O procedimento de análise dos dados desta pesquisa, iniciou-se desde o momento em que foram retornados os primeiros questionários (APÊNDICE B) respondidos pelo grupo focal (6 egressos (as) do CPLM / UFRN). A partir deste retorno, foram criadas pastas individualizadas para cada questionário (APÊNDICE B) com a identificação do (a) respondente. Tais pastas foram todas anexadas a um arquivo ao qual se deu a nomeação de Egressos CLPM / UFRN. Essa etapa deu-se por questão de organização prévia do material a ser analisado, pois, desta forma, os procedimentos da análise de conteúdos destes dados seriam objetivados, visto a organização e identificação de cada um dos questionários respondidos (APÊNDICE B) por pastas. Essa ação de organização prévia do material a ser analisado, findou por tornar as inúmeras consultas aos dados ainda em fases primeiras de análise mais fluentes.
Dando prosseguimento a primeira etapa de organização do material a ser analisado por pastas individuais, partiu-se para a etapa que Bardin (2011) denomina por pré-análise que teve como finalidade, tornar as ideias iniciais da pesquisa sistematizadas e operacionais, assim fazendo fluir de forma adequada os demais procedimentos da análise dos dados. Nesta fase, foram novamente consultados os objetivos desta pesquisa, para assim elaborar-se os indicadores de fundamentação e interpretação da análise final.
Partindo-se deste ponto de organização, começou-se a análise de conteúdo propriamente dita por uma leitura flutuante de cada um dos questionários (APÊNDICE B). Sobre a leitura flutuante, Bardin (2011, p. 126) coloca que “[...] consiste em estabelecer contato com os documentos a analisar e em conhecer o texto deixando-se invadir por impressões e orientações [...] pouco a pouco a leitura vai se tornando mais precisa.”
A partir desta fase, recorreu-se ao problema de pesquisa e a hipótese lançada a priori, para que assim, a análise de conteúdo desta pesquisa pudesse estar em conformidade com os objetivos lançados para a mesma bem como para as categorias que já tinham sido pré- definidas nesta etapa, categorias essas relacionadas ao referencial teórico da pesquisa e aos objetivos da mesma. Seguiu-se, então, para a classificação de elementos textuais que permitiram que a análise de conteúdo entrasse na etapa de procedimentos exploratórios.
Começou-se, então, na análise do conteúdo dos dados desta pesquisa pelo procedimento de referenciação dos índices e pela elaboração de indicadores. Nesta etapa, foram separadas as respostas em grupos e, cada grupos de respostas foi arquivado em pastas caracterizadas pela letra R (Resposta) seguida de uma numeração, por exemplo: R3.1. Esta representação correspondeu precisamente ao grupo de respostas dadas pelos (as) participantes a pergunta de número 3.1 do questionário aplicado (APÊNDICE B), acontecendo assim nesta etapa da análise de conteúdo dos dados levantados por esta pesquisa, a codificação do material.
Antes de ser feita a contagem das unidades de registro (as palavras plenas) foi efetuada uma análise nas unidades de contexto dos dados, o que tornou a compreensão das unidades de registro mais exata. Segundo Bardin (2011) torna-se necessário, em alguns casos, fazer referência ao contexto próximo ou longínquo da unidade a ser registrada. Deu-se então, a partir desta etapa, o destaque dos termos (sinônimos e classes) ligados e correspondentes as categorias pré-estabelecidas. Esse destaque foi feito a partir de cores definidas para cada conjunto de palavras plenas (as unidades de registro). Tal procedimento aconteceu visando a objetivação na contagem das repetições de cada um destes termos (palavras plenas).
Nesta etapa, iniciou-se a primeira fase da análise de conteúdo desta pesquisa, a chamada codificação. Bardin (2011) afirma que a codificação corresponde a uma transformação nos dados do texto (o que aqui corresponde às respostas do questionário (APÊNDICE B)) a partir de regras precisas, o que pode acontecer por recorte, agregação e enumeração, esta ação é assim suscetível a esclarecer as características do texto para quem o está analisando.
Assim, a partir da finalização destas etapas iniciais, foi iniciado o processo de categorização, o que nas palavras de Bardin (2011), é uma operação de classificação e reagrupamento de elementos de um conjunto de elementos constitutivos, sendo assim as categorias classes, as quais reúnem os grupos de elementos, as unidades de registro. O critério de categorização utilizado pela análise de conteúdo desta pesquisa foi léxico, o que significa que foi utilizada a classificação das palavras e agrupamento das mesmas segundo o seu sentido próximo e sinônimos.
Prontamente, a análise de conteúdo desta pesquisa prosseguiu por uma segunda fase a qual Bardin (2011) nomeia de exploração do material. Sobre a exploração do material de análise torna-se significante afirmar que não houve a utilização de programa (s) de computador, embora se tenha utilizado alguns gráficos para ilustrar esta dissertação, a exploração destes dados deu-se manualmente, em seguida, os dados seguiram para a terceira fase da análise em que foram tratados e interpretados.
