Chapitre IV : Les activités des marxistes (1947-1959)
4.1 Les activités du pôle marxiste en faveur du panjabi entre 1947 et 1955 .1 Activités du groupe progressiste
4.1.3 Mian Iftikharuddin et Imroz .1 Mian Iftikharuddin
4.1.3.2 Profil du quotidien Imroz et sa position sur la question linguistique
Alguns anos depois do encerramento dos conventos de Entre Douro e Minho, em 1832 e 1834, os livros das suas bibliotecas, nomeadamente os manuais de arquitectura e gravuras, foram transferidos para o Museu do Porto e para a futura escola de Belas Artes e Biblioteca Municipal. Foi um trabalho feito sem grande cuidado e, sobretudo, sem qualquer inventário. E o inventário é fundamental porque se os livros não tiverem marcas de posse – e muitas vezes não as tinham – não se consegue saber a sua proveniência, se vieram de conventos extintos ou se têm outras origens, se pertenceram a conventos de Braga, Guimarães, Barcelos, Porto ou outro local qualquer.
Num estudo feito para a América Latina, afirma-se que em cada convento havia em média de quatro tratados de arquitectura304. Infelizmente não se pode ainda afirmar o mesmo para o Norte de Portugal pois ainda não foi feito um estudo das suas bibliotecas.
É muito provável que o mosteiro de Tibães, a casa mãe da Congregação Beneditina portuguesa, tenha sido o que possuía a melhor biblioteca. Teria Tibães mantido relações com as casas da sua Congregação existentes na Baviera e na Áustria? Não conhecemos documentação que aponte nesse sentido.
No inventário dos bens feito após a morte do arcebispo D. José de Bragança, encontramos referências a gravuras mas é tão sumária a descrição
303
Veja-se a fachada desta capela, fotografada muito poucos dias antes da sua demolição, em
Braga doutros tempos, fotografias do arquivo da foto aliança. Braga: Museu da Imagem, 2005,
foto 93. Infelizmente não se conhecem fotografias do seu interior.
304
TORRES REVELO, José – Tratados de Arquitectura utilizados en Hispanoamerica (siglos XVI – XVIII. Revista Interamericana de Bibliografia, Washington, 6 (1), 1956, p. 3-24.
que não se consegue perceber se eram gravuras com temas historiados ou com ornatos. A verdade é que, para a talha e para a arquitectura, era muitas vezes mais importante o conhecimento das cartelas envolventes que do próprio tema central das gravuras. Veja-se, por exemplo, o caso dos registos de santos, sobretudo os dos irmãos Klauber, que para além de poderem acentuar o fervor religioso dos crentes também serviram como material fundamental de informação para entalhadores e escultores.
Sem um inventário exaustivo de todos esses livros, de todas estas gravuras, de todos estes registos de santos, das portadas dos livros que circulavam ou existiam nas Bibliotecas, não conseguiremos ter todos os dados necessários para um conhecimento perfeito da arte Seis e Setecentista de Entre Douro e Minho.
Pese o trabalho fantástico já levado a cabo por Marie Thérèse Mandroux-França305, há ainda muito a fazer. Lembramo-nos, por exemplo, e no caso das gravuras, que há cerca de 35 anos encontramos no espólio de um pequeno alfaiate e fotógrafo bracarense, Leite da Silva, cerca de umas duas ou três dezenas306 de gravuras com ornatos, fontes, etc. que ele dizia terem pertencido a um antepassado seu, o apontador de Obras Públicas António Augusto Pereira, autor307, por exemplo, da segunda parte do escadório do Bom Jesus do Monte (1885); de um projecto de reorganização do Santuário do Socorro, em Labruja, Ponte de Lima; das notáveis pontes sobre os rios Cávado e Homem no lugar da Ponte do Bico (1864); de uma fonte em Braga (1868); das grades do antigo Passeio Público desta cidade (1859), etc. Infelizmente, essas gravuras do espólio de Leite da Silva parecem estar hoje inacessíveis.
