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Chapitre I : Préliminaires : quelques précisions sémantiques

I.4 Concept de lieu théologique

I.4.1 Première élaboration : sources du concept

Segundo Canário, a “visibilidade” dos processos educativos não formais ocorre e

afirma-se, progressivamente, a partir da segunda metade do século XX e corresponde a um fenómeno (…) de práticas educativas orientadas para públicos adultos (Canário,

2006:160). No entanto, o conceito de educação de adultos emergiu a partir do século XIX, associado a dois fenómenos sociais relevantes: o desenvolvimento de movimentos sociais de massas (movimento operário) e a democratização, desenvolvimento e consolidação dos sistemas escolares nacionais, este último já no século XX. Na década de 70, a questão da aprendizagem nos adultos surgiu com maior ênfase associada às questões da formação ao longo da vida por via da teoria de Malcolm S. Knowles (Inácio, 2007), que desenvolveu a andragogia como a arte e a ciência de ajudar/orientar os adultos a aprender e na qual defendia que os adultos necessitam de ser participantes ativos no seu processo de aprendizagem. Knowles (Inácio, 2007) sustentava que os adultos aprendem de forma diferente das crianças e que as práticas de educação e formação teriam de ser diferentes. Para que o processo de aprendizagem nos adultos subsista, deverão estar presentes as seguintes valências:

 Intenção/disposição – os adultos estão dispostos a iniciar um processo de aprendizagem desde que compreendam a sua utilidade para melhor enfrentar problemas reais da sua vida pessoal e profissional;

 Orientação - a aprendizagem nos adultos é orientada para a resolução de problemas e tarefas com que se confrontam na vida quotidiana;

 Motivação - são os fatores de ordem interna que motivam o adulto para a aprendizagem tal como a satisfação, autoestima e a qualidade de vida.

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 Subjetividade - o processo de aprendizagem depende das características daqueles que aprendem, da sua experiência pessoal, dos conhecimentos anteriores, das expectativas, crenças e valores;

 Dinâmica: a aprendizagem só acontece se existir interação durante o processo, devem ser criadas as condições de aprendizagem necessárias;

 Continuidade: a aprendizagem acontece ao longo de toda a vida, a toda a hora se aprende e se acresce algo de novo ao já conhecido;

 Acumulação: os novos conhecimentos adquiridos e os anteriores agregam-se.

Para além destes valimentos, também contribui para o processo de aprendizagem uma influência direta decorrente da sociedade e do ambiente em que vive o sujeito aprendente. De facto, os conhecimentos detidos pelos adultos são de diferentes formas e de diferente natureza e não se limitam àqueles que resultam da sua trajetória escolar e/ou profissional, alargando-se também aos saberes constituídos nos diferentes contextos de vida, interligados ao seu papel social e ao meio ambiente em que vive.

A psicologia, enquanto ciência que estuda o comportamento humano, tem dedicado uma boa parte da sua investigação à temática da aprendizagem, por parte de distintos investigadores ao longo dos tempos. Várias teorias explicam a aprendizagem, sendo cada uma assente em bases psicológicas e princípios pedagógicos distintos, indicativos de uma evolução no entendimento sobre a educação e a aprendizagem e, consequentemente, a utilização de diferentes formas de educar. De forma abreviada, apresentam-se:

 A teoria comportamentalista -parte do pressuposto de que todas as pessoas aprendem um mesmo comportamento da mesma forma. Para estes teóricos, desde que as condições de aprendizagem sejam sempre as mesmas, todos os indivíduos devem obter o mesmo resultado na aprendizagem, não existindo necessidade de diferenciar os indivíduos;

 A teoria da aprendizagem social - o indivíduo não precisa experimentar para aprender. Pressupõe que se aprende por observação, isto é, a alteração de comportamento resulta da observação dos comportamentos dos outros e esta observação permite-lhe extrair regras e princípios gerais de comportamento;

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 A teoria cognitivista – para existir aprendizagem tem de ocorrer uma mudança da estrutura cognitiva do sujeito, na forma como ele entende, seleciona e organiza os objetos e os acontecimentos e nos significados que lhes atribui. A capacidade de aprender novas ideias depende do conhecimento prévio e das estruturas cognitivas já existentes no indivíduo e as novas informações que o sujeito recebe são relacionadas umas com as outras e provocam alterações cognitivas na estrutura existente. A motivação é um elemento de grande importância no processo de aprendizagem, porque o que leva a querer aprender são, principalmente, as suas necessidades internas, a sua curiosidade e as suas expectativas;

 A teoria construtivista - o conhecimento é produto da interação do homem com o meio físico e social, assim como a inteligência. Significa que o conhecimento não é dado, é construído através de interações sociais e o sujeito é um participante ativo, faz interpretações das experiências, elabora e testa essas interpretações e apropria-se das informações dadas;

 A teoria humanista que centra o estudo na particularidade de cada ser humano, na complexidade e singularidade de cada pessoa nos seus motivos e interesses. Encara a aprendizagem numa perspetiva de desenvolvimento da pessoa humana e no papel determinante que tem na aprendizagem a qualidade da relação entre quem ensina e quem aprende, a empatia, a confiança, o clima afetivo do grupo de aprendizagem e a aceitação do erro como uma condição inerente ao processo de aprendizagem.

Mas, na realidade, o objetivo da aprendizagem não está na própria aprendizagem e a sua particular importância não se encontra na forma como se aprende, mas sim nos efeitos e nas modificações que o processo de aprendizagem surte no comportamento exterior e no processo de adaptação ao meio envolvente de quem aprende. Os efeitos

(…) implicam a concretização de mudanças duráveis, de comportamentos e atitudes, decorrentes da aquisição de conhecimentos na ação e da capitalização de experiências individuais e coletivas. Este ponto de vista valoriza a aprendizagem (…) entendendo-a como um processo apropriativo de oportunidades de natureza educativa vivenciadas na vida quotidiana que se definem pelas consequências (efeitos) e não pela sua intencionalidade (Canário, 2006:163).

37 Na aprendizagem de adultos, existe uma relação de aglutinação entre as aprendizagens decorrentes da aprendizagem formal e as aprendizagens ganhas pelas experiências, resultando numa dinâmica de construção de competências. As competências resultam da combinação de saberes de diferente natureza, são combinações complexas de atributos (conhecimentos, atitudes, valores, estratégias cognitivas, aspetos comportamentais) que são mobilizados para funcionar em situações particulares. A dinâmica do desenvolvimento de competências só pode ser entendida no cruzamento e na relação entre os diversos contextos de vida do adulto e ao longo das suas trajetórias de vida. A construção de competências é sempre contextualizada, em termos pessoais e sociais, sendo indissociável do sentido atribuído pelo sujeito, da motivação, das expectativas e das finalidades percebidas. Neste sentido, o processo de “construção” de competências é distinto da aquisição

tradicional de saberes: traduz um deslocamento entre um sujeito consumidor de formações para um indivíduo ator da sua formação e do seu percurso profissional

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Competence is the proven ability to perform a task or operation to a predetermined standard. In order to be competent it is necessary to possess different types of competences in work or study situations. These include: cognitive competence, functional or methodological competence, personal competence and ethical competence.

Eunec (2006: 3)

3.4. Aquisição de competências para o século XXI; Grupos de risco;