A fim de se concretizar o estudo, foi necessário cumprir um conjunto de procedimentos legais e éticos.
Para a aplicação do instrumento de colheita de dados, foi solicitada formalmente autorização ao Conselho de Administração do CHTMAD, EPE, explicando o âmbito e a finalidade do estudo, estrutura do instrumento de colheita de dados, sendo anexado um exemplar do questionário a aplicar (Anexo II).
Após a aprovação do Conselho de Administração do CHTMAD, EPE, foram contactados pessoalmente os enfermeiros chefes dos serviços seleccionados, dando-lhe conhecimento da realização do estudo no serviço, no sentido de se obter a sua colaboração no incentivo à participação dos profissionais.
O processo de aplicação dos questionários foi realizado no mês de Outubro de 2007. A entrega dos mesmos nas diversas unidades e serviços foi efectuada pessoalmente. O tempo acordado entre a distribuição e a recolha foi de duas semanas.
A confidencialidade e anonimato dos inquiridos foram preservados no procedimento do questionário. A existência de uma nota introdutória no início do documento permitiu explicar o carácter e os objectivos do estudo de investigação.
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1.5.2. Qualidades psicométricas dos instrumentos
Neste ponto, referem-se as qualidades psicométricas dos dois instrumentos utilizados no âmbito deste trabalho. Segundo Fortin e Nadeau (2003), as qualidades psicométricas de um instrumento de medida, nomeadamente a fidelidade e a validade, constituem os principais critérios para avaliar a qualidade desse mesmo instrumento, uma vez que a fidelidade designa a precisão e a constância dos resultados que os instrumentos de medida fornecem e a validade equivale ao grau de precisão com que um conceito é medido. De acordo com Ribeiro (1999), para que uma medição seja precisa, é necessário que “primeiro que meça o que se pretende medir e não outro aspecto diferente ou parecido (validade) e, segundo, que se a medição for repetida, nas mesmas condições, com os mesmos respondentes, o resultado encontrado seja idêntico (fidelidade)” (p. 112).
No sentido de se verificar o grau de homogeneidade existente entre as respostas aos diversos itens que constituem os instrumentos utilizados nesta pesquisa, escolheu-se aferir as qualidades psicométricas dos mesmos pela análise do poder discriminativo dos itens e pela análise de consistência interna através do cálculo do coeficiente alpha de
Cronbach, por ser considerada uma das medidas mais usadas para verificar a
consistência interna em escalas de tipo Likert (Ribeiro, 1999). Segundo Almeida e Freire (2007), o poder discriminativo dos itens ou sensibilidade dos resultados num instrumento é “o grau em que os resultados nela obtidos aparecem distribuídos diferenciando os sujeitos entre si nos seus níveis de realização” (p. 175). Os mesmos autores definem a consistência interna, determinada através do alpha de Cronbach, como “o grau de uniformidade ou de coerência existente entre as respostas dos sujeitos a cada um dos itens que compõem a prova” (p. 183). Isto é, a consistência interna equivale à homogeneidade dos enunciados de um instrumento de medida; quanto mais correlacionados os mesmos, então maior é a consistência interna do instrumento. É importante referir que o coeficiente alpha de Cronbach varia entre 0 e 1, e que quanto mais próximo de 1 for o valor de alpha, maior será também a consistência interna do instrumento de medida. De acordo com Devellis (1991), cit. por Almeida e Freire (2007), valores de consistência interna entre .80 e .90 são considerados muito bons, valores entre .70 e .80 devem ser entendidos como valores admissíveis, valores entre .65 e .70 minimamente aceitáveis, embora também seja de assinalar que valores entre .60 e
- 70 - .65 sejam passíveis de aceitação, conquanto assumam já um carácter indesejável. Segundo os mesmos autores, os itens que compõem uma escala devem apresentar correlações com o total da escala superiores a .30.
1.5.3. Poder discriminativo dos itens do instrumento de avaliação da motivação dos enfermeiros
Como se pode observar no quadro 6, as alternativas de resposta no questionário da motivação foram todas escolhidas pelos sujeitos da amostra, com excepção dos itens 2 e 5 na alternativa de resposta “Discordo absolutamente” e o item 20, nas alternativas de resposta “Discordo absolutamente” e “Discordo”. Este dado permite concluir que o instrumento discrimina as respostas de forma adequada, ou seja, os itens possuem poder discriminativo. Este dado é relevante, uma vez que os itens que não discriminam as respostas, ou que as concentram em apenas duas ou três das alternativas possíveis, não são adequados numa escala ou num instrumento de avaliação de características psicológicas ou psicossociais. Deste modo, numa primeira análise, podem manter-se todos os itens originais no instrumento que se pretende utilizar.
