• Aucun résultat trouvé

Les effets du « quartier sensible » sur l’action associative

I1 : Genèse des politiques de la ville en France

I.1.6. Les effets du « quartier sensible » sur l’action associative

Após a realização das entrevistas tornou-se necessária a sua transcrição integral em documentos de texto. Esta transcrição foi realizada ouvindo as entrevistas e transcrevendo- as. Ao longo da sua transcrição foram sendo de imediato conquistadas ideias, formuladas categorias e identificadas variáveis. Assim, pode-se dizer que o processo de análise iniciou-se logo na fase de transcrição. Após a transcrição das entrevistas, as mesmas foram inseridas como fontes de dados no software WebQDA (Web Qualitative Data Analysis) dando-se início à análise de conteúdo.

A análise de dados qualitativa foi suportada, como foi referido anteriormente, através da utilização de um software denominado WebQDA, cuja aplicação foi desenvolvida, em parceria, entre a Universidade de Aveiro e a entidade Esfera Critica. Este software não necessita de software específico, podendo o seu acesso ser realizado através do site www.webqda.com. Souza et al. (2010) entendem que este software é uma aplicação que trata os dados não numéricos e não estruturados cuja origem poderá ocorrer das demais fontes, desde entrevistas, documentos, vídeos, fotografias, notas de campo, processos judiciais, relatórios clínicos, entre outros.

O WebQDA é um software direcionado a investigadores que precisem de analisar dados qualitativos de forma: individual ou colaborativa e síncrona ou assíncrona. Este software segue o desenho quer estrutural quer teórico de outros programas nomeadamente do NVivo, Atlas.ti, MaxQDA distinguindo-se pela sua forma de trabalho colaborativa online em tempo real e um serviço de apoio à investigação (Souza, et al., 2011a).

O software é composto, fundamentalmente, em três partes estruturantes, designadamente, as fontes, a codificação e o questionamento, como se pode ver na figura seguinte.

Figura 6 - Partes estruturais do WebQDA

As fontes reportam-se ao espaço onde o investigador colocará os dados que recolheu, nomeadamente, texto, imagem, vídeo ou áudio (Souza, et al., 2011a). As fontes utilizadas na análise qualitativa consistem nas entrevistas realizadas.

Quanto à codificação, os mesmos autores salientam que podem ser criadas dimensões, indicadores ou categorias, quer sejam de natureza interpretativa ou de natureza descritiva. Referem ainda que “é da interligação entre as fontes e a codificação que, através dos procedimentos de codificação disponíveis o investigador poderá configurar o seu projeto para que tenha lugares” de forma estruturada e interligada” (Souza et al., 2011a:53).

Por fim, o questionamento compreende o output da análise de conteúdo. Souza, et al. (2011a:55) referem que “este procedimento procura, dentro do sistema de categorias já codificado pelo investigador, padrões e relações entre os dados”. Nesta fase são disponibilizadas ferramentas, designadamente, palavras mais frequentes e as matrizes.

Souza et al., (2011b:27) referem que a procura por “palavras mais frequentes” junta todas as n palavras mais recorrentes de toda a fonte de dados ou parte dela. O resultado é uma lista de palavras com o número de vezes que estas n palavras aparecem nos diversos documentos”. As “matrizes” são funcionalidades versáteis para responder a diversas perguntas do investigador. Este procedimento procura, dentro do sistema de categorias já codificado pelo investigador, padrões e relações entre os dados”.

Contudo, qualquer que seja a abordagem de pesquisa escolhida no decurso de uma investigação existe um conjunto de preocupações que devem ser tidas em conta de forma a garantir a qualidade da investigação.

Tabela 13 - Preocupações com a qualidade de pesquisa Autor (Ano) Critérios de avaliação da qualidade de uma pesquisa Pontos-chave Stenbacka (2001) Validade

É uma das partes mais importantes, uma vez que se refere à credibilidade e ao grau de correção da descrição, da conclusão, da explicação e da interpretação dos dados. A forma de recolha dos dados qualitativos, normalmente associada a elevada interação entre investigador e respondente, induz à possibilidade de se obter uma boa qualidade dos dados. Isto acontece uma vez que os significados de cada frase, questão, tópico, podem ser explicados, clarificados e controlados pelo investigador garantindo assim, que o respondente possa compreender a questão. A compreensão do fenómeno é valida se o informante é parte do problema e se lhe é oferecida a oportunidade de se expressar livremente de acordo com o seu conhecimento. Deste modo a validade é confirmada utilizando o método de não forçar entrevistas com informantes habilmente bem informados sobre a temática. “Continua”

Autor (Ano) Critérios de avaliação da qualidade de uma pesquisa Pontos-chave Stenbacka (2001) Fiabilidade

A principal questão relaciona-se com a capacidade do método reproduzir o mesmo resultado de forma sistemática, independentemente do investigador. A fiabilidade encontra-se associada à possibilidade do mesmo estudo poder ser repetido por outro investigador obtendo resultados iguais. Enquanto que na validade, esta pode ter significado distinto mas significativo no domínio da pesquisa qualitativa, no caso da fiabilidade, esta não parece perder relevância do ponto de vista da abordagem qualitativa.

