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Liÿ CARNAVAL DiB-RONB,

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Neste ponto, pretende-se apresentar uma síntese global das principais diferenças e semelhanças entre os quatro casos estudados, relativamente às concepções sobre CTS das professoras colaboradoras e às respectivas práticas didáctico-pedagógicas presenciadas no âmbito da presente investigação, isto em função, também, dos dois níveis de ensino considerados (1º e 2º ciclos do Ensino Básico).

Da análise dos dados recolhidos foi possível, de acordo com a metodologia do seu tratamento, definir algumas categorias de resposta referentes às concepções sobre CTS perfilhadas por duas ou mais professoras e, ainda, identificar ideias isoladas que não foram integradas em categorias de resposta, isto é, ideias idiossincráticas. Assim e no que se refere às primeiras, os dados recolhidos pelas entrevistas indiciam várias concepções que seguidamente se destacam.

(i) concepção de Ciência como “corpo de conhecimentos ao serviço do Homem”: Professora Sílvia – Ciência como “ uma área da Sociedade [...] que tenta fazer os possíveis para melhorar as nossas condições de vida”, “no campo da saúde”, “no campo do trabalho” e “no campo da educação . também”. A Ciência “terá [...] que trabalhar teoricamente alguma coisa que a Tecnologia vai pôr na prática”. Professora Maria – a Ciência é “aquilo [...] no qual nós poderemos confiar . porque entrou já em tese”, mas um “conhecimento científico [...] sempre na perspectiva de que está aberto a toda a inovação e a todas as descobertas que poderão ser realizadas”. A Ciência como um campo de conhecimentos

aberto “e só assim é que ela pode ser encarada”, influencia-nos e acompanha-nos “permanentemente” e é “uma ajuda muito grande” nas “nossas convicções [...] na nossa regra de vida [...]até na própria maneira de . de ver o mundo . de contemplar o mundo . de olhar . de ver . de sentir . de agir”. Professora Elsa – a Ciência “é um conjunto de . informações . de pesquisas . de . conhecimentos que o Homem faz com o objectivo de servir o próprio Homem”. Professora Carla – a Ciência “como um conjunto de áreas que tentam conhecer não só o Homem mas tudo o que o rodeia . toda a natureza . todos os fenómenos [...]”;

(ii) concepção de Tecnologia como “aplicação / concretização da Ciência”: Professora Sílvia – a Tecnologia é “a concretização da Ciência”. A “Tecnologia vai pôr na prática” o que a Ciência trabalha “teoricamente”. Professora Maria – a Tecnologia é definida como tudo o “que facilita . as condições do Homem . o viver do Homem”. A “Tecnologia apoia a Ciência” e faculta-lhe os “meios” que lhe permitem “ir mais . mais à frente”. Professora Elsa – a Tecnologia “serão todos os meios que estão ao alcance do Homem para servir essa Ciência . para aplicar essa Ciência”, também em benefício da Humanidade – meios aqui entendidos como instrumentos / “aparelhos”. Professora Carla – Tecnologia como “uma aplicação da Ciência para tentar conhecer ou para tentar descobrir os . fenómenos”;

(iii) concepção de Ciência e Tecnologia como “áreas interligadas com influência na Sociedade”: Professora Sílvia – “não dissocio a Tecnologia da Ciência e também a Ciência da Tecnologia . e . e penso . pronto . também como já disse há bocado que elas influenciam imensamente o que se faz na Sociedade”. Professora Maria – entre Ciência e Tecnologia “há uma interdependência e uma interacção permanente . e isso origina . ahm . * que tenha grandes condições [...] graças à Ciência e à Tecnologia que nós hoje podemos ter condições de vida fabulosas . impensáveis há alguns anos atrás”. Professora Elsa – a Ciência e a Tecnologia “estão interligadas”, pois “a Ciência necessita da Tecnologia para poder evoluir”, “para poder ser aplicada” e “a Tecnologia sem a Ciência também não poderia evoluir”. Os “avanços médicos que a Ciência nos permite e a Tecnologia . tudo isto vai-se tornar uma maior eficiência . para o futuro . para a humanidade”. Professora Carla – “se não há evolução da Ciência também não há evolução da Tecnologia e se não há evolução da Tecnologia a Ciência também se calhar não vai ter grandes avanços”. A Ciência necessita dos “instrumentos” e “aparelhos”, isto é, necessita da Tecnologia, e esta

precisa dos “conhecimentos científicos” para poder avançar; “eu penso que a evolução da Ciência e a evolução da Tecnologia vai também condicionar toda a Sociedade”;

