A população que serviu de amostra para este trabalho foi de 105 inquiridos: 60 funcionários públicos, (28 são professores e 32 técnicos administrativos); e 45 funcionários do setor privado, (30 técnicos administrativos e 15 professores). O que corresponde a 100% do universo pesquisado.
A caracterização dos inquiridos da pesquisa foi feita por gênero, faixa etária, estado civil, instituição em que trabalha, cargo, antiguidade na instituição, antiguidade na função.
. Tabela 2 – Caracterização social e profissional da amostra
n % Gênero Feminino 62 59,0 Masculino 43 41,0 Estado civil Solteiro 35 33,3 Casado 65 61,9 Separado 4 3,8 Viúvo 1 1,0 Escolaridade
Ensino Fundamental completo 2 1,9
Ensino Médio incompleto 1 1,0
Ensino Médio Completo 12 11,4
Ensino Superior 27 25,7
Pós-graduação 24 22,9
Mestrado 37 35,2
Doutorado 2 1,9
Instituição em que trabalha
Serviço Público 60 57,1
Serviço Privado 45 42,9
Cargo
Professor 43 41,0
Funcionário administrativo 62 59,0 Tempo que está na função
0 a 6 meses 1 1,0
6 meses a 1 ano 12 11,4
3 a 5 anos 29 27,6
5 a 10 anos 29 27,6
10 anos ou mais 20 19,0
Tempo que trabalha na instituição
0 a 6 meses 2 1,9 6 meses a 1 ano 12 11,4 1 a 2 anos 13 12,4 3 a 5 anos 26 24,8 5 a 10 anos 31 29,5 10 anos ou mais 21 20,0
Idade – Média 38,66 anos (desvio padrão 8,95); Max: 60; Min: 20
Para efetuar a analise das percentagens de resposta foram consideradas apenas as respostas válidas. Assim sendo, podemos verificar que em termos da faixa etária dos 105 servidores inquirirdos, a amostra de trabalhadores tem uma média etária de 38,66 anos (desvio padrão 8,95 anos), o que nos remete a uma amostra predominantemente adulta jovem, onde o entrevistado mais jovem possuia 24 anos e o mais velho 60 anos.
Quadro 2 – Distribuição da amostra segundo gênero
Gênero
Frequency Percent Valid Percent Cumulative Percent
Valid
Feminino 62 59,0 59,0 59,0
Masculino 43 41,0 41,0 100,0
Total 105 100,0 100,0
No que diz respeito ao gênero, representado na tabela acima, sendo 62 sujeitos do sexo feminino e 43 sujeitos do sexo masculino. A amostra é maoritariamente feminina 59,0%, tal fato pode ser explicado porque o numero de mulheres na área de educação geralmente é maior que a dos homens, ainda que esse quadro possa vir a modificar, mantem-se uma profissão essencialmente feminina, relacionada a educar o outro, em ter mais paciência para lidar com o próximo.
Quadro 3 – Distribuição da amostra segundo estado civil
Estado civil
Frequency Percent Valid Percent Cumulative Percent
Casado 65 61,9 61,9 95,2
Separado 4 3,8 3,8 99,0
Viúvo 1 1,0 1,0 100,0
Total 105 100,0 100,0
Em relação ao estado civil dos servidores pesquisados têm-se 35 sujeitos solteiros, 65 sujeitos casados, 04 separados e 01 viúvo, o que torna visível a maioria representada por casados (61,9%), seguida de solteiros (33,3%).
Quadro 4 – Distribuição da amostra segundo escolaridade
Escolaridade
Frequency Percent Valid Percent Cumulative Percent
Valid
Ensino Fundamental
completo 2 1,9 1,9 1,9
Ensino Médio incompleto 1 1,0 1,0 2,9
Ensino Médio Completo 12 11,4 11,4 14,3
Ensino Superio 27 25,7 25,7 40,0
Pós-graduação 24 22,9 22,9 62,9
Mestrado 37 35,2 35,2 98,1
Doutorado 2 1,9 1,9 100,0
Total 105 100,0 100,0
Quanto ao nível de escolarização dos servidores a pesquisa apresenta um nível de escolarização elevado, na medida em que 85,7% dos inquiridos tem no mínimo o ensino superior. A formação acadêmica de 37 inquiridos é que possuem mestrado, 24 pós-graduação e 27 ensino superior completo. Em se tratando da área de educação, é fundamental que seus servidores tenham uma formação escolar mais elevado, até mesmo por que no caso dos servidores professores, quando estes são admitidos via concurso ou contratação, devem ter no minimo pós-graduação, o que não é uma exigência para os servidores administrativos, que desempenham o serviço burocrático das instituições.