Considera-se no referente à análise dos dados provenientes desta pesquisa, que por ter- se optado por trabalhar com a análise de conteúdo valendo-se, para isto, da fundamentação desenvolvida a partir do referencial teórico de Bardin (2011) agregou-se refinamento quanto à qualificação nas percepções do objeto de pesquisa.
Entende-se que nesse referencial teórico, Bardin (2011) cumpre com as prorrogativas necessárias ao descrever o conteúdo do processo de comunicação entre os nossos colaboradores, ou seja, proporcionou uma interpretação íntegra e contextualizada das respostas obtidas através dos questionários (APÊNDICE B) que foram respondidos pelos (as) participantes desta pesquisa. Sobre a análise de conteúdo (AC), Cavalcante; Calixto; Pinheiro (2014, p. 15), contribui a partir da compreensão de que:
A análise de conteúdo, neste cenário, emerge como técnica que se propõe à apreensão de uma realidade visível, mas também uma realidade invisível, que pode se manifestar apenas nas ‘entrelinhas’ do texto, com vários significados. Neste sentido a análise requer uma pré-compreensão do ser, suas manifestações, suas interações com contexto, e principalmente requer um olhar meticuloso do investigador. Para isso, é importante verificar os níveis que estruturam uma pergunta de pesquisa tais como o saber que penetra tangencialmente ou lateralmente, o saber concomitante e atemático e ainda o pré-saber não singularmente determinado. Em síntese, a atitude científica é por buscar respostas e consequentemente o encontro ou a aproximação com as soluções encontradas por meio de procedimentos metodológicos estruturados no ato de perguntar. É neste contexto que a análise de conteúdo se insere, pois, possui a sistematização necessária à produção de respostas frente aos questionamentos, mas precisa ser utilizada onde a pergunta de pesquisa remete a este método. É neste sentido que se
complementam ‘pergunta’ e método de análise com o intuito de respostas ou aproximações fidedignas. Pode estar aqui a gênese de uma boa pesquisa e da evolução do conhecimento.
De acordo com Bardin (2011, p. 15) “[...] a análise de conteúdo é um conjunto de instrumentos metodológicos cada vez mais sutis e em constante aperfeiçoamento, que se aplicam a discursos (conteúdos e continentes) extremamente diversificados”. Ainda complementa afirmando que, é, pois, uma hermenêutica controlada, baseada na dedução: a inferência.
Os métodos de análise de conteúdo, de acordo com Bardin (2011), tem como objetivos:
a superação da incerteza;
e o enriquecimento da literatura.
As superações das incertezas fazem com que o (a) pesquisador (a) se pergunte se a sua interpretação da mensagem está sendo coerente, ao ponto de que esta visão particular do (a) pesquisador (a) possa ser partilhada e compreendida por outros (leitores em geral de suas aferições).
Já sobre o enriquecimento da leitura, Bardin (2011) coloca que, sendo o olhar imediato fecundo bem mais então será o olhar atento (uma leitura atenta), pois, com isso, aumenta a produtividade e pertinência sobre o lido, pelo entendimento que o propósito da mensagem passa bem como a partir de um maior esclarecimento através de uma leitura correta feita sobre os elementos de significações desta leitura.
A AC, segundo Bardin (2011), possui as seguintes funções:
Heurística: a AC enriquece a tentativa exploratória e aumenta a propensão para a descoberta;
Administração da prova: a AC funciona com o sentido de confirmação ou de infirmação de hipóteses ou afirmações provisórias.
O campo de aplicação da AC é o campo das comunicações, por isso, a AC é um conjunto de técnicas de análises das comunicações. A natureza do código e do suporte da mensagem bem como a quantidade de pessoas implicadas na comunicação são critérios que sistematizam o conjunto dos tipos de informação, potencializando a aplicação das técnicas da análise de conteúdo.
A AC pode tanto destinar-se a análise de significantes quanto de significados. Por análise de significantes pode-se citar, como exemplo, a análise lexical bem como a análise
temática que exemplifica uma AC destinada a analisar o significado (BARDIN, 2011). Bardin (2011) também aponta que a inferência de conhecimentos relativos à condição de produção é a intenção da análise de conteúdo.
Nesta pesquisa foi utilizada a análise de significantes, ou seja, uma análise lexical. Sobre a análise lexical, Bardin (2011), afirma que, para fazer um estudo do código de um texto, são necessárias:
Convenções: Quanto ao vocabulário, pode-se enumerar num texto:
o número total de palavras presentes ou ocorrências;
o número total de palavras diferentes ou vocábulos; estes vocábulos representam o vocabulário (ou reportório léxico, campo lexical) que o autor do texto utiliza;
a relação ocorrências / vocábulos (ou O / V) dá conta da riqueza (ou da pobreza) do vocabulário utilizado pelo autor da mensagem, visto que indica o número médio de repetições por vocábulo no texto.