Quadro 6. Distribuição das frequências relativas das respostas dos sujeitos em cada item no instrumento de avaliação da motivação dos enfermeiros
Item -3 -2 -1 0 1 2 3 1 8,6% 15,2 4,8 6,0 16,7 30,2 18,6 2 4,8 1,4 4,8 11,9 54,9 22,2 3 0,5 4,0 3,3 8,1 16,2 51,9 16,0 4 0,2 0,7 0,7 1,2 11,5 47,5 38,2 5 1,0 1,4 1,0 6,0 41,7 49,0 6 0,5 1,9 1,9 7,4 21,7 48.1 18,6 7 1,0 2,4 2,4 8,3 11,9 41,4 32,6 8 0,2 1,2 1,2 1,9 4,8 58,0 32,7 9 1,9 9,8 6,2 16,9 25,5 31,4 8,3 10 0,5 7,9 5,7 10,2 24,8 36,2 14,8 11 0,7 4,5 4,5 5,2 19,8 40,5 24,8 12 1,4 6,0 6,2 12,1 21,2 33,1 20,0 13 2,4 8,8 3,1 7,9 17,1 38,6 21,1 14 2,4 13,8 6,9 9,5 27,6 30,0 9,8 15 0.2 2,2 1,9 3,6 12,7 48,8 30,6 16 2,1 9,3 4,1 11,0 22,2 31,3 20,0 17 1,0 3,3 2,1 9,0 15,2 51,1 18,3 18 1,2 8,6 5,5 6,4 25,7 40,7 11,9 19 0,2 0,5 1,0 3,6 5,7 40,2 48,8 20 0,5 0,2 1,9 26,0 71,4 21 1,2 1,7 1,9 4,0 12,4 43,6 35,2 22 0,2 0,7 0,2 1,9 6,7 41,9 48,3 23 0,7 0,5 1,2 1,7 9,5 55,2 31,2 24 0,2 0,7 0,5 1,2 8,3 49,3 39,8 25 4,0 16,9 7,9 10,2 22,6 31,2 7,1
Legenda: -3= Discordo absolutamente; -2= Discordo; -1= Discordo mais ou menos; 0= Não sei;
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1.5.4. Poder discriminativo dos itens do instrumento de avaliação do comportamento dos enfermeiros chefes
Tal como se observou para o instrumento anterior, também o questionário comportamento dos enfermeiros chefes revelou um bom poder discriminativo dos itens. De referir que só o item 23, na alternativa de resposta “Nunca”, é que não foi escolhido pelos sujeitos da amostra. Os valores das frequências relativas podem ser observados no quadro 7.
Quadro 7.Distribuição das frequências relativas das respostas dos sujeitos em cada item do instrumento de avaliação do comportamento dos enfermeiros chefes
Item 1 2 3 4 5 1 0,7 7,9 26,9 39,5 25,0 2 1,0 8,6 23,6 39,0 27,9 3 3,6 12,1 28,8 40,0 15,5 4 0,7 11,2 21,9 43,8 22,4 5 1,0 3,1 17,6 40,5 37,9 6 0,7 1,9 13,1 41,1 43,2 7 2,6 14,5 28,1 36,7 18,1 8 1,4 8,3 30,2 36 24,0 9 1,7 11,2 25,7 34,5 26,9 10 7,4 18,6 33,9 27,4 12,6 11 3,3 16,5 26,0 31,5 27,7 12 3,6 16,4 30,7 32,9 16,4 13 2,4 10,0 24,0 34,5 29,0 14 2,9 16,0 35,2 31,7 14,3 15 2,4 10,7 27,9 31,2 27,9 16 0,2 7,6 33,3 35,0 33,8 17 0,7 4,1 19,3 33,0 42,8 18 1,0 5,0 32,1 42,6 19,3 19 1,4 10,5 36,9 31,9 19,3 20 2,4 10,7 25,5 33,1 28,3 21 1,0 5,5 19,3 31,7 42,6 22 1,4 4,3 26,7 33,3 34,3 23 5,5 22,1 50,0 22,4 24 3,1 12,9 35,7 32,9 15,5 25 7,6 19,5 32,6 28,6 11,7
Legenda: 1= Nunca; 2= Raramente; 3= Por vezes; 4= Com frequência; 5= Sempre;
1.5.5. Fiabilidade do instrumento de avaliação da motivação dos enfermeiros colaboradores
A fiabilidade é uma propriedade fundamental dos instrumentos de medida. Significa, na opinião de Almeida e Freire (2007), que “os itens que compõem o teste apresentam-se como um todo homogéneo” (p. 177). Foi testada a fiabilidade do instrumento motivação
- 72 - dos enfermeiros colaboradores pelo método ou índice alpha de Cronbach. O instrumento, na sua globalidade, apresentou um alpha excelente, de magnitude r=.808. As sub-escalas apresentaram, no entanto, valores de alpha não satisfatórios, o que inibe a sua utilização como escalas independentes (necessidades de realização r=.44; necessidades de estima r=.69; necessidades de pertença r=.39; necessidades de segurança r=.43 e necessidades fisiológicas r=.46).