Quadro 5 – Distribuição da amostra segundo instituição
Instituição em que trabalha
Frequency Percent Valid Percent Cumulative Percent
Valid
Serviço Público 60 57,1 57,1 57,1
Serviço Privado 45 42,9 42,9 100,0
Total 105 100,0 100,0
Quanto à distribuição da lotação institucional dos 105 entrevistados, a maior parte dos inquiridos atuam no serviço público, o que corresponde a 57,1%, que são os 60 entrevistados do serviço público enquanto 42,9% são os 45 servidores do setor privado.
Quadro 6 – Distribuição da amostra segundo cargo
Cargo
Frequency Percent Valid Percent Cumulative Percent Valid Professor 43 41,0 41,0 41,0 Funcionário administrativo 62 59,0 59,0 100,0 Total 105 100,0 100,0
A distribuição por função desempenhada nas instituições conforme o quadro acima mostra que 62 dos sujeitos desempenham a função de funcionários administrativos o que representa 59,0% da amostra e 43 dos sujeitos entrevistados desempenham a função de professores, o que corresponde a 41,0% da amostra.
Quadro 7 – Distribuição da amostra segundo tempo que está na função
Tempo que está na função
Frequency Percent Valid Percent Cumulative Percent Valid 0 a 6 meses 1 1,0 1,0 1,0 6 meses a 1 ano 12 11,4 11,4 12,4 1 a 2 anos 14 13,3 13,3 25,7 3 a 5 anos 29 27,6 27,6 53,3 5 a 10 anos 29 27,6 27,6 81,0 10 anos ou mais 20 19,0 19,0 100,0
Total 105 100,0 100,0
A distribuição da amostra em relação à antiguidade na função desempenhada conforme descrito no quadro acima, vê-se:
_ Com menos de 6 meses de tempo temos 1 sujeito (1,0% da amostra)
_ Entre 6 meses a 1 ano de antiguidade temos 12 sujeitos (11,4% da amostra) _ Entre 1 a 2 anos de antiguidade temos 14sujeitos (13,3% da amostra)
_ Entre 3 a 5 anos de antiguidade temos 29 sujeitos (27,6% da amostra) _ Entre 5 a 10 anos de antiguidade temos 29 sujeitos (27,6% da amostra) _ Com 10 ou mais anos de antiguidade temos 20 sujeitos (19,0% da amostra)
Quadro 8 – Distribuição da amostra segundo tempo que está na instituição
Tempo que trabalha na instituição
Frequency Percent Valid Percent Cumulative Percent Valid 0 a 6 meses 2 1,9 1,9 1,9 6 meses a 1 ano 12 11,4 11,4 13,3 1 a 2 anos 13 12,4 12,4 25,7 3 a 5 anos 26 24,8 24,8 50,5 5 a 10 anos 31 29,5 29,5 80,0 10 anos ou mais 21 20,0 20,0 100,0 Total 105 100,0 100,0
A distribuição da amostra em relação ao tempo em que trabalham nas instituições conforme descrito no quadro acima, vê-se:
_ Com menos de 6 meses de tempo temos 2 sujeitos (1,9% da amostra) _ Entre 6 meses a 1 ano de antiguidade temos 12 sujeitos (11,4% da amostra) _ Entre 1 a 2 anos de antiguidade temos 13 sujeitos (12,4% da amostra) _ Entre 3 a 5 anos de antiguidade temos 26 sujeitos (24,8% da amostra) _ Entre 5 a 10 anos de antiguidade temos 31 sujeitos (29,5% da amostra) _ Com 10 ou mais anos de antiguidade temos 21 sujeitos (20,0% da amostra)
4.1.1 - Satisfação global no trabalho
A satisfação global dos trabalhadores é uma varável medida com base nas percepções dos servidores inquiridos. Esta variável nos indica se os servidores estão motivados e satisfeitos no trabalho a respeito dos resultados obtidos após a extração dos mesmos no programa SPSS.
Para a mensuração da satisfação, os itens do inquerito applicado que foram levados em consideração para compor a SGT são as seguintes questões:
B2.2) De modo geral, estou muito satisfeito com este trabalho.
B2.4) Eu sinto uma grande sensação de satisfação pessoal quando realizo bem, o meu trabalho
B2.9) Estou bastante satisfeito com o tipo de trabalho que realizo nesta empresa.