Bardin (2011) também coloca que existe dois tipos, duas formas de classificação das unidades de vocábulo, são elas as palavras plenas e as palavras instrumento:
Quadro 6 - Tipologia das palavras
PALAVRAS PLENAS PALAVRAS INSTRUMENTO
Palavras portadoras de sentido (substantivos, adjetivos, verbos).
Palavras funcionais de ligação (artigos, preposições, pronomes, conjunções, etc.).
Fonte: Bardin (2011).
Nota: Quadro 6 idealizado pela autora desta dissertação baseado em Bardin (2011).
O modo e/ou tempo dos verbos presentes no texto também podem ser estudados desde que o (a) pesquisador (a) analista credite significado para esta ação.
Sobre a análise qualitativa das unidades de vocábulo por ordenação frequência, Bardin (2011, p. 83) coloca que:
Por último, a análise qualitativa das unidades de vocabulário por ordenação frequencíal segundo o sentido, pode fornecer informações. De igual modo, alguns aspectos sintáticos - organização da frase, por exemplo, - são susceptíveis de ser reveladores das características de um discurso, ou podem fornecer a confirmação de certas hipóteses formuladas.
Figura 6 - Fases da Análise de Conteúdo
Fonte: Bardin (2011).
Nota: Figura 6 idealizada pela autora
desta dissertação baseado em Bardin (2011).
Na pré-análise se faz a “[...] organização propriamente dita. Corresponde a um período de intuições, mas, tem por objetivo tornar operacionais e sistematizar as ideias iniciais, de maneira a conduzir a um esquema preciso do desenvolvimento das operações sucessivas, num plano de análise” (BARDIN 2011, p. 126). Ainda afirma que: “A pré-análise tem por objetivo a organização, embora ela própria seja composta por atividades não estruturadas, ‘abertas’, por oposição à exploração sistemática dos documentos” (BARDIN, 2011, p. 126).
Na exploração do material, Bardin (2011, p. 131) expõe que:
Se as diferentes operações da pré-análise foram convenientemente concluídas, a fase de análise propriamente dita não é mais do que a administração sistemática das decisões tomadas. Quer se trate de procedimentos aplicados manualmente ou de operações efetuadas pelo ordenador, o decorrer do programa completa-se mecanicamente. Esta fase, longa e fastidiosa, consiste essencialmente de operações de codificação, desconto ou enumeração, em função de regras previamente formuladas.
Com relação à terceira fase, o tratamento dos resultados obtidos e interpretação e inferência são vistos por Bardin (2011, p. 131) como:
Os resultados brutos são tratados de maneira a serem significativos (‘falantes’) e válidos. [...] O analista, tendo à sua disposição ·resultados significativos e fiéis, pode então propor inferências e adiantar interpretações a propósito dos objetivos previstos - ou que digam respeito a outras descobertas inesperadas.
A inferência dos dados na AC qualitativa, de acordo com Bardin (2011) caracteriza-se pela presença do índice, que pode ser o tema, a palavra, um personagem e etc.
Sobre a categorização, Bardin (2011, p. 147) discorre da seguinte forma:
A categorização é uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e, em seguida, por reagrupamento segundo o gênero (analogia), com os critérios previamente definidos. As categorias, são rubricas ou classes, as quais reúnem um grupo de elementos (unidades de registro, no caso da análise de conteúdo) sob um título genérico, agrupamento esse efetuado em razão dos caracteres comuns destes elementos. O critério de categorização pode ser semântico (categorias temáticas: por exemplo, todos os temas que significam a ansiedade, ficam agrupados na categoria «ansiedade», enquanto que os que significam a descontração, ficam agrupados sob o título conceptual ‘descontração’), sintático (os verbos, os adjetivos), léxico (classificação das palavras segundo o seu sentido, com emparelhamento dos sinônimos e dos sentidos próximos) e expressivo (por exemplo, categorias que classificam as diversas perturbações da linguagem).
Nesta pesquisa foi feito o emparelhamento dos sinônimos e sentidos próximos, ou seja, a AC desta pesquisa deu-se pelo critério léxico, o que correspondeu de forma positiva para o decorrer do processo de análise e interpretação dos dados. “Classificar elementos em categorias, impõe a investigação do que cada um deles tem em comum com outros. O que permite o seu agrupamento, é a parte comum existente entre eles” (BARDIN, 2011, p. 148). As etapas da categorização são o inventário que consiste em isolar elementos e a classificação que impõe certa organização a mensagem.
A interpretação dos dados foi realizada a partir da triangulação de dados, literatura fundamentadora e dos dados secundários (documentos oficiais que regularizam a prática do ES no CLPM / UFRN). Os referidos documentos são: matriz curricular, Projeto Político Pedagógico (PPP) do CLPM / UFRN bem como a leitura do relatório de estágio de um dos participantes da pesquisa, o qual trouxe dados de ordem estrutural que serviram como base de compreensão sobre características da estrutura do componente curricular ES do CLPM / UFRN.
4 DISCUSSÕES SOBRE O TEMA ESTÁGIO E SUA IMPORTÂNCIA COMO