Considérations méta-juridiques sur les créations de la parfumerie
Section 7. La formule du jus du parfum : la recette et la formule chimique
75 Usando os conceitos de Huizinga, quando afirma que “o jogo não é vida “corrente” nem vida “real”. Pelo contrário, trata-se de uma evasão da vida “real” para uma esfera tem- porária de atividade com orientação própria” (1996, p. 11), essa é a segunda característica do jogo, colocado pelo autor, que envolve atividades diferente da vida real. Dessa forma, chego a teatralidade, foco desta pesquisa, o qual vai me permitir formas de organizar a representação e dialogar entre o real e a ficção, o espaço cotidiano e o espaço de repre- sentação e também, perceber as transformações e os acontecimentos no próprio evento (FÉRAL,2003). Portanto, identificar a teatralidade no 52º Festival Folclórico de Parintins é “considerar a representação em movimento, ou seja, durante o tempo que está acontecen- do o evento” (CORNAGO, 2008). Josette Féral revela que na representação teatral o ator está envolvido em um jogo de atrito, “entre códigos e fluxos, entre simbólico e semiótico, entre caos e ordem (2003, p. 45) e o ato de detectar essa fricção (termo usado pela autora) ou atrito é a teatralidade. Féral ainda pontua:
Corroborando com a autora, Cornago (2008, p. 22) pontua que “quanto mais esse olhar se torna presente na representação do ator, na representação plástica ou literária, mais teatral a consideraremos”.
E é a partir desses apontamentos que pontuo nesta pesquisa, a importância que a teatralidade traz para responder questões inerentes do Festival Folclórico de Parintins e a participação dos brincantes nesse jogo de representação.
Uma vez que o espetáculo é extremamente competitivo não basta apenas estar de corpo presente nas arquibancadas, o brincante joga, participar, interage com os demais, canta, usa os adereços quando são necessários, enfim, envolve-se e colabora com a cênica que está acontecendo na arena e isso lhe causa prazer.
Suas ações são importantes para o boi, para a competição. Se um brincante senta, o outro que está do seu lado, logo chama a sua atenção. Exemplo disso foi o que sucedeu comigo, no segundo dia das apresentações (01 de julho de 2017). Já tinha se passado mais de uma hora e meia de espetáculo, e resolvi sentar. Não tinha notado que do meu lado havia um senhor, creio que aproximadamente de setenta anos, com uma bandeirola azul em suas mãos. No momento que eu sentei, senti um toque pesado em meu ombro, olhei para cima. Era esse senhor; não me disse uma palavra, apenas me olhou fixamente. E com esse olhar “mandou” eu me levantar. Entendi a sua mensagem e retornei a brincar,
Para chegar a uma definição da teatralidade, digamos que ela seja um resul- tado de um ato de reconhecimento por parte do espectador. Foi inscrita pelo artista no objeto ou no evento que o espectador olha pelo filtro de procedi- mento que se pode estudar (distanciamento, ostensão, enquadramento, por exemplo). Para o espectador, o reconhecimento desses procedimentos é a primeira etapa de um processo de percepção que opera uma serie de clivagens nas ações oferecidas a seu olhar, que lhe permite reconhecer a existência da teatralidade (FÉRAL, 2015, p. 108).
com mais energia e empolgação. Lição de um brincante ancião. Pena que não o vi mais. O diretor e encenador russo Nicolás Evreinov59, fala sobre a existência de um instin-
to teatral inerente aos animais superiores, sendo o ser humano o mais apto a desen- volvê-lo em modo reflexivo. Ele diz:
Partindo desse pressuposto e parafraseando Max Weber, citado em Santos (2012), busco pesquisar os traços de teatralidade no Boi de Parintins, em minha pesquisa, não como uma ciência experimental em caçar leis e sim como uma ciência interpretativa a pescar significados.
Para deixar claro a metáfora aqui utilizada: como caboclo, a partir da experiência vivida ao lado de parentes61 ribeirinhos que diariamente em sua labuta, buscam seu sus-
tento em suas caçadas e diante das circunstâncias que os envolvem, percebo que eles precisam de um conhecimento específico para o caminhar nas densas matas fechadas dos biomas amazônicos, fazer a espera62, se orientar e saber o momento certo de finalizar
sua busca, dialogando com a paciência e o silêncio, para o sucesso da caçada. O mesmo vale para a pesca, técnicas totalmente diferentes, ensinadas para as crianças no dia-a-dia, na popa da canoa63. A manipulação dos utensílios utilizados em uma pescaria é uma arte,
lançar uma tarrafa64 é um trabalho de sincronia que leva tempo, atirar com arpão requer
precisão e destreza e interpretar a natureza é uma vida.
Portanto, é com a mesma paciência de obter sucesso em uma caçada e/ou a mesma sincronia em uma pesca que pretendo buscar nestas metáforas a compreensão das minhas reflexões e a interpretação da teatralidade.