(iv) concepção da Ciência e da Tecnologia “como domínios de benefício para a Sociedade”: Professora Sílvia – a Ciência contribui “para o melhoramento da Sociedade”; “claro que somos nós que beneficiamos com [...] essa interdependência entre a Ciência e a Tecnologia”. Professora Maria – é “[...] graças à Ciência e à Tecnologia que nós hoje podemos ter condições de vida fabulosas . impensáveis há alguns anos atrás”. A Ciência e a Tecnologia beneficiam a Sociedade, “tudo isto numa perspectiva positiva”. Professora Elsa – “eu acho que qualquer investigação científica . ahm . deve ser . ahm . com objectivos positivos . em beneficio da humanidade . ahm . acho que não deveria ser permitido . ou . investigar . ahm . em coisas que vão prejudicar de alguma maneira a humanidade”;

(v) concepção de que “nem sempre as instituições e grupos de interesse particular têm influência sobre a Ciência”: Professora Elsa – esses grupos e instituições poderão influenciar a opinião pública, mas não conseguem demover os cientistas. Estes “podem e conseguem continuar com as suas investigações . com os seus projectos para a frente”, cabendo-lhes “sempre” a última decisão. Professora Carla – “embora tentem, nem sempre estas instituições ou grupos conseguem influenciar com êxito a condução de determinadas pesquisas”.

No preenchimento do Questionário VOSTS, as duas docentes do 1º ciclo – professoras Sílvia e Maria – apresentaram, respectivamente, duas e seis respostas categorizadas como “ingénuas”. Na entrevista, a professora Sílvia alterou as suas respostas ingénuas para respostas do tipo “realista”. O mesmo aconteceu com a professora Maria, exceptuando-se uma resposta que foi alterada para a categoria “aceitável”. Quanto às professoras Elsa e Carla, do 2º ciclo do Ensino Básico, evidenciaram, no preenchimento do VOSTS, cinco e duas respostas do tipo “ingénuo”, respectivamente. Contudo, no decorrer da entrevista, a primeira docente manteve quatro respostas “ingénuas” e a segunda uma. Refira-se, ainda, que as quatro professoras colaboradoras revelaram na entrevista concepções “ingénuas” de Ciência, Tecnologia e da sua inter-relação com a Sociedade, pese embora tenham respondido de forma “aceitável” ou “realista” nos três itens do VOSTS correspondentes, isto à excepção da professora Elsa que também aí respondeu ingenuamente a um dos itens.

A análise dos dados recolhidos na entrevista permitiu, por outro lado, identificar ideias isoladas que não foram integradas em categorias de resposta. Trata-se de ideias “ingénuas” idiossincráticas sobre CTS, que a tabela da página seguinte salienta para cada professora colaboradora.

Tabela 4.9- Ideias Idiossincráticas sobre CTS de cada Professora Colaboradora.

Professora Ideias Idiossincráticas

A (Sílvia)

(i) A “...Sociedade também define um pouco aquilo que . * se calhar o governo . aquilo que se calhar que se trata a nível da Ciência e aquilo que se precisa a nível da Tecnologia em função das características do país . da Sociedade” (item 3). Em função das necessidades da Sociedade, o governo e não aquela influencia “um pouco” a Ciência e a Tecnologia;

(ii) Evidencia uma visão em parte ingénua da actividade do cientista ao considerar que este “tem a vantagem de contribuir para . para o melhoramento da sociedade”.

B (Maria)

(i) Uma única “entidade privada ou não privada [...] uma instância que . que devidamente organizada . concedida . preparada . regulará toda a investigação científica . de forma a que quando se trate de determinadas áreas que têm a ver com a vida humana . ahm . não . ultrapasse aquilo que lhe é permitido [...]” (item 6).

C (Elsa)

(i) O compromisso entre os efeitos positivos e negativos da Ciência e da Tecnologia “não faz sentido”. Os novos desenvolvimentos destas áreas só fazem sentido se não prejudicarem “de alguma maneira a humanidade” (item 9);

(ii) A “opinião” científica é inteiramente baseada no conhecimento dos factos por parte dos cientistas e, como não é possível dispor de conhecimento sobre todos os factos, nem sempre se encontra consenso acerca dum determinado assunto. Isto “porque . os cientistas que estiverem . ahm . a tentar encontrar um consenso sobre um determinado assunto . ahm . eles vão tentar obter o máximo de conhecimento sobre esse assunto . e esse conhecimento não vai ser influenciável ou aliás a sua opinião não vai ser influenciável por valores morais ou . ou por motivos pessoais ou religiosos ou seja que motivos forem . eles vão tentar adquirir conhecimentos * mais profundos possíveis e são esses conhecimentos que vão levar a uma opinião” (item 16);

(iii) Evidencia uma visão estereotipada / ingénua de cientista e da sua actividade. O cientista é visto como pessoa “muito aérea”, “uma pessoa muito distraída”, mas com os valores de “uma pessoa normal”. Em termos profissionais, o cientista é “rigoroso”, “perfeito”, “objectivo”, “rígido” e “sério”, sendo influenciado no seu trabalho apenas pelo aspecto financeiro.

