Conclusions sur l’objet de la protection
Section 2. La nouveauté objective et la non-évidence
2.2. L’appréciation de la non-évidence
A cena se completa entre cores, luzes e movimentos. As Tribos Indígenas constro- em imagens geométricas grandiosas. Hoje ao observar as filmagens pude ter noção da complexidade que foi executar esses movimentos.
O espetáculo ferve, as ações são constantes, reveladoras e enigmáticas aos meus olhos. Mas, de repente, sobre um lagarto com asas aparece a Rainha do Folclore. Com- parado a outros anos, o Boi Garantido perde no quesito surpresa deste item. Esse bloco alegórico que trouxe a Rainha do Folclore já estava parado atrás das Tribos Indígenas, Pajé e os Tuxauas, durante toda a apresentação, disputando as atenções, o que criou em mim uma expectativa referente a encenação dos três itens que acabei de citar e que não aconteceu. E foi neste momento, na minha perspectiva, que senti a energia cair, tanto dos brincantes na arquibancada quanto dos brincantes na arena.
A pesar dos esforços do Apresentador e do Levantador de Toada, houve uma demora considerável para restabelecer a energia em cena. O tempo está correndo, e na arena mais uma alegoria está se exibindo aos espectadores. Uma homenagem aos Qui- lombolas da Amazônia, concorrendo ao item Figura Típica Regional.
Nesta encenação, o Garantido traz alguns personagens com instrumentos africa- nos como o Xequerê, por exemplo, que vem a somar com os instrumentos tradicionais que são usados nos Bois-Bumbás de Parintins. A culinária, a dança, as brincadeiras do negro se misturando à vida do caboclo, miscigenando suas culturas e se transformando no povo ribeirinho.
Na encenação do auto do boi parintinense, Garantido reuniu um número significati- vo de itens como: 02, 06, 07, 10, 16, 18, 20 e 21. Um belíssimo teatro apresentado na arena, o apogeu do espetáculo da primeira noite, o auto do Boi Garantido revelou para nossos olhos apaixonados: interpretação, dança e música em perfeita sincronia, trouxe os
tradicionais personagens oriundos do Bumba-meu-boi – Pai Francisco, Catirina e Cazum- bá – com os demais personagens que deram identidade ao Boi de Parintins – os mitos, ritos e lendas indígenas.
A noite respira o Ritual de passagem, “cuja iniciação consiste na escarificação e tatuagem do corpo de um índio guerreiro escolhido para ser pajé” (GARANTIDO. 2017b, p. 51), indicando a apoteose do Boi e seu último ato. Esse é momento onde os Bois mostram todo o potencial de planejamento artístico, creio que seja a encenação mais esperada de cada Boi-Bumbá, todos fazem questão de assistir, até mesmo o contrário.
Como de costume nos dois Bois, Garantido encerra com uma grande festa e promessas para a próxima noite. Um detalhe importante, os últimos a saírem da arena, são os ritmistas – batucada – sempre do lado da sua torcida, o que leva o Boi a entoar as canções de desafios ao contrário, demostrando a rivalidade até o último momento da apre- sentação.
Na sua segunda noite – o Boi Garantido traz para o bumbódromo o tema: Folclore e Resistência Cultural. Em sua revista de apresentação – a mesma que vai para as mãos dos jurados – afirma que a identidade do folclore foi construída à custa da resistência dos
povos da floresta que sofreram a violência da colonização, mas souberam manter viva a essência, principalmente, dos povos indígenas.
souberam manter viva a essência, principalmente, dos povos indígenas.
É com esse argumento que o Apresentador, Levantador de Toada, Amo do Boi e Boi-Bum- bá Garantido iniciam a apresentação da segunda noite. Entram na arena à frente da batu- cada sendo conduzidos por um cordão de lindas brincantes de mãos dadas e acompanha- dos pela Vaqueirada.
O apresentador sentado no meio da arena, de frente para sua a Galera, convida a todos para brincar de Boi-Bumbá. “Boa noite povo amazonense vem ver, Boi Garantido chegou e serenou, fazendo inveja pro povo contrário de azul” (GARANTIDO)84.
Poucas vezes vi uma galera tão animada, foi de parar e admirar tanta disposição. O Amo do Boi ao lado do apresentador, não perde tempo e logo inicia a noite com seus versos, provocando o contrário que acabara de deixar a arena.
