienação é o processo pelo qual os atos de uma pessoa são governados por outros e se transformam em uma força estranha colocada em posição superior e contrária a quem produziu” (ibidem). Essa compreensão de alienação que Cotrim atribui a Marx precisa ser olhada mais de perto, o que será feito posteriormente. Continua-se a apresentação de alienação feita por Cotrim. O autor menciona que o campo da alienação não está restrito ao trabalho, na sociedade atual o processo de alienação atinge múltiplos campos da vida humana, faz-se presente, além do trabalho, no consumo, no lazer, nas relações interpessoais e na vida pessoal. Baseado em Erich Fromm, o autor descreve, em linhas gerais, como se dá esse

processo de alienação nesses vários campos da vida humana. Será retratado apenas sua compreensão acerca do trabalho alienado.

O processo de alienação atinge milhões de trabalhadores nas sociedades capitalistas modernas “onde a produção econômica transformou-se no objetivo do homem, em vez de o homem ser o objetivo da produção” (idem, p. 30). O taylorismo (Frederick Taylor – 1856- 1915) é apontado como o responsável pela rotinização do trabalho e a conseqüente alienação. “Esse processo iniciou-se no século XIX, quando o trabalho, na maioria das indústrias, começou a tornar-se cada vez mais rotineiro, automatizado e especializado ao ser subdividido em múltiplas operações” (ibidem). O objetivo do método era economizar tempo e aumentar a

produtividade, é a chamada organização científica do trabalho, diz o autor. A principal

conseqüência do taylorismo é a fragmentação do trabalho, que conduz a uma fragmentação

do saber, o trabalhador perde a noção de conjunto do processo produtivo. Além disso, “a

situação desgastante de rotina e taylorização acaba com o envolvimento afetivo e intelectual que o trabalhador teria com seu trabalho e essa relação vai se tornando fria, monótona e apática” (ibidem). É o que se vê nas indústrias modernas, diz o autor. Os operários estão alheios à produção, “sempre repetindo as mesmas operações mecânicas, o trabalhador produz bens estranhos à sua pessoa, aos seus desejos e às suas necessidades” (ibidem). Esse processo rotineiro e alienado vai transformando o homem em “escravo daquilo que cria por uma razão básica: ele geralmente não desfruta dos benefícios que resultam da sua atividade profissional. O trabalho alienado produz para satisfazer as necessidades do mercado” (ibidem). O autor trabalha com a idéia de que quem se beneficia da produção são os ricos, os “trabalhadores vivem na miséria, moram em barracos de modo estúpido e bitolado” (ibidem). Essa idéia também precisa ser observada com muita atenção, pois revela uma certa compreensão da sociedade capitalista e dos trabalhadores. Seria correto afirmar que os trabalhadores produzem coisas somente para os ricos, enquanto vivem na miséria?

No final do tópico, Cotrim faz uma espécie de conclusão afirmando que “o trabalho alienado costuma ser marcado pela rotinização, pelo desprazer, pelo embrutecimento e pela exploração do trabalhador” (idem, p. 31). Evoca Marx para salientar que essa situação foi percebida por ele em seus textos, dando “alcance filosófico à análise da divisão do trabalho” (ibidem). O texto de Marx que Cotrim se baseia é o do primeiro Manuscrito, XXIII, 7º § (MARX, K. 1944). De fato neste texto Marx afirma que o trabalho alienado se apresenta como algo externo, não realiza o trabalhador, dá uma sensação de sofrimento, cansaço. O trabalho é imposto, forçado. Porém, será que essa compreensão de Marx, acerca do trabalho alienado nos Manuscritos, se sustenta em suas obras posteriores, como, por exemplo, n’O

Capital, ou tratar-se-ia de uma primeira compreensão de Marx acerca do trabalho e da sociedade capitalista? Como Marx vai entender o trabalho, o processo de trabalho em suas obras posteriores? Talvez as respostas a estas e outras questões - que se pode ter lendo outras obras de Marx - possam ajudar na compreensão do trabalho e do trabalho alienado36.

A compreensão do fenômeno da alienação não está circunscrita ao âmbito da produção, Cotrim aponta que esse fenômeno ocorre também no consumo, no lazer, na relação pessoal e social.