D (Carla)

(i) As instituições ou grupos de interesse particular nem sempre conseguem influenciar com êxito a condução de determinadas pesquisas, mas, em seu entender, os cientistas não são os últimos a decidir. O poder de decisão, para esta professora, cabe também “ao governo”, “à sociedade” e “a tudo o que englobe o próprio projecto” e, inclusivamente, “ao cidadão comum”. Esta docente, ao perfilhar a ideia de que o cidadão comum, ainda que não organizado em grupos ou instituições, influencia os poderes de decisão, assume uma posição que indicia uma concepção que é ingénua e, neste caso, também idiossincrática (item 7).

Analisando-se a tabela anterior, pode-se afirmar que das quatro professoras colaboradoras, a professora Elsa, do 2º ciclo do Ensino Básico, é a docente que apresenta maior número de ideias ingénuas idiossincráticas.

Comparando-se os casos estudados, mas agora no que diz respeito às práticas didáctico-pedagógicas das professoras envolvidas, destacam-se, seguidamente, os aspectos comuns e as principais diferenças. A súmula dos resultados obtidos é apresentada de acordo com as duas categorias do Instrumento de Caracterização de Práticas Pedagógico- -Didácticas com Orientação CTS (Vieira, 2003) e respectivas dimensões e contempla, igualmente, uma análise comparativa desses resultados no que se refere aos dois ciclos de ensino envolvidos (1º e 2º ciclos do Ensino Básico).

Deste modo, atente-se, primeiramente, aos aspectos comuns a duas ou mais professoras.

Categoria I – Perspectivas do Processo de Ensino / Aprendizagem

A – Ensino / Papel do Professor

(i) Ensino das Ciências internalista, não contextualizado, centrado na professora e na transmissão de conhecimentos científicos – Professoras Elsa e Carla;

(ii) Ensino não expositivo, em que a professora assume um papel de orientadora, dinamizadora e em que transparece alguma preocupação de contextualização do processo de Ensino / Aprendizagem – Professoras Sílvia e Maria;

(iii) Ensino com algumas imprecisões científicas – Professoras Elsa e Carla;

(iv) Ensino em que não são valorizados e intencionalmente explorados os erros dos alunos – Professoras Maria, Elsa e Carla;

(v) Ensino desprovido da discussão de questões socialmente relevantes, de natureza inter e transdisciplinar, que decorrem da necessidade de compreender o mundo na sua globalidade e complexidade – Professoras Sílvia, Maria, Elsa e Carla;

(vi) Ensino com reduzida incidência em conceitos chave fundamentais – Professoras Maria, Elsa e Carla.

B – Aprendizagem / Papel do Aluno

(i) Aprendizagem encarada numa perspectiva meramente instrumental, valorizando- -se essencialmente o conhecimento disciplinar e a sua aquisição memorística – Professoras Elsa e Carla;

(ii) Aprendizagem centrada no aluno, na promoção da sua iniciativa, autonomia e espírito cooperativo e, ainda, no estabelecimento de algumas relações com situações do seu quotidiano – Professoras Sílvia e Maria;

(iii) Aprendizagem não focalizada na resolução de situações-problema de cariz CTS – Professoras Sílvia, Maria, Elsa e Carla;

(iv) Uso de capacidades de pensamento ligadas ao controlo de variáveis, sobretudo no trabalho de grupo e no desenvolvimento de actividades práticas experimentais – Professoras Sílvia e Maria.

C – Concepção de: Trabalho Experimental, Ciência, Tecnologia, Cientista ...

(i) Recurso ao trabalho prático numa lógica meramente ilustrativa / demonstrativa – Professoras Maria e Elsa;

(ii) Práticas que denotam uma visão internalista da Ciência, como corpo exacto / objectivo / definitivo de conhecimentos, que não se dissocia da Tecnologia ou que simplesmente a ignora – Professoras Elsa e Carla;

(iii) Práticas que evidenciam uma visão da Ciência mais ligada à exploração do desconhecido e de coisas novas do que a um conjunto de verdades absolutas / inquestionáveis – Professoras Sílvia e Maria;

(iv) Práticas que não transparecem a preocupação com uma visão do cientista, numa imagem que se pretende mais humanizada, como alguém que é susceptível de ser influenciado no seu trabalho – Professoras Sílvia, Elsa e Carla;

(v) Práticas que não fazem referência à Tecnologia, nem contemplam as inter- -relações CTS – Professoras Sílvia, Elsa e Carla.

