UNE DOUBLE ANALYSE DE NOS DONNEES
CHAPITRE 1 : MACRO-ANALYSE DES TROIS CM DU CORPUS
2. Structure organisationnelle
2.3. Amélioration de la première macro-analyse
No momento de ser definido o plano de Intervenção psicomotora (tabela 6), não só foram tidos em conta os dados obtidos através dos processos de avaliação formal, realizados através da aplicação do EGP e do MMSE, como pela observação realizada e foi também percebido, entre equipa, quais eram as principais dificuldades que a residente evidenciava nas suas rotinas diárias. Assim, e considerando que as síndromes demenciais e o processo de envelhecimento têm impacto a vários níveis, procurou-se que a intervenção psicomotora fosse o mais abrangente possível, havendo objetivos a vários níveis, com diferentes graus de prioridade.
Tabela 6 - Resumo dos objetivos e respetivo impacto do plano de intervenção
Objetivo Geral Objetivos Específicos Objetivos Operacionais Impacto na vida diária
Motricidade global
Aumentar a amplitude dos movimentos dos membros superiores e
inferiores.
Afastar os braços em relação à linha média do corpo.
Necessário nas tarefas de autocuidado, de vestir e na independência nas refeições (movimento de levar a colher à
boca). Aumentar a
coordenação dos movimentos dos membros superiores.
Realizar movimentos onde utilize, simultaneamente, o braço esquerdo e o braço direito (pegar
um objeto de grandes dimensões, ser capaz de vestir um casaco com menos ajudas).
Motricidade fina
Melhorar a utilização cooperativa dos membros superiores.
Ser capaz de manipular um prato, enquanto come, de forma
a facilitar a tarefa.
Importante nos momentos da refeição, em que necessita da pega fina para manipular os talheres, sendo que quanto mais
preciso e mais ágil for este movimento, menor serão as ajudas dadas neste período. Melhorar a
coordenação dos movimentos finos.
Pegar num objeto e realizar uma tarefa sequencial com ele (colocar num local pedido, fazer
uma construção). Estruturação temporal Promover a noção da sequencialização e associação de horas a tarefas.
Identificar sequências da sua rotina (autocuidado / pequeno- almoço, almoço, terapia, jantar)
aos períodos do dia (respetivamente manhã, meio-
dia, tarde, noite).
Pertinente na medida em que lhe causava desconforto não perceber que horas eram nem o
que iria fazer.
Comunicação verbal
Promover a fluência
do discurso. Manter uma conversa com continuidade. Elemento facilitador na comunicação com os cuidadores,
uma vez que uma das queixas é que se perde no discurso e não consegue articular uma ideia). Estimular a
capacidade de exprimir opiniões e
necessidades.
Dizer a sua opinião em relação a tarefas realizados (se gostou ou
não, se sentiu conforto ou desconforto).
Relativamente à motricidade global, e apesar da boa cotação no EGP, a residente manifestou grande dificuldade em realizar movimentos amplos, o que condicionava bastante as tarefas de autocuidado, de vestir e de alimentação. Assim, optou-se por, em atividades de ativação geral, realizar movimentos que estimulassem esta questão. Aqui houve sempre a preocupação de que os movimentos se traduzissem numa fonte de bem-estar, aspeto valorizado por Morais (2007), Olalla (2009) e Rodríguez (2002). O recurso aos materiais mostrou ser um facilitador, na medida em que a residente se envolvia mais nas atividades. Assim, utilizaram-se, com frequência, os arcos e os tecidos grandes, que, para serem manipulados, implicavam um maior afastamento dos membros em relação à linha média do corpo. Aliado a este objetivo surgiu a importância de, simultaneamente, ser trabalhado o planeamento motor e, consequentemente, a capacidade de resolução de problemas, através da manipulação dos materiais.
Gerontopsicomotricidade em Contexto Institucional e Comunitário | Influência dos Materiais na Intervenção
sobretudo na hora das refeições e pelo facto de, por estas dificuldades, ter deixado de participar no atelier de animação sociocultural, onde realizava atividades de pintura. Assim, em sessão, procurou-se realizar atividades de manipulação de peças pequenas, encaixes e construções. Estas atividades, por consequência, estiveram também relacionadas com a perceção da disposição dos objetos no espaço, que foi também um dos objetivos com mais enfoque do plano terapêutico. Especificando a questão anteriormente referida, na sua vida diária, notavam-se algumas dificuldades neste parâmetro, nomeadamente na posição dos objetos da mesa de refeições, onde nem sempre conseguia organizar no espaço os utensílios utlizados na mesa.
Quanto à estruturação temporal, uma das capacidades perdidas e avaliadas pelo
EGP, foi a tarefa de ver as horas. Esta dificuldade causava desconforto à residente uma
vez que, e estando sentada na sala numa posição que lhe permitia ver com frequência o relógio, confrontava-se com a dificuldade de ser incapaz de compreender as informações que o relógio dava. Paralelamente, surgiu também a questão de as rotinas serem securizantes nos processos demenciais, o que seria facilitado pela associação dos horários aos momentos dos dias.
Por último, na comunicação verbal, e apesar da residente compreender o que lhe era dito e ser bastante expressiva, na altura de responder, nem sempre conseguia articular o discurso da melhor forma e utilizar as palavras corretas. É importante referir que este objetivo não se encontrou isolado no âmbito da fluência do discurso, uma vez que envolvia a evocação de palavras, o que se relaciona com a memória. Da mesma forma, e quando referida a expressão de queixas de dor, as mesmas estão também relacionadas com a identificação e nomeação das partes do corpo, parâmetro esse onde a residente obteve a cotação quase total no EGP e que não se revelou como fator em declínio.
Outro dos objetivos que se sentiu, fortemente, a necessidade de ser trabalhado, foi a atenção, nomeadamente a atenção sustentada, uma vez que uma das situações notadas foi que se perdia, frequentemente, nas atividades, depois de as iniciar. Sendo a sessão um momento de atividades estruturadas, é esperado que, à medida que a intervenção vá decorrendo, seja um fator que vá melhorando, conforme sugerem Nuñez e González (2001, 2012). Assim, não houve atividades especificamente destinadas à atenção, por ser um objetivo transversal a todas as tarefas, monitorizando-se o tempo de permanência de atenção em cada uma delas.