Mais para o final do capítulo, Cotrim apresenta a discussão a respeito daquilo que chama o caminho da sociedade do tempo liberado – valorizar ou abolir o trabalho (idem, p. 35). Cotrim recorre a Claus Offe para dizer que nos países de tecnologia avançada observa-se atualmente um declínio da ética do trabalho, isto é, uma “perda de valor do trabalho dentro da vida das pessoas” (ibidem). Offe afirma em trabalho: a categoria-chave da sociologia? que “tratar o trabalho como categoria central da existência humana é um sintoma da crise, mais do que sua cura” (ibidem). Cotrim sustenta que na sociedade contemporânea o trabalho “caracteriza-se como uma atividade basicamente compulsória e heterônoma” (ibidem).

Compulsória porque a pessoa é obrigada a trabalhar para ganhar dinheiro para viver. Heterônoma porque trabalha obedecendo a regras ditadas pelo empregador. Continua Cotrim:

“essas características conferem ao trabalho um poder de alienação do indivíduo. E por isso ele perde seu valor dentro da vida das pessoas” (ibidem).

O autor apresenta a seguinte questão: será possível revalorizar o trabalho, superando

o processo de alienação que ele desencadeia? Cotrim propõe que para uns sim e outros não.

Para os

mais conformados com a situação dominante é possível superar a alienação desde que o trabalhador, por uma atitude interior...aceite tudo o que há de penoso e mortificante na monotonia cotidiana e reconheça a nobreza e o valor social de sua tarefa. Para os mais críticos o trabalho é essencialmente alienante. E pretender que o trabalhador ame esse trabalho é cair no paradoxo de pedir ao homem que ame o desumano... Por isso, a proposta desta corrente não consiste em desalienar o trabalho, mas aboli-lo, liberando o tempo dos indivíduos. A liberação do tempo poderia ter como meta a criação de atividades voluntárias e autônomas. Elas seriam exercidas por pessoas que teriam o poder de decidir sobre suas próprias vidas, seus corpos e objetivos (idem, p. 36).

Considerar Claus Offe como entre os mais críticos permite-nos perguntar o que é ser mais crítico? Crítico do quê? Dizer qualquer coisa sem mediação histórica é sinal de ser

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A priori, pode-se dizer que, em Marx, há um processo de elaboração e superação. No que se refere a alienação, a compreensão inicial do autor parece ser a de entender a alienação como expropriação e posteriormente como exploração, conforme exposto no capítulo quatro item 5.

crítico? Que sociedade é esta? Que lugar é este onde as pessoas teriam o poder de decidir

sobre suas próprias vidas, seus corpos e seus objetivos? No capitalismo contemporâneo, ou

nos países de tecnologia avançada? O próprio Cotrim, citando Marx no início do capítulo, descreveu o trabalho como eterna necessidade do homem, como agora apresenta coisas tão desconexas?

Encerrando o capítulo, Cotrim ressalta aquilo que chama as perspectivas de uma

sociedade do tempo liberado, no qual sustenta que a tese da abolição do trabalho compulsório

e heterônomo já é um processo em curso. “Nos grandes centros capitalistas, a crescente automatização tecnológica da produção vem suprimindo diversas tarefas rotineiras, antes desempenhadas pelos trabalhadores” (idem, p. 36). O autor observa que há uma “alternativa opressiva e anti-social, que geraria uma sociedade do desemprego. Mas há também a alternativa da abolição libertadora do trabalho, que conduziria à construção de uma sociedade do tempo liberado” (idem, p. 37). Cotrim cita o autor André Gorz como um dos que sustentam a tese da liberação do trabalho. afirma Gorz:

O trabalho socialmente útil, distribuído entre todos os que desejam trabalhar, deixa de ser a ocupação exclusiva ou principal de cada um: a ocupação principal pode ser uma atividade ou um conjunto de atividades autodeterminadas levadas a efeito não por dinheiro, mas em razão do interesse, do prazer ou da vantagem que nela se possa encontrar. A maneira de se gerir a abolição do trabalho e o controle social desse processo serão questões políticas fundamentais dos próximos decênios

(GORZ, A. Adeus ao Proletariado, p. 12. Apud COTRIM p. 37). A sociedade do tempo liberado porá fim à ordem social opressiva de uns sobre os outros. “A base dessa nova sociedade seria o respeito à autonomia e autodeterminação das pessoas, isto é, o direito de cada um assumir o controle de seu próprio destino” (ibidem). Cotrim parece ter aberto mão de qualquer processo revolucionário. O capital vai permitir a

autodeterminação das pessoas. A ciência e a técnica configuradas naquilo que ele chama de automação vão permitir a liberação do trabalhador. A automação é sujeito, tem vida própria e

capacidade de libertação. Essa parte final do capítulo não seria a-histórica? Não seria uma espécie de utopismo descabido?

4.3. FILOSOFANDO – Introdução à Filosofia. Outro livro didático, também indicado