110
FIGURA 43 – Ritual de Escarificação – Fonte: Acritica, 2017
A cena se completa entre cores, luzes e movimentos. As Tribos Indígenas constro- em imagens geométricas grandiosas. Hoje ao observar as filmagens pude ter noção da complexidade que foi executar esses movimentos.
O espetáculo ferve, as ações são constantes, reveladoras e enigmáticas aos meus olhos. Mas, de repente, sobre um lagarto com asas aparece a Rainha do Folclore. Com- parado a outros anos, o Boi Garantido perde no quesito surpresa deste item. Esse bloco alegórico que trouxe a Rainha do Folclore já estava parado atrás das Tribos Indígenas, Pajé e os Tuxauas, durante toda a apresentação, disputando as atenções, o que criou em mim uma expectativa referente a encenação dos três itens que acabei de citar e que não aconteceu. E foi neste momento, na minha perspectiva, que senti a energia cair, tanto dos brincantes na arquibancada quanto dos brincantes na arena.
A pesar dos esforços do Apresentador e do Levantador de Toada, houve uma demora considerável para restabelecer a energia em cena. O tempo está correndo, e na arena mais uma alegoria está se exibindo aos espectadores. Uma homenagem aos Qui- lombolas da Amazônia, concorrendo ao item Figura Típica Regional.
Nesta encenação, o Garantido traz alguns personagens com instrumentos africa- nos como o Xequerê, por exemplo, que vem a somar com os instrumentos tradicionais que são usados nos Bois-Bumbás de Parintins. A culinária, a dança, as brincadeiras do negro se misturando à vida do caboclo, miscigenando suas culturas e se transformando no povo ribeirinho.
Na encenação do auto do boi parintinense, Garantido reuniu um número significati- vo de itens como: 02, 06, 07, 10, 16, 18, 20 e 21. Um belíssimo teatro apresentado na arena, o apogeu do espetáculo da primeira noite, o auto do Boi Garantido revelou para nossos olhos apaixonados: interpretação, dança e música em perfeita sincronia, trouxe os
tradicionais personagens oriundos do Bumba-meu-boi – Pai Francisco, Catirina e Cazum- bá – com os demais personagens que deram identidade ao Boi de Parintins – os mitos, ritos e lendas indígenas.
A noite respira o Ritual de passagem, “cuja iniciação consiste na escarificação e tatuagem do corpo de um índio guerreiro escolhido para ser pajé” (GARANTIDO. 2017b, p. 51), indicando a apoteose do Boi e seu último ato. Esse é momento onde os Bois mostram todo o potencial de planejamento artístico, creio que seja a encenação mais esperada de cada Boi-Bumbá, todos fazem questão de assistir, até mesmo o contrário.
Como de costume nos dois Bois, Garantido encerra com uma grande festa e promessas para a próxima noite. Um detalhe importante, os últimos a saírem da arena, são os ritmistas – batucada – sempre do lado da sua torcida, o que leva o Boi a entoar as canções de desafios ao contrário, demostrando a rivalidade até o último momento da apre- sentação.
Na sua segunda noite – o Boi Garantido traz para o bumbódromo o tema: Folclore e Resistência Cultural. Em sua revista de apresentação – a mesma que vai para as mãos dos jurados – afirma que a identidade do folclore foi construída à custa da resistência dos
povos da floresta que sofreram a violência da colonização, mas souberam manter viva a essência, principalmente, dos povos indígenas.
souberam manter viva a essência, principalmente, dos povos indígenas.
É com esse argumento que o Apresentador, Levantador de Toada, Amo do Boi e Boi-Bum- bá Garantido iniciam a apresentação da segunda noite. Entram na arena à frente da batu- cada sendo conduzidos por um cordão de lindas brincantes de mãos dadas e acompanha- dos pela Vaqueirada.
O apresentador sentado no meio da arena, de frente para sua a Galera, convida a todos para brincar de Boi-Bumbá. “Boa noite povo amazonense vem ver, Boi Garantido chegou e serenou, fazendo inveja pro povo contrário de azul” (GARANTIDO)84.
Poucas vezes vi uma galera tão animada, foi de parar e admirar tanta disposição. O Amo do Boi ao lado do apresentador, não perde tempo e logo inicia a noite com seus versos, provocando o contrário que acabara de deixar a arena.