No quadro 8, pode verificar-se que as correlações entre os itens e o total do instrumento são aceitáveis, com excepção dos itens 11 e 25 (r=.255 e r=.194, respectivamente). No entanto, o valor de alpha não varia muito com a eliminação de qualquer dos itens, pelo que se optou pela sua inclusão, não tendo sido eliminado nenhum item (Anexo III).
Quadro 8. Correlação de “Pearson” entre cada item do instrumento de avaliação da motivação dos enfermeiros colaboradores e o total da escala
Item r Item r Item r Item r Item r
1 .318 6 .499 11 .255 16 .426 21 .304 2 .326 7 .242 12 .340 17 .483 22 .302 3 .320 8 .433 13 .371 18 .245 23 .513 4 .352 9 .366 14 .361 19 .404 24 .485 5 .392 10 .360 15 .427 20 .396 25 .194
1.5.6. Fiabilidade do instrumento de avaliação do comportamento dos enfermeiros chefes
Tal como para o instrumento anteriormente apresentado, foi testada a fiabilidade do instrumento comportamento dos enfermeiros chefes pelo método ou índice alpha de
Cronbach (quadro 9). O instrumento, na sua globalidade, apresentou um alpha
excelente, de magnitude r=.953. As sub-escalas apresentaram, também, valores de alpha bastante bons (r=.903 e r=.941 para as sub-escalas estruturação e consideração, respectivamente). Este valor é superior ao obtido por Jesuíno (2005), que obteve um
alpha de Cronbach de .776 com um n=110. O valor de alpha não varia com a remoção
- 73 - Quadro 9. Correlações entre cada item e o total da escala para o instrumento de
avaliação do comportamento dos enfermeiros chefes
Item r Item r Item r Item r Item r
1 .789 6 .636 11 .498 16 .710 21 .784 2 .503 7 .730 12 .646 17 .678 22 .760 3 .432 8 .478 13 .675 18 .741 23 .445 4 .675 9 .595 14 .619 18 .735 24 .671 5 .636 10 .694 15 .668 20 .791 25 .741
Em suma, considerando as suas características psicométricas, as duas escalas escolhidas para este trabalho, apresentam uma boa consistência interna (Escala da motivação –
alpha de Cronback total de .808; Escala LBDQ – alpha de Cronback total de .953),
pelo que se reafirma a confiança na sua utilização numa área ainda pouco estudada como é a da motivação e liderança em enfermagem.
1.5.7. Validade das escalas utilizadas
A validade de um instrumento de medida significa que os resultados no teste medem aquilo que se pretende medir, ou seja, “corresponde ao grau de precisão com que os conceitos em estudo são representados pelos enunciados específicos de um instrumento de medida” (Fortin & Nadeau, 2003, p. 229). Neste estudo, a validade das escalas foi aferida em termos de validade facial e concorrente. Validade facial, na medida em que foram construídas visando estimar os constructos a que se dirigem, nomeadamente, a motivação dos enfermeiros colaboradores e o comportamento dos enfermeiros chefes. Os seus autores adaptaram-nas, realizando os passos necessários à construção de um instrumento de avaliação das características que se propõem estimar, mediante, nomeadamente, o processo de reflexão falada acerca dos itens que a compõem. Validade concorrente, porque ela é reconhecida se os constructos se relacionam com outros, “expressa os critérios que foram escolhidos para determinar a sua validade e que se relacionam com o teste” (Ribeiro, 1999, p. 114). Determinar a validade dos constructos equivale ao facto de autenticar a estrutura teórica subjacente ao instrumento de medida e verificar hipóteses de associação.
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