305
FRANÇA, Marie Thérèse Mandroux – Information artistique et “Mass-Media” au XVIIIe au Portugal. La difusion de l’ornement gravé rococo au Portugal. Bracara Augusta, Braga, 27 (76), 1973, p. 412-445. FRANÇA, Marie Thérèse Mandroux – L’image ornementale et la litterature artistique importées du XVIe au XVIIIe siècle. Un patrimoine méconnu des bibliothèque et musées portugais. Boletim Cultural da Câmara Municipal do Porto, Porto, 2ª série. 1. 1983. p. 143-205. MARIETTE, Pierre-Jean – Catalogues de la Collection d’ estampes de Jean V, roi de
Portugal. 3 vols. Paris, Fundação Calouste Gulbenkian, 1996.
306
Muito longe, portanto, do que se passava, por exemplo, no séc. XVI na vizinha Espanha, em que Jerónimo Hernández tenía 350 estampas y Lopez de Gamiz dejó a su muerte “dos libros
de estampas” (CABEZAS, Lino – El dibujo como invención: idear, construir, dibujar. (En torno al pensamiento gráfico de los tracistas españoles del siglo XVI). Madrid: Cátedra, 2008).
307
Não há ainda nenhum estudo sobre este autor. Veja-se entretanto o livro de Eduardo Pires de OLIVEIRA - Arte religiosa e artistas em Braga e sua Região (1870 – 1920), Braga: APPACDM Distrital de Braga, 1999, p. 239.
Qual teria sido a sua origem? E de onde é que proviriam outras gravuras, outros desenhos que a documentação pontualmente refere como estando nas mãos de mestres pedreiros ou de mestres entalhadores e que eram utilizadas como modelos?
A verdade é que essas gravuras terão forçosamente circulado senão não se conseguiria perceber o paralelo tão evidente existente, por exemplo, entre uma gravura de Gotfried Bernard Goz e o retábulo-mor de Tibães como já referiram Pierre Charpentrat308 e Robert Smith309 ou entre um ornato de Franz Xaver Habermann e os dois painéis de azulejo agora expostos no átrio do Paço Arquiepiscopal de Braga, entre outros azulejos que pertenceram ao Museu Dom Diogo de Sousa e que já ali deveriam estar, pelo menos, em 1929, talvez provenientes da ala mandada construir pelo arcebispo D. José neste mesmo palácio310.
Terá André Soares frequentado a biblioteca do mosteiro de Tibães? Terá compulsado os livros das estantes da biblioteca dos Jesuítas? É bem possível, tanto mais que sabemos que teve relações muito próximas com estas instituições, como veremos mais adiante, sendo que no caso dos Jesuítas não só projectou obras para a sua igreja mas, também, emprestou uma enorme quantia de dinheiro em condições anormais porque com menos de metade do valor do juro que corria.
Os Jesuítas311 poderão ter sido outra das fontes de informação / formação do jovem André. Inácio José Peixoto diz-nos com a sua imensa sabedoria:
Os jesuítas ensinavão a mocidade e contradizião a todos os mais mestres públicos, nem podião sofrer o magistério dos neris. Entre huns e outros havia contestaçoens e aversão por emulação312.
308 CHARPENTRAT, Pierre – L’art baroque. Paris: Presses Universitaires de France, 1967, p.
109-111.
309
Frei José Vilaça..., vol. 1, gravuras 56 e 57.
310
Frei José Vilaça..., vol. 1, gravuras 41 e 42.
311
Agradeço a Manuel Joaquim Moreira da Rocha a sugestão para explorar esta pista.
Noutro passo, acrescenta que hum jesuíta era meio arcebispo e, ainda, que D. José de Bragança foi hóspede dos jesuítas na sua chegada a Braga e posse313.
No domínio artístico os Jesuítas também avultavam pois tinham sido eles que, em 1725, tinham concebido o programa artístico e simbólico do Escadório dos Cinco Sentidos, no Bom Jesus do Monte314 e, de certa forma, também o tinham financiado315. Houve, inclusive, um jesuíta, o padre António Carvalho, que para além de ter sido professor de gramática foi bem conhecido como poeta e pintor316. Mas apesar destas capacidades, quer da Ordem, quer de alguns dos seus membros, não era nesse sentido que ia a sua actuação no domínio do ensino317.