Yin (2009)

Stenbacka (2001)

Generalização

Possibilidade de as conclusões obtidas poderem ser generalizadas a toda a população. A adoção do conceito de amostra na pesquisa qualitativa induz em equívoco, pois trata-se de amostras de número bem mais reduzido e com natureza indutiva, deste modo são fortemente criticadas por falta de generalização e validade. No entanto o termo amostra é criticado no sentido em que se relaciona com uma determinada população, ora numa abordagem qualitativa os resultados prendem-se generalizáveis em relação à teoria e não à população.

São muitas vezes os próprios investigadores das pesquisas qualitativas que induzem neste erro sistemático, chamando a atenção para o reduzido número de casos da sua amostra, como uma limitação do estudo. A solução passa por diferenciar a generalização estatística da analítica. A capacidade analítica torna-se possível através da ligação do material adquirido ao comportamento do indivíduo, com a intenção de perceber as suas motivações.

Walker (1995) Rigor

É comum a qualidade das investigações ser avaliada em função do seu rigor, associado à forma como o trabalho é desenvolvido de forma cuidadosa e sistemática. A análise do material qualitativo é claramente mais interpretativa, criativa e pessoal que na abordagem quantitativa, o que não quer dizer que não deva igualmente ser rigorosa e sistemática.

Spiggle (1994)

Utilidade

Deve ser avaliado até que ponto o trabalho produzido estimula a pesquisa futura. De acordo com o autor, existem dois testes que podem ser realizados com o intuito de aferir a utilidade:

1) Questionar até que ponto os pesquisadores criam relações entre as suas representações e as questões centrais, problemas e debates nesse campo de investigação;

2) Averiguar se os constructos, ideias e quadros de referência são apropriados a outras investigações, contextos e domínios.

Integração Deseja-se que os constructos, ideias e modelos possam proporcionar formas novas e criativas de olhar a experiência e o comportamento.

Inovação

O pesquisador deve interrogar-se se o trabalho desenvolvido consegue alcançar um modelo integrador, uma visão holística do problema e não apenas o descrever de um conjunto de temas provenientes dos dados.

Ressonância

A reflexão deve ter como base as questões:

1) Até que ponto o trabalho produzido é iluminador, ressonante, evocativo e sensibilizador;

2) Até que ponto a representação estabelecida enriquece o entendimento acerca dos fenómenos idênticos, similares ou distintos?

Autor (Ano) Critérios de avaliação da qualidade de uma pesquisa Pontos-chave Spiggle (1994) Adequação

Na avaliação da pesquisa o investigador deve ter em atenção até que ponto existe uma base de fundamentação suficiente nos dados que permita a sua representação. Em última instância, e para todas as pesquisas é avaliada a qualidade das ideias e a dimensão pela qual podemos confiar nessas ideias como representações da realidade. Fonte: Elaboração Própria

Face ao anteriormente exposto, depreende-se que a investigação teve em atenção todos os procedimentos de modo a obedecer aos critérios mencionados na tabela anterior com o intuito de aferir a qualidade de uma pesquisa, assegurando assim uma maior validação científica de toda a investigação.

No entanto torna-se também importante abordar as considerações éticas. No sentido de respeitar de forma rigorosa os princípios éticos sobre os quais a investigação científica deve possuir, procurou-se ter-se em atenção um conjunto de cuidados, nomeadamente:

 No início de todas as entrevistas foi solicitada autorização para a mesma ser gravada em áudio;

 Foi estabelecido um compromisso com os entrevistados de que após a transcrição das entrevistas, as gravações de voz seriam eliminadas, foi transmitida também a importância da sua participação e o valor da informação transmitida para o decurso da pesquisa;

 Foi garantida confidencialidade relativamente aos seus dados, deste modo as citações utilizadas na fase da análise dos dados serem identificadas com um “E” (Entrevistado) e um algoritmo, relativo ao número da entrevista;

 Foi garantido que se os entrevistados o desejassem teriam acesso às conclusões da investigação desenvolvida;

 Outra das preocupações foi transcrever fielmente a totalidade da entrevista.

Em suma, no sentido de conferir elevado rigor ético à investigação, mas também com o intuito de potenciar a sua credibilidade existiu uma grande preocupação de que a realidade fosse traduzida o mais fielmente possível. Assim, existiu um cuidado de rigor, transparência e imparcialidade desde a recolha dos dados, passando pela transcrição das entrevistas, pela codificação dos dados até à sua análise e interpretação.

5.Apresentação e discussão dos resultados