B4.1) A maioria das pessoas possuem um grande sentimento de satisfação pessoal quando fazem o trabalho bem.
B4.2) A maioria das pessoas estão muito satisfeitas com o trabalho.
Deste modo, a Satisfação global no trabalho foi obtido com índice através do cálculo:
(B2.2 + B2.4 + B2.9 + B4.1 + B4.2)/5
Utilizando o Alpha de Cronbach, obtivemos um
α
de 0.729 que nos remete a um resultado razoável de fiabilidade interna.Apresenta-se a tabela de correlações entre as variáveis em estudo, apresentando também as médias e desvios padrão.
Tabela 3 – Satisfação global no trabalho consoante as características demográficas dos trabalhadores.
Média Desvio Padrão p Gênero Feminino 5,35 0,97 0,615 Masculino 5,45 0,94
Instituição em que trabalha
Serviço Público 5,05 0,98
<0,05
Classe etária Até 35 anos 5,17 0,94 0,127 36 a 50 anos 5,54 0,80 Mais de 50 anos 5,53 1,22 Escolaridade
Até Ensino Médio 5,45 1,04
0,902
Ensino Superior 5,33 1,10
Ensino Superior Pós-Graduado 5,41 0,89 Antiguidade na instituição
Até 5 anos 5,25 0,95
<0,05
5 a 10 anos 5,31 0,99
Mais de 10 anos 5,89 0,79
Quadro 9 – SGT consoante tipo de instituição
Group Statistics Instituição em que
trabalha
N Mean Std. Deviation Std. Error Mean Satisfação Global no
trabalho
Serviço Público 60 5,0533 ,98454 ,12710
Serviço Privado 45 5,8489 ,70987 ,10582
A satisfação no trabalho é, como já foi dito anteriormente, uma variável de atitude que mostra como as pessoas geralmente se sentem em relação ao trabalho que exercem, na tabela 3 é possível ver que existem diferenças estatisticamente significativas na satisfação global no trabalho consoante a instituição em que os inquiridos trabalham, sendo que essa satisfação é significativamente superior nos inquiridos que trabalham no serviço privado.
Com esse resultado, rejeitou-se a primeira hipótese de nulidade: H0_1 - Não
existem diferenças estatisticamente significativas entre a satisfação global no trabalho (SGT) de um servidor do setor público e outro do setor privado. Sendo que o grau de satisfação dos servidores do setor privado foi maior que a dos servidores do setor público. A média de satisfação do servidor público foi 5,05 em relação ao servidor privado que foi de 5,84, nota-se que essa média é ligeramente maior que a média total.
Quanto à segunda hipótese: H0_2 - Não existem diferenças estatisticamente
significativas entre cada uma das variáveis pessoais e a satisfação global no trabalho (SGT), abaixo temos os quadros a respeito das sub-hipóteses de antiguidade na instituição, faixa etária, gênero, e escolaridade.
Quadro 10 – SGT consoante antiguidade na instituição
Descriptives Satisfação Global no trabalho
N Mean
Std. Deviation
Std.
Error Minimum Maximum
Até 5 anos 53 5,2491 ,95427 ,13108 3,00 7,00
5 a 10 anos 31 5,3097 ,99175 ,17812 3,40 7,00
Mais de 10 anos 21 5,8857 ,78631 ,17159 4,40 7,00
Total 105 5,3943 ,95895 ,09358 3,00 7,00
Apesar de a população inquirida ser considerada adulta jovem, em que a maioria, 53 inquiridos, trabalham nas instituições por no máximo 5 anos, seguido por 31 servidores com tempo de serviço entre 5 a 10 anos e por último servidores com mais de 10 de atuação totalizando 21 inquiridos.
Verifica-se então que quanto maior a antiguidade nas instituições, maior o nível de satisfação global no trabalho, com média em 5,88, maior até que a média total, tendo-se também verificado diferenças estatisticamente significativas como evidenciado na tabela 3.
Em relação ao teste da sub-hipotese H0_2.4: Não existem diferenças estatisticamente significativas na SGT entre a antiguidade na organização.
Pôde-se constatar o valor de p-value = 0,05 que é igual ao nível de significância de 5%. Assim se rejeita a hipótese nula, pelo que se poderá concluir que existe evidência estatística de que existem diferenças estatisticamente significantes na SGT entre o tempo de serviço na instituição.
