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LE PARADIGME DE L’EXCLUSION SOCIALE

4. IMPORTANCE DU CONCEPT D’EXCLUSION POUR LA RECHERCHE

Nas várias reflexões que têm sido realizadas ao longo desta investigação, vai-se definindo de forma mais clara um posicionamento entre correntes e teorias do ensino, nomeadamente as que se relacionam com os conceitos de profissionalidade docente, da extensão do poder de ação do professor, como professor reflexivo e também como artista-professor. Estas abordagens tentam desenhar um professor que se relaciona com a sua prática letiva tal como se poderia relacionar com a prática artística.

O ensino das artes está relacionado com o modo como o próprio professor entende a arte (Efland,1995, p. 25). Nesta área do ensino, podemos abordar determinados conceitos e perseguir objetivos de diferentes formas, apoiando-nos por exemplo em trabalhos artísticos e em teorias da arte que foram surgindo e prevalecendo ao longo do tempo, conscientes de que conhecendo o que já foi feito e escrito, ou seja, o que já foi criado, nos pode ajudar a trilhar novos e preponderantes caminhos na conceção de novos trabalhos artísticos – obras de arte ou projetos didáticos.

O ideal, como vimos, será fazê-lo articulando vários modelos e abordagens, adequados a conteúdos e objetivos diferenciados, não priveligiando uma única

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perspetiva como verdadeira em detrimento de outras, assim se vai definindo um caminho único, que se constrói na diversidade. Esta perspetiva enquadra-se no paradigma pósmodernista descrito por Efland (1995). Uma posição que implica uma forma de encarar o mundo em geral, e as artes e o ensino em particular, em que não poderemos, enquanto educadores, defender uma corrente, um estilo ou uma conceção única, mas antes proporcionar aos alunos um constante questionar acerca das questões essenciais e transversais na arte.

Será útil sentirmos e sabermos que trabalhamos com essa consciência, de que estamos a criar enquanto professores, procurando enriquecer e construir uma ‘arte de ensinar’, a qualidade de organizar e comunicar determinadas ideias e sentimentos. (Hausman, 1967, p. 14)

As novas maneiras de ensinar podem e devem ser postas em prática por nós, professores de artes. Aliás, o ensino artístico é terreno fértil e bastante permeável para a criação, implementação e experimentação das ‘novas didáticas’.

Johannes Itten (1975), ele própro artista e professor, envolveu-se profundamente no processo de ensinar, sendo um testemunho de como a didática pode concretizar-se nas artes, desenvolvendo um método de trabalho peculiar, que parece fazer todo o sentido. A sua entrega como professor e artista produzia nos alunos uma total disponibilidade para absorver o que ele tinha para lhes oferecer (Itten, 1975, p. 6). Na verdade, “Os momentos mais preciosos de uma relação professor-aluno, quando o professor consegue acender uma faísca intelectual num aluno e chega até ao seu interior, nunca podem ser repetidos.” (Itten, 1975, p. 6).

Este saber ser professor que temos vindo a analisar e tentar definir, envolve, como já sabemos, muito mais do que o conhecimento de um saber teórico e específico; segundo Itten,

“Não há nenhum campo da atividade humana em que o talento desempenhe um papel tão decisivo como na educação. Somente o educador talentoso, que é uma pessoa com um talento para a educação, vai respeitar e proteger numa criança o milagre indescritível da sua humanidade. O respeito ao ser humano é o princípio e o fim de toda educação. (...) O conhecimento da natureza humana – o conhecimento intuitivo da natureza humana – parece-me ser um dom essencial para o verdadeiro educador, que precisa de reconhecer e ser capaz de desenvolver os talentos naturais e temperamentos das pessoas a seu cargo.” (Itten, 1975, p. 6).

Para Itten, no desenvolvimento do Basic Course na Bauhaus, era fundamental libertar as forças criativas e os talentos artísticos dos alunos; as suas próprias experiências e perceções deviam resultar num trabalho genuíno. Para que isso acontecesse, e para que cada aluno rapidamente encontrasse o seu percurso criativo, Itten tinha métodos muito próprios, um programa, um currículo com exercícios pensados

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criteriosamente. Aos poucos, mediante os vários exercícios realizados, os alunos iam conseguindo libertar-se de todas as convenções e adquirindo a coragem de criar o seu próprio trabalho. Mesmo a escolha da carreira pelos alunos se tornava mais fácil, uma vez que lhes eram apresentados princípios de composição criativa essenciais, úteis para as suas futuras carreiras como artistas. As leis da forma e da cor despertavam-nos para o mundo da objetividade e, à medida que o trabalho progredia, tornava-se possível que os problemas subjetivos e objetivos de forma e cor interagissem de várias maneiras diferentes (Itten, 1975, pp. 7-8).

“Considerava essencial, no ensino de meios de representação artística, invocar uma resposta individual em estudantes de vários temperamentos e talentos. Esta era a única forma de gerar a atmosfera criativa conducente ao trabalho original. O trabalho tem de ser ‘genuíno’. O estudante adquiria assim uma autoconfiança natural para depois encontrar a sua vocação. Pessoas de diferentes talentos reagem de forma diferente aos meios de expressão e como tal desenvolvem diferentes percursos.” (Itten, 1975, p. 8)

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A imaginação e a capacidade criativa devem antes de tudo ser libertadas e fortalecidas. Se novas ideias assumem forma artística, todas as forças e habilidades físicas, sensoriais, espirituais e inteletuais devem estar igualmente disponíveis e agir em conjunto. Isto foi essencial para construir o indivíduo estudante como uma pessoa criativa bem integrada. Assim, os primeiros períodos matinais nas aulas de Itten começavam com exercícios de relaxamento, respiração e concentração para estabelecer a preparação inteletual e física que tornavam possível o trabalho intensivo. O primeiro objetivo era despertar um sentimento vital para o sujeito através da observação pessoal. Pedia aos alunos para, de pé, representarem formas através de execícios performativos, com o movimento do corpo. A concentração era importante e essa performance tinha de ser sentida intensamente. Apenas depois desenhavam as formas no papel. Os exercícios de desenho em conjunto levavam ao assunto de trabalho para o dia, seguidos de uma explicação e compreensão inteletual e só depois pela realização da tarefa. “Sempre mantive o princípio de experiência-perceção- habilidade prática” (Itten, 1975, p.12).