Infelizmente não se conhece a documentação que a Casa tinha. Sabe- se que aquando da extinção da Ordem, foram dadas instruções para que se fizessem minuciosas descrições das suas bibliotecas318. Houve directrizes por parte do Governo para serem recolhidos no edifício da Câmara Municipal todos os papeis que se achassem no cartório do dito collegio... debaixo de três
chaves, instruções estas que, porém, só foram dadas em 1769319; em Novembro de 1784 foram entregues ao Ouvidor todos os papeis que tinham pertencido aos Jesuítas320. Mas a partir daí perde-se-lhes o rasto, o que nos
313 PEIXOTO, Inácio José – Memórias particulares de... Braga: Arquivo Distrital, 1992, p. 6. 314
MASSARA, Mónica F. – Santuário do Bom Jesus do Monte: fenómeno tardo barroco em
Portugal. Braga: Confraria do Bom Jesus do Monte, 1988, p. 69.
315
MASSARA, Mónica F. – Santuário do Bom Jesus do Monte: fenómeno tardo barroco em
Portugal. Braga: Confraria do Bom Jesus do Monte, 1988, p. 69; CAPELA, José Viriato – Os Jesuítas bracarenses e o seu papel no ensino e nas reformas morais e espirituais do século XVIII. Cadernos do Noroeste, Braga, 3 (1-2), 1990, p. 271.
316 PEIXOTO, Inácio José – Memórias particulares de... Braga: Arquivo Distrital, 1992, p. 22. 317 CAPELA, José Viriato – Os Jesuítas bracarenses e o seu papel no ensino e nas reformas
morais e espirituais do século XVIII. Cadernos do Noroeste, Braga, 3 (1-2), 1990, p. 245-276.
318
CAEIRO, José – História da Expulsão da Companhia de Jesus da Província de Portugal
(séc. XVIII). Vol. 3. Lisboa: Verbo, 1999, p. 53.
319 FREITAS, Bernardino Sena – Memórias de Braga. Vol. 3. Braga: Imprensa Catholica, 1890,
p. 196.
320
AMB. Actas da Câmara. 1782-1788. Caixa 24, Livro nº 47, fól. 58. Sessão de 1 de Novembro.
impossibilita de conhecer, entre outra documentação, o catálogo da biblioteca321.
Em 1754, o Arcebispo D. José que tão amigo tinha sido desta Ordem, entrou em choque violento, sendo mesmo proibidos os seus membros de entrar no Paço Arquiepiscopal, de pregar, etc.322. O povo, porém, não seguiu essa orientação porque quando quis pedir a intercessão divina e agradecer a Deus o ter salvo a cidade do terramoto, dirigiu-se a Nª Sª da Torre, que estava à guarda dos Jesuítas. O arcebispo iniciou, então, uma maior ligação ao Cabido, com quem antes tivera violentíssimos choques.
Sabe-se que houve um relacionamento próximo de André Soares com os Jesuítas pois em 1758 emprestou-lhes a imensa quantia de 3.000 cruzados com um juro muito inferior ao que era corrente, apenas 2%323; alguns dos seus familiares pertenceram à confraria de Nª Sª dos Prazeres, existente na Igreja de S. Paulo, cujo retábulo teve forte intervenção de André Soares. São estes, porém, os únicos elementos que nos permitem estabelecer alguma ligação entre André Soares e os Jesuítas, não se conseguindo sequer conhecer a data em que houve os primeiros contactos
Outra das hipóteses que se poderá colocar sobre a formação de André Soares passa pela pessoa do frade cisterciense Frei Luís de S. José324. São vários os factos que nos permitem assim pensar:
- foi muito conceituado na cidade, tanto que Inácio José Peixoto o incluiu entre os homens celebres neste tempo (1748- ) na cidade [de Braga]:
321
Sabemos que durante a sua vida o padre jesuíta Lúcio Craveiro da Silva, e como ele muitos outros seus confrades, tentaram encontrar esta documentação, mas sempre com resultados infrutíferos.
322
PEIXOTO, Inácio José – Memórias particulares de... Braga: Arquivo Distrital, 1992, p. 10; ADB. Ms 1054: THADIM, Manuel José da Silva – Diario bracarense das Epocas, Fastos e
Annaes mais remarcaveis..., p. 390-391. CAEIRO, José – História da Expulsão da Companhia
de Jesus da Província de Portugal (séc. XVIII). Vol. 2. Lisboa: Verbo, 1995, p. 53-55. CAPELA,
José Viriato – Os Jesuítas bracarenses e o seu papel no ensino e nas reformas morais e espirituais do século XVIII. Cadernos do Noroeste, Braga, 3 (1-2), 1990, p. 265-268.