Quadro 11 – SGT consoante classe etária
Descriptive Statistics
Grupos etários N Minimum Maximum Mean Std. Deviation
Até 35 anos Satisfação Global no trabalho 41 3,20 7,00 5,1659 ,94435 Valid N (listwise) 41 36 a 50 anos Satisfação Global no trabalho 43 4,00 7,00 5,5442 ,79681 Valid N (listwise) 43 Mais de 50 anos Satisfação Global no trabalho 21 3,00 7,00 5,5333 1,22038 Valid N (listwise) 21
Quanto à faixa etária vê-se que a satisfação global é maior dos 36 aos 50 anos, o que corresponde à média de 5,54 do total inquirido.
Quadro 12 – Teste Kruskal-Wallis – A Satisfação consoante a faixa etária
Em relação ao teste da sub-hipotese H0_2.2: Não existem diferenças estatisticamente significativas na SGT entre os grupos etários.
Conforme se pode constatar o valor de p-value = 0,127 que é superior ao nível de significância de 5%. Assim não se rejeita a hipótese nula, pelo que se poderá concluir que não existe evidência estatística de que existem diferenças estatisticamente significantes na SGT entre os grupos de faixa etárias dos servidores.
Quadro 13 – SGT consoante género
Group Statistics
Genêro N Mean Std. Deviation Std. Error
Mean Satisfação Global no
trabalho
Feminino 62 5,3548 ,97471 ,12379
Masculino 43 5,4512 ,94425 ,14400
Quanto ao gênero, vê-se que a satisfação é maior no gênero masculino, o que corresponde à média de 5,45 do total inquirido, apesar do gênero feminino ser maioria da população inquirida.
Em relação ao teste da sub-hipotese H0_2.1: Não existem diferenças estatisticamente significativas na SGT entre géneros (Feminino/Masculino).
Constata-seo valor de p-value = 0,615 que é superior ao nível de significância de 5%. Apesar da média da satisfação global do trabalho em relação ao gênero ter sido ligeiramente maior para o sexo masculino, mesmo assim não se rejeita a hipótese nula, pelo que se poderá concluir que não existe evidência estatística de que existem diferenças estatisticamente significantes na SGT entre os grupos de gênero dos servidores, nas instituições de ensino analisadas por este estudo, o grau de satisfação percebido pelos servidores não é diferenciado pelo gênero.
Quadro 14 – SGT consoante escolaridade
Descriptives Satisfação Global no trabalho
N Mean
Std. Deviation
Std.
Error Minimum Maximum
Até Ensino Médio 15 5,4533 1,03501 ,26724 3,20 7,00
Ensino Superior 27 5,3259 1,09706 ,21113 3,40 7,00
Ensino Superior Pós-Graduado 63 5,4095 ,89040 ,11218 3,00 7,00
Quanto à escolaridade vê-se que a satisfação é maior para os inquiridos que possuem até o ensino médio, o que corresponde à média de 5,45 do total inquirido.
Em relação ao teste da sub-hipotese H0_2.3: Não existem diferenças estatisticamente significativas na SGT entre a escolaridade.
Constatou-se que o valor de p-value = 0,902 que é superior ao nível de significância de 5%. Assim não se rejeita a hipótese nula, pelo que se poderá concluir que não existe evidência estatística de que existem diferenças estatisticamente significantes na SGT entre a escolaridade dos servidores.
Após verificar os dados acima mencionados, rejeita-se a segunda hipótese de nulidade: H0_2: Não existem diferenças estatisticamente significativas entre cada
uma das variáveis pessoais e a satisfação global no trabalho (SGT), com suas sub-hipóteses, uma vez que se pode evidenciar que existem diferenças estatisticamente significativas entre as variáveis pessoais apontadas acima e a satisfação global no trabalho.
Em relação à predição da satisfação global no trabalho, conforme tabelas abaixo discriminadas levaram-se em consideração as variáveis: remuneração e beneficios; motivação; e identidade.
Quadro 15 – Média das Variavéis situacionais consoante Instituições Instituição em que trabalha Remuneração e
benefícios
Motivação Satisfação Global no trabalho Identidade Serviço Público Média 4,3667 4,3500 5,0533 6,1500 N 60 60 60 60 Desvio padrão 1,31119 1,49943 ,98454 1,35077 Serviço Privado Média 5,2000 5,0222 5,8489 6,2889 N 45 45 45 45 Desvio padrão 1,16483 1,43002 ,70987 1,12052 Total Média 4,7238 4,6381 5,3943 6,2095 N 105 105 105 105
Desvio padrão 1,31189 1,50079 ,95895 1,25342
Tabela 4 – Predição da satisfação global no trabalho consoante as variáveis situacionais (serviço público)
Variáveis situacionais com
contribuição significativa Coeficiente
Erro padrão p Remuneração e benefícios 0,385 0,070 <0,001 Motivação 0,229 0,062 <0,001 Identidade 0,138 0,068 <0,05 Constante 1,526
Modelo válido F = 21,586 (p < 0,05); R2 ajustado 0,511.