Desde o início do século XX, a teatralidade vem marcando a reflexão teatral nas mais diversas linguagens artísticas. É importante ressaltar a reflexão que a autora e pesquisadora Josette Féral (2015) faz dos grandes artistas Stanislavski e Meyerhold, sobre tal assunto. Segundo a autora, Stanislavski
76 Usando os conceitos de Huizinga, quando afirma que “o jogo não é vida “corrente”
nem vida “real”. Pelo contrário, trata-se de uma evasão da vida “real” para uma esfera tem- porária de atividade com orientação própria” (1996, p. 11), essa é a segunda característica do jogo, colocado pelo autor, que envolve atividades diferente da vida real. Dessa forma, chego a teatralidade, foco desta pesquisa, o qual vai me permitir formas de organizar a representação e dialogar entre o real e a ficção, o espaço cotidiano e o espaço de repre- sentação e também, perceber as transformações e os acontecimentos no próprio evento (FÉRAL,2003). Portanto, identificar a teatralidade no 52º Festival Folclórico de Parintins é “considerar a representação em movimento, ou seja, durante o tempo que está acontecen- do o evento” (CORNAGO, 2008). Josette Féral revela que na representação teatral o ator está envolvido em um jogo de atrito, “entre códigos e fluxos, entre simbólico e semiótico, entre caos e ordem (2003, p. 45) e o ato de detectar essa fricção (termo usado pela autora) ou atrito é a teatralidade. Féral ainda pontua:
Corroborando com a autora, Cornago (2008, p. 22) pontua que “quanto mais esse olhar se torna presente na representação do ator, na representação plástica ou literária, mais teatral a consideraremos”.
E é a partir desses apontamentos que pontuo nesta pesquisa, a importância que a teatralidade traz para responder questões inerentes do Festival Folclórico de Parintins e a participação dos brincantes nesse jogo de representação.
Uma vez que o espetáculo é extremamente competitivo não basta apenas estar de corpo presente nas arquibancadas, o brincante joga, participar, interage com os demais, canta, usa os adereços quando são necessários, enfim, envolve-se e colabora com a cênica que está acontecendo na arena e isso lhe causa prazer.
Suas ações são importantes para o boi, para a competição. Se um brincante senta, o outro que está do seu lado, logo chama a sua atenção. Exemplo disso foi o que sucedeu comigo, no segundo dia das apresentações (01 de julho de 2017). Já tinha se passado mais de uma hora e meia de espetáculo, e resolvi sentar. Não tinha notado que do meu lado havia um senhor, creio que aproximadamente de setenta anos, com uma bandeirola azul em suas mãos. No momento que eu sentei, senti um toque pesado em meu ombro, olhei para cima. Era esse senhor; não me disse uma palavra, apenas me olhou fixamente. E com esse olhar “mandou” eu me levantar. Entendi a sua mensagem e retornei a brincar,
com mais energia e empolgação. Lição de um brincante ancião. Pena que não o vi mais. O diretor e encenador russo Nicolás Evreinov59, fala sobre a existência de um instin-
to teatral inerente aos animais superiores, sendo o ser humano o mais apto a desen- volvê-lo em modo reflexivo. Ele diz:
Partindo desse pressuposto e parafraseando Max Weber, citado em Santos (2012), busco pesquisar os traços de teatralidade no Boi de Parintins, em minha pesquisa, não como uma ciência experimental em caçar leis e sim como uma ciência interpretativa a pescar significados.
Para deixar claro a metáfora aqui utilizada: como caboclo, a partir da experiência vivida ao lado de parentes61 ribeirinhos que diariamente em sua labuta, buscam seu sus-
tento em suas caçadas e diante das circunstâncias que os envolvem, percebo que eles precisam de um conhecimento específico para o caminhar nas densas matas fechadas dos biomas amazônicos, fazer a espera62, se orientar e saber o momento certo de finalizar
sua busca, dialogando com a paciência e o silêncio, para o sucesso da caçada. O mesmo vale para a pesca, técnicas totalmente diferentes, ensinadas para as crianças no dia-a-dia, na popa da canoa63. A manipulação dos utensílios utilizados em uma pescaria é uma arte,
lançar uma tarrafa64 é um trabalho de sincronia que leva tempo, atirar com arpão requer
precisão e destreza e interpretar a natureza é uma vida.
Portanto, é com a mesma paciência de obter sucesso em uma caçada e/ou a mesma sincronia em uma pesca que pretendo buscar nestas metáforas a compreensão das minhas reflexões e a interpretação da teatralidade.
Desde o início do século XX, a teatralidade vem marcando a reflexão teatral nas mais diversas linguagens artísticas. É importante ressaltar a reflexão que a autora e pesquisadora Josette Féral (2015) faz dos grandes artistas Stanislavski e Meyerhold, sobre tal assunto. Segundo a autora, Stanislavski
Refiro-me ao instinto de transfiguração, o instinto de opor as imagens recebi- das de fora, imagens arbitrariamente criadas de dentro; o instinto de transmu- dar as aparências oferecidas pela natureza em algo distinto. Em resumo, instinto cuja a essência se revela no que eu chamaria de 'teatralidade' (EVREINOV, 1956, p. 35).
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