Categoria II – Elementos de Concretização do Processo de Ensino / Aprendizagem

D – Actividades / Estratégias de Ensino / Aprendizagem

(i) Prevalência da exposição oral da professora, apoiada pelo manual escolar, por transparências e mediada pelo questionamento focado nos conhecimentos científicos, seguindo-se o registo nos cadernos diários da informação a reter – Professoras Elsa e Carla;

(ii) Práticas que não recorrem a actividades / estratégias de simulação da realidade, como debates / discussões, pesquisa, trabalho de grupo, resolução de problemas, entre outras – Professoras Elsa e Carla;

(iii) Práticas que não apelam ao uso sistemático do questionamento orientado para a promoção de capacidades de pensamento com adequado tempo de espera – Professoras Elsa e Carla;

(iv) Utilização de estratégias como trabalho de grupo, trabalho prático experimental, discussão de ideias e pesquisa no processo de ensino / aprendizagem das Ciências – Professoras Sílvia e Maria.

E – Recursos / Materiais Curriculares

(i) Utilização do manual escolar, transparências e fichas de trabalho, por forma a facilitar a transmissão de conhecimentos científicos, ignorando-se a inclusão de questões de natureza CTS – Professoras Elsa e Carla;

(ii) Práticas que não recorrem a materiais intencionalmente seleccionados / (re)elaborados para abordagens de índole CTS ou a materiais integrados em programas ou projectos concebidos nessa perspectiva – Professoras Sílvia, Maria, Elsa e Carla;

(iii) Práticas que não utilizam artigos de jornais, de revistas, de programas de rádio, de televisão e de computador ou outros recursos da comunidade relacionados com questões científicas e tecnológicas – Professoras Sílvia, Elsa e Carla.

F – Ambiente de Ensino / Aprendizagem

(i) Ambiente de empatia e aceitação da diversidade de alunos e das suas opiniões, do qual transparece uma relação afectuosa entre professora e alunos e, no geral, o cumprimento de regras de participação individual e de trabalho de grupo – Professoras Sílvia e Maria;

(ii) Ambiente propício à verbalização de ideias, à formulação de algumas questões, à reflexão, à argumentação de pontos de vista, bem como à promoção da cooperação, iniciativa e autonomia dos alunos – Professoras Sílvia e Maria;

(iii) Aulas caracterizadas por um clima de reduzida interactividade e em que nem sempre se reconheceu e aceitou a diversidade dos alunos e das suas opiniões – Professoras Elsa e Carla;

(iv) Ambiente pouco adequado à concentração, à reflexão, à discussão, ao trabalho cooperativo, sendo caracterizado, essencialmente, por um reduzido envolvimento dos alunos nas actividades propostas, pela distracção frequente de vários alunos e por conversas alheias aos temas das aulas – Professoras Elsa e Carla;

(v) Ambiente que, no geral, se pautou pela ausência de oportunidades de exploração, compreensão e avaliação de inter-relações Ciência, Tecnologia e Sociedade – Professoras Sílvia, Maria, Elsa e Carla.

Quanto às principais diferenças entre as quatro professoras e ainda no que se refere às suas práticas didáctico-pedagógicas, apresenta-se, seguidamente, a tabela 4.10.

Tabela 4.10- Principais diferenças entre as Professoras Colaboradoras no que se refere às suas práticas didáctico-pedagógicas.

Professora Principais diferenças

A (Sílvia)

Evidenciou um esforço constante de interacção que procurou estabelecer com os seus alunos e entre estes. Valorizou conceitos chave fundamentais relacionados com as temáticas em foco e o questionamento dirigido com adequados tempos de espera. Explorou intencionalmente os erros dos alunos. Promoveu a realização de trabalho experimental com algum “controlo de variáveis” e de acordo com guiões práticos por si apresentados. Estes foram estruturados tendo em vista o envolvimento dos alunos na própria concepção e concretização das actividades e transpareceram algum pluralismo metodológico. Não recorreu ao manual escolar.