Não existem problemas de multicolinearidade (Condition Index = 13,653<15).
A remuneração e benefícios, a motivação e a identidade são variáveis com peso explicativo estatisticamente significativo para predizer a satisfação global no trabalho no serviço público. Quanto maiores os valores nestas variáveis situacionais maior é a satisfação global no trabalho. Estamos perante um modelo com 51,1% de variação explicada e sem problemas de multicolinearidade. A remuneração e benefícios e a motivação possuem o valor de p-value = 0,001 que é inferior ao nível de significância de 5%. Enquanto que a identidade se pode constatar o valor de p-value = 0,05 que é igual ao nível de significância de 5%. Assim rejeita a hipótese nula: H0_3 – As variáveis situacionais não são preditoras
da satisfação global do servidor publico.
Ao analisar as variáveis que compõem a satisfação global do trabalho, dos servidores públicos, identificou-se que uma boa remuneração e benefícios, a motivação e a identidade não suficientes para que os servidores possuam uma satisfação quanto ao trabalho.
Tabela 5 – Predição da satisfação global no trabalho consoante as variáveis situacionais (serviço privado)
Variáveis situacionais com
contribuição significativa Coeficiente
Erro padrão p Remuneração e benefícios 0,308 0,067 <0,001 Motivação 0,142 0,051 0,009 Significado do trabalho 0,311 0,115 <0,05 Constante 12,891
Modelo válido F = 17,874 (p < 0,05); R2 ajustado 0,535.
Existem indícios de problemas de multicolinearidade (Condition Index = 28,489>15).
A remuneração e beneficios, a motivação e o significado do trabalho são variáveis importantes que têm grande influência na satisfação global no trabalho no serviço privado. Quanto maiores os valores nestas variáveis situacionais maior é a satisfação global no trabalho. Estamos perante um modelo com 53,5% de variação explicada mas apresenta indícios de problemas de multicolinearidade. A remuneração e benefícios possuem o valor de p-value = 0,001 que é inferior ao nível de significância de 5%; enquanto que a motivação tem o valor de p-value = 0,009 que é superior ao nível de significância de 5%; já o significado do trabalho possui o valor de p-value = 0,05 que é igual ao nível de significância de 5%. Assim rejeita a hipótese nula: H0_4 – As variáveis situacionais não são preditoras
da satisfação global do servidor privado.
A análise das variáveis que compõem a satisfação global do trabalho, dos servidores públicos, identificou-se que uma boa remuneração e benefícios, e o significado do trabalho não são suficientes para que os servidores possuam uma satisfação quanto ao trabalho. Já o fato de serem motivados, ou se sentirem motivados ao exercerem suas atividades, isso já os deixa satisfeitos quanto ao trabalho.
Após a análise das tabelas anteriormente apresentadas identificou-se que os servidores do setor privado a educação estão mais satisfeitos que os do setor público aja vista a resposta dos mesmos junto ao questionário que sinalizou o número 04 da escala aplicada no inquérito quanto à questão do montante de pagamento e benefícios recebidos e sinalizou o número 06 da escala quando se fala da questão da recompensa e méritos que os servidores têm da realização de seus serviços. A média da remuneração e benefícios recebidos pelos servidores públicos é de 4,36 contra 5,20 da satisfação global dos servidores privados do setor da educação.
Quanto à motivação, concluiu-se que os servidores do setor privado são os mais motivados, uma vez que de todos os inquiridos do setor público 15 servidores acreditam que a maioria dos colegas de trabalho gostariam de desistir do serviço. A média da motivação dos servidores públicos nos revelou ser de 4,35 contra 5,02 da satisfação global dos servidores privados do setor da educação, que é ligeiramente maior que a média total. Essa desmotivação dos servidores públicos pode ser devida à desvalorização desses profissionais, o não reconhecimento dos trabalhos executados.
Quanto à identidade, os servidores de ambas as instituições de ensino concordam em relação à autoestima, e a opinião sobre si mesmo, de como a autoestima melhora quando realizam um bom trabalho. A média de obtida da identidade e significado do trablho dos servidores públicos é de 6,15 contra 6,28 dos servidores privados do setor da educação.