“O treino do corpo como um instrumento da mente é de grande importância para a pessoa criativa. Como pode uma mão expressar um determinado sentimento numa linha, quando mão e braço estão presos? Os dedos, a mão, o braço, todo o corpo pode ser preparado para a tarefa através de exercícios de relaxamento, fortalecimento e sensibilização. (...) Além do relaxamento, respirar é de grande importância. (...) Através de exercícios de respiração, tentava treinar os meus estudantes para respirarem calmamente e mais profundamente.” (Itten, 1975, p. 9)

A base da sua teoria de composição era a teoria do contraste. O claro-escuro, os estudos de materiais e texturas, a teoria das formas e das cores, o ritmo e as formas expressivas eram discutidos e demonstrados em relação aos seus efeitos de contraste.

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Encontrar as variadas possibilidades de contraste era sempre uma das matérias mais entusiasmantes, porque os estudantes tomavam consciência de que um mundo completamente novo se abria para eles. Tinham que experienciar os contrastes com os sentidos, objetiva e inteletualmente e percebê-los de forma sintética (Itten, 1975, p. 12).

A investigação científica e tecnológica, objetiva, era balançada pelo pensamento e o olhar para dentro, pelas forças espirituais. Além disso, Itten não sobrecarregava os estudantes com conhecimentos ‘irrelevantes’, que não lhes dariam tempo suficiente para fazer um balanço de si mesmos, o que formaria um obstáculo para o crescimento pessoal (Itten, 1975, pp. 8-9). O estudo dos grandes mestres do passado, o conhecimento dos seus métodos de trabalho era também considerado útil, pois segundo Itten eleva a atenção à ordem e disposição na área pictórica e a sensação de ritmo e textura; no entanto, este estudo poderia ser um obstáculo ao desenvolvimento – mas apenas na ausência de um atento autocriticismo. De cada vez que os princípios da forma, ritmo ou cor eram discutidos, pedia aos alunos para analisarem obras relevantes para fazê-los ver como diferentes mestres resolveram um dado problema (Itten, 1975, pp. 12-13).

Para este professor-artista,

“(...) era necessário experimentar e demonstrar o caráter dos materiais. (...) Para aprofundar e controlar a sua perceção os alunos tiveram de olhar, tocar e desenhar materiais como a madeira, casca e peles até serem capazes de desenhá-los pelo coração, sem os originais, a partir da sua sensação pessoal (...). Tal estudo da reprodução da natureza, de memória, dos objetos observados e experienciados é uma interpretação, e não um processo de imitação. Desenhos produzidos desta maneira aparecem instantaneamente vivos e convincentes. " (Itten, 1975, pp. 34-35)

Itten considerava que os exercícios de composição de formas abstratas contribuem para o melhoramento do pensamento e ao mesmo tempo do estudo de novos meios de representação. O problema das proporções era examinado em linhas, planos e volumes. Os exercícios de variação e combinação serviam também para levar mais longe o pensamento. Por exemplo, quatro fósforos podiam tornar-se uma experiência dinâmica, pois estes pequenos palitos com extremidades redondas são uma fonte de um grande número de novas constelações de figuras, através de movimentações, rotações, reflexões, intersecções mudanças de proporção, brilho, escuridão, cor e também na combinação destas variações. A partir de formas e divisões básicas podemos conseguir um grande número de outras formas. O seu conhecimento fortalece e aprofunda o pensamento lógico dos estudantes em termos de forma. Também o estudo de formas tridimensionais e da sua representação era de grande importância e, depois de os alunos explorarem formas tridimensionais, estas eram reproduzidas em pinturas bidimensionais; o efeito tridimensional era desmaterializado e

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substituído pela pintura plana, em que a composição, a distribuição correta dos pontos mais acentuados concretizava o efeito pictural. Na superfície bidimensional, um centro principal leva o observador a uma profunda quietude no olhar, enquanto outros pontos de igual força chamam a atenção do olho para se mover entre eles (Itten, 1975, pp. 62- 63).

Desta forma, Itten conseguia, seguindo o seu próprio modelo de professor, criado de forma refletida e fundamentada, capacitar os alunos para a compreensão dos aspetos essenciais da linguagem artística, de modo a que a utilizassem autonomamente. De acordo com uma visão holística da prática artística e do ensino, segundo uma perspetiva integral e um entendimento geral dos fenómenos, para além da análise isolada dos elementos e das técnicas que os constituem.

Este é um dos muitos modelos possíveis, em que se materializa uma forma de ensinar própria de um artista que é também professor. É também um exemplo e uma forte inspiração para o trabalho que aqui desenvolvemos, tendo em conta que é muito importante dispor de uma linha de atuação pedagógica e didática delimitada, que possa nortear o trabalho a realizar de modo a que se consiga o desenvolvimento desejado das aprendizagens, de modo a que os alunos se tornem autónomos, de forma integral, na manipulação de conceitos na prática do desenho e das artes plásticas.

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