En guise d’introduction : peut-on modéliser la complexité ?
Chapitre 1 : Sciences humaines et sociales, géographie et modélisation spatiale et modélisation spatiale
1.2. La modélisation en géographie : graphique et cartographie
1.2.1. Analyse spatiale et chorèmatique 1.Analyse spatiale
A não-adesão aos tratamentos constitui provavelmente a mais importante causa de insucesso das terapêuticas, e introduz disfunções no sistema de saúde através do aumento da morbilidade e da mortalidade. Na verdade, como referem Meichenbaum e Turk (1987, citados por Delgado e Lima, 2001), a não-adesão aos tratamentos constitui o grande problema comum partilhado por quase todas as doenças e perturbações.
A baixa ou não-adesão aos tratamentos e terapêuticas de doenças crónicas e perturbações mentais revela- se um problema de magnitude mundial, na medida em que afecta tanto os países desenvolvidos, pois
cerca de 50% dos casos dependentes de medicação registados apresentam baixa adesão do individuo à terapêutica (Delgado e Lima, 2001) (Gráfico 13/Tabela 27). Da mesma forma que é muito baixa a taxa de manutenção de mudanças nos estilos de vida, como, por exemplo, alteração do regime alimentar (Delgado e Lima, 2001; WHO, 2002a; Sabaté, 2003; Singh e Kansra, 2006).
Gráfico 13: Representação da adesão à medicação no tratamento da hipertensão.
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60%
China Gâmbia Seichelles USA
Adesão à medicação anti-hipertensão
Tabela 27 – Adesão a diferentes tipos de terapias Adesão a diferentes tipos de terapias
Depressão 40%-80% Perturbação Bipolar 47%-52%
Asma 28%-43% SIDA 37%-83%
Fontes: Sabaté (2003); Santin, Ceresér e Rosa (2005). Fonte: Sabaté (2003);
A temática da adesão ao tratamento tem sido muito explorada e investigada nos últimos 30 anos, principalmente por causa do impacto desta problemática, que tem vindo a aumentar exponencialmente e de modo proporcional ao crescimento das doenças mentais e perturbações mentais. (Sabaté, 2003; Bosworth, et al, 2005). As consequências negativas desta problemática afectam tanto ao nível da saúde individual, como também aumentou, grandemente os custos ao nível do sistema de saúde (Sabaté, 2003).
A adesão terapêutica é condicionada por diversos factores, tais como: os sociais e económicos, factores inerentes ao sistema/equipa de cuidados e serviços de saúde, factores característicos da doença/perturbação, da eficácia das terapias e mesmo das características dos pacientes (Sabaté, 2003; Singh e Kansra, 2006).
Fonte: Frayne e Wilbourne (2006:46). Ilustração 4 – Factores importantes que influenciam a adesão ao tratamento.
Outros factores importantes na adesão ao tratamento são: capacidade de comunicação dos prestadores de cuidados; convicção do doente quanto à utilidade do regime recomendado e a sua capacidade de obter medicamentos ou outros tratamentos recomendados a um custo razoável (factores relacionados com as crenças, atitudes, comportamentos, idade do paciente, o seu nível educacional, o apoio sócio-comunitário, o seu funcionamento cognitivo e emocional).
Singh e Kansra (2006) referem que a eficácia da terapia das patologias e perturbações crónicas depende do “quão bom” o tratamento é, bem como “quão bem” o paciente adere a ele. Isto é, os resultados de um bom tratamento surgem somente, quando o paciente demonstra motivação suficiente para por em pratica as exigências e as recomendações terapêuticas.
Neste sentido, a promoção da adesão em qualquer tipo de terapia, revela-se num importante objectivo, que possibilita não só melhorias directas ao estado de saúde do paciente, como também e principalmente, permite capacitá-lo para lidar de forma mais adequada a doença/perturbação que apresenta (Sabaté, 2003). De acordo com Murphy e Coster (1977, citados por Marin, et al, 2003), uma boa adesão implica que o paciente seja capaz de:
• Perceber e cumprir as recomendações clínicas; • Utilizar o medicamento como prescrito;
• Adoptar as mudanças aconselhadas no estilo de vida;
• Realizar os procedimentos diagnósticos e de monitorização recomendados;
Sendo assim, importa referir que a adesão relacionada com a saúde é compreendida tendo em conta duas perspectivas: a adesão comportamental (comportamentos relacionados com a melhoria da saúde: deixar de fumar, fazer exercício físico, mudar hábitos alimentares, etc.) e a adesão médica (especificamente relacionada com a toma da medicação prescrita) (Sousa, 2003).
Por seu lado, Marin, et al, (2003) referem que a não-adesão caracteriza-se por um desvio significativo do tratamento ou do regime terapêutico prescrito, mesmo que esse desvio não apresente consequências clínicas. Geralmente, a não-adesão acarreta consequências negativas ao processo terapêutico por:
a. Desorganizar potenciais benefícios do tratamento;
b. Submeter o paciente a técnicas de diagnósticos e procedimentos terapêuticos desnecessários; c. Exacerbar ou prolongar a doença;
d. Comprometer a avaliação médica no que se refere à resposta do paciente a um tratamento ou à qualidade do tratamento empreendido;
e. Acarretar sofrimentos, angústia e danos ao paciente;
f. Interferir negativamente na relação médico-paciente (Marin, et al, 2003).
Avaliação: A necessidade de observação e avaliação da adesão revela-se muito importante na eficiência e
sucesso da intervenção e tratamento, principalmente para garantir que o paciente compreende e além de se comprometer, efectiva realmente as mudanças exigidas para o seu tratamento. No entanto, não existe um “regra de ouro” para a avaliação do constructo “adesão”, sendo por isso necessário a utilização de diversas estratégias (Delgado e Lima, 2001; Sabaté, 2003; Pires, 2006).
Em termos práticos não existem instrumentos psicométricos destinados exclusivamente à avaliação do comportamento de adesão, no entanto, alguns questionários da personalidade podem revelar alguns traços relacionados com a facilidade ou não para a adesão, bem como questionários comportamentais relativos à recomendação médica, orientados ao registo da frequência da toma dos medicamentos e das refeições (que possibilitam por exemplo a avaliação das perturbações alimentares) (Leite e Vasconcellos, 2003;
Sabaté, 2003; Leite, 2006).
No contexto da sua avaliação alguns métodos e estratégias revelam-se pouco económicos (medication
event monitoring system – MEMS) ou dependem de informações tecnológicas dificilmente disponíveis
(base de dados das farmácias) que se tornam inviáveis para a maioria da população que precisa dela (Pires, 2006).
Escolher o “melhor” método de avaliação dos comportamentos de adesão implica conhecer profundamente um conjunto de instrumentos psicométricos que incluem itens e dimensões, que revelam indícios da adesão ou não-adesão. Por isso, a utilização de um único método de avaliação pode ser ineficaz e inadequado, sendo que, pelo contrário, recomenda-se a utilização de um conjunto diversificado de métodos e estratégias (Sabaté, 2003; Pires, 2006).