Por fim a média da satisfação global do trabalho dos servidores públicos é de 5,05 contra 5,84 da satisfação global dos servidores privados do setor da educação, o que nos revela que os servidores privados do setor de educação são mais satisfeitos e motivados do que os funcionários públicos.
4.2 Discussão de Resultados
Este subitem destina-se à discussão dos resultados da pesquisa, conforme os dados coletados e tratado.
Os fatores que atuam como antecedentes da satisfação do trabalho podem ser agrupados em dois grupos: as variáveis situacionais, relacionadas com o trabalho ou ambiente de trabalho e as variáveis individuais, as quais englobam as características sociodemográficas ou disposicionais dos indivíduos (Lopes, 2012).
Após análise do perfil demográfico, concluiu-se que existem diferenças significativas entre as variáveis pessoais e a satisfação global no trabalho entre os servidores públicos e os servidores privados estudados neste projeto.
Procedemos à verificação das sub-hipóteses que colocamos sobre a existência de relação entre as variáveis pessoais e a satisfação no trabalho. Utilizando os testes de Kruskal-Wallis, obtivemos que das características pessoais analisadas, género, idade, estado civil, escolaridade, vinculo com a organização, antiguidade na organização, antiguidade na função.
Nas instituições de ensino analisadas por este estudo, o grau de satisfação percebido pelos servidores não é diferenciado pelo gênero, assim como concluiu Pacheco (2012), de que não existem diferenças entre sexos. Apesar de ter autores como, por exemplo, Luzzi e Spencer (2011) que indicam, só existir diferenças entre sexos nas dimensões da satisfação no trabalho em termos de relacionamentos interpessoais e no relacionamento com a liderança.
A respeito da faixa etária, conforme se pode constatar o valor de p-value = 0,127 que é superior ao nível de significância de 5%. Assim não se rejeitou a hipótese nula, pelo que se pôde concluir que não existe evidência estatística de que existem diferenças estatisticamente significantes na SGT entre os grupos de faixa etárias dos servidores. Assim como Voltmer, Rosta, Siegrist e Aasland (2011) que também concluiram pela não existência de relação entre a idade e satisfação no trabalho. Já Cordeiro e Pereira (2010) afirmam que quanto maior a idade maior a satisfação do servidor.
Quanto à escolaridade, vê-se que a satisfação é maior para os inquiridos que possuem até o ensino médio, o que corresponde à média de 5,45 do total inquirido. Dessa forma, os participantes com menor nível de escolaridade apresentam valores de trabalho mais elevados em termos de bondade, conformismo e segurança.
A antiguidade nas instituições é um fator importante, porque determina, muitas vezes, o comportamento e o posicionamento dos servidores frente às mudanças ou problemas que ocasionalmente podem ocorrer nas instituições. Apesar de a população inquirida ser considerada adulta jovem, em que a maioria 53 inquiridos, trabalham nas instituições por no máximo 5 anos, seguido por 31 servidores com
tempo de serviço entre 5 a 10 anos e por último servidores com mais de 10 de atuação totalizando 21 inquiridos. Verificou-se então que quanto maior a antiguidade nas instituições, maior foi o nível de satisfação global no trabalho, conforme mostram Lemos e Passos (2012); Cordeiro e Pereira (2010), que quanto mais tempo de trabalho nas instituições mais tempo ele disporá de tempo e motivação para realizar um trabalho com qualidade, logo o servidor será mais satisfeito, pois provalvemente, este servidor possui uma remuneração maior, ou até mesmo um cargo mais elevado na instituição que em sua maioria requer anos de experiências.
Em relação à predição da satisfação global no trabalho no serviço público, levaram-se em consideração as variáveis: remuneração e beneficios; motivação; e identidade.
Em geral, e nos estudos consultados, no serviço público e no setor privado, quanto maiores forem os valores das variáveis situacionais que predizem a satisfação global, como a remuneração e benefícios, a motivação, a identidade e o significado do trabalho, maior será a satisfação global no trabalho. No entanto, ao analisar os resultados obtidos pelos questionários, identificou-se que uma boa remuneração e benefícios, a motivação e a identidade não são suficientes para que os servidores possuam uma satisfação quanto ao trabalho, como aconteceu ao analisar a motivação dos servidores de ambas as instituições, constatou-se que os servidores do setor privado estão mais motivados, ou se sentirem motivados ao exercerem suas atividades, isso já os deixa satisfeitos quanto ao