323
ADB. Nota Geral, vol. 775, fls. 198-198v, documento datado de 24 de Março de 1766.
324
As justificações histórico-documentais sobre a vida e obra de Frei Luís de S. José são apresentadas no volume 3 desta dissertação em que apresentamos a biografias dos artistas que trabalharam na região de Braga.
Fr. Luís, monge de Cister, irmão do arcediago de Vermoim e do monge Fr. Bento, benidictino: foi eminente na Architectura.
- em 1728 ou 1729 desenhou uma planta de Braga, tão boa que o rei lhe pediu que fizesse outras para o Porto e mais cidades.
- em 1755 informou que já há algum tempo estava a trabalhar como arquitecto do arcebispo D. José de Bragança e que antes fora arquitecto real.
Além disso foi autor, desde pelo menos 1713, de uma imensidade de riscos de arquitectura, talha e outras artes, sendo que alguns desses trabalhos correspondem a obras de grande vulto e visibilidade: parte superior da frontaria da igreja de S. Vicente, Braga (1713); retábulo-mor da igreja do Convento do Lorvão (1717); aqueduto de Vila do Conde (1728); planta do cadeiral do mosteiro de Tarouca (1728 ou 1729), etc.
Pela sua biografia vê-se que era um homem natural desta região e dotado de uma grande mobilidade. Essa mobilidade e o seu estado poder-lhe- ia permitir entrar nas mais diversas bibliotecas e ver as obras das regiões onde trabalhou, pelo menos o Norte e Centro do país.
O mapa que desenhou no final da década de 1720 poderá ter sido visto por André Soares que também desenhou um mapa de Braga, em 1756. Mas como não se conhece o de Frei Luís, não se pode avaliar até que ponto poderá, ou não, ter servido como modelo.
A referência feita em 1755 de que há algum tempo estava a trabalhar na corte de D. José de Bragança, leva-nos de imediato a colocar algumas questões. Desde quando? Desde 1754 data em que os Jesuítas deixaram de ter o apoio do arcebispo? E será que a relação entre André Soares e o arcebispo também sofreu devido a esta questão?
Não temos respostas para as duas primeiras questões. Mas em relação à terceira é possível que sim pois não só não foi escolhido para o cargo como em 14 de Abril de 1756 foi assinado o contrato do preenchimento com talha do espaço ainda disponível do arco onde se inseria o altar da confraria de
Nossa Senhor do Prazeres, na igreja dos Jesuítas, sob seu projecto, ainda em vida do arcebispo, portanto325.
Quase se pode dizer que a vida de Frei Luís teve como epicentro Braga, pois tanto estava na cidade como já se encontrava noutros locais, de preferência cistercienses, mas não obrigatoriamente como, aliás, aconteceu com Frei José Vilaça que projectou muito para além das igrejas da sua Congregação.
Olhando-se para os trabalhos conhecidos de Frei Luís, não se pode dizer que encontramos paralelos com a futura obra de André Soares. A grande obra do arcebispo realizada no período em que o monge cisterciense esteve a trabalhar sob a alçada do arcebispo, o Palácio de Palmeira (fig. 362), nada tem que nos remeta para o universo de André Soares; o problema é que também não temos documentação nenhuma sob a sua construção pelo que nem sequer podemos dizer com absoluta segurança ser esta uma obra de Frei Luís, embora pareça óbvio que lhe deva ser atribuída326.
325
D. José de Bragança morreu em 3 de Junho de 1756, com 53 anos.
326
O Paço de Palmeira nunca foi objecto de estudo. Veja-se, contudo, CARVALHO, Teresa Martins – Paço de Palmeira. Lisboa: Banco Português do Atlântico, 1983; FARIA, Daniela de Carvalho – Paço da Palmeira. Lisboa: Fundação Millennium BCP, 2008. FREITAS, Bernardino de Sena – Memórias de Braga, vol. 1. Braga: Imprensa Catholica, 1890, p. 315; e PEIXOTO, Inácio José – Memórias particulares de... Braga: Arquivo Distrital, 1992, p. 11, 34, 40, 77, 104, 187. No livro Banco Português do Atlântico, publicado sob a edição literária de Agustina Bessa Luís (Porto: Banco Português do Atlântico, 1969, p. 165), afirma-se, sem qualquer justificação, que o Paço de Palmeira consta ser dum arquitecto italiano ao serviço de D. José de