B (Maria)

Pouca ênfase na exploração das ideias dos alunos e da informação por estes pesquisada. O trabalho prático, na maior parte dos casos, envolveu apenas alguns alunos. Recorreu à música e a “jogos de silêncio” para promover a concentração. Utilizou, na 2ª aula, um “jogo” de pergunta – resposta sobre conteúdos abordados em aulas anteriores e explorou, na última aula, situações vivenciadas pelos alunos numa saída que a turma fez ao exterior. Dessa aula, transpareceu uma preocupação em explorar, ainda que brevemente, uma “campanha de sensibilização” para a preservação do ambiente numa perspectiva CTS. O cientista surgiu, também, numa visão que pareceu humanizada. Valorizou a pesquisa de informação em revistas, jornais, enciclopédias, dicionários e na Internet. Os materiais / objectos utilizados nas actividades experimentais foram seleccionados e apresentados pelos próprios alunos, em função das suas pesquisas e propostas de actividades. O manual escolar foi utilizado, mas o de Língua Portuguesa e apenas uma vez, para se proceder à leitura de um pequeno texto.

C (Elsa)

Foi praticamente nulo o envolvimento dos alunos no trabalho prático experimental. Este foi concretizado pela professora ou por si esquematizado (por meio de transparências), de acordo com protocolos estereotipados contidos no manual escolar e radicados no suposto “Método Científico”.

D (Carla)

Não recorreu ao trabalho prático. Os alunos evidenciaram reduzido interesse pelas actividades / estratégias implementadas e algum alheamento no que se refere ao cumprimento de regras e normas básicas de relacionamento escolar.

Numa análise comparativa dos resultados obtidos, mas agora entre os dois ciclos de ensino considerados, constata-se que as práticas didáctico-pedagógicas das professoras do 1º ciclo do Ensino Básico (Professoras Sílvia e Maria) apesar de, no geral, não contemplarem abordagens de cariz CTS, denotam algum esforço de implementação de um tipo de ensino que, de algum modo, se aproxima de perspectivas que actualmente têm sido advogadas em contextos de Educação CTS. Em termos globais, as professoras Sílvia e Maria evitaram a exposição de conhecimentos científicos; apostaram num papel activo dos alunos na construção das suas aprendizagens; valorizaram a pesquisa, o trabalho de grupo e o trabalho prático (embora com a professora Maria este tenha surgido numa lógica meramente ilustrativa); criaram ambientes propícios à aceitação da diversidade de alunos e das suas opiniões e em que estes tiveram oportunidade de reflectir, apresentar e argumentar algumas ideias. Nas suas práticas, surgiu, pois, uma visão da Ciência mais ligada à exploração do desconhecido e de coisas novas acerca do mundo do que propriamente a um conjunto de verdades absolutas / inquestionáveis.

Quanto ao 2º ciclo do Ensino Básico, as práticas observadas denotam, principalmente, um ensino internalista da Ciência, centrado no poder expositivo das professoras e num carácter instrumental das aprendizagens. Para além de se omitirem abordagens de índole CTS, valorizou-se, em grande medida, o conhecimento científico e a sua aquisição memorística. O manual escolar surgiu como o principal recurso didáctico, sendo explorado conjuntamente com transparências e fichas de trabalho e de acordo com um questionamento focalizado nos conhecimentos científicos a reter. As professoras Elsa e Carla não apelaram a actividades / estratégias de simulação da realidade, como o debate de ideias em contextos de resolução de problemas, a pesquisa, o trabalho de grupo, entre outras. Por outro lado, também não conseguiram criar um ambiente de aula motivador e de aceitação, propício à concentração, à reflexão, à apresentação e argumentação de pontos de vista. Trata-se, portanto, de práticas didáctico-pedagógicas que configuram um ensino de natureza transmissiva e, como tal, um ensino que se distancia dos propósitos da Educação CTS.

No que se refere a pontos comuns, em nenhum dos dois ciclos de ensino se valorizou a discussão de questões socialmente relevantes, de natureza inter e transdisciplinar, pelo que não foram criadas oportunidades de exploração, compreensão e avaliação de inter-relações Ciência, Tecnologia e Sociedade. Nesse sentido, também não se

recorreu a materiais intencionalmente seleccionados / (re)elaborados para abordagens de índole CTS ou a materiais integrados em programas ou projectos concebidos nessa perspectiva.

CAPÍTULO 5 CONCLUSÕES

Deste quinto e último capítulo constam quatro secções. A primeira apresenta as principais conclusões, formuladas em função das questões da presente investigação. Nas secções dois e três incluem-se, respectivamente, as implicações dos resultados deste estudo e as suas limitações. Na quarta e última secção, sugerem-se algumas investigações consideradas relevantes e que decorrem do estudo